Entre a cruz e a espada

POR GERSON NOGUEIRA

Felipe Conceição

Dizer que o Remo encontrou um modelo apropriado de atuar, condizente com as características de seus jogadores, revela-se hoje uma temeridade. Tudo aquilo que se projetava a partir das vitórias sobre Brusque, Ponte Preta e Cruzeiro entrou em nível de desconfiança com os maus resultados no giro sulista (Londrina e Avaí), impressão atenuada pelo cansaço da equipe com a maratona de cinco jogos em 13 dias.

Aí veio uma breve recuperação contra o CSA, mas na sexta-feira contra o Operário-PR o time se superou em instabilidade e desorganização. Comportou-se como bando e errando passes com frequência assustadora. De longe, a pior atuação sob o comando de Felipe Conceição, fato reconhecido pelo próprio logo após a derrota.

Não foi uma derrota qualquer. O desempenho foi pavoroso, com falhas primárias de posicionamento, como no lance que levou ao gol de Tomaz. Não houve sequer a tradicional aplicação, combustível que muitas vezes ajuda a ofuscar atuações ruins e dias infelizes.

Sem vibração e intensidade, o Remo afundou logo depois que ficou com um jogador a mais – Rafael Chorão foi expulso aos 4 minutos, por entrada violenta em Pingo. O que parecia abrir um clarão de possibilidades mostrou-se um paiol de desacertos. O time passou a jogar para trás e para os lados, raramente indo ao ataque. O primeiro chute, de Gedoz, só ocorreu aos 27 minutos.

Estranhamente, o Operário muitas vezes parecia ter um homem a mais. Bem formatado pelo ex-bicolor Mateus Costa, o time paranaense teve vários desfalques, comprometendo principalmente os setores de meio e ataque. Diante de um Remo bagunçado, essas baixas nem fizeram falta.

A improdutividade do primeiro tempo deu lugar a uma afobação desnecessária na etapa final. Felipe trocou Pingo e Tiago Ennes por Marcos Jr. e Wellington. Pareceu, num primeiro momento, que o Remo finalmente iria encontrar o caminho, mas Paulo Sérgio meteu uma bola na trave de Vinícius. Depois que Rafinha substituiu a Gedoz, surgiu a melhor jogada: o meia acertou um tiro forte na trave esquerda do goleiro Simão.

O Operário passou a equilibrar as ações, arriscando saídas ao ataque que exploravam a insegurança gritante do meio-campo do Remo. Com Lucas Siqueira posicionado como atacante, o time perdeu um combatente qualificado à frente da zaga. Artur errava quase todas as tentativas e Marcos Jr. não se decidia entre marcar e armar.

De repente, Tomaz avançou sozinho, fez uma ginga e mandou para as redes de Vinícius, observado por quatro defensores remistas. Fácil, fácil. O gol atestou que o Remo não soube jogar com a vantagem numérica e não se preparou adequadamente para encarar um adversário tão tinhoso.

A vitória com tintas heroicas do Operário é a constatação de que as escolhas de Felipe para substituir o trio Uchoa-Flores-Andrade foram tremendamente infelizes, afetando inclusive o desempenho de Lucas Tocantins, isolado e sem jogadas que explorassem sua velocidade.

Depois da casa arrombada, o vexame foi avaliado corretamente pelo treinador, mas o argumento de que foi melhor acontecer agora não conforta a massa torcedora. Todas as dúvidas quanto à confiabilidade da equipe voltam à tona com toda força. Não há saída: Felipe e seus jogadores terão que dar uma resposta. E o Goiás é o próximo desafio.

Bola na Torre

O programa vai ao ar às 22h15 deste domingo, na RBATV, com apresentação de Giuseppe Tommaso e participações de Valmir Rodrigues e deste escriba de Baião. Em destaque, a participação dos clubes paraenses nas Séries B, C e D. A edição é de Lourdes Cézar.

Papão vai em busca da liderança da chave

Roberto Fonseca estreou bem. Fez o PSC vencer a primeira em casa, resistindo bem à situação desfavorável de perder um jogador logo no começo da partida. As escolhas do técnico se mostraram adequadas, embora com um ou outro deslize – como a escalação de Robinho.

