Neymar fatura até em jogo beneficente

Para participar de uma partida beneficente nesta quinta-feira na Bahia, o atacante Neymar recebeu um cachê, embora a assessoria do evento negue. Empresário que costurou o contrato revelou que o valor chegou a R$ 200 mil. De acordo com o estafe de Neymar, trata-se de “assunto dele” e fruto de acordo comercial que envolve outros negócios do pai com a HWT Promoções Esportivas, marca que estampou o uniforme de todos os atletas em campo. O time de Neymar, repleto de nomes conhecidos no futebol, como Elano, Rincón, D’Alessandro e Vagner Love, venceu por 6 a 4. Neymar pai foi o treinador. Durante o jogo, o ídolo santista cavou dois pênaltis e fez um único gol. (Com informações da Folhapress)

A crise da Justiça se agrava

De O Estado de S. Paulo

Tão grave quanto a suspensão do poder do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de investigar juízes acusados de irregularidades, tomada em caráter liminar pelo ministro Marco Aurélio Mello, foi a liminar concedida pelo ministro Ricardo Lewandowski proibindo a Corregedoria Nacional de Justiça de quebrar o sigilo fiscal e bancário de juízes. Tomadas no mesmo dia, as duas decisões obrigam o órgão responsável pelo controle externo do Judiciário a interromper as investigações sobre movimentações financeiras suspeitas em várias cortes – inclusive a maior delas, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), onde 17 desembargadores teriam recebido irregularmente R$ 17 milhões, por conta de antigos passivos salariais. Tendo pertencido durante anos ao TJSP, Lewandowski foi um dos magistrados beneficiados por esses pagamentos. Deste modo, ao conceder liminar suspendendo a devassa que vinha sendo feita nessa Corte pelo CNJ, ele interferiu em causa na qual está envolvido. Por meio de sua assessoria, o ministro disse que não se considerou impedido de julgar o caso, apesar de ter recebido os pagamentos que a CNJ considera suspeitos, porque não era o relator do processo.

Em nota, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) apoiou Lewandowski, alegando que ele agiu “no cumprimento de seu dever legal e no exercício de suas competências constitucionais”. Para o ministro Cezar Peluso, Lewandowski não tinha motivos para se declarar impedido de julgar a liminar solicitada pela Associação de Magistrados Brasileiros, cujo presidente – Nelson Calandra – é desembargador no TJSP. O ministro Peluso, oriundo do TJSP, é um dos beneficiários dos pagamentos considerados suspeitos pela Corregedoria Nacional de Justiça. Segundo a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, ele teria recebido R$ 700 mil, em 2010.

Para Peluso, os ministros do STF não estão impedidos de julgar ações sobre o tema, uma vez que não se sujeitam ao CNJ. Em resposta, a corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, alegou que não estava investigando ministros da mais alta Corte do País, mas somente os critérios utilizados pelo TJSP nos pagamentos de passivos trabalhistas. “As folhas de pagamento examinadas foram as de 2009 e 2010, quando os ministros Peluso e Lewandowski já não faziam mais parte da Justiça paulista”, disse ela.

Os passivos trabalhistas do TJSP decorrem do efeito cascata causado pela aplicação indiscriminada do princípio da isonomia. O problema começou há duas décadas, quando a magistratura – invocando paridade funcional entre o Legislativo e o Judiciário – passou a reivindicar o auxílio-moradia que era pago somente a deputados e senadores.

A discussão demorou anos, os juízes e desembargadores tiveram a pretensão acolhida pela Justiça e a liberação do pagamento ficou condicionada à disponibilidade orçamentária dos tribunais. Como o número de beneficiados era alto e as sobras orçamentárias eram baixas, as quitações tiveram de ser feitas em várias parcelas de pequeno valor. No caso do TJSP, surgiram suspeitas de que os desembargadores mais antigos – que ocuparam os cargos de direção da Corte e dirigem entidades classistas – teriam recebido de uma só vez a quantia a que tinham direito, em detrimento dos demais colegas. A Corte tem 353 desembargadores e, segundo as inspeções da Corregedoria do CNJ, 17 foram privilegiados – o que fere o princípio da impessoalidade assegurado pela Constituição de 88.

Ao esvaziar o poder do CNJ e ao suspender as investigações que a Corregedoria Nacional de Justiça vinha fazendo nas Justiças estaduais, as liminares concedidas pelos ministros Marco Aurélio e Ricardo Lewandowski agravaram a crise do Poder Judiciário. Para evitar que a crise se aprofunde ainda mais, a Corregedoria Nacional de Justiça – que até agora está se saindo moralmente vencedora nesse embate – tem de enviar os processos disciplinares já abertos contra juízes para as Justiças estaduais, como recomendou o ministro Marco Aurélio, em vez de aguardar o julgamento do recurso que a Advocacia-Geral da União já interpôs contra as liminares concedidas pelo Supremo.

Lições de bola (ainda o Barcelona…)

Por Juca Kfouri

PEDRO ROCHA, o uruguaio que foi dos melhores jogadores da história do futebol, sempre gostou de contar que por duas vezes, em campo, quis chamar sua mãe para ajudá-lo. Na primeira, tinha só 17 anos, e estreava no clássico Peñarol e Nacional, em pleno Centenário. Na segunda, já mais que consagrado, aos 32 anos, quando enfrentou a Holanda na Copa de 1974, na Alemanha.

Porque quando pegou a bola pela primeira vez, quatro laranjas mecânicas investiram feito abelhas e tomaram a bola dele. Ele não entendeu nada, mas acalmou-se até que, quando recebeu a segunda bola, a cena se repetiu. Então ele quis a mãe. E assim foi o jogo todo. Pedro Rocha era um craque clássico, de lançamentos longos, passadas elegantes, chutes fatais e brilhou não só no seu país, mas no São Paulo.

Doutor Sócrates, que dispensa apresentação e desperta imensa saudade, contava que só uma vez deu um palpite na carreira de Raí. Foi depois de vê-lo jogar também no São Paulo, nos anos 80. “Pivete, a bola não pode passar por cima de você. Ela tem de passar pelo seu pé, sempre”, ensinou. Ensinou porque fazia, porque, em seu caso, a teoria na prática era a prática.

Dos grandes times que vi, a começar pelo melhor deles, o Santos de Pelé, só ele, o Santos de Pelé, jogava e deixava jogar. Tomava gols e goleava mais. Tinha tantos talentos que excedia, como a seleção brasileira de 1958, de Mané, Didi e Pelé, memória aí, no entanto, mais de infância. Ou a de 1970, esta sim, vivíssima e fabulosa, constelação.

O Flamengo de Zico, em 1981, fruto da concepção modernizadora de Cláudio Coutinho, era mais parecido com a seleção de Telê Santana, no ano seguinte, mas nada que se parecesse com o que os holandeses de Rinus Michels ensinaram em 1974, na luta incessante pela posse de bola aliada a uma porção de jogadores não só talentosos como inteligentes, comandados pelo brilhante Johan Cruijjf, que jogavam e não deixavam jogar, sem posições fixas, e na qual todos faziam de tudo.

Exatamente como o Barcelona, ou melhor, exatamente não. Porque o Barça levou essa questão da posse de bola ao extremo, com seus triângulos móveis que, além do mais, desgastam menos, muito menos do que quem corre atrás deles. E daí você não vê nenhum chutão, nenhuma ligação direta, a bola passando permanentemente pelo meio de campo, esteja quem lá estiver e nenhuma aposta nos chuveirinhos ou na bola parada como solução mágica.

Oswaldo assume e promete reabilitar Jobson

O técnico Oswaldo de Oliveira finalmente foi apresentado ao Botafogo. Trajado elegantemente, o treinador, que passou quase cinco anos no futebol japonês, chegou otimista, mas com pés no chão, e fazendo elogios à torcida alvinegra e à equipe atual. Entretanto, recomendou aos dirigentes do Glorioso que serão necessárias algumas contratações. 

Bastante motivado, o professor, campeão do Mundo com o Corinthians em 2000, falou sobre o retorno. “É um momento de felicidade para mim depois de 31 anos retornar ao Botafogo. Fui preparador físico em 1980 e volto hoje a essa casa com muito prazer, muita motivação e desejo muito grande de transformar trabalho em vitórias”. 

Além disso, Oliveira também comentou sobre Jobson, jogador com histórico de problemas e que estará no elenco em 2012.  “Torci muito pelo retorno do Jobson. Antes mesmo de vir, já torcia. Vi no Campeonato Brasileiro de 2009 um jogador ousado, inteligente e diferente. É um cara sensacional jogando futebol, mas tem que se ajustar à sociedade. O recado que mandei foi que só depende dele. Vou abraçá-lo, quero muito ver aquele Jobson de 2009, brilhante. Darei o maior apoio possível”. (Do Blog SRZD)

Rompantes que atrapalham

Por Gerson Nogueira

Pelas providências adotadas até o momento, o Paissandu vê se aproximar a temporada de 2012 com toda pinta do filme que passou neste ano e que é reprise dos anteriores. São as mesmas hesitações administrativas, a demora na tomada de decisões e a precipitação na hora das escolhas.
Depois da tabela de R$ 300,00 para aluguel da Curuzu para peladeiros, o episódio mais curioso deste final de ano no clube foi a trapalhada envolvendo o técnico Everton Goiano. Contratado por telefone, ele ainda chegou a viajar para Belém, embora no meio do caminho já soubesse que o acerto não estava mais valendo. O Paissandu tinha Nad como novo técnico, por decisão direta de seu presidente.
Qualquer semelhança com as circunstâncias do final de 2010 não é mera coincidência. Naquela oportunidade, Givanildo Oliveira foi procurado pelo então supervisor Robgol e fechou acordo para treinar o clube. Dois dias depois, em meio a uma churrascada, o presidente foi convencido a contratar Sérgio Cosme.
Como agora, sem a menor cerimônia, o dirigente máximo desautorizou seu subordinado direto. A única diferença entre as duas histórias toscas é que o velho Giva nem chegou a arrumar as malas para pegar o avião. Como não podia deixar de ser, ambos, Robgol antes e Antonio Cláudio Louro agora, pediram o boné.
O perigo que ronda o Paissandu é que alguns ainda tomam esses rompantes como puro folclore. Inconseqüências inofensivas de um cartola à moda antiga. Conversa furada. A questão é muito mais séria do que se imagina. Está em jogo a imagem e o destino do clube. Nunca se pode esquecer que os dirigentes passam, mas a instituição fica.
Junto com a repentina escolha de Nad para o comando técnico, veio a decisão de limpar a área. Desmanche radical. Meio na moita, já saiu praticamente um time inteiro. E jogadores experientes, casos de Alexandre Fávaro, Claudio Allax, Fábio Gaúcho, Vânderson, Robinho, Daniel, Tiago Potiguar e Rafael Oliveira. De uma só tacada. Com uma ou outra exceção, poderiam ser necessários para a remontagem do elenco.
É lógico que a oferta de investidores por Rafael, se confirmada de fato, pode vir a ser lucrativa para o clube. Quanto aos demais, a liberação acontece na hora errada. Se não havia interesse em continuar com os atletas, o expurgo deveria ter acontecido logo em seguida à Série C, para permitir a contratação criteriosa de substitutos.
A partir de agora, Nad, que já assumiu com pouquíssimo tempo para agir, terá que recorrer aos da casa para atender às expectativas de uma torcida sempre exigente, acostumada a vitórias e que jamais aceitaria disputar um campeonato só para cumprir tabela. Infelizmente, até prova (e ato) em contrário, parece ser esse o plano da diretoria. 
 
O ano vai terminando e começam as especulações em torno de alguns artistas da bola, sondados pelos grandes clubes do Sul-Sudeste. Os boatos sobre transferências aquecem o mercado da bola. Contratos televisivos abarrotam os cofres e a turma sai afoita, a fim de torrar o dinheiro na primeira esquina. E tome propostas do arco da velha por Kaká, Tardelli, Vagner Love, Grafitte, Montillo e até Tevez. Claro que a imensa maioria dos acertos não se concretiza, perdendo-se na boataria vazia, mas chama atenção esse furor consumista que coincide sempre com o Natal. No fundo, todo mundo ainda sonha com Papai Noel. 
 
 
Na coluna de ontem, sobre as lambanças da arbitragem, citei a partida de dezembro de 2007 que selou a sorte corintiana no Campeonato Brasileiro, mas cometi um equívoco, prontamente corrigido no blog pelo atento amigo Matheus Cunha, direto de Brasília: “O Corinthians foi rebaixado ao perder para o Grêmio, enquanto o Goiás escapou enfrentando o Internacional, com arbitragem de Djalma Beltrami. A polêmica dessa partida foi um pênalti para o Goiás ter sido cobrado três vezes”.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 23)