Coluna: Águia líder, Papão na briga

Foi um sábado quente em Marabá. À noite, pelo relato dos companheiros da Rádio Clube presentes ao estádio Zinho Oliveira, a sensação térmica era elevada. O quase clássico Águia x Paissandu se desenrolou sob esse clima, de altíssima temperatura, com pressão da torcida e luta intensa dos dois lados. 
Um jogo pegado, de marcação duríssima e com o gramado atrapalhando a todos. Era previsível que Mendes ia querer mostrar serviço contra o ex-clube, principalmente depois daquele penal mal batido contra o Rio Branco e o chute chocho no rebote do goleiro. O atacante se desdobrou, correu e procurou abrir espaços.
O equilíbrio técnico se dividiu pelos dois períodos. Na primeira etapa, o Águia se sobressaiu. Melhor distribuído, soube explorar as condições do campo. Mais que isso: teve a sabedoria de fazer com que o Paissandu entrasse no seu estilo, mais afeito à correria e aos cruzamentos.
Contou para isso com atuação inspirada do lateral-esquerdo Rairo, que se posicionou praticamente como falso ponta e atormentou a marcação do Paissandu. Talvez Roberto Fernandes não esperasse que João Galvão iria utilizar o velho caminho das laterais do campo para chegar ao gol. Se soubesse, talvez desse um jeito de fechar o caminho por onde Rairo cruzou bola perfeita para o cabeceio não menos de Mendes no primeiro gol da noite.
Tiago Potiguar, cuja presença como titular é tão cobrada, só entrou no segundo tempo. Como sempre, ajudou a melhorar a produção da equipe. Os chutões e ligações diretas foram trocados por passes mais precisos. Josiel, Sidny e Rafael Oliveira apareceram mais. E o empate veio logo, através do próprio Potiguar.
O Paissandu ainda teve chances de ampliar, mas se descuidou e o Águia, sempre atento, não perdoou. Alexandre Fávaro, que normalmente não falha, cortou um cruzamento para o lado errado e nos pés certos certeiros de Flamel.
Resultado justo, premiando a determinação do Águia, agora líder. Apesar da derrota, o Paissandu não tem nem tempo para lamentar. Começa hoje a preparação para o jogo decisivo de domingo, na Curuzu. Esta, sim, a batalha que não pode ser perdida.  
 
 
Independente e São Raimundo cumprem as profecias mais sombrias e fazem um esforço danado para garantir eliminação na Série D. Ontem, em Santarém, apesar do jogo movimentado, os dois foram iguais na incompetência de mostrar bom futebol.
Sobre o São Raimundo, que tem time sabidamente limitado, não havia grandes expectativas quanto à campanha. O Independente, porém, é o campeão estadual e está devendo muito. Aos vencedores, não cabe apenas o bônus da conquista, há o ônus da responsabilidade. O time de Tucuruí, primeiro campeão interiorano, tem a obrigação de representar bem o Pará no torneio. 
 
 
A câmera aberta mostra um lance estranho dentro da grande área. A bola parece desviar no braço de um zagueiro. Todos esperam a repetição da jogada, algo óbvio em coberturas esportivas. Para espanto até dos que não se surpreendem mais com nada, a TV refuga o replay e põe no ar imagens do plácido pôr-do-sol às margens do rio Guaíba, em Porto Alegre. E encerra a transmissão.
Vamos aos fatos que explicam, em parte, a cena bizarra e nada jornalística. Sim, a emissora é a Globo. Sim, a bola bateu de fato no braço do zagueiro. Por coincidência, se convertido, o pênalti poderia representar a derrota do Flamengo. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 22)