Hoje, em João Pessoa, a missão tem envergadura diferente. O Botafogo é um dos concorrentes diretos à classificação, tem a mesma pontuação (16) e está uma posição à frente. No turno, o alvinegro paraibano arrancou uma vitória categórica na Curuzu.

Mais do que nunca, o PSC tem que reaver esses três pontos, fazendo valer o excelente retrospecto fora de casa. Foram três vitórias e dois empates, garantindo o bom posicionamento na classificação, apesar do mau rendimento técnico na maioria dos jogos.

Fonseca tem nas mãos a chance de aliar resultados satisfatórios com atuações convincentes. A torcida voltou a acreditar no time, mas, de maneira geral, o PSC está abaixo do que poderia alcançar numa chave repleta de times de nível inferior ao bicampeão paraense.

Com várias opções para o ataque – Tiago Santos, Rafael Grampola, Rildo, Marlon, Bruno Paulo –, Fonseca pode fazer variações interessantes em relação ao jogo contra o Tombense. No meio, Paulo Roberto parece cada vez mais consolidado como titular. Uma boa novidade num setor conhecido pelas oscilações.

Gratidão eterna

No Dia dos Pais, a coluna é dedicada a meu amado pai José, firme como rocha em seus 91 anos de vida; e a meu pai-avô Juca, que já não está entre nós. 

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 08)

A cidade entre o espaço e o território

Por Christian Ingo Lenz Dunker

Um dos representantes mais criativos da nova esquerda britânica, o escritor China Miéville descende de um ramo perdido na arqueologia da esquerda, aquele que vem de André Breton e os surrealistas, passando por Walter Benjamin e Kafka e que encontra em Žižek uma de seus melhores expoentes contemporâneos na arte de misturar alta e baixa cultura, cotidiano servil e insólitas fantasias, ideológicas e críticas.

No livro A cidade & a cidade, de China Miéville, o inspetor Tyador Borlú investiga o assassinato de uma prostituta em uma cidade futurista. A trama policial e linguística gradualmente desloca o problema clássico do “whodonit” (quem é o assassino?) para “onde realmente isso se passa”. Se Admirável mundo novo (1932), de Aldous Huxley, e Alphaville (1965), de Jean-Luc Godard, são obras que nos apresentam cidades determinadas por “ficções de verdade”, ao modo de condomínios artificiais autosegregativos, e se filmes como Metropolis (1927), de Fritz Lang, e Blade Runner (1982), de Ridley Scott, são o seu complementar distópico, composto por cidades hetero-segregativas, marcadas traumaticamente pelo Real, China Miéville consegue reunir neste livro as duas estratégias em um mesmo problema.

As cidades de Ul Qoma e Beszel ocupam o mesmo lugar geográfico, onde cada qual possui zonas exclusivas, além de espaços de cruzamento, nas quais as pessoas podem passar, mas não interagir. Com isso sobrepõe-se o paradigma da cidade baseada em experiências de determinação, com suas leis, polícias e regulamentos e a cidade fundada na indeterminação, com suas diferenças, miscigenações e misturas. A intuição essencial aqui é que existe algo mais, além de muros e ruas, envolvido nesta operação desejante que tem caracterizado nossa experiência de cidade.

Esta invenção literária ressoa com a biografia de seu autor, um dos representantes mais criativos da nova esquerda britânica. Com admirável percurso acadêmico, passando por Harvard e pela London School of Economics, ele fundou, em 2013, junto com Ken Loach e o psicanalista Ian Parker1, a Left Unity [Unidade de Esquerda], um partido anti-capitalista, ecológico e feminista pensando para resistir ao programa neoliberal e suas políticas de austeridade. Sua base está nas cooperativas e sindicatos, mas principalmente nas pessoas comuns (ordinary people) que enfrentam a pobreza, a discriminação e opressão social em termos de gênero, raça, etnia, idade, condição física, sexualidade e desemprego. Ao contrário da esquerda clássica cujo programa econômico e plataforma de governo enfatizam reformas estruturais e estatização generalizada, a Left Unity, assim como o Podemos espanhol e o Syriza grego, advoga um novo tipo de governamentalidade: emprego total para todos, baseado na redução proporcional das horas de trabalho, habitações comunitárias, administração coletiva da infraestrutura de serviços, controle democrático de bens públicos e livre organização dos trabalhadores. Seu horizonte não é o estado de bem estar social com perfeito funcionamento do Estado, mas o reconhecimento e a redução do sofrimento.

