Coluna: Copa ou feira de negócios?

A cada nova obra faraônica anunciada pelo comitê organizador da Copa do Mundo de 2014 aumenta minha certeza de que Belém dançou na escolha das sub-sedes porque tinha um estádio quase pronto, que não exigiria gastos de grande monta. Obviamente, os critérios da cartolagem não têm qualquer compromisso com a lógica e os anseios dos ingênuos desportistas.
Como se desenhava há meses, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, viajou a São Paulo ontem para, ao lado de representantes do governo tucano, sacramentar o projeto de construção do já famoso Itaquerão. Não importa se a iniciativa (orçada em quase R$ 600 milhões) não tenha ainda sustentação financeira. O dinheiro vai aparecer e o plano é fazer a abertura da Copa na futura arena, que tirou da jogada o estádio do Morumbi.
Alegação para o veto ao estádio do São Paulo: ausência de área de expansão no entorno. Balela. Na África do Sul, pelo menos três estádios não tinham sequer espaço para estacionamento externo. Em Pretória, a calçada do estádio não permitia nem guardar bicicletas.
Na verdade, Fifa e CBF estão, de fato, empenhadas em transformar o país num gigantesco canteiro de obras nos próximos três anos. Interessante observar que a maioria dos projetos – inclusive o de Manaus – está entregue a escritórios internacionais de engenharia. A intenção é fazer o dinheiro girar. Os ganhos da entidade vêm da venda dos direitos de transmissão e também das gordas comissões geradas por essas obras. 
Quem acompanha o processo de organização das Copas do Mundo constata que os estádios constituem a chamada parte do leão do negócio. Curiosamente, em 2006, na Alemanha, não houve grandes investimentos em construção de arenas. Somente dois estádios foram construídos. Os demais sofreram pequenas reformas para adequação às exigências da Fifa.
Quando João Havelange lançou o discurso da expansão das fronteiras do futebol rumo à Ásia, Arábia e África havia muito mais pragmatismo econômico do que conceitos idealistas de inserção dos países emergentes e pobres. Estava mirando principalmente em mercados pouco austeros com gastança de verbas públicas.
Donde se conclui que, caso não haja nenhum acidente de percurso, a Copa vai buscar cada vez mais países periféricos, fugindo à estabilidade financeira e ao rigor institucional da Europa e dos Estados Unidos. Para a Fifa, a bola rola sempre melhor em territórios mais tolerantes com a contabilidade.
 
 
Em contato com a Rádio Clube, o presidente da chapa Juventude Azulina/Diretas Já, Henrique Custódio, que concorre ao Conselho Deliberativo do Remo, garantiu que não há “armação” por parte de seu grupo político. Não desmentiu, porém, que o atual presidente, Amaro Klautau, seja o nome apoiado pela chapa para a presidência do clube. O plano só não foi revelado para evitar a perda de votos, mas AK já admite aos mais próximos que será reconduzido ao cargo caso a chapa 2 eleja o novo Condel. A conferir. 
 
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 9)

9 comentários em “Coluna: Copa ou feira de negócios?

  1. A briga dos recicláveis pelo time do papelão será equilibrada. AK não conseguiu ir para o Aurá, mas não quer deixar de dar uma de urubu. Chora Clone com esta.

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  2. Gerson, você tem toda a razão. Na verdade a FIFA é a empresa mais lucrativa do mundo, pois não investe absolutamente nada e recebe todos os lucros. Ela nao tem custos com estádios, jogadores, técnicos, mas lucra bastante com o espetáculo que os clubes e seleções oferecem. A CBF tambem funciona assim, apesar de ter, pelo menos, o custo com a seleção brasileira. Esse é o preço que a população brasileira está pagando por ter ganho a copa. Vamos ver o retorno que isso vai dar. Há controvérsias!

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    1. José, apesar de você estar certo sobre a FIFA, está um pouco enganado sobre a CBF. Neste ano só de patrocínio a CBF faturou mais de 1 bilhão. Isto significa dizer que fora os custos que a CBF possui, ela ainda poderia custear todas as divisões do futebol nacional. Entretanto, como ela não presta conta de nada, inclusive não paga Imposto de Renda, muita gente fica com este dinheiro.

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      1. Concordo com você. Não sabia deste fato. No livro “A bola não entra por acaso”, o ex-diretor do Barcelona comenta que os unicos que ganham na industria do futebol são os jogadores, os tecnicos e as confederações (federações até a FIFA). Os clubes invariavelmente atuam com lucro muito baixo. Bom tema para reflexão: como forçar as federações e confederações dividirem os custos do futebol com os clubes.

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  3. O que esse AK ainda que fazer no Clube do REMO, pelo amor de DEUS ?

    Qual será o novo anteprojeto dele ?

    Acho que ele vai querer vender a torcida …..

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  4. Sou torcedor do Papão e espero que o AK continue na presidência do remolixo, ele está fazendo um “bom” trabalho, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

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  5. Se o AK voltar à presidência do Remo, eu desisto de futebol e do Clube do Remo.
    Não torcerei para um clube que é presidido por quem sequer cuida dele. O Remo só diminuiu em todos os sentidos com o AK. Opa! Só aumentou a distância da torcida para com o clube, afinal de contas, o que o Remo menos fez nesses 2 anos de pífia gestão foi disputar partidas oficiais e com dignidade de um Clube que já foi grande.

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  6. Para onde correr? Da outra chapa deve vir o tal Sérgio Cabeça, ficha sujíssima, envolvido num imbroglio na antiga Escola Técnica. Além de ser um dos famigerados “cardeais”, grupo que vem enterrando o Remo há décadas. Que esperar do Remo com esses candidatos?

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