Coluna: Os xerifes da moralidade

Patrulhar jogador de futebol sempre foi passatempo de torcedor desocupado ou da imprensa sem compromisso. Nos anos dourados do futebol, época pré-internet, as histórias eram até divertidas, não passavam de mexericos inocentes. Envolviam astros como Heleno de Freitas, Zizinho, Garrincha, Amarildo e outros. Hoje, a coisa ganhou contornos mais sérios. Ainda mais quando o craque é famoso, custa caro ao clube e está devendo boas atuações.
Fred, um dos jogadores mais bem pagos do Brasil, teve o desprazer de topar com uma brigada de torcedores do Fluminense na noite carioca e o encontro quase terminou em agressão. Ao lado do colega de clube Rafael Moura, o centroavante da Seleção teria entornado dezenas de caipirinhas na companhia de quatro moças. Depois de bater boca com os pachecos, a dupla teve que fugir de carro, em alta velocidade.
Tudo porque para alguns torcedores atletas não têm direito a lazer e vida social. Por esse entendimento, boleiros integram um grupo especial de trabalhador, que deve ter como mandamento a disciplina dos militares e o recolhimento contrito dos religiosos.
Como jornalista, rechacei sempre informações sobre farras e “barcas” envolvendo personagens do futebol. Logo depois da semifinal do primeiro turno do Parazão vencida pelo Cametá sobre o Remo, circularam na internet imagens de uma festa com a suposta participação de jogadores remistas. Nunca ficou comprovada a veracidade da história. 
Além de constituir bisbilhotice sem qualquer interesse jornalístico, avalio que esse expediente não acrescenta nada ao universo esportivo. Todo cidadão tem o direito de levar a vida do jeito que bem entende sem prestar contas a quem quer que seja. O fato de ser jogador de futebol não muda essa condição.
Há, ainda, um indisfarçado tempero autoritário na atitude, pois o torcedor se arvora a xerife da moralidade e “patrão” do atleta boêmio. Na prática, pouco importa o que o boleiro faz antes ou depois dos jogos – desde que compareça aos treinos e cumpra com suas obrigações profissionais. Até porque, se vacilar quanto aos horários ou cometer alguma outra indisciplina, está sujeito às penalidades trabalhistas, como qualquer outro empregado. 
Por outro lado, além da óbvia responsabilidade que parcela da imprensa tem sobre o ânimo dos torcedores, alguns jogadores contribuem ao se exceder na exposição pública. O Rio de Janeiro, festivo pela própria natureza, virou cenário para as noitadas de craques famosos, pouco preocupados com a própria imagem. Ronaldinho, Ronaldo Fenômeno e Adriano já têm carteirinha desse clube. Fred e He-Man acabam de passar, da pior maneira, pelo ritual de iniciação.
 
 
O São Raimundo, com atraso de três rodadas, conseguiu a liberação do estádio Barbalhão para seus próximos jogos como mandante. Talvez não dê mais tempo de salvar a trôpega campanha na Série D.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 5)

23 comentários em “Coluna: Os xerifes da moralidade

  1. Conduta da vida social do jogador está no estatuto do torcedor? Se não estár, nada há para ser discutido. Cada um na sua e o clube que resolva os excessos.

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    1. Cada um na sua! O negócio é liberar geral. O Beijoca no Bahia era o rei dos manguaças e das prostitutas – e como fazia gol. Por tudo isso devemos ser contra praparo físico, tática, disciplina, esporte profissional enfim. Sou contra clube-empresa e outras pataquadas.
      Devíamos acabar também como esse patrulhamento contra os “políticos” atletas. Vamos liberar geral também nas assembleias legislativas.

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      1. Tempo bom era aquele em que “atleta” podia fazer propaganda de bebida alcoólica e cigarro. O negócio era “levar vantagem, certo?”.
        É assim no futebol europeu, como sabemos. Nada de profissionalismo. E tá dando certo!