A novidade desta nova esquerda não está apenas nas teses, mas principalmente nos meios que ela se utiliza para formar laços sociais, que passam pela literatura, pelo cinema e pelas práticas de vida alternativa. Isso significa, sobretudo, uma transformação discursiva em relação à esquerda tradicional e sua abordagem militante, baseada na expansão de identidades “preferenciais” e na confiança na lei, e consequentemente no Estado nacional, como fulcro do processo de reequilibração da desigualdade. Para isso há um discurso constituído, que pensa a cultura como serva da política e que teve no realismo socialista sua expressão mais definida. É, sobretudo, uma esquerda que não tem horror ao dinheiro nem espera gratuidade absoluta do Estado. Em vez de demonizar o consumo, qualificá-lo como nas práticas alimentares, em vez de confiar no Estado nação, entendê-lo como uma patologia.

No fundo, Miéville descende de um ramo perdido na arqueologia da esquerda, aquele que vem de André Breton e os surrealistas, passando por Walter Benjamin e Kafka e que encontra em Žižek uma de seus melhores expoentes contemporâneos na arte de misturar alta e baixa cultura, cotidiano servil e insólitas fantasias, ideológicas e críticas. Seu gênero literário do “New Weird Fiction” desenvolve o outro lado da imaginação política por meio da ficção científica, da comédia, do horror e do sincretismo de gêneros que incluem até mesmo livros para crianças. Daí a conhecida fórmula que o define: “99% geek, mas aquele 1% marxista…”. Leitor de Tolkien e entusiasta de Star WarsHarry Potter e o Senhor dos Anéis, mas ao mesmo tempo ciente do universalismo contido na experiência de linguagem desenvolvida por James Joyce, Miéville atualiza o programa histórico contido nestas sagas medievais, anteriores ao surgimento do Estado moderno. Lembremos que este é também o tempo no qual miticamente está se formando um novo conceito de cidade.

Há algo comum nestas sagas, que inspiraram os cenários dos primeiros RPGs dos anos 1990, do tipo Dungeons and Dragons e que terminam em Game of Trones e seus vídeo games conexos. Elas remontam aos escritores irlandeses, como Jonathan Swifft, que viveram a experiência de proto-colonização e pauperização, enquanto primeira colônia britânica. Nesta condição de desvantagem, a invenção de um espaço simbólico anterior ou posterior à distribuição atual e real do território tornou-se absolutamente crucial. Nas palavras do próprio Miéville:

“O artista [crítico] finge que coisas sabidamente impossíveis são não apenas possíveis, mas reais, o que acaba por criar um espaço mental que redefine – ou simula redefinir – o impossível.”

China Miéville, “Marxismo e Fantasia”. Em: Margem Esquerda n.23. São Paulo, Boitempo: 2014. p.23.
Artigo completo disponível online aqui.

A experiência da cidade e o seu programa de reocupação dependem destas duas estratégias de negação do impossível: a reconstrução do que foi jamais-possível, ou seja, a reinvenção do passado pela fantasia, com seus fantasmas, vampiros, Frankenstein e a invenção de um novo futuro baseado no ainda-não-possível, como Zumbis, mutantes e extraterrestres. Qualquer um pode dizer que zumbis e fantasmas não existem, mas ao mesmo tempo sabemos que coisas como a cracolândia, assassinatos de negros em periferias de grandes cidades e corpos de refugiados boiando no Mediterrâneo existem. O problema central aqui é que entre a existência e a não existência existe uma coisa chamada Real. Real cuja verdade só é acessível por meio de estruturas de ficção.

As duas estratégias, combinadas pelo realismo “weird” são formas de criar uma consciência do não-real, que é em si um espaço, determinado por uma experiência fora de território, deslocalização ou perda de lugar. Isso é o que venho chamando de fator político do sofrimento em sua estrita dependência com gramáticas de reconhecimento. Caracterizar os despossuídos como entes privados da cidadania, excluídos ou refugiados é reduzi-los a uma única gramática de reconhecimento, aquela que liga o Estado e a nação ao império das leis e sua conexão necessária entre o espaço e o território. Para a psicanálise, “ocupação” (Besetzung, em alemão) é um termo pelo qual Freud designa o investimento contingente de desejo em um lugar ou representação.

Não posso deixar de lembrar aqui o comentário de Francesco Careri2, com quem estive na Flip deste ano. Em suas aulas de arquitetura ele convida os alunos a andarem pela cidade atravessando áreas, públicas, mas também privadas e, sobretudo, “indeterminadas”, sem permissão formal. Depois os convida a pensarem soluções para problemas das áreas e comunidades pela quais passaram. Tendencialmente, alunos alemães recusam-se a praticar tal abuso da lei, latino americanos não percebem sua importância transgressiva e os demais se interrogam sobre o senso de propriedade que rege a relação entre espaço e território em nossas cidades. Na mesma direção, o sociólogo Jaílson de Souza e Silva, do Observatório das Favelas, salienta o direito à convivência como um dos pontos fundamentais para uma nova esquerda brasileira.

Se há alguma potência política na vida digital é que ela nos mostra que o espaço simbólico não se sobrepõe ao território real. O sintoma e o artifício para fazer esta ligação é justamente este ser híbrido, feito de linguagem escrita e potencial violência, que é a lei. Não é por outro motivo que um dos ensaios teóricos mais penetrantes de China Miéville versa justamente sobre o imperialismo da lei na Europa emergente3. É por motivos análogos que ele recusa o nominalismo linguístico das políticas baseadas em lugares de fala fixos, que aprisionam pessoas em suas identidades, como os territórios legais tentam aprisionar sujeitos em seus espaços, ainda que com o justo argumento de empoderá-los.

“Hamd Hamzinic era o que os assassinos de Avid Avid também denominariam ébru. Hoje em dia o termo é usado principalmente pelos conservadores racistas, ou numa provocação reversa, pelos próprios alvos do epíteto: um dos mais famosos grupos de hi-hop besz se chamava Ebru W.A. […] a antiga palavra besz para ‘judeu’ foi recrutada para incluir novos imigrantes e virou o termo coletivo para ambas as populações.”

China Miéville, A cidade & a cidade. São Paulo, Boitempo: 2014. p. 32.

A ideia de que palavras são “recrutadas” exatamente como pessoas que são convocadas para exércitos, assim como a assimilação de termos ofensivos como estratégias de resistência nos lembra obviamente a interdição de palavras de conotação afetiva em Alphaville de Godard e a “novilíngua” de George Orwell, como fulcro da operação ideológica dos discursos. Como não reencontrar aqui o mesmo espírito dos neologismos Joyce-lacanianos, combinando ficção científica e romance policial, de Huxley a Ridley Scott, e a mesma resistência à padronização pós-moderna, politicamente correta e metalinguística do discurso, de Lang e Godard?

Em síntese: Miéville é o antídoto atualmente disponível para Alphaville.

Cruzar fronteiras é pior do que assassinato.


NOTAS

1 Parker, Ian (2014) Psicanálise Lacaniana: revolução na subjetividade. São Paulo, Annablume, 2014.
2 Confira a gravação completa da mesa com Francesco Careri clicando aqui.
3 China Miéville. Between Equal Rights: A Marxist Theory of International Law. Stanford Journal of International Law Winter 2007: 208+. 2005.

Christian Dunker é psicanalista, professor Livre-Docente do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), Analista Membro de Escola (A.M.E.) do Fórum do Campo Lacaniano e fundador do Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise da USP. Autor de Estrutura e Constituição da Clínica Psicanalítica (AnnaBlume, 2011) vencedor do prêmio Jabuti de melhor livro em Psicologia e Psicanálise em 2012 e um dos autores da coletânea Bala Perdida: a violência policial no Brasil e os desafios para sua superação (Boitempo, 2015).

Bolsonaro ganha-ganha

Por Leandro Demori – The Intercept_Brasil

Arthur Lira

Lira pensa que ganhou. O Brasil com certeza perdeu.

O país sufoca no caos e na fome enquanto Arthur Lira acha por bem ocupar a Câmara dos Deputados com uma pauta que, hoje, neste momento histórico, serve apenas a quem deseja destruir a confiança pública no sistema eleitoral.

Conivente com o motor destruidor de Jair Bolsonaro, Lira mandou ao plenário o projeto da impressão dos votos na próxima eleição. É legítimo melhorar o sistema? Lógico. Em qualquer momento, menos agora. O presidente da República deseja apenas arrebentar o país e jogar as eleições na dúvida. 

A campanha Bolsonaro 2022 passa necessariamente por desacreditar o sistema e NADA QUE SE FAÇA mudará isso. Ignorar o jogo que está sendo jogado e pensar haver força, agora, para um debate técnico que se sobreponha ao político é ingenuidade. É jogar água no moinho de quem gostaria que não houvessem sequer eleições, e que fará de tudo para isso acontecer.

Estamos falando de um governo nazificado e militarizado. Não precisa muito para entender que esse debate se dá com pessoas que desejam o caos. Eu entendo a frustração de pesquisadores que alertam há anos para falhas no sistema, e que reclamam que foram alijados do debate público (o que não é bem verdade, vamos combinar. Muitos se tornaram célebres justamente pelo espaço que a imprensa abriu). Mas é preciso entender com quem lidamos. Não é hora de apenas estudar os átomos ignorando que o chefe de Estado quer construir uma bomba atômica.

Vale lembrar que fraudes eleitorais acontecem também por conta do ambiente, não apenas do sistema. Se o ambiente político propicia coerção e ameaças, uma eleição se torna suspeita, independentemente do modo como se vota. É justamente ISSO que Bolsonaro quer: criar o ambiente. Seria importante que pesquisadores de renome que apontam, há anos, questões relevantes sobre nosso sistema eleitoral se manifestassem reafirmando que, sim, transparência e aprimoramento são importantes, mas que neste momento o debate visa apenas destruir a confiança pública.

Lira esticou o assunto, deu mais dimensão do que merecia, no pior momento histórico possível, e vai dar a Bolsonaro uma desculpa eleitoral perfeita caso o voto impresso seja aprovado ou reprovado, não importa o resultado. Lira disse que “o voto impresso está pautando o Brasil”. Isso é mentira. O que pauta o Brasil é a fome e a vacina, o desemprego, o preço do feijão e do gás. A pauta do voto é o mote eleitoral do bolsonazismo em 2022. Com a decisão, temos dois cenários:

1. Se a Câmara derrubar, Bolsonaro ganha ainda mais força (“A velha política não quer eleições limpas.”);

2. Se aprovar, o bolsonazismo vai preparar uma ação em massa de impugnação de urnas e pedidos de recontagem, e no fim disso tudo AINDA ALEGARÁ FRAUDE, porque essa é a natureza do movimento.

Lira acaba de jogar o país na espiral da loucura. O voto impresso é o atalho para o golpe.

Tucano Araçari, raro, é avistado no Parque Estadual do Utinga

Dois registros foram feitos na última quinta-feira (5), no Parque Estadual do Utinga (Peut), do Araçari-de-pescoço-vermelho (Pteroglossus bitorquatus), tucano que pertence a família Ramphastidae, que engloba os tucanos e araçaris. Espécie de extrema importância para o parque, pois faz parte da lista de ameaçados de extinção. A primeira aparição foi durante a aula prática do Curso de observação de aves realizado pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio) e Secretaria de Estado de Turismo (Setur).

