Coluna: Enfim, temos um camisa 9

Não vi nenhum sinal de talento excepcional, nada que empolgasse, nas primeiras apresentações de Leandro Damião como titular do Internacional, entrando de vez em quando no lugar do então titular Alecsandro (hoje no Vasco). Parecia desengonçado, meio afobado, correndo mais que a bola, sem muita técnica. Sua especialidade era o cabeceio e o arranque, no melhor estilo centroavante da roça.
Em dois anos, o atacante se transformou. Virou titular inquestionável do Inter, parece até outro jogador. Demonstra apuro na preparação das jogadas e excelente aproveitamento nas finalizações. Mais que isso: ganhou confiança, combustível fundamental no ofício de jogar bola.
Contra o Flamengo, domingo passado, a bicicleta de corte clássico, com o corpo todo erguido no ar para a pedalada certeira em direção ao gol, representou a confirmação de suas qualidades. Poucos são os atletas no mundo capazes de ao menos arriscar a jogada mais acrobática do futebol.
Damião estava chegando à área, com um zagueiro a marcá-lo, mas teve sangue frio e flexibilidade para inverter a ordem natural das coisas e ludibriar todo mundo. Pela plástica, trata-se do gol mais bonito do campeonato até aqui e é também o cartão de visitas do jogador para abrir caminho por um lugar na Seleção Brasileira, não mais como mero suplente.
Desde que Ronaldo Fenômeno se aposentou e Adriano resolveu calçar de vez o chinelinho, não aparecia nenhum outro candidato de verdade à camisa 9 do escrete. Alexandre Pato tem talento e habilidade, mas ainda não amadureceu o suficiente para pleitear a propriedade da vaga.
Dos demais artilheiros, nenhum aparece em condições plenas de brigar com Damião. Luiz Fabiano, que se recupera de cirurgia, desfrutou de sua grande chance na Copa do Mundo de 2010 – e não aproveitou. Fred já dobrou o cabo da Boa Esperança e não chegará a 2014 com idade para brigar pela posição. Talvez só mesmo Adriano venha a lhe fazer sombra, caso consiga superar as seguidas lesões e o apreço pela vida noturna.
Cá pra nós, desconfio que o Brasil ganhou um centroavante para chamar de seu. Tomara não se perca pelo caminho. 
 
 
Daniel, ex-Águia, foi anunciado ontem como contratação do Paissandu para o restante da Série C. Este, sim, merece a denominação de “reforço”.
 
 
Diego Gonçalves, leitor da coluna e do blog, manda comentário pertinente sobre os arroubos de vaidade do ex-jogador Denílson, hoje convidado de um programa esportivo na TV. Como fazia nos tempos de boleiro, continua avesso à modéstia. Fala da carreira como se tivesse sido um super craque. A última dele foi se comparar a Neymar, dizendo que se o santista jogar como ele (Denílson) jogava, ainda vai longe.
Era só o que faltava. Basta rever os vídeos da carreira dele no São Paulo e na Seleção para constatar que nunca passou de um driblador inútil. Firuleiro como poucos, mas sem qualquer objetividade. Foi campeão do mundo mais por acidente, assim como Viola e alguns outros.
 
 
Wilson Luiz Seneme, árbitro de Botafogo e Atlético-MG, na terça-feira, pela Copa Sul-Americana, precisa com urgência de um exame de vista. Marcou um penal inexistente contra o Galo, a partir de falta cometida fora da área. O gol derivado da marcação garantiu a (injusta) vitória do Botafogo.
Quando se pensa que as arbitragens brasileiras estão melhorando, sempre ocorre uma barbeiragem para fazer a gente cair na real.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 26)