Nas beiradas do sonho americano

por Gabriel Innocentini, no Scream Yell

Se você pensava que Charles Bukowski era um baita dum safado, que passava os dias em casa bebendo, escrevendo por uns poucos trocados e recebendo mulheres de todos os tipos, você está quase certo. A alcunha de “Velho Safado”, como ficou conhecido, representa com perfeição tal estereótipo. O que pouca gente sabe é que ele passou cerca de 50 anos de sua vida sem ser lá muito safado, como disse num poema autodepreciativo:

“para um homem de 55 que não fez sexo
até os 23
e não foi muito assíduo até os 50
eu acho que devia ficar na lista
da Pacific Telephone
até conseguir tanto quanto
um homem de meia-idade”

Isso é o que se descobre lendo “Charles Bukowski – Vida e loucuras de um Velho Safado”, de Howard Sounes, lançado nos Estados Unidos em 1998 e com edição brasileira da Conrad em 2000. Sounes teve acesso a quase todas as pessoas importantes na vida de Bukowski, principalmente ás mulheres. O retrato esboçado por essas conversas não é muito enobrecedor: quando sóbrio, Buk podia ser terno e carinhoso, mas quando bebia, se transformava no arruaceiro célebre. Terminar as brigas enjaulado não era raridade para Bukoswki, que trabalhou durante doze anos no serviço de correios norte-americano.

Com uma infância pobre e atormentada – Buk teve o pior tipo de espinha que um ser humano pode ter, daí o aspecto repulsivo de sua figura –, ele sofreu muito na escola e em casa. Isolado dos colegas, apanhando do pai, Bukowski aprendeu a postura do Homem Gélido, como se referiu em um de seus contos autobiográficos, para sobreviver – não demonstrar emoções. As mulheres, tão celebradas e de presença marcante em seu romance chegaram tarde: ele perdeu a virgindade apenas aos 24 anos (o 23 do poema acima é licença poética) e só foi aprender o que era sexo, definitivamente, quando encontrou Linda King, um de seus grandes amores.

Antes do artista, Sounes biografa o homem. Neste aspecto, a biografia gasta poucas linhas com a análise do estilo e das obras de Bukowski. A prosa do Velho Safado é identificada com os diálogos ágeis e diretos de Hemingway (o humor e a ironia ausentes no mestre da prosa enxuta entram como o toque de Buk na equação) e com os capítulos curtos de Fante, um de seus deuses e uma de suas principais influências – o prefácio de Bukowski para “Pergunte ao Pó” é simplesmente o melhor argumento para ler o clássico romance protagonizado por Arturo Bandini. Sounes poderia ter aprofundado de que modo a leitura dos romances russos, principalmente de Dostoievski, influiu na visão de mundo do Velho Safado.

Apesar de mostrar os poemas, que aparecem em profusão em páginas de todos os capítulos, Sounes não analisa o estilo poético de Bukowski. É apenas pelo contexto que o leitor depreende, por exemplo, que muitos poemas do “bardo do bar” são praticamente contos dispostos em versos. Daí decorre também certa fraqueza de muitos poemas: para compreendê-los é necessário saber a que episódio da vida de Buk eles se referem. Sounes revela que o elogio de Sartre (“o maior poeta vivo da atualidade”) não passa de uma lenda inventada pelo Velho Safado para se auto-promover. De posse dessa informação, as editoras brasileiras poderiam parar de estampar essa frase nos livros de Bukowski.

O biógrafo acerta na veia ao atribuir à “filosofia de não-participação” o apelo dos livros de Bukowski para os jovens e os insatisfeitos. A rejeição às regras e à sociedade, a idéia de que as pessoas são desprezíveis e de que a vida tem pouco valor estão presentes em sua obra – mas também o outro lado da moeda: o de que há graça e beleza na miséria da existência, se você souber onde encontrá-las. No caso de Bukowski, ela está encarnada nas mulheres e nas bebidas.

É das relações conturbadas com o sexo feminino e com o álcool que Charles Bukowski tirava o combustível para seus livros e colunas em jornais – as “Notes of a Dirty Man” que o tornaram famoso no meio underground. As mulheres com quem ele se relacionou sugerem nas entrevistas que Buk procurava brigas e confusão em sua vida como alimento para sua obra.

A escolha por uma obra autobiográfica colaborou para as decepções: sempre um amigo citado depreciativamente nos contos rompia a amizade e as ex-amantes ficavam raivosas quando se viam retratadas em personagens de ficção sem nenhum aspecto positivo. A única pessoa que não demonstra reservas sobre Bukoswki é sua filha Marina, que afirmou ter no pai um porto seguro para todos os problemas, mesmo quando ele tinha problemas financeiros.

Se foi um especialista em decepções, Bukowski teve sempre as vestes do sujeito durão, inabalável, mas sujeito a intempéries e explosões de sentimentalidades, como implorar pela volta de Linda King em cartas ridículas – e qual carta de amor não é, Álvaro de Campos?

Em que pese o início de existência nada promissor – recluso, sem o carinho dos pais na infância, sem relações com as mulheres por ser bukowskimente feio, habitando os bares como mosca durante dez anos –, ele deu sorte ao cruzar com o editor da Black Sparrow, John Marin, um sujeito que nunca tomou uma gota de álcool na vida.

Embora desconfiasse de Martin no começo da amizade, aos 49 anos, Bukowski fez um contrato para receber cem dólares mensais, o suficiente para as necessidades básicas como moradia e alimentação, com a obrigação de escrever. Grande ironia para um escritor marginal: o acordo durou quase até o final da vida de Buk. Mesmo depois do sucesso e da fama, ele ainda recebia a mesada de Martin.

Já no final da vida, no meio dos anos 1980, ele passou a ganhar muito dinheiro ao entrar para o cinema hollywoodiano, escrevendo o argumento para o filme “Barfly”, de Barbet Schroeder, com um Mickey Rouke como Henri Chinasky, alter-ego de Bukowski em seu passeio pelas beiradas do sonho americano em bares, becos, brigas, boemia e bueiros. A partir do filme, ele não precisou mais se preocupar com dinheiro, tendo até se adaptado muito bem aos computadores, no início da década de 1990.

Vítima de leucemia, Bukowski morreu em 1994 aos 73 anos de idade. Em seu túmulo deixou escrito: “Don’t try”. O epitáfio é perfeito. Ao rechear seus contos de seres sórdidos, em relatos cínicos e muitas vezes escatológicos, Bukowski estava dizendo: se tem nojinho, não leia. Não é para você. É como sua figura grotesca, feia de doer: fique longe. Se você se aproximar, pode descobrir que a aparência, como sugeriu Oscar Wilde, corresponde fielmente à realidade. Você já entrou num boteco sem porta no banheiro masculino, a igreja de todos os bêbados, como cantou Cazuza numa referência roubada do Velho Safado? Não tente. É lá que se esconde a verdade – ao menos no caso de Charles Bukowski.

(*) Gabriel Innocentini (@eduardomarciano) é jornalista e assina o blog Eurogol

Para fechar bem o 1º turno

POR GERSON NOGUEIRA

Ponte Preta-SP 1×2 Remo (Felipe Gedoz)

Com 23 pontos conquistados em 18 partidas, o Remo não faz a campanha dos sonhos na Série B 2020, mas também não decepciona em sua reentrada na competição. Cumpre uma trajetória razoável, com muitas oscilações, característica indissociável do campeonato mais competitivo e difícil do futebol nacional.  

Hoje à noite, em Aracaju, o time fecha o primeiro turno com boas possibilidades de melhorar o desempenho na pontuação geral. Enfrenta o Confiança, penúltimo colocado e em fase descendente, vindo de uma goleada frente à Ponte Preta.

O Remo tem um conjunto mais afinado, tem jogadores que vêm se destacando e saiu-se bem jogando fora de casa, embora nem sempre obtendo resultados felizes, muito em função de erros grosseiros de arbitragem.

