Aos amigos

A todos os que ajudam a manter de pé este blog há quase dois anos, meus votos de um Natal feliz, prazeroso e solidário. Que as nossas crenças e convicções se renovem, que as tristezas sejam atenuadas e a fé no ser humano não morra nunca. Sou católico, creio em Deus e na vida eterna. Aprendi a ser assim desde quando nasci em Baião. Lá, o Natal era sempre um grande acontecimento familiar e comunitário. A casa de meu pai-avô Juca, como todas as da vizinhança, se abria, iluminada e receptiva, a todos os passantes, nossos vizinhos do bairro São Francisco. O mesmo ocorria na minha outra casa, do meu pai José, onde a filharada se juntava para a cantoria natalina, depois da missa na igreja matriz. A festança finalizava com a farta ceia. No dia seguinte, abriam-se os presentes, sempre aguardados com expectativa. E, é claro, a sobra da comilança noturna enriquecia ainda mais o café da manhã. 

Na minha vida, o Natal sempre teve esse significado familiar. O nascimento do filho de Deus comemorado por todos os povos, representando paz e esperança. Herdei de meus pais e avós a certeza de que o amanhã sempre trará coisas boas, de que o bem é mais forte e de que todas as pessoas são boas, até prova em contrário. Nunca duvidei disso, nem nos momentos mais difíceis – e não foram poucos. Como bom aprendiz, procuro repassar essas pequenas grandes lições de vida aos meus dois meninos, Pedro e João. Como pai, serei um sujeito quase realizado se ambos seguirem à risca essa receita de vida.

Que a festa seja boa, a música animada e que todos os amigos se abracem nesta noite maravilhosa. Feliz Natal, camaradas! 

Novo Papão derrota Nacional na Curuzu

O jovem time do Paissandu conseguiu superar a forte marcação (e as botinadas) do Nacional-AM, vencendo o amistoso de sexta-feira à noite por 1 a 0, no estádio da Curuzu. Um pequeno público compareceu ao jogo e deixou de ver uma equipe aguerrida e rápida. Com problemas na articulação de jogadas e errando muitos passes ainda, mas perigosa nos contra-ataques, puxados principalmente por Nenê Apeú. O atacante, por sinal, foi o autor do único gol da partida, aos 30 minutos do primeiro tempo, aproveitando descida rápida pela esquerda e a desarrumação da zaga amazonense. No segundo período, o Naça tentou pressionar, mas o Papão se resguardou bem e manteve a vantagem até o final. (Foto: MARCO SANTOS/Bola)

Um craque na encruzilhada

Por Gerson Nogueira

O melhor e mais promissor jogador revelado pelo futebol paraense depois do craque Geovani está numa encruzilhada. Da qualidade de seu jogo ninguém duvida, mas os intermináveis imbróglios contratuais ameaçam afetar um momento crucial da carreira de Paulo Henrique Ganso.
A atuação discreta contra o Barcelona não chegou a comprometer as chances européias do camisa 10, até porque nenhum outro santista conseguiu se sobressair, tamanha a força do adversário. Apesar desse fator atenuante, é indiscutível que todos esperavam mais de sua participação na decisão do Mundial de Clubes.
Desconfio que o próprio Ganso ficou frustrado com sua produção. O jeito cauteloso e distante que costuma adotar para se comunicar não escondia uma sombra de decepção após o jogo. Por justiça, cabe dizer que o craque paraense ainda não se recuperou plenamente da recente cirurgia a que se submeteu.
Problemas físicos e lesões em sequência têm atrapalhado bastante a carreira de Ganso, impedindo que assuma efetivamente o papel de protagonista que suas habilidades indicavam há dois anos. Apesar disso, ele se mantém como o mais qualificado armador que o Brasil produziu nos últimos anos.
Ganso é a principal esperança de solução para uma carência crônica que se abateu sobre a Seleção Brasileira desde 2002, quando a categoria de Rivaldo permitiu que aquele time cheio de altos e baixos ganhasse a consistência necessária para se sobrepor aos adversários.  
Por isso, todos os que amam o futebol de alto nível, tão exaltado depois da monumental apresentação do Barcelona no Japão, têm que torcer para que 2012 seja o ano da redenção de Ganso. De todos que estiveram em campo pelo Santos na decisão, ele e Neymar são os que têm mais possibilidades de atuarem como titulares do Brasil na Copa do Mundo de 2014. Na verdade, pelo andar da carruagem, a Seleção precisará muito de ambos.
Muito além da normalização de suas condições atléticas, Ganso precisa ter tranqüilidade para jogar o que sabe. Não pode mais ficar sujeito a preocupações com as desavenças que transformaram o Santos e o grupo financeiro DIS em inimigos declarados. Ambos têm 45% dos direitos sobre o craque. Os 10% pertencentes ao próprio Ganso se transformaram em nova fonte de conflitos e desconfianças.
Dias antes de embarcar para o Japão, o jogador reclamou de ter sido esnobado pelo clube, que tem preferência contratual para adquirir os 10% (avaliados em R$ 5 milhões). A declaração repercutiu mal na Vila Belmiro e abalou o clima interno. Quem acompanha a carreira de Ganso garante que suas queixas vêm de longa data e se originam com a defasagem de salários em relação a jogadores tecnicamente inferiores, como Arouca, Borges e Elano. A grana que Ganso merece ganhar não pode se tornar um obstáculo ao amadurecimento de seu futebol.
 
 
A França é o primeiro país a se rebelar, via governo, contra os salários estratosféricos pagos a astros do futebol. A fortuna anunciada pela contratação de David Beckham pelo Paris Saint Germain deflagrou uma onda de reprovação aos exageros cometidos pelos grandes clubes. No Brasil, a situação não é muito diferente.
E a coisa piora bastante quando se observa que alguns técnicos (Luxemburgo, Felipão, Muricy) têm sua importância tão supervalorizada que chegam a ganhar mais que o dobro do que é pago a Pep Guardiola no Barcelona.     
 
 
Um feliz Natal aos desportistas e homens de boa vontade.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 25)