Possíveis escalações de Remo e Paissandu

Nem bem a semana começou, com a confirmação de dois clássicos entre os dois maiores rivais do futebol paraense, os técnicos já começam a definir os times para a Taça Super Clássico da Amazônia. No Paissandu, Roberval Davino treina a equipe no sistema 3-6-1, com a seguinte escalação (sete estréias): Paulo Rafael; Marcus Vinícius, Tiago Costa e Fábio Sancres; Pikachu (foto), Ricardo Capanema, Fabinho, Alex William, Tiago Potiguar e Régis; Kiros.

Flávio Lopes, que ainda tem indefinições na defesa, prepara o Remo no 4-4-2. O time mais ou menos escalado com cinco estreantes e a possibilidade de utilizar o centroavante Adriano Magrão, caso ele se apresente a tempo de treinar: Adriano; Dida, Ávalos, Juan Sosa e Paulinho; André, Jhonnatan, Ratinho (Magnum) e Reis (foto); Fábio Oliveira (Adriano Magrão) e Cassiano. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

A nova aventura do Gaúcho

Por Gerson Nogueira

Há quem não acredite na velha máxima de que o futebol é tão generoso que às vezes parece coração de mãe, mas os fatos vivem a atestar isso. Basta ver o que ocorre hoje com Ronaldinho Gaúcho, que saiu do Flamengo pela porta dos fundos, rejeitado pela torcida e exigindo graciosamente R$ 40 milhões como indenização trabalhista.
Nem bem sentou a poeira da notícia de seu desligamento com o time carioca eis que o jogador aparece, com aquele sorriso dos que têm o boi na sombra, treinando com o elenco do Atlético-MG, em Belo Horizonte.
De um salário que beirava R$ 1,5 milhão no Flamengo, Ronaldinho terá – segundo fontes mineiras – uma redução de R$ 500 mil: vai embolsar no Galo mensalmente R$ 1 milhão mais participações em propaganda e marketing. 
Para quem terminou a semana desempregado e com a imagem mais do que arranhada pela fraca passagem pelo rubro-negro do Rio, o ex-melhor do mundo sai no lucro. É a reafirmação de que nenhum outro ofício moderno permite ganhos tão fantásticos quanto o futebol e pratica regras tão flexíveis.
Pela natureza quase informal das relações profissionais, com dirigentes que têm a cabeça ainda no Brasil Colônia, é uma profissão que brinca o tempo todo com a malandragem.
O próprio torcedor, que protesta ferozmente quando o atleta não corresponde em campo, costuma ser condescendente com seus craques mais queridos. Até Reinaldo, um dos maiores ídolos atleticanos, reagiu meio brincando, meio a sério: “Vamos criar um pagode para ele aqui em Minas”, referindo-se à conhecida paixão do boleiro pelo samba e demais folguedos noturnos. 
Como BH não é o Rio de Janeiro e o Galo não é assim tão bagunçado quanto o Flamengo, há uma grande expectativa quanto à disposição que move Ronaldinho e até que ponto ele pode render em campo. Apesar do talento natural indiscutível, o jogador vem caindo de rendimento a cada temporada, desde que deixou o Barcelona e passou pelo Milan antes de aportar na Gávea.
O futebol é rico em histórias de jogadores que se superam diante de desafios na carreira. No fundo, o ambiente novo e as necessidades de provar que ainda pode jogar em alto nível funcionam como doping para um atleta no crepúsculo da profissão.
A dúvida é se esse ânimo de Ronaldinho será duradouro e capaz de fazer diferença no Campeonato Brasileiro, competição difícil, mas de nível técnico mediano. De minha parte, já há algum tempo, não creio em milagres.
 
 
Gracinha do dia na internet, proporcionada pela notícia da surpreendente contratação atleticana. “Depois de aprontar com o Urubu, Ronaldinho está pronto para depenar o Galo”.
 
 
Acompanho com atenção as entrevistas dos técnicos de Remo e Paissandu a propósito do Re-Pa marcado para domingo. Pisando em ovos, ambos tentam aparentar entusiasmo com a idéia, mal conseguindo disfarçar a apreensão com a perspectiva de um resultado negativo que venha a causar turbulências.
O Re-Pa é um clássico tão marcado pela rivalidade que, mesmo sem caráter oficial, pode desempregar. Várias cabeças já rolaram em função de derrotas para o principal rival. Cientes dessa sombria tradição, Flávio Lopes e Roberval Davino foram os últimos a concordar com a realização do jogo.
Os jogadores recém-contratados também querem distância de um desafio desse porte. Sabem que uma tarde infeliz pode irritar a massa e representar o fim da linha no clube. Nesse sentido, a confirmação de dois jogos – valendo a Taça Super Clássico da Amazônia – só redobra a aflição de todos os envolvidos.
 
 
Direto do blog
 
“Será, em 98 anos, o segundo Re-Pa na data de aniversário do primeiro Remo e Paissandu da história deste clássico, que é, salvo prova em contrário, o mais jogado do mundo. Desde 1914, jamais se repetiu o clássico-rei nessa data. Apesar da proximidade da Copa, se os clubes tiverem um pouco de visão, poderá ser realizado o Re-Pa do centenário exatamente nesta data em 2014”.
 
De Antonio Valentim, acentuando a importância histórica do Re-Pa marcado para domingo.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 05)