Segundo o professor Danielson Aleixo, que ministrou o curso, durante a aula, ele e os alunos estavam se deslocando por uma área de capoeira e um dos alunos identificou um Araçari que estava em uma copa de uma árvore entre as folhagens. O biólogo explica ainda que, por se tratar de uma espécie que está em perigo, encontrar um bando como esse significa dizer que o Parque Estadual do Utinga é uma unidade de conservação que protege a biodiversidade, então, preservar o parque, as capinaranas, onde eles se, alimentam é fundamental.

Ivan Santos, gerente da região de Belém, conta que a presença dessas espécies em extinção no parque mostra a importância da preservação do meio ambiente e do nosso papel na gestão das unidades de conservação, protegendo as florestas e consequentemente a fauna existente, sendo primordial para isto o desenvolvimento de ações de educação ambiental e de ecoturismo para estimular a prática de observação de aves. (Com informações da Ascom)

Nobre guerreiro negro lutador: ouro olímpico une Herbert Conceição a Mandela

Por Plínio Teodoro, na revista Fórum

O oceano Atlântico e algumas décadas separam a história de Madiba e Herbert Conceição, nobres guerreiros de alma leve – como diz a canção do Olodum -, que mantêm-se unidos pelo fim do racismo e da segregação racial. Quando Herbert nasceu, na periferia de Salvador – a capital mais africana do Brasil -, Nelson Mandela já havia feito história ao se libertar de 27 anos da prisão e tornar-se presidente da África do Sul.

Neste sábado (7), ao entrar no ginásio Ryogoku Kokugikan, em Tóquio, ao som da música que o Olodum compôs em homenagem ao líder da luta contra o regime segregacionista do Apartheid, Herbert mostrou que a luta, fora dos ringues, é parte da história do povo negro.

“Em pleno século 21 ainda conviver com casos de racismo é muito lamentável. Como negro, não poderia deixar de fazer a minha raça se sentir representada e mostrar pra eles que nós podemos. Basta a gente trabalhar, não ligar pra críticas, absorver apenas as críticas construtivas e ter fé, seja lá quem alimente a sua fé. Respeite o próximo, seja branco, negro, pardo, índio. Trabalhe, porque com certeza você será recompensado”, disse Herbert, em reportagem no portal Uol.

Com um choro emocionado ao vencer por nocaute no terceiro assalto – após perder por pontos os rounds anteriores -, o pugilista brasileiro mostrou a resiliência histórica do povo negro para lugar pela justiça de se viver em um mundo mais livre e mais empático.

“Nobre guerreiro negro de alma leve, nobre guerreiro negro lutador, que os bons ventos calmos assim te levem aonde você for”. Os versos em homenagem a Mandela que embalaram o ouro de Herbert revelam que, mesmo após séculos, a luta continua e faz surgir em todo o mundo nobres guerreiros dispostos a nocautear o racismo e o preconceito.

Internet vibra com derrota dos ‘minions’ do vôlei masculino para a Argentina

A Argentina decidiu fazer a alegria de parte dos internautas neste ano. Primeiro na Copa América, quando o time de Messi levou a melhor sobre o Brasil e grande parte dos brasileiros comemoraram o resultado, e agora com a vitória de virada sobre o time brasileiro de vôlei masculino, repleto de admiradores de Bolsonaro, conquistando a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

Não demorou e a seleção Argentina virou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais (chegando ao 4º lugar no Twitter e um dos assuntos mais buscados no Google), mas a comemoração dos internautas aconteceu muito mais pela ausência no pódio de um time cheio de “bolsominions” do que por admiração aos Hermanos.

Os internautas que não morrem de amor pelo governo de Jair Bolsonaro não demoraram para encher o Twitter com comentários recheados de ironia e alegria pela derrota da seleção brasileira de vôlei masculino:

“Quer dizer q a Argentina ganhou, é?”

