Intensidade é o segredo

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo não conseguiu vencer, mas mostrou avanços diante do Goiás. Uma atuação centrada e bem organizada, com consciência tática e acerto de passes. Foi superior no 1º tempo e caiu um pouco na etapa final, sucumbindo ao já habitual erro na saída de bola. Ainda assim, teve forças para buscar o empate nos minutos finais, garantindo um bom resultado.

Um dos pontos a destacar foi a distribuição em campo, com ênfase no papel executado por Uchoa e Erick Flores no meio-campo e a participação intensa de Victor Andrade no ataque. O trio esteve ausente com o Operário e retornou em grande estilo contra o Goiás, provando sua utilidade para o modelo de jogo proposto por Felipe Conceição.

A inversão de papéis entre Victor e Felipe Gedoz funcionou bem, embora sem a necessária contundência ofensiva. Ficou faltando, em alguns momentos, ousar mais nas finalizações. Victor, por duas vezes, e Flores foram os mais agudos. Do lado goiano, Nicolas arriscou uma vez, mas o time parecia intimidado e surpreso com a esquematização do Remo.

Goiás-GO 1×1 Remo (Lucas Siqueira)

O segundo tempo trouxe um Remo mais conservador, menos intenso e preso ao próprio campo. Em consequência, o Goiás subiu de produção e passou a atacar com mais insistência. Num cochilo na saída de bola, com Wellington, nasceu a jogada do bonito gol de Nicolas, aos 17 minutos.

A jogada errada na lateral direita pegou de surpresa os zagueiros Romércio e Jansen. São falhas que não podem se tornar rotineiras no mais disputado campeonato do país. Quem ambiciona alcançar um nível de regularidade que garanta alta competitividade tem que cuidar dos detalhes, principalmente nas zonas próximas à sua área.

Felipe Conceição fez trocas que ajudaram o Remo a sair da postura recuada. Lucas Tocantins, Renan Gorne, Rafinha e Artur entraram e o time voltou a manobrar no ataque, mas nem tudo fluiu como deveria. Faltou priorizar as jogadas com Tocantins, que recebeu apenas duas bolas.

Uma delas, na reta final do jogo, permitiu ao atacante dar um giro no marcador e entrar na área. Quando o goleiro Tadeu chegou para dividir, Tocantins deu um toque na bola e recebeu a falta. O penal foi marcado e convertido por Gorne.

Uma atuação de bom nível, que deixa no ar a impressão de que o time pode evoluir a partir de atitudes mais confiantes. O desafio é manter a constância e ser intenso em todos os jogos.  

Bahia é a mais nova potência olímpica

Teve um inconfundível sabor de dendê a melhor campanha do Brasil em Olimpíadas. Dos sete ouros em Tóquio, quatro foram conquistados por atletas baianos. A façanha põe a Bahia em 21º lugar no quadro de medalhas, à frente de países como Espanha, Suécia, Suíça e Dinamarca.

Hebert Conceição (boxe), Ana Marcela (maratona aquática), Isaquias Queiroz (canoagem) e o capitão da Seleção Brasileira olímpica, Daniel Alves, são os ilustres baianos que subiram ao lugar mais alto do pódio.

O “país” Bahia ainda poderia ser 17º no quadro se a boxeadora Bia Ferreira tivesse vencido a final do boxe feminino. Ao todo, o “Comitê Olímpico Baiano ” levou delegação de 11 atletas onde cinco conquistaram medalhas; quatro delas douradas, desempenho mais do que excepcional.

Missa marca os 110 anos de reorganização do Leão

O Conselho Deliberativo do Clube do Remo, através de seu primeiro secretário, Carlos Getúlio Gama, convida para as cerimônias pelos 110 anos da reorganização, que transcorrem neste domingo, 15. Em memória de sócios e beneméritos azulinos falecidos recentemente, será celebrada uma missa na sede social (avenida Nazaré), às 10h.

Um escárnio para o Botafogo de Mané e Saldanha

Sem usar máscara, uma comitiva do Botafogo foi a Brasília ontem render loas a Jair Bolsonaro. Entregaram a ele um quadro com a imagem de Mané Garrincha e brindes oficiais do clube. Com a cara mais deslavada, o notório Durcesio Mello, cheio de salamaleques, foi agradecer pelo “apoio incondicional ao marco legal do clube-empresa”.

O Botafogo, berço de craques que honraram a camisa da Seleção Brasileira, não pode se lançar nos braços de um presidente que ignora a importância do esporte como legítima manifestação popular e social. 

A atitude minúscula representa uma mancha à imagem de um dos maiores clubes do mundo e um atentado à memória de Mané Garrincha. Em 1969, ele e Elza Soares tiveram que fugir às pressas do país depois de terem a casa metralhada, em claro aviso da ditadura militar aos dois.

Segundo Ancelmo Góis, participou do encontro o juiz federal José Arthur Diniz Borges, do gabinete do STF no Rio, que se portou como cicerone do encontro. Borges é consultor especial do Botafogo.

Para tornar a história toda ainda mais deplorável e humilhante, a diretoria do Botafogo fez questão de bajular a família Bolsonaro, lembrando que dois de seus filhos (Carlos e Eduardo) são alvinegros.

E pensar que o Botafogo foi um dos times que corajosamente se posicionou contra a retomada intempestiva do futebol em meio à pandemia, desafiando o discurso do próprio Bolsonaro e seus acólitos na Federação do Rio. Por conta disso, foi acintosamente operado pelas arbitragens na Série A daquele ano, acabando por ser rebaixado à Série B.

Fico a imaginar o que João Saldanha, o imortal João Sem-Medo, estaria pensando de iniciativa tão subserviente quanto idiota.  

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 12)