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      2. A interpretação é sua, meu caro. Na coluna, deixei claro meu posicionamento contra a hipocrisia que permeia esse tipo de patrulha. Se o cara fizer tudo escondido, o torcedor aplaude todas as estripulias. Se o jogador não se apresenta para jogar nem treinar, o clube tem meios de resolver isso rapidinho, sem estresse ou espalhafato.

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  2. O São Raimundo tem problemas de estádio e não é de hoje. Teve um ano que jogou fora de seus domínios todo um 1º turno do paraense. Fica claro que não se preparou devidamente para a série D. E não venham torcedores do fúnebre dizer que a pantera deveria ceder a vaga para o falido, que tinha mais condições para se preparar e nem para o paraense fez esse trabalho. Pra pois….

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  3. Já que está difícil pagar salário mínimo, sugiro que o leãozinho parta para a prática do DIARISTA. O grande benefício dessa modalidade é não criar vinculo empregatício.

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  4. Gerson, você tem razão, a vida particular do atleta, não diz respeito a ninguem a não ser ele mesmo.

    Tem muito “jornalista” que se ocupa apenas e tão somente em bisbilhotar a vida dos jogadores, principalmente os que jogam em grandes clubes.

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  5. Falando de Xerife, o da defesa caiu. Dilma foi taxativa ” Renuncia ou demito”. Bem diferente do antecessor que fazia maior farrofafá para dar a carimbada.

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    1. Alguns dos grandes jornalistas esportivos que temos hoje,no comço de suas carreiras,cobriam o futebol amador(em divérsas categorías)do estado,isso fazia com o que nosso esporte se tornasse cada vez mais forte,pois eram descobertos grandes valores.Hoje,tem jornalista que não quer cobrir futebol pelada,por achar que ninguém se interessaría pela matéria.Quem conhece do assunto sabe,que no futebol pelada,encontramos grandes valores,que podiam perfeitamente se tornar grandes profissionais.A falta de visão,criatividade e humildade de certos jornalista está os deixando parados no tempo, iguais a alguns dirigentes do esporte paraense.Tudo evolui,só nosso futebol é que não consegue.

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  6. Gerson,
    bem lembrado o fato de que tem uma turma de jornalistas xiitas que incentiva esse tipo de situação, site-se o neto, falador de bobagem, que já foi em rede nacional criticar jogador pq o viu jogador na noite e etc. e etc.
    um babaca.

    de resto meus parabéns por essa beleza de coluna.

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  7. O pior é que quem vai peitar eles é mais sujo do que pau de galinheiro.
    Aliás o FANATISMO em tudo é prejudicial, um sujeito desse que anda às 2 da manhã atrás de macho, esquece que o vizinho não é vigia.

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  8. Ô Berlli às 07:38 hs., coitado do Remorto. Sua sugestão para pagar a turma em forma de “diária” até que poderia dar certo, infelizmente, a situação tipo “vendendo o almoço prá comprar a janta” é que não permite. Em 05.08.11, Marabá-PA.

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  9. Quase setentão, sinto-me à vontade para entrar nessa conversa.
    Na pequena mas gostosa Belém de Outrora, nas manhã de domingo tinhamos os jogos do Campeonato Juvenil. À tarde, antes do jogo principal (profissionais) havia o Campeonato de Aspirantes.
    No sábado, realizava-se o Campeonato Suburbano entre clubes que, na maioria, possuiam sede sociall e campo de futebol.Liberto, Dramático, Jabaquara, Auto Clube, Transviário, São Paulo, São Domingos e outros que no momento não lembro, levavam os moradores dos bairros onde eram sediados à assistir os seus jogos.
    Os jornais, Folha, Provincia, Liberal, Vanguarda, Folha Vespertina, cobriam esses jogos e destacavam os valores que eram revelados.
    Desse modo, quando as revelações chegavam aos Tres Maiores, o torcedor já conhecia suas caracteristicas e virtudes.
    Havia público para tudo e que não prejudicava a renda do Campeonato de Profissionais.
    As rádios prestigiavam os jogos decisivos. Lembro-me de uma transmissão que fiz do Campo do Norte Brasileiro (hoje um conjunto de apartamentos) cujos limites eram os fundos dos quintais das casas vizinhas..
    Era assim, e assim tinhamos um futebol melhor do que o de hoje.

