Remo goleia seleção de São Miguel

De virada, o Remo goleou a seleção de São Miguel do Guamá por 4 a 1 na tarde desta quinta-feira. Pedro abriu o placar para São Miguel aos 23 minutos do primeiro tempo. O Remo não se abalou e chegou ao empate dez minutos depois, através do capitão Diego Barros. O meia Betinho fez o gol da virada aos 37 minutos. No segundo tempo, o técnico Sinomar Naves usou uma nova formação e o Remo ampliou para 3 a 1 aos 33 minutos, com Juan Sosa. E o atacante Jaime fechou a contagem aos 38 minutos. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

A frase do dia

“Não é que seja mau ter um Estado grande nem bom ter um pequeno: bom é ter o domínio da territorialidade, mas mudando a feição do processo de desenvolvimento. Se saírem os três Estados, serão três Estados em conflito, pobres, que vão perder cada vez mais a identidade amazônica que eles tinham”.

De Lúcio Flávio Pinto, jornalista e filho do filho do autor do primeiro projeto de emancipação do Tapajós.

Meu querido Boney

Por Agamenon Mendes Pedreira

O Rio de Janeiro fez fila na porta do Copacabana Palace para puxar o saco do Patriarca da Televisão Brasileira, José Bonifácio de Andrada de Oliveira Sobrinho, o Bonão. Antes de ser pai do Boninho, Boni participou das maiores realizações da televisão brasileira. Ainda jovem, junto com Marconi e Boquette Pinto, começou trabalhando no rádio. Esperto e talentoso, foi logo promovido para a geladeira. Em seguida, Boni foi para o fogão, para a máquina de lavar roupa e para o ferro de passar. Depois de saber tudo sobre eletrodomésticos, Bonifício de Oliveira foi parar na televisão, de onde nunca mais saiu. Mudou-se para o Rio e junto com o índio Araribóia e Assis Chateaubriand expulsou os franceses para fundar a TV Tupi.
Boni também trabalhou na TV Excelsior, na TV Rio e na TV Paulista, emissoras jurássicas onde as câmeras eram à vapor e os atores também. Preocupado com os destinos da recém fundada TV Globo, meu companheiro, o Dr. Roberto Marinho, me perguntou na Leiteria Bols onde dividíamos um prato de mingau de maisena com canela.
– Agamenon, tu tens alguém para tomar conta da TV Globo e da Padaria Século XX, que fica em frente?
– Claro, Dr. Roberto, tem aquele menino paulista, o José Bonifácio de Oliveira, o Pônei.
Para a Padaria Século XX indiquei o carnavalesco Clovis Bornay, mas ele logo foi despedido porque vivia queimando a rosca. Como sempre, acertei na mosca e Boni acabou revolucionando a TV brasileira. Junto com Walter Clark Kent, Daniel Pai, Filho e Espírito Santo, os três formavam a Santíssima Trindade da Televisão Brasileira.
Perfeccionista obsessivo e hipocondríaco de carteirinha, o rigoroso Boni criou o Padrão Globo de Qualidade, o PGQ. Mais tarde criou o PGP e depois também o PQP que é para onde ele manda quem não segue à risca as suas determinações. Incansável na sua busca pela excelência, Boni trabalhava o dia inteiro e uma vez, quando chegou de madrugada na casa de uma de suas namoradas, me surpreendeu na cama com a criatura fazendo uma cena de amor tórrido que, aliás, só podia ser exibida naquele horário.
– Porrrrrrrrrrra, Agamenon! – disse o Boni – essa trepada está uma merrrrrrrrrrda! Não é assim que se corrrrrrneia! Faz tudo de novo!

Na semana passada, reencontrei o meu amigo Boni nos bastidores do Jô Soares onde ele estava fazendo jabá do seu livro, “Bôneys Malditos” e eu, fazendo jabá do meu filme, “As Aventuras de Agamenon, o Repórter”. Imediatamente, pedi ao grande homem de televisão um exemplar do livro de grátis, 0-800, com uma dedicatória. Abonado e generoso, o grande Boni me autografou um cheque para que eu fizesse uma crítica do seu livro. Para fazer uma crítica isenta e imparcial, nem abri o livro para não me deixar influenciar pela leitura da obra. Obra essa que, aliás, que considero uma obra–prima e recomendo a todos, sem restrições. Despedi-me do Boni, parei no primeiro sebo que eu vi em São Paulo e vendi o livro a bom preço já que livro autografado vale mais.

