Uma noite de expectativas

POR GERSON NOGUEIRA

Goiás x Remo é jogo grande, como gostam de falar os boleiros. Significa que há mais engajamento e foco quando adversários credenciados se enfrentam em partidas desse porte. Em termos de campeonato, o confronto válido pela 17ª rodada não é tão decisivo, mas para o Remo tem muita importância. É a oportunidade de dar uma resposta ao torcedor após a horrorosa apresentação de sexta-feira contra o Operário-PR.

Sim, o que mais chocou não foi a derrota, mas o desleixo com que o time se apresentou, sem o menor sinal de comprometimento e organização. Comportou-se como um bando, incapaz de se impor ante um adversário fragilizado pela perda de um atleta logo nos primeiros minutos.

O que o time apresentar hoje à noite, em Goiânia, vai dizer muito sobre suas ambições na Série B. Até sexta-feira imaginava-se que o projeto era de permanência. A pífia exibição deixou no ar a suspeita de que a realidade é mais cruel: jogando daquele jeito, o Remo vai brigar para não cair.

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Até mesmo a posição intermediária de hoje, ocupando o 13º lugar, pode ficar ameaçada nas próximas rodadas. A gordura de seis pontos em relação ao primeiro da zona do rebaixamento não é tranquila, principalmente pela sequência de jogos. Após o Goiás, o Leão pega o Vasco, no Baenão.

Felipe Conceição está completando um mês no comando da equipe. Sua trajetória até aqui parece uma montanha russa. Começou com uma derrota, venceu três partidas, perdeu duas, ganhou outra e caiu feio na última rodada. Precisa dar um jeito de abraçar a regularidade, a fim de manter distante o risco de uma derrocada no returno.

É importante observar que o Remo, desde o Campeonato Paraense, tem tido dificuldades em se estabilizar. Ganhou um pouco de consistência com a formatação inicial na Série B, mas as fragilidades logo apareceram e o time foi parar na última colocação.

Com Felipe, houve a reação, criou-se a expectativa de que viria a evolução e a segurança no desempenho. Até agora isso não se confirmou, muito em função das mudanças de peças na equipe, que comprometem inclusive a boa solução encontrