Série C: Papão marca 2 a 0 sobre Jacuipense e assume vice-liderança do grupo A

O PSC derrotou a Jacuipense por 2 a 0 na noite deste sábado, 14, no estádio da Curuzu, e assumiu a vice-liderança do grupo A da Série C. O duelo valeu pela 12ª rodada da competição. O caminho da vitória foi aberto ainda no primeiro tempo: aos 36 minutos, Leandro Silva cobrou lateral na área e Marino passou para Rildo finalizar, abrindo o marcador. No segundo tempo, o time baiano tentou pressionar em busca do empate, mas tinha dificuldades para criar jogadas ofensivas. Nos minutos finais, um pênalti garantiu ao Papão o segundo gol. O meia Ruy cobrou e marcou.

Paysandu x Jacuipense, Série C do Brasileiro

Na próxima rodada, o PSC joga domingo, às 18h, contra o Volta Redonda, no estádio Raulino de Oliveira.

Enfim, a grande atuação

POR GERSON NOGUEIRA

Remo 2×1 Vasco-RJ (Romércio, Victor Andrade, Igor Fernandes, Kevem e Anderson Uchôa)

Os 45 minutos iniciais do Remo foram exemplares. Melhor atuação do time no Brasileiro até hoje, tanto no coletivo como no individual. Sem Felipe Gedoz na articulação, a transição ficou acelerada e ágil. Isso resultou em vantagem logo nos primeiros minutos da partida. A forte participação dos homens de meio, Uchoa e Erick Flores em destaque, foi fundamental para o resultado construído em cima de um Vasco quase sempre confuso.

As primeiras movimentações da partida mostraram o time vascaíno se impondo no campo de defesa do Remo, projetando Cano e Léo Jabá em cima da última linha defensiva azulina. O posicionamento firme de Romércio e Kevem conseguiu impedir que lances rápidos resultassem em situações de perigo.

Aos 14 minutos, em articulação que envolveu Mateus Oliveira, Flores e Renan Gorne, surgiu o primeiro gol do Leão. A bola foi cruzada na área por Flores para o cabeceio de Gorne. Não se via no Vasco capacidade de equilibrar as ações. O Remo se espalhava pelo campo e controlava o jogo.

Fez isso tão bem que logo em seguida chegou ao segundo gol, como consequência natural do melhor rendimento tanto na defesa quanto no ataque. Mateus Oliveira, em noite inspirada, cobrou escanteio no segundo pau e Romércio subiu para testar no canto.

No único momento de desatenção, o Remo permitiu que o Vasco chegasse ao gol. Léo Jabá atraiu a marcação de Romércio e tocou para Sarrafiore finalizar rasteiro. Não era o retrato fiel do que se via em campo.

Tanto não era que, dos 34 aos 40 minutos, o Remo teve três grandes oportunidades para ampliar. O goleiro Vanderlei apareceu para evitar com os pés um chute de Flores. Depois desviou milagrosamente uma bola que havia sido cabeceada por Romércio na trave e ainda salvou um chute cruzado de Flores.

Remo 2×1 Vasco-RJ (Kevem)

Pelo volume de jogo imposto nos 45 minutos iniciais, o Remo tinha condições de ter saído com um resultado mais dilatado, um 3 a 1, pelo menos. Faltou mais apuro nas finalizações, mas as articulações revelaram um time ofensivamente comprometido em chegar ao gol.

O segundo tempo não teve praticamente lances de perigo nas duas áreas. O Remo buscava controlar o jogo, mas com um posicionamento menos agressivo, situação que foi amplificada com a expulsão do goleiro Vanderlei logo aos 21 minutos. Botou a mão na bola fora da área, após perder o tempo da defesa. Se a bola passa, Renan Gorne entraria livre para fazer o terceiro gol. Depois disso, o cansaço afetou a movimentação dos azulinos, ainda sob o efeito do jogo com o Goiás três dias antes.

Ocorre que o jogo tem que ser observado pelo nível de comprometimento e maturidade tática da equipe de Felipe Conceição. Uma evolução interessante e necessária após a desastrosa derrota para o Operário-PR.

Bola na Torre

Giuseppe Tommaso apresenta o programa, a partir das 22h, na RBATV. Participações de Valmir Rodrigues e deste escriba de Baião, falando sobre a participação dos clubes paraenses nas séries B, C e D. A edição é de Lourdes Cézar.

Saúde mental: a nova fronteira do esporte

Além das esperadas façanhas dos gigantes das piscinas e tatames, com direito a decepções, como a derrota de Gabriel Medina no surfe, um tema sobressaiu em meio às estatísticas e comparações sobre rendimento. A saúde mental dos atletas entrou definitivamente na pauta dos especialistas do esporte e das autoridades médicas. A psicologia do esporte tem afinal o reconhecimento merecido quanto à necessidade de reforçar o emocional dos atletas, principalmente em competições de alto nível.

Historicamente, atletas são vistos como gladiadores modernos. Não têm o direito de revelar fragilidade ou insegurança, não podem reagir como os demais mortais. Exige-se deles um comportamento de super-homens.

A coisa é tão séria que, em Olimpíada ou Copa do Mundo, as torcidas só se contentam com a justificativa da lesão física – desde que seja reconhecidamente grave – para derrotas e eventuais fracassos.

Nesse sentido, o episódio envolvendo a ginasta norte-americana Simone Biles, que desistiu de participar finais olímpicas, demarca uma nova fronteira. Apresenta a oportuna reflexão sobre a prioridade que se deve dar à saúde mental e emocional dos desportistas.

Acrescente-se a isso a forte influência da pressão gerada pelos grandes patrocinadores, marcas de primeira linha que apoiam os astros do esporte, juntando-se ao caldo de exigências habitual de torcedores e dirigentes. Falhar na hora H, perder uma medalha, desperdiçar um recorde é algo que pode ter consequências sérias no planejamento de uma carreira.

Não é possível vencer sempre, nem todos podem ir para o alto do pódio. Simones Biles é exemplar por ter dado nome aos bois. Ao contrário de seus técnicos e do próprio comitê olímpico americano, que alegaram inicialmente uma lesão, ela assumiu toda a dimensão do problema.

O caso expõe também a visão que o mundo tem da saúde mental. Há quem diga que depressão não passa de “frescura” ou “corpo mole”. Um atleta precisa, porém, estar 100% para superar limites e adversários. E, para isso, não pode estar se sentindo mal ou abalado psicologicamente.

A contradição é que praticar esportes sempre foi uma forma de cuidar do corpo e da mente. Na prática, a banda toca de outra forma e quase ninguém ousa quebrar o silêncio a respeito. Atletas de futebol no Brasil já tiveram carreiras comprometidas por não receber a atenção devida quando demonstravam sintomas depressivos.

Um dia isso terá que ser enfrentado. A Olimpíada de Tóquio, imprudente por desafiar os riscos da pandemia, tem o mérito de ter sido a primeira a evidenciar essa realidade. Biles é merecedora de aplausos por não ter se rendido à pressão econômica e técnica.

Um detalhe: Patrocinadores, empresas normalmente gigantescas, não são inocentes nessa história. Têm que assumir seu papel nesse triste latifúndio. 

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 15)

Como não investir em criptomoeda

Por André Forastieri

Guilherme investiu mil reais em criptomoeda. Sua aplicação hoje vale uns R$ 5.500,00. Depende do dia. Depende da noite; às vezes, ele acorda de madrugada e confere no celular quanto está valendo seu investimento. Gui tem 17 anos.

Tá certo ele. Como disse o pai do rapaz, se você não for correr risco aos 17 anos, vai correr quando?

Concordei mas adicionei um conselho de tiozão: Gui, tira R$ 1500 e deixa o resto lá. Aí, pelo menos você já garante que não perde o que investiu. Realiza um puta lucro de 50%. E compra alguma coisa bacana que você esteja a fim. 

Desconfio que Gui vai deixar a grana quietinha lá investida em cripto. Confio que ele sabe mais do que eu sobre o que faz sentido em 2021. Meu conselho é bom, mas se conselho fosse bom ninguém dava, vendia, reza a sabedoria popular.

Eu vendo conselho, curiosamente. Dei essa sorte: algumas almas caridosas vêem valor na minha experiência e expertise. Aprendi um bocado trabalhando desde 1988, e tenho cabelos brancos e cada vez mais ralos para provar.

No mínimo, posso te poupar de cometer os mesmos erros que eu cometi. É a parte mais importante do que chamo, na maior cara-de-pau, de meu trabalho de “consultor”.

Pois então: dou consultoria grátis de cripto pra você.

Existem mais de oito mil criptomoedas. O total de ativos chegou a dois trilhões de dólares em abril de 2021, hoje é “um pouco” menos, só 1.6 tri. Minerar cripto exige mais energia que a consumida por Amazon, Apple, Google, Facebook e Microsoft, somados.

O que você precisa aceitar sobre Cripto é que Cripto é economia real. O dinheiro que você usa pra comprar é de verdade. O dinheiro que você ganha ou perde na hora de vender é de verdade.

Se é tão economia real quanto o dinheiro que você ganha e perde na roleta, ou em um alqueire de soja, é discutir o sexo dos anjos.

Esse castelo chamado “economia real” foi construído nas nuvens e era feito de cartas. Começou a ruir estrepitosamente com o fim do padrão-ouro, Nixon, 1971. 

A ciranda financeira global escancarou as rachaduras. A digitalização dos mercados acelerou, diversificou, criou novos produtos que nada produzem: Bonds disso e daquilo, derivativos, credit default swaps…

A crise de 2008 exigiu manufatura de novos trilhões de dólares, euros, yens sem nenhuma ligação com nada que você possa, mesmo generosamente, chamar de “lastro”. A maquininha continua imprimindo grana. Não se vê inflação de demanda por conta do quantitative easing. 

Cripto é realíssimo, e é só mais um capítulo na virtualização das moedas, portanto da riqueza e da pobreza. Não será o último. É tudo recentíssimo. A primeira criptomoeda foi criada em 2009. Daqui dez anos não serão oito mil, mas 800 mil criptomoedas; algum dia 8 bilhões, uma para cada ser humano?

Se você juntar à explosão das criptomoedas a desregulamentação crescente das nossas atividades financeiras, mais a proliferação insana de paraísos fiscais, temos um cenário pela frente de volatilidade crescente.

Muitos vão perder, alguns vão ganhar. Como disse Churchill após Stalingrado, não estamos no começo do fim, mas talvez estejamos no fim do começo… do quê? Do Capitalismo.

E quanto você tem investido em criptomoeda, Forasta? Nada, e assim permanecerei. 

Já tomo risco suficiente, vivendo de meus parcos talentos de empreendedor desde 1993. Gosto assim. Diferente do Gui, se acordar de noite demoro pra pegar no sono de novo, tenho que ir fazer lanchinho, ler um livrinho, problemas da vecchiaia.

Quando se trata de investimento financeiro, meu negócio não é o máximo retorno, é o mínimo de stress. Esta semana chego aos 56 anos. Também estou mais perto do fim do que do começo…

OUÇA

Adão Iturrusgarai, legendário cartunista, cronista e artista plástico (!), nosso convidado para um podcast com o tema “Agosto, mês de cachorro louco”!

O site do Adão é muito legal, e sua newsletter Correio Elegante, também. A surpresa dos últimos anos é como ele se provou um pintor expressivo, com punch e identidade.  Visita o Adão! Tem tira e lojinha!

LEIA

novo site do Andre Barcinski

Com lives, aulas, fotos, boas coisas que ele fez em três décadas… e posts novinhos em folha.

Barça é fácil o jornalista mais produtivo da nossa geração. Faz jornalismo cultural com rigor, humor e independência, desde os distantes anos 80 (hei, olha ele com o Lemmy e o Wurzel do Motorhead em 1989!).

Também faz livros muitíssimo bem pesquisados & divertidos, dois podcasts e mais várias coisas que nos dão muito prazer e não lhe dão grana. 

Na prática, o que paga as contas do xará são seus muitos trabalhos no campo audiovisual (você assistiu Hit Parade, certo? A História Secreta do Pop Brasileiro? Os programas do Mojica, Rogéria, Nasi?).

Mas a gente quer que ele continua fazendo tudo que faz e mais um pouco.

Então: a partir de 10 reais por mês, você terá acesso ao site do amigo, e estimula ele a continuar sendo o Barça impagável e imparável que amamos.

Apóie aqui!

ASSISTA

Rocco e Seus Irmãos. Merece ser visto e revisto. Só pela cópia restaurada, estalando. Só pela fotografia de Giuseppe Rotunno. Só pela trilha de Nino Rota.

Mas tem o entrelaçar de neo-realismo e romantismo; tem luta de classes e profundidade psicológica; tem os belos Alain Delon, Annie Girardot, Claudia Cardinale; tem o espírito das Itálias, setentrional e meridional.

E tem Luchino Visconti, filho da mais alta nobreza milanesa, herdeiro de fortuna farmacêutica, conde e comunista, criador de cavalos de raça, diretor de ópera no Scala, amante de célebres e belos, homossexual, intelectual, único. Que bem-nascido se dedicou com tanto talento e paixão a expôr a hipocrisia de sua classe? 

Está no serviço de streaming Belas Artes A La Carte. Até 30 de setembro. A assinatura mensal do serviço custa R$ 9,90, e é impossível você gastar esse valor de maneira mais proveitosa.

Aproveita e vê no YouTube o doc da BBC sobre Luchino, com colaboradores e o próprio falando.

Aqui está outro italianinho que leva jeito com a câmera, celebrando Luchino

Pessoas e palavras de um mundo que nos deixou, que nunca nos deixará…

BUONA SERA

E grazie mille!