Agamenon Mendes Pedreira é testemunha ocular da História.

Os bastidores da troca no JN

Por Rodrigo Vianna

A Globo confirma a saída de Fátima Bernardes do “JN”. No lugar dela deve entrar Patrícia Poeta – atual apresentadora do “Fantástico”. Fiz hoje pela manhã – no twitter e no facebook – algumas observações sobre a troca; observações que agora procurarei consolidar nesse post. Vejo que há leitores absolutamente céticos: “ah, essa troca não quer dizer nada”. Até um colunista de TV do UOL, aparentemente mal infomado, disse o mesmo. Discordo.

Primeiro ponto: a Patrícia Poeta é mulher de Amauri Soares. Nem todo mundo sabe, mas Amauri foi diretor da Globo/São Paulo nos anos 90. Em parceria com Evandro Carlos de Andrade (então diretor geral de jornalismo), comandou a tentativa de renovação do jornalismo global. Acompanhei isso de perto, trabalhei sob comando de Amauri. A Globo precisava se livrar do estigma (merecido) de manipulação – que vinha da ditadura, da tentativa de derrubar Brizola em 82, da cobertura lamentável das Diretas-Já em 84 (comício em São Paulo foi noticiado no “JN” como “festa pelo aniversário da cidade”), da manipulação do debate Collor-Lula em 89.

Amauri fez um trabalho muito bom. Havia liberdade pra trabalhar. Sou testemunha disso. Com a morte de Evandro, um rapaz que viera do jornal “O Globo”, chamado Ali Kamel, ganhou poder na TV. Em pouco tempo, derrubou Amauri da praça São Paulo.

Patrícia Poeta no “JN” significa que Kamel está (um pouco) mais fraco. E que Amauri recupera espaço. Se Amauri voltar a mandar pra valer na Globo, Kamel talvez consiga um bom emprego no escritório da Globo na Sibéria, ou pode escrever sobre racismo, instalado em Veneza ao lado do amigo (dele) Diogo Mainardi.

Conheço detalhes de uma conversa entre Amauri e Kamel, ocorrida em 2002, e que revelo agora em primeira mão. Amauri ligou a Kamel (chefe no Rio), pra reclamar que matérias de denúncias contra o governo, produzidas em São Paulo, não entravam no “JN”. Kamel respondeu: “a Globo está fragilizada economicamente, Amauri; não é hora de comprar briga com ninguém”. Amauri respondeu: “mas eu tenho um cartaz, com uma frase do Evandro aqui na minha sala, que diz – Não temos amigos pra proteger, nem inimigos para perseguir”. Sabem qual foi a resposta de Kamel? “Amaury, o Evandro está morto”.

Era a senha. Algumas semanas depois, Amauri foi derrubado.

Kamel foi o ideólogo da “retomada consevadora” na Globo durante os anos Lula. Amauri foi “exilado” num cargo em Nova Yorque. Patrícia Poeta partiu com ele. Os dois aproveitaram a fase de “baixa” pra fazer “do limão uma limonada”. Sobre isso, o Marco Aurélio escreveu, no “Doladodelá”.

Alguns anos depois, Amauri voltou ao Brasil para coordenar projetos especiais; Patrícia Poeta foi encaixada no “Fantástico”. Só que Amauri e Kamel não se falavam. Tenho informação segura de que, ainda hoje, quando se cruzam nos corredores do Jardim Botânico, os dois se ignoram. Quando são obrigados a sentar na mesma mesa, em almoços da direção, não dirigem a palavra um ao outro. Amauri sabe como Kamel tramou para derrubá-lo.

Pois bem. Já há alguns meses, logo depois da eleição de 2010, recebemos a informação de que Ali Kamel estava perdendo poder. Claro, manteria o cargo e o status de diretor, até porque prestou serviços à família Marinho – que pode ser acusada de muita coisa, mas não de ingratidão.

Otavio Florisbal, diretor geral da Globo, deu uma entrevista ao UOL no primeiro semestre de 2011 dizendo que a Globo não falava direito para a classe C (o Brasil do lulismo). Por isso, trocou apresentadores tidos como “elitistas” (Renato Machado saiu pra dar lugar ao ótimo Chico Pinheiro – aliás, também amigo de Amauri). A  Globo do Kamel não serve mais. Lembremos que, desde o começo do governo Lula, a Globo de Kamel implicava com o “Bolsa-Família”. Kamel é um ideólogo conservador. Por isso, nós o chamávamos de “Ratzinger” na Globo. É contra quotas nas universidades, acha que racismo não existe no Brasil. Botou a Globo na oposição raivosa, promoveu a manipulação de 2006 na reeleição de Lula (por não concordar com isso, eu e mais três ou quatro colegas fomos expurgados da Globo em 2006/2007). E promoveu a inesquecível cobertura da “bolinha de papel” em 2010 – botando o perito Molina no “JN”. Nas reuniões internas do “comitê” global, ao lado de Merval Pereira, tentava convencer os irmãos Marinho dos “perigos” do lulismo.

Lula sabe o que Kamel aprontou. Tanto que no debate do segundo turno, em 2006, nem cumprimentou Kamel quando o viu no estúdio da Globo. Isso me contou uma amiga que estava lá. Os irmãos Marinho parecem ter percebido que Kamel os enganou. O lulismo, em vez de perigo, mudou o Brasil pra melhor. Mais que isso: a Globo agora precisa de Dilma para enfrentar as teles, que chegam com muito dinheiro e apetite para disputar o mercado de comunicação. Kamel já não serve para os novos tempos. Assim como os “pitbulls” Diogo Mainardi e Mario Sabino não servem para a “Veja”.

Dilma buscou os donos da mídia, passada a eleição, e propôs a “normalização” de relações. O governo seguiu apanhando, na área “ética” – é verdade. O que não atrapalha a imagem de Dilma. Há quem veja na tal “faxina” um jogo combinado entre a presidenta e os donos da mídia. Será? Dilma tiraria as “denúncias” de letra (o custo ficaria para Lula e os aliados). Do outro lado, os “pitbulls” perderiam terreno na mídia. É a tal “normalização”. Considero um erro estratégico de Dilma. Mas quem sou eu pra achar alguma coisa. O fato é que a estratégia hoje é essa!

Patricia Poeta no “JN” parece indicar que a “normalização” passa por Ali Kamel longe do dia-a-dia na Globo (ele ainda tenta manobrar aqui e ali, mas já sem a mesma desenvoltura). Isso pode ser bom para o Brasil. Não é coincidência que a Globo tenha permitido, há poucos dias, aquela entrevista do Boni admitindo manipulação do debate de 89. A entrevista (feita pelo excelente jornalista Geneton de Moraes Neto) foi ao ar na “Globo News”. Alguém acha que iria ao ar sem conhecimento da família Marinho? Isso não acontece na Globo!

Durante os anos de poder total de Kamel, a Globo tentou “reescrever” o passado – em vez de reconhecer os erros. Kamel chegou a escrever artigo hilário, tantando negar que a Globo tenha manipulado a cobertura das Diretas. Virou piada. Até o repórter que fez a “reportagem” em 84 contou pros colegas na redação (eu estava lá, e ouvi) – “o Ali é louco de tentar negar isso; todo mundo viu no ar”. Ali Kamel nega o racismo, nega a manipulação, nega a realidade. Freud explica.

Agora, Boni reconhece que a Globo manipulou em 89. Isso faz parte do movimento de “normalização”. O enfraquecimento de Kamel também faz. Tudo isso está nos bastidores da troca de apresentadores do “JN”. Mas claro que há mais. Há a estratégia televisiva, pura e simples. Fátima Bernardes deve comandar um programa matutino na Globo. As manhãs são hoje o principal calcanhar de aquiles da emissora carioca. A Record ganha ou empata todos os dias. Com o “Fala Brasil”, e com o “Hoje em Dia”. Ana Maria Braga não dá mais conta da briga – apesar de ainda trazer muita grana e patrocinadores.

