Atrasados, como sempre

Por Gerson Nogueira

O Paissandu ainda não deu resposta sobre a oferta de patrocínio da Funtelpa pelos direitos de transmissão dos jogos do Campeonato Paraense e competições nacionais. Tem todo o direito de ganhar tempo e espernear. Tem até motivos para exigir ganhar mais. Acontece que, como sempre, a reação é tardia, o que prejudica seriamente sua eficácia.
As restrições que o clube faz ao valor que lhe será pago já deveriam ter sido expostas com absoluta clareza no ano passado. Considero justo o argumento de que as agremiações que disputam competições nacionais merecem um valor adicional. Os dirigentes, porém, só fizeram reclamar timidamente e depois aceitaram a proposta do governo sem qualquer sinal de protesto. 
Sobre a oposição ao televisionamento para a mesma praça dos jogos, o caso é ainda mais grave. Quando o acordo foi celebrado, há três anos, já era de conhecimento até do reino mineral que a exibição para Belém influiria diretamente nas arrecadações do clube na Curuzu e no Mangueirão. Os dirigentes aplaudiram a idéia e o próprio Luiz Omar Pinheiro chegou a argumentar que a televisão não tirava público dos estádios. 
Aqui neste espaço expus os vários perigos da liberação de transmissões para a praça dos jogos. Alertei, inclusive, para a evolução cumulativa do prejuízo ao longo dos anos, visto que o êxodo do torcedor se amplia à medida que se consolida o hábito de assistir jogos pela TV.
Na época, sob contestação de muitos, observei que, ao cabo dos cinco anos (inicialmente previstos) de contrato, o futebol paraense iria gerar um novo tipo de torcedor: o “pacheco de sofá”, que prefere torcer no conforto do lar, fugindo aos riscos de encarar as arquibancadas de Mangueirão, Baenão e Curuzu. Agora, pelo visto, caiu a ficha e os dirigentes começam a contabilizar os estragos dessa cláusula aprovada por eles.   
O quinhão que caberá ao Paissandu, R$ 690 mil, o mesmo tanto oferecido ao Remo, é coerente com um campeonato do nível técnico do Parazão, mas será insuficiente para garantir a sustentação financeira ao longo do semestre. As despesas da dupla Re-Pa nesse período devem extrapolar em muito esse limite.
Ocorre que estamos diante de um crônico problema de gestão dos próprios clubes, incapazes de criar novas fontes de receita e ainda muito dependentes das benesses oficiais. A necessidade de cobrir esse déficit pode ser um fator positivo, pois provoca inquietação e obriga a uma busca de novos caminhos.
 
 
Túlio Maravilha foi um atacante excepcional. Foi. Hoje, não passa de um ex-jogador ávido por consumar uma farsa matemática. No afã de chegar ao milésimo gol – como fez Romário –, ele está contando até com os gols quando disputava torneio dente-de-leite e peladas de fim de semana. Quando se imaginava que ainda restavam 24 gols para completar a cifra milenar, eis que o boquirroto personagem se apressa em corrigir os cálculos e avisa que só precisa de mais sete gols. Devia ter tido pelo menos o cuidado de evitar um número tão associado popularmente à conta de mentirosos.
Da mesma forma que a ridícula campanha encetada por Romário, com amplo apoio midiático, o marketing de Túlio constrange e mancha o histórico irrepreensível de homem-gol.
Como botafoguense, tenho o maior respeito e gratidão pelo artilheiro, com quem tive o prazer de conversar durante o evento Feijão no Fogão/Belém. E o pior é que se prepara para coroar a patuscada envergando justamente a camisa gloriosa do Alvinegro, que tanto honrou ao longo da carreira.
 
 
Direto do blog

“Sou contra a transmissão, mas se esta tiver que acontecer, que não ocorram exageros quanto aos valores. Se o Paissandu faz amistosos no interior a preço irrisório, se aluga seu campo para jogos de pelada, não pode exigir rios de dinheiro. Setecentos mil, por tudo que nossos times NÃO fizeram, pelas péssimas administrações que vêm mostrando, cá pra nós, é uma bela de uma cota.”
Do Rogério Freitas, botando o pingo nos ii.