Vivendo e aprendendo a jogar

Por Gerson Nogueira

De tempos em tempos, o mundo descobre uma tese revolucionária quanto à formação de jogadores. Nos primórdios, quando não havia tanto informação disponível, os moleques aprendiam na marra, correndo atrás de um balão duríssimo – que virava um artefato perigoso em dias de chuva. Ensinamentos táticos eram raros, mas praticava-se a liberdade.
Os moleques não ficavam presos à marcação, nem eram orientados a parar jogadas no tranco. Aprendiam desde cedo a arte do drible e os fundamentos básicos de como tratar bem a bola. Os tempos mudaram, a vida se modernizou. Toda a história do futebol, mais de um século de experiência acumulada, está ao alcance de todos. Basta clicar na tela do computador.
Mas quem disse que o bombardeio de informações garante a boa aplicação do conhecimento? Mesmo diante de tanta teoria exposta nos livros e acesso a vídeos dos jogos mais importantes de todos os tempos, técnicos botocudos ainda orientam erradamente os garotos. 
Não por acaso, o surgimento de um Neymar ou um Paulo Henrique Ganso é fenômeno digno de celebração. Mesmo na pátria do futebol, onde garotos bons de bola brotam como capim na rua, é cada vez mais raro descobrir um legítimo candidato a craque.
A chave para explicar a estiagem de talento pode estar na transmissão de conhecimento. A maioria dos “professores” não está habilitada a ensinar direito. Na verdade, prestam um desserviço à causa, sufocando carreiras que poderiam ser brilhantes. 
Na esteira desse debate que interessa a todos os que apreciam o jogo bem jogado, de repente aparece o ala Falcão, considerado o maior astro do futebol de salão (insistentemente chamado hoje de futsal), a defender um ponto de vista no mínimo polêmico. Segundo ele, meninos de até 11 anos devem ser proibidos de jogar futebol de campo.
Falcão justifica a restrição alegando que no futsal as crianças pegam até 30 vezes na bola durante uma partida. Já no futebol de campo esse contato com a bola cai para 10 ou 15 vezes. Quem já praticou as duas modalidades sabe que a informação é correta. Resta saber se o reduzido espaço do salão não prejudica a construção do futuro atleta de campo, que precisa ter fôlego e maior visão de jogo.
Cabe observar que essa transição da quadra para o gramado – que foi tranqüila e natural para gente do porte de Rivelino e Ronaldo Fenômeno, por exemplo – não funcionou com o próprio Falcão, que fracassou ao tentar reprisar no São Paulo o sucesso que desfruta nas quadras.
Prefiro crer que os craques surgem independentemente do terreno onde pisam. Pelé, Garrincha, Tostão, Nilton Santos, Didi, Maradona e Messi nunca tiveram contato prolongado com as quadras, mas se revelaram monstros do futebol. No fundo, mais do que palco, o talento precisa de oportunidade.    
 
 
Questionada pela demora em buscar reforços para completar o elenco, a diretoria do Remo agiu rápido e queimou logo quatro cartuchos de uma só vez. Acertou ao anunciar ontem a contratação de Marciano e Didão, jogadores que tiveram boas passagens pelo clube, mas espalha incertezas quanto ao meia Juliano e ao goleiro Jamilton, ambos procedentes do futebol goiano. É preocupante a aposta em jogadores desconhecidos, que irão ser testados na disputa do campeonato estadual. Experiências do gênero já acarretaram em prejuízos sérios em temporadas recentes.
Ao mesmo tempo, dirigentes e colaboradores ilustres ainda se movimentam para conseguir a chamada “contratação de impacto”, termo que provoca calafrios na torcida depois do caso Finazzi.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 08)

14 comentários em “Vivendo e aprendendo a jogar

  1. Parabéns pela coluna, amigo Gerson.
    – Acompanho de muito tempo a carreira de Luxemburgo e Dorival Jr e, os dois falaram certa vez, que o ideal era que todo garoto, antes de ir para o campo jogar futebol, fosse 1º para o Futsal e, deram diversas explicações, no que concordei plenamente.
    – Falcão não deu certo no Futebol, pelo fato de ter procurado jogar muito tarde e, Luxa falava isso na época: “a idade dele não irá permiir que tenha o mesmo sucesso do Salão”. E, deu no que deu.
    – Quanto as contratações do Remo……, deixa pra lá….

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    1. Concordo com a avaliação de que o Falcão (aliás, péssimo exemplo de atleta, metido a estrela) começou tarde no futebol, mas acho queestionável essa orientação para só jogar futebol de campo a partir dos 11 anos.

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  2. Aliás, agora, quando eu falar sobre o Remo, vou me desarmar, como falam. Lá vai;
    – O Sinomar está no caminho certo;
    – Foi boa essa derrota de 3×0, pois se pensava(égua, ta bom..) que o Remo já era favorito ao título;
    – Vou ao campo no próximo amistoso do Remo e, vibrarei, como nunca;
    – Olha o Rosas o Hamilton e o Minowa estão fazendo um bom trabalho e, o Cabeça, quase não aparece, mas deve estar muito ocupado planejando o engrandecimento do Leão. Deve ser isso;
    – Já passei e-mail para os amigos, convidando todos para ir ao campo assistir aos jogos do remo, temos que apoiar o Leão, pois está no camino certo;
    – O Marciano voltou, o Marciano voltou ôô…. não importa se ele estave no Remo em 2010 e o Leão não ganhou um turno sequer, mas temos que nos desarmar. Vamooooooooooos;
    – Espero que a UMBRO já esteja vendendo a camisa do Remo e, não tire aquelas 5 estrelas, muito importantes para a vida do Leão Azul.
    – Desculpem, vou parar por aqui, depois tem mais. Comecei a passar mal…

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  3. Sobre dimensões de campo, grandes jogadores nunca jogaram o futsal, pois onde moravam não existiam quadras, o Pelé, Garrincha, Maradona são exemplos disso, aprenderam sim, em pequenos campos de várzea, com bola menores e mais leves, depois é que foram jogar em campos de dimensões maoires e com bola mais pesadas. Hoje, garotos a partir de 8 anos já estão nas escolhinhas “aprendendo” a jogar com bolas do tamanho de suas canelas e com peso totalmente desproporcional às suas condições. Os verdadeiros craques surgiam jogando com as bolas “Pelés” furadas!
    Claudio concordo com vc quanto a avaliação das contratações do Remo, Marciano e Didão ganharam o quê, pra serem considerados reforços? E já podem ser considerados “jurássicos”!

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    1. Otávio, não existem craques disponíveis (e a preços módicos) para a dupla Re-Pa contratar. Marciano, pelo menos, fez um bom campeonato em 2009. Entendo que o momento requer serenidade. O amigo Marcelo, em comentário feito há alguns minutos, tem razão quando diz que há exagero nas cobranças e críticas ao Remo atual. Fazer timaços requer grana pesada, coisa que um clube sem divisão – e que quase ficou sem-teto por obra do estadista AK – não tem.

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  4. Gerson, talvez o Falcao esteja certo. O processo e o mesmo na natacao. Nas categorias de base o importsnte e desenvolver as habilidades motoras basicas (na matacao, nadar bem os quatro estilos), a capacidade aerobica e a famosa visao de jogo, ou seja, a inteligencia pata usar os seus recursos fisicos e intelectuais de acordo com a situacao da competico. O futebol de salao da toda essa base para um futuro jogador de campo. Somente depois que o moleque estiver mais amadurecido fisicamente e psicologicamente e que ele deveria passar para o campo. Talvez isso evitasse a formacao de tanto perna de pau. Essa e a diferenca da natacao para futebol. Para nadar de forma competitiva, o atleta precisa dominar bem os quatro estlis e ser muito bom mesmo tecnicamente. No futebol hoje, qualquer um, mesmo com profundas limitacoes tecnicas, pode se tornr jogador profissional. Basta ver os times recentes do Remo e Payssandu para compreender o meu ponto. Em resumo, futebol de campo hoje e mais rapido e intelectualmente mais desafiador (porque o jogador precisa tomar decisoes rapidas em poucos segundos), o que apoia a necessidade de uma base solida no futebol de salao.

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  5. Claudio acho que os ultimos insucessos do remo deixam o torcedor desacreditado,tenho minha duvidas se realmente o time do Sinomar vai ter algum sucesso.Mais torço para dar certo,eu não quero ficar criticando para depois no final dizer para todo mundo “Ta vendo eu não disse”. Sei que a tua ideia para o remo é trazer um treinador de fora e deixar que ele monte um time,mais isso não é garantia que vai dar certo. Talvez um Vagner Benazzi ou um Vadão no comando e um elenco com uma folha salarial alta desse certo,mais não vejo ninguem no remo com condições de fazer isso,e te garanto que mesmo que o remo pudesse pagar nenhum desse profissionais viria hoje treinar um time sem série,portanto a realidade é essa e o jeito é torcer para dar certo. Continuo lendo os teus posts,concordo com algumas coisas com outras não,mais repito,na atual realidade do nosso falido futebol é muito facil dizer que nada vai da certo. Em tempo nunca ouvi falar de Columbia de Val de Cans,manda uma novidade desse time,já ganhou o que?revelou algum jogador?.

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  6. Conforme o amigo Valentim anunciou, vou colar a reportagem do blog terra da xelita do amigo garrincha.
    ABC negocia com ídolo do Paysandu

    O próximo alvo do ABC para a temporada 2012 é o meia-atacante Thiago Potiguar. O jogador disputou a
    Série C pelo Paysandu-PA e já vestiu a camisa do Potyguar de Currais Novos, no Campeonato Estadual
    do RN.
    A informação foi confirmada pelo empresário do jogador de 26 anos que deve vir em caráter de
    empréstimo, já que tem contrato com o clube paraense até dezembro de 2012.