“Bom dia, amigos e amigas . Então quer dizer que a seleção de vôlei masculino perdeu para a Argentina? Oh, que peninha, neh…”

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A apresentação da seleção brasileira de vôlei masculino diante da Argentina foi apática durante boa parte do jogo, mostrando que a derrota categórica para a Rússia por 3 x 1 ainda não tinha sido digerida. Assim, o Brasil caiu para a Argentina de virada por 3 sets a 2, parciais 25/23, 20/25, 20/25, 25/17 e 15/13, ficando fora do pódio no vôlei masculino nas Olimpíadas de Tóquio.

É a primeira vez que isso acontece desde as Olimpíadas de 2000 em Sidney. E adivinhe para qual seleção o Brasil perdeu nas quartas de final e voltou pra casa sem medalha?

Isso mesmo! A Argentina. Some isso ao fato de que o feito de hoje repete as Olimpíadas de Seul, em 1988, quando a Argentina também foi bronze vencendo o Brasil na disputa, e temos uma freguesia do vôlei masculino brasileiro diante dos argentinos quando se trata de Jogos Olímpicos.

Brasil é bicampeão olímpico de futebol

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O palco da final olímpica já era sagrado para a Seleção Brasileira. Afinal, em 2002, o Estádio Internacional de Yokohama foi o cenário do título mundial contra a Alemanha. E, sob as bênçãos dos pentacampeões, o Brasil voltou a comemorar um título no local quase 20 anos depois. Na manhã deste sábado (noite no Japão), a equipe olímpica derrotou a Espanha por 2 a 1, em partida definida na prorrogação, e conquistou o bicampeonato em Jogos Olímpicos. O ouro da Olimpíada de Tóquio foi o segundo seguido, cinco anos após a vitória nos pênaltis diante dos alemães, no Rio de Janeiro.

O Brasil abriu o placar nos acréscimos do primeiro tempo, com Matheus Cunha. Mais cedo, Richarlison havia perdido um pênalti. Na volta para a etapa complementar, a Espanha melhorou e logo buscou o empate com Oyarzabal. O gol do ouro saiu no segundo tempo da prorrogação, em contra-ataque magistral definido com perfeição por Malcom.

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Bicampeonatos seguidos
Antes do Brasil, só quatro seleções haviam conquistado dois ouros seguidos no futebol masculino: Grã-Bretanha (1908 e 1912), Uruguai (1924 e 1928), Hungria (1964 e 1968) e Argentina (2004 e 2008).
A modalidade passou a integrar o programa olímpico na segunda edição do evento na Era Moderna (em Paris, 1900) e nunca teve um tricampeão. A Seleção Brasileira se credencia a buscar o feito inédito nos Jogos de 2024, que serão disputados novamente na capital francesa.
Ganhar dois ouros consecutivos é raro para o Brasil em qualquer modalidade. O país conseguiu a sequência dourada apenas quatro vezes. A primeira foi com o lendário Adhemar Ferreira da Silva, campeão no salto triplo nos Jogos de Helsinque (1952) e Melbourne (1956).

O Brasil é o país com mais medalhas olímpicas no futebol masculino (sete), duas a mais que Hungria, União Soviética e Iugoslávia. Em Paris, o país tentará igualar os maiores campeões.
3 ouros: Hungria e Grã-Bretanha

2 ouros: Argentina, União Soviética, Uruguai e Brasil

1 ouro: Iugoslávia, Espanha, Polônia, Alemanha Oriental, Nigéria, Checoslováquia, França, Itália, Suécia, Bélgica, México, Canadá e Camarões.

Após troca de fornecedora, Remo vende mais de 10 mil camisas no primeiro mês

Volt é a nova fornecedora de material esportivo do Clube do Remo

A parceria entre Remo e Volt, empresa fabricante do material esportivo do Leão no Campeonato Brasileiro, está gerando bons frutos. Segundo o Diretor de Marketing do clube azulino, Renan Bezerra, mais de 10 mil camisas foram vendidas em menos de um mês após lançamento do novo uniforme.

O dinheiro arrecadado com a venda das camisas ajuda a compensar os déficits causados pela ausência de bilheteria. Um novo plano, visando a estruturação do clube, será lançado nas próximas semanas. O foco é a consolidação do Centro de Treinamento, mas o clube mantém sigilo sobre a iniciativa.