Fátima deve ter um novo programa nas manhãs. Ana Maria será mantida. Até porque na Globo as mudanças são sempre lentas – como no Comitê Central do PC da China. A Globo é um transatlântico que se manobra lentamente. Se a Fátima emplacar, pode virar uma nova Ana Maria. O programa dela deve contar com outras estrelas globais (Pedro Bial, quem sabe?). A mudança de apresentadores tem esse duplo sentido: enfraquecimento de Kamel (que continuará a ter seu camarote no transatlântico global, mas talvez já não frequente tanto a cabine de comando); e estratégia pra recuperar audiência nas manhãs.

A conferir.

http://www.rodrigovianna.com.br/radar-da-midia/bastidores-da-troca-no-jn.html#more-10754

Sinomar lança dois times em São Miguel

 
O técnico Sinomar Naves definiu duas equipes para o amistoso desta tarde em São Miguel do Guamá. No primeiro tempo, a escalação é a seguinte: Adriano; Tiago Cametá, Diego Barros, Joãozinho e Alex Ruan; Allan Perteson, Jhonatan, Betinho e Aldivan; Bruno Oliveira e Reis. Na segunda etapa, jogam: Diego Amaral; Pedro Balu, Wellington, Sebastian e Panda; Adenísio, Felipe Baiano, Christian Fernandes e Tardelli; Jaime e Zé Inácio. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

Rafael Oliveira na mira do Botafogo

Em busca de reforços à altura da condição financeira do clube, o Botafogo anunciou hoje que negocia com o Paissandu a contratação do atacante Rafael Oliveira, de 24 anos. O diretor Fred Carvalho está no Rio e já reuniu com diretores do Alvinegro para discutir o acordo de transferência do artilheiro alviceleste. Rafael deixou boa impressão no Rio depois de disputar o Campeonato Carioca de 2010 pelo Boavista.

Por que não rebatizar o Engenhão?

Faz sentido que o estádio do Botafogo continue a se chamar João Havelange? Os puxa-sacos sempre dão um jeito de citar o nome do cartolão quando se referem ao estádio. Mas agora, depois do vexame no Comitê Olímpico Internacional, a tal homenagem ainda se justifica – sem esquecer que JH é grande benemérito do Fluminense? Por que não batizar o estádio botafoguense de Mané Garrincha, Nilton Santos ou João (Sem Medo) Saldanha? Botafoguenses de todo o mundo têm o dever moral de se unir a essa campanha.

(A partir de ideia lançada no Blog do Juca)

A ferida incurável do separatismo

Por Nélio Palheta (*)

O Pará não será o mesmo depois do plebiscito deste dia 11. Da votação restarão cicatrizes. Citando a Faixa de Gaza, no Oriente Médio, o governador Simão Jatene, lembrou numa entrevista que o mundo está cheio de exemplos ruins de movimentos separatistas. Não chegaremos a tanto! A preocupação dele é com o dia seguinte, seja SIM ou NÃO o resultado do pleito. Quem não se preocuparia? A campanha ganhou um tom acima dos aspectos socioeconômicos e desenhou contornos apenas políticos. A criação do Tapajós é demanda antiga. No sudeste, o separatismo é recentíssimo, fruto da migração iniciada com a abertura da Belém-Brasília. A rodovia suscitou um pico de desenvolvimento duradouro enquanto a floresta suportou o avanço do desmatamento. Sem os atavismos históricos e culturais paraenses, a população estabelecida na região não consegue galgar novos degraus na escala do desenvolvimento humano, agravado pelo distanciamento com a capital. Ou foi Belém a dar as costas? Ambas as regiões reclamam da ausência do Estado.

O Pará vive o paradoxo de ser rico em bens naturais com uma população pobre. Historicamente, suas riquezas não geram bens suficientes para reverter a pobreza. Bandeira elementar do separatismo, a pobreza haveria também de ser tema de um debate nacional sobre o modelo de desenvolvimento da Amazônia, cuja realidade paraense reflete gravemente as consequências. Com o fim da borracha, Belém e Manaus praticamente faliram no início do século 20. Hoje, a sobra da floresta continua sendo atacada no sudeste. No oeste, o avanço nos ativos florestais é fato inexorável, embora registre-se queda do desmatamento. Agora, os imigrantes – com a mesma ilusão do eldorado amazônico na bagagem – são atraídos pelo minério.

Grande “almoxarifado” de produtos naturais, e com novos projetos minerais e energéticos, o Pará atrai mais e mais gente, sem ter recursos para atender todas as necessidades dessa população adicional, sempre crescente. O Estado aufere quase nada com riqueza que produz. A tal Lei Kandir nos maltrata como se fôssemos o filho sem direito ao prato principal do Planalto. Essa discussão poderia receber mais luz neste momento, na esperança de se mudar o eixo da história. Entretanto, o plebiscito jogou essa oportunidade nas trevas dos interesses políticos. Não falta motivação política para os do SIM: dois novos estados são mais espaços para parlamentares, milhares de cargos burocráticos em eventuais novas estruturas administrativas. Mais poder. E do lado do NÃO? Ora, quem quer dividir poder? Não é aceitável a pobreza como justificativa da divisão. Ela  não é uma deliberação coletiva, afinal o niilismo anula não só nossas crenças e tradições, mas a própria utilidade da existência. Seria uma doença coletiva aceitar de moto próprio o sofrimento da pobreza. Quem a domina em passo de mágica política?

Por trás de tudo consolida-se a política avessa às razões do povo, mantendo velhos interesses das oligarquias. E o marketing reduz tudo a um discurso fácil: Contra ou a favor? É seu papel! De um lado e de outro, não se aprofundou uma discussão contextualizada capaz de considerar o homem – com suas necessidades, aspirações e vontades – como ser essencial da realidade. A pobreza transformada em cortina de fumaça dos interesses. Os discursos empanam a compreensão dos problemas revelados por indicadores. O plebiscito deveria ser oportunidade para os paraenses (por que não todos os brasileiros?) discutirem as causas da pobreza como circunstância da realidade e não de sentimentos separatistas contaminados por interesses políticos. Discussão não do retalhamento, mas de uma unidade transformadora do Pará.

Sobra uma conclusão: se uma unidade federativa não tem espaço suficiente para todos os interesses, criem-se tantos quantos novos Estados forem necessários para abriga-los. Seria perigoso axioma. Se o plebiscito paraense aprovar a divisão do Pará, vão proliferar novos projetos separatistas. Há um estoque de projetos no Congresso. A população será consultada, antes de os políticos lançarem-se nesse afã, Brasil afora?  O Pará servirá de exemplo? Os grupos sociais deveriam ser autônomos para suprir suas próprias necessidades, preconizava Aristóteles: na ausência da iniciativa dos indivíduos, postos acima de agremiações partidárias e das oligarquias, a tirania apodera-se do Estado. Aqui cabe remeter a Caritas in veritate, na qual o Papa argumenta que tanto as causas do subdesenvolvimento quanto do desenvolvimento não são de ordem exclusivamente material, econômica e financeira; nos dois cenários está em jogo a liberdade humana permeada de conhecimento, ações, virtudes (por exemplo, a ética, tão rara no meio político): “O desenvolvimento é impossível sem homens retos, sem operadores econômicos e homens políticos que vivam fortemente em suas consciências o apelo ao bem comum” – diz a Encíclica.

Essa leitura está longe de ser feita por políticos exacerbadamente pragmáticos e cada vez mais personalistas e patrimonialistas. Isso pode ser chamado de subsidiariedade, força determinante de um cenário de diversidade e múltiplas opiniões onde a sociedade edifica aspirações individuais e coletivas, tendo-se o Estado como instrumento para gerir a igualdade de oportunidades. Enfim, a subsidiariedade é pensamento e atitude de justiça. Se isso fosse considerado, talvez a sociedade fosse outra. O Pará fosse outro. Não é uma utopia, mas um princípio a reger a atitude de quem se arvora representante da sociedade sem esquecer a humanidade plena como razão do desenvolvimento integral do homem.

Sem isso, o poder político não só advoga, mas se autoproclama ao direito de gerir tudo, suprimindo os cidadãos. Os políticos são indispensáveis à plena democracia. Infelizmente, descartam a humanidade das pessoas ao alijá-las dos processos.  Funcionam como déspotas ao pretenderem conduzir a sociedade ao sabor de interesses privados. Com os apelos da propaganda, isso se torna mais grave e a sociedade mais longe de determinar seus destinos. A política deve ser assim?  Não é crível!

No calor do plebiscito, perde-se oportunidade excelente de discutir o presente e o futuro, pressupondo-se aprendizado com o passado. Pior, se o Congresso Nacional e a presidente Dilma decidirem que, apesar do voto favorável ao SIM, numa hipótese, Carajás e Tapajós não devam ser criados, tudo foi em vão. E o Pará continuará sendo, como diz seu hino, “terra de rios gigantes”. Mas, doravante, com uma ferida incurável chamada separatismo.

(*) Nélio Palheta é jornalista. Artigo transcrito do DIÁRIO DO PARÁ.

Vivendo e aprendendo a jogar

Por Gerson Nogueira

De tempos em tempos, o mundo descobre uma tese revolucionária quanto à formação de jogadores. Nos primórdios, quando não havia tanto informação disponível, os moleques aprendiam na marra, correndo atrás de um balão duríssimo – que virava um artefato perigoso em dias de chuva. Ensinamentos táticos eram raros, mas praticava-se a liberdade.
Os moleques não ficavam presos à marcação, nem eram orientados a parar jogadas no tranco. Aprendiam desde cedo a arte do drible e os fundamentos básicos de como tratar bem a bola. Os tempos mudaram, a vida se modernizou. Toda a história do futebol, mais de um século de experiência acumulada, está ao alcance de todos. Basta clicar na tela do computador.
Mas quem disse que o bombardeio de informações garante a boa aplicação do conhecimento? Mesmo diante de tanta teoria exposta nos livros e acesso a vídeos dos jogos mais importantes de todos os tempos, técnicos botocudos ainda orientam erradamente os garotos. 
Não por acaso, o surgimento de um Neymar ou um Paulo Henrique Ganso é fenômeno digno de celebração. Mesmo na pátria do futebol, onde garotos bons de bola brotam como capim na rua, é cada vez mais raro descobrir um legítimo candidato a craque.
A chave para explicar a estiagem de talento pode estar na transmissão de conhecimento. A maioria dos “professores” não está habilitada a ensinar direito. Na verdade, prestam um desserviço à causa, sufocando carreiras que poderiam ser brilhantes. 
Na esteira desse debate que interessa a todos os que apreciam o jogo bem jogado, de repente aparece o ala Falcão, considerado o maior astro do futebol de salão (insistentemente chamado hoje de futsal), a defender um ponto de vista no mínimo polêmico. Segundo ele, meninos de até 11 anos devem ser proibidos de jogar futebol de campo.
Falcão justifica a restrição alegando que no futsal as crianças pegam até 30 vezes na bola durante uma partida. Já no futebol de campo esse contato com a bola cai para 10 ou 15 vezes. Quem já praticou as duas modalidades sabe que a informação é correta. Resta saber se o reduzido espaço do salão não prejudica a construção do futuro atleta de campo, que precisa ter fôlego e maior visão de jogo.
Cabe observar que essa transição da quadra para o gramado – que foi tranqüila e natural para gente do porte de Rivelino e Ronaldo Fenômeno, por exemplo – não funcionou com o próprio Falcão, que fracassou ao tentar reprisar no São Paulo o sucesso que desfruta nas quadras.
Prefiro crer que os craques surgem independentemente do terreno onde pisam. Pelé, Garrincha, Tostão, Nilton Santos, Didi, Maradona e Messi nunca tiveram contato prolongado com as quadras, mas se revelaram monstros do futebol. No fundo, mais do que palco, o talento precisa de oportunidade.    
 
 
Questionada pela demora em buscar reforços para completar o elenco, a diretoria do Remo agiu rápido e queimou logo quatro cartuchos de uma só vez. Acertou ao anunciar ontem a contratação de Marciano e Didão, jogadores que tiveram boas passagens pelo clube, mas espalha incertezas quanto ao meia Juliano e ao goleiro Jamilton, ambos procedentes do futebol goiano. É preocupante a aposta em jogadores desconhecidos, que irão ser testados na disputa do campeonato estadual. Experiências do gênero já acarretaram em prejuízos sérios em temporadas recentes.
Ao mesmo tempo, dirigentes e colaboradores ilustres ainda se movimentam para conseguir a chamada “contratação de impacto”, termo que provoca calafrios na torcida depois do caso Finazzi.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 08)