    Segundo o empresário do atleta, Stevens Panopoulos, em contato com o vice-presidente de futebol do
    ABC, Flávio Anselmo, o clube potiguar manifestou interesse em contar com a habilidade do atleta
    seridoense para a disputa do Estadual, Copa do Brasil e Série B do Brasileirão.

    “Tivemos algumas conversas sobre o atleta e o ABC demonstrou interesse. Os valores conversados
    estão dentro da realidade do clube, pelo que deu a entender o Flávio [Anselmo] e acredito que até o final
    de semana teremos uma definição sobre o assunto”, afirmou.

    Ainda de acordo com o investidor, que também é empresário do atacante Ricardinho e lateral-esquerdo
    Bruno Barros, ambos com passagens pelo ABC, o acerto depende apenas do aval do técnico Leandro
    Campos, de férias em Porto Alegre.

    E se a única dependência para o acerto e o consequente anúncio oficial for o consentimento do treinador
    abecedista, Thiago Potiguar pode começar a fazer as malas para retornar ao Rio Grande do Norte.
    O comandante gaúcho afirmou não ter conhecimento de qualquer negociação entre ABC,
    Paysandu-PA e Thiago Potiguar, mas assegurou ter interesse no atleta, caso seja possível.

    “Embora seja jovem, é um atleta em ascensão e, se porventura for oferecido, me interessaria”,
    desconversou Campos.
    Fonte:Extracampo

    Do blog Terradaxelita: Thiago Potyguar poderá também jogar em um time paulista da 1ª Divisão!! A chegada do Thiago a Currais Novos está prevista para próxima terça-feira. Vamos aguardar mais formações!

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  7. Amigo Marcelo, voltando a faar do Remo, sem tentar me enganar, lhe digo que u não tenho dúvidas que o Time do sinomar não dará certo, por pensar entender um pouco sobre Futebol. Disse isso qando ele assumiu pela 1ª vez, disse isso, quando o Comeli assumiu , estou dizendo agora. Vale lembrar, que em todas essas situações eu, é que estava no caminho certo.
    – O Remo só não tem dinheiro para contratar um bom técnico, mas tem para contratar jogadores, para enganar certos torcedores. já percebeu isso?
    – Lembra, você que acompanha meus comentários e, eu agradeço, desde já, que disse a quando da chegada do Comeli? Falei: Agora eles dizem que não tem dinheiro para contratar um bom técnico, mas anotem que, quando perceberem o que já percebo desde agora, ou seja que com o Comei não dará certo, como num passe e mágica, aparecerá o dinheiro para trazer o givanildo, que tanto eu pedia no início?
    – Amigo Marcelo, o problema não é de dinheiro para contratar um bom técnico, é que eles com um bom tecnico, não terão como saciar seus desejos, que é de aparecer na mídia, para anunciar esse ou aquele jogador, se prevalecendo do torcedor mais ingênuo, que fica feliz na hora, para chorar depois. O Remo está desde 1994 fora da 1ª divisão, quer incompetência pior que isso?
    Se, a maioria dos torcedores entendessem de futebol, estariam pedindo era um bom técnico e não um Marciano da vida.
    – Veja que ele fazia parte do elenco do Remo, que estava há 10 meses treinando sob o comando do Sinomar, mas não ganhou nenhuma jogo do Paysandu, que ainda estava em formação. Sabe porquê? Porque do outro lado estava o Barbieri, que dava um traço atrás do outro. Na hora que o Paysandu trocou o Barbieri pelo Chales e o Remo trocou o Sinomar pelo Giba, a coisa se inverteu e, o Paysandu não conseguiu ganhar mais do Remo. Lembra?
    – Essas coisas amigo, não acontecem por acaso, mas a maioria dos torcedores não atentam pra isso.
    – No Remo, a todo fracasso, eles lembram do time cabano, mas esquecem que o Remo tinha um time cabano e barato,(que é o que eu defendo, para esse momento dele), é verdade, mas montado por um bom técnico.
    – Viu só?
    – Quanto ao time do Columbia, é um time de pelada que, inclusive foi amplamente divulgado pelo Edson Matoso no SBT Esporte, como um dos times mais organizados de pelada que ele conhecia e, mostrou a camisa do time várias vezes e, elogiava bastante pela organização, Columbia x Paraense, fizeram a final do campeonato do Marex e foi mostrado no SBT e narrado por uma emissora de rádio FM do bairro, inclusive sendo apitado pelo Domingão com as duas bandeiras femininas, mas agora, está parado. Uma hora volta, quem sabe.
    – No dia que o Matoso anuciou a estréia do Arthur(Rei Arthur) no Columbia, a arena do Marex não tinha lugar para mais ninguém, mas eu aconselhei(e, ele mesmo já pensava assim) ele a não jogar, pois nessa época ele ainda era jogador(ficou só assistindo ao jogo e conversando com os torcedores), tinha acabado de sair do Remo e, choveu muito e o campo estava pesado demais e, pra tristeza nossa, ele se inscreveu, mas não deu pra jogar, por motivos diversos, mas não perdia um jogo sequer do Columbia.
    – Grande abraço.

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