Apesar das projeções otimistas, os azulinos terão alguns problemas para o jogo. Erick Flores, Mateus Oliveira e Romércio desfalcam a equipe. Flores é um dínamo no meio-campo, auxiliando na marcação e não hesitando em cumprir tarefas ofensivas, como diante do Vasco.

Mateus Oliveira teve boa atuação na sexta-feira, apagando a má impressão inicial. Participou ativamente dos lances que decidiram o confronto e mostrou utilidade na articulação. Outro problema sério é a ausência de Romércio, titular absoluto da zaga e exemplo de regularidade.

Todos farão muita falta, mas ouso dizer que Romércio e Flores deixam lacunas difíceis de preencher. Por outro lado, Felipe Gedoz volta ao time. Para muitos, o camisa 10 não pode mais ser considerado intocável. Nos dois jogos em que esteve fora (CSA e Vasco) o time se movimentou bem e mostrou até mais desprendimento tático.

Há, inclusive, um movimento crescente de defesa da barração de Gedoz, levando em conta que o Remo parece mais solidário e rápido quando ele não está em campo. Em parte, isso é verdade. Gedoz muitas vezes se ausenta e não assume o papel de protagonista que lhe cabe.

Por outro lado, o meio-campo ganha em criatividade e o ataque conta com um finalizador de qualidade quando ele joga. Não por acaso é um dos artilheiros do time. As cobranças e críticas talvez contribuam para que o meia evolua e possa ser mais colaborativo quando não estiver com a bola.

De qualquer forma, o Remo tem plenas condições de obter um bom resultado em Sergipe, principalmente pela paz proveniente de dois bons jogos em sequência, fazendo sumir do horizonte o clima de desconfiança que se abateu sobre o Evandro Almeida após a derrota para o Operário.

Ao mesmo tempo, é preciso ter em conta também os desafios que surgem no caminho dos técnicos na Série B. Com dois jogos por semana, com intervalos de 72 horas, não é possível treinar normalmente. As escolhas e testes ficam para os jogos. Felipe Conceição tem enfrentado isso no Remo, com desfalques em série que obrigam ajustes constantes.  

Resenhas do blog campeão

“A grande desculpa para os erros dos sopradores de apito é que nas demais séries, exceto a A, não existe o VAR, como se esse instrumento já existisse no futebol desde sua criação, sendo apenas uma lacuna nas séries inferiores. Interessante nisso é a chancela dada por vários analistas de futebol da imprensa, que corroboram essa desculpa furada. Os árbitros podem operar qualquer clube, mas saem ilesos porque, justificam eles e outros, não têm para auxiliá-lo a muleta do VAR. E tudo fica por isso mesmo. Mas, já vimos de forma recorrente que mesmo com o VAR eles são capazes de cometer verdadeiras atrocidades, principalmente nos lances em que bola e mão/braço se tocam. É aí que está a grande saída para operar os desafetos e beneficiar os de sempre”.

Miguel Silva

“Os ‘erros’ de arbitragem têm sido rotina no futebol brasileiro, mesmo com o advento do VAR. Nessa rodada de final de semana, da Série B, o único clube não prejudicado foi o Remo, apesar de que contra o Vasco também tivemos um gol irregular. Economia para o clube paraense que, desta vez, não gastará dinheiro para ir ao Rio de Janeiro, reclamar na CBF”.

Gilberto Carvalho

Cacaio, um talento resgatado pelo Castanhal

Vários fatores explicam a excelente campanha do Castanhal na Série D. A gestão do clube garantiu a formação de um elenco respeitável desde o Campeonato Paraense. Alguns jogadores estão rendendo em nível máximo, casos de Pecel, Daelson e Fazendinha, auxiliados por reforços importantes, como Willian, Lukinha e Leandro Cearense. Acima de tudo, porém, há uma figura em destaque: Cacaio, o comandante que chegou em meio ao Estadual e arrumou o time.

O Castanhal lidera a classificação da Série D e é favoritíssimo ao acesso à Série C 2022. A competência de Cacaio responde pela caminhada segura e imperturbável na competição, superando adversários que normalmente criam muitos problemas para times paraenses.

Desde já, mesmo antes do possível acesso, Cacaio colhe os louros do bom momento. Com justiça, resgata a carreira que ficou abalada depois da passagem pelo Remo em 2015, quando teve conquistas importantes e foi crucificado pela derrota na final da Copa Verde para o Cuiabá.

Difícil e imprevisível, o futebol nem sempre permite essa recuperação de imagem. A performance do Castanhal ajuda a mostrar que técnicos regionais também podem ser dignos de admiração e respeito, apesar de todas as desconfianças e preconceitos que enfrentam.

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 17)

A volta do Capitão

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El Capitán está de volta, e em grande estilo. Em seu primeiro jogo pelo Botafogo como titular neste retorno, Carli marcou o gol da vitória sobre o Brasil-RS no último domingo. À Botafogo TV, o argentino se declarou.

– Foi muito emocionante, uma sensação única. Amo muito esse clube. Realmente demorou a chegar esse momento, entrar em campo como titular, com a braçadeira… Por alguma coisa isso acontece. Sempre trabalhei muito forte, muito duro, para estar preparado. Hoje ganhar o jogo, com um gol meu, foi realmente um momento muito especial – celebrou.

Desde que voltou ao Botafogo, em março, Carli só vinha ficando no banco de reservas. Com Enderson Moreira, o argentino fez sua estreia contra a Ponte Preta, entrando no segundo tempo, e foi titular diante do Brasil-RS, deixando Gilvan no banco.

– Estamos trabalhando forte, no caminho certo. Trabalhando assim vai dar certo e o Botafogo vai voltar à Série A – completou o capitão.

O Botafogo volta a campo na quarta-feira para encarar o Guarani, às 19h, no Estádio Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas, pela 19ª rodada da Série B.

Na rota da normalidade

POR GERSON NOGUEIRA

Paysandu x Jacuipense, Série C do Brasileiro

Depois de passar todo o turno inicial da fase classificatória sem vencer em casa, o PSC finalmente põe as coisas no terreno da normalidade. Conquistou duas vitórias na Curuzu, contra Tombense e Jacuipense, sendo o time baiano o adversário deste sábado, 14. Mesmo sem brilho, a atuação foi uma das mais objetivas que o Papão fez na Série C, no mesmo nível da apresentação contra o Santa Cruz, no Recife.

Contra um adversário que os bicolores derrotaram na fase de ida, o time teve comportamento tranquilo, sem afobação ou destempero. Mesmo com o campo enlameado, que deixou o jogo mais truncado, o PSC foi sempre mais insinuante. 

A briga pela posse de bola era equilibrada, com o setor de meio-campo muito povoado. Aos 15 minutos, a primeira jogada mais aguda do PSC. Rafael Grampola finalizou com certo perigo.

Com a lesão de Diego Matos, aos 22’, o técnico Roberto Fonseca partiu para uma substituição inusitada. Lançou o meia Ruy para ocupar o lado esquerdo. Aos 29’, após jogada de Leandro Silva, Marino teve chance, mas a bola estourou em Grampola. O gol parecia estar amadurecendo.

Aos 36’, Leandro Silva arremessou a bola na área, a zaga ficou olhando e Marino tocou para Rildo, que finalizou de primeira abrindo o placar. O Jacuipense quase empatou em seguida. Dionísio cobrou falta, Perema cortou parcialmente e Bambam chegou chutando, mas errou o alvo.

Sem criatividade e errando muitos passes, o Jacuipense pouco incomodava. Com problemas na articulação, limitava-se a tentativas de cruzamentos na área, sem levar perigo ao setor defensivo paraense.

No segundo tempo, o jogo mudou. Com o placar favorável, o PSC reduziu a presença no campo inimigo e o visitante começou a se lançar ao ataque, mesmo timidamente. 

Paysandu 2 x 0 Jacuipense, pela Série C do Brasileiro

Apesar do esforço, as deficiências do setor de criação foram minando as expectativas do Jacuipense. As mudanças desfiguraram os times e o jogo ficou arrastado. No PSC, Roberto Fonseca substituiu Grampola e Ratinho por Danrlei e Jhonnatan, sem alterar muito a dinâmica da equipe.

Aos 30’, nova investida do rápido Tiaguinho, que cruzou rasteiro. A bola passou por Itinga e saiu pelo fundo. Novas alterações no PSC: Vítor Salinas entrou no lugar de Paulo Roberto e Luan na vaga de Rildo. Com isso, Salinas ocupou a lateral esquerda e Ruy foi deslocado para o meio.

Emoção mesmo só nos acréscimos, quando veio o segundo gol do Papão. Jhonnatan tentou fazer cruzamento e a bola bateu no braço de Raion. O árbitro marcou o pênalti, que o meia Ruy converteu, fechando o placar.

Nas comemorações da vitória, Ruy fez um desabafo, dizendo que tem passado por problemas, mas sempre se empenhando muito, sem deixar de trabalhar. Uma forma de responder às críticas pelas pífias atuações desde que chegou a Belém.  

Observações que provavelmente não escaparam a Roberto Fonseca: Danrlei não pode ser reserva de Grampola; Ratinho é titular no meio-campo, até por exclusão; e Leandro Silva estreou com ares de quem vai tomar conta da lateral direita. (Fotos: John Wesley/Ascom PSC)

Castanhal faz nova vítima, Paragominas se reabilita

Não há time mais forte e goleador na Série D do que o Castanhal. Com 29 pontos, a equipe se isolou na liderança do Grupo 1 com a vitória categórica sobre o GAS por 5 a 0, ontem, no estádio Maximino Porpino.

Destaque para os três gols de Leandro Cearense, veterano que vem justificando contratação com boas atuações. Fazendinha e Pecel completaram o placar, confirmando o Japiim como líder geral do campeonato.

A três jogos do final da primeira fase da Série D, o time castanhalense já assegurou classificação à etapa seguinte e luta agora para preservar a vantagem de fazer em casa os jogos de volta do mata-mata.

Em situação ainda complicada na tabela da competição, o Paragominas conseguiu uma vitória importantíssima fora de casa. Derrotou o Moto Clube por 4 a 1, em São Luís, no sábado à tarde. Dutra, Wanderlan, Aleilson e Edicleber marcaram os gols do Jacaré.

Com 14 pontos ganhos, o Paragominas fica agora a um ponto de Imperatriz e Moto Clube, ambos com 15. Na próxima rodada, em casa, a equipe de Robson Melo vai receber o Imperatriz, confronto direto que pode significar a volta à zona de classificação.

Arbitragem não cansa de operar o Alvinegro

Meu grande amigo Edgar Augusto, autor do belíssimo “Leque de Estrelas”, lançado sábado pela manhã na Livraria da Fox, costuma conversar comigo sobre essa vocação botafoguense de ser o saco de pancadas preferido da arbitragem brasileira. Ontem, a escrita se confirmou outra vez.

O time recebeu o Brasil de Pelotas, venceu por 1 a 0, mas foi flagrantemente assaltado dentro do estádio Nilton Santos. Dois pênaltis (um deles acintoso, como uma cortada de vôlei) não foram marcados e o árbitro deixou de expulsar um jogador do Brasil. Nem contra o lanterna do campeonato, o Botafogo mereceu uma arbitragem justa.

Impressiona que os erros grosseiros se acumulam desde a Série A 2020, quando o clube foi retaliado por se posicionar contra o retorno antecipado do futebol na pandemia. Primeiro, foi alvo de ações agressivas por parte da Federação do Rio e em seguida pagou um alto preço no Brasileiro.

A pena não escrita parece continuar em vigor. Na rodada passada, jogando contra o Operário-PR, um outro pênalti indecente foi ignorado pelo árbitro aos 48 minutos do 2º tempo. As reclamações são inúteis, os protestos do clube também. Nem contra o lanterna do campeonato, o Botafogo mereceu uma arbitragem justa.

Uma esperança que se ergue é a adoção do VAR a partir da 20ª rodada, embora contra o Botafogo até o olhar eletrônico pode ficar enviesado. Ia esquecendo o nome do soprador de apito: Thiago Luís Scarascati. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 16)