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    1. Tavernard,é a essas programações a que me refiro,ao invés de alguns jornalistas ir atrás do pobre sadam,deveríam cobrir as competições que temos nos bairros e nas cidades do interior.Há lugares em que os jogos são uma verdadeira festa,e o público ainda é maior que em muitos jogos do paraense.Que saudade do João Adário!Mas nada está perdido,pois ainda temos grandes jornalistas que concerteza vão ajudar o nosso esporte crescer e ficar no lugar que merece.

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  10. Assim como ontem, hoje, não precisa patrulhar os jogadores. Mas claro está, que atualmente os fatos estão mais agudos, mas por conta da existência de um permissor no contexto que é o Clube. O Clube se transforma em refém de “jogadores” em muitos casos, tudo em nome de uma tentativa de “garantir” os periféricos oriundos de sua aquisição, e quando fatos acontecem, como por exemplo, uma festança no dia de um jogo, o clube fica acéfalo, mudo, surdo, além de outros sintomas.

    Não vejo a coisa tão simples assim: “desde que compareça aos treinos e cumpra com suas obrigações, pouco importa o ocorrido antes e depois do jogo”. Primeiro que nenhum trabalhador, chegando às 5 da manhã saturado da manguaça, terá seu quadro fisiológico otimizado para o resto do dia (trabalha, mas a meia-boca), imaginem então, um jogador de futebol enfrentando um calor de 38 ± 2°C dentro de campo, seja treinando, seja jogando.

    Ronaldinho deu uma atenuada em suas fantasias noturnas após apupos da urubuzada. Pergunta. Ele, o Ronaldinho, não melhorou seu rendimento em campo ?

    O que esses “astros” do futebol têm que entender, é que eles não são máquinas. Curtir a noite sim, mas com moderação!!

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  11. Esse Tipo de comportamento Vem tomando parte da torcida desocupada de uma forma preocupante. No palmeiras Tem ate disk denuncia.

    Vergonhoso, Acho q o jogador Tem que pensar antes de aceitar ir Pra times assim. Embora a maioria tenha esse Tipo de torcedor, existem torcidas Mais normais.

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  12. Acontece que a profissão de jopgador de futebol requer cuidados ao corpo,à saúde.Um bancário,pode chegando direto da farras ,indo pra sua carteira de agro-negócio resolver por telefone e contato diretos ao público resolver assuntos inerentes ao seu ramo de atuação.Um atleta de DESEMPENHO DE ALTO NÍVEL ,não pode “pilotar no automático”Exceto se for MUITO ACIMA DA MÉDIA.Fico imaginando RENATO GAUCHO por exemplo SEM FARRAS E DEDICADO AOS TREINOS E CONCENTRADO. O QUE não teria feito como jogador?Lembrando que o referido jogador perdeu uma copa do Mundo por conta de farras homéricas e ao chegar pela manhã cercando pinto junto ao seu companheiro de noitadas e de seleção ,Leandro( o melhor Lateral direito que vi jogar).Vale ressaltar ainda que o ponta direita poderia ter sido o diferencial naquela copa de 86.Estava em plena forma,jovem e já um atacante de ponta.
    Por isso ,o torcedor sabedor que um atleta tem vida e rotina diferenciada passa a EXAGERAR NA cobrança.

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  13. Na minha opinião é que o atleta tem a sua vida particular e no momento de sua folga possa fazer o que bem entenda desde que não prejudique o seu rendimento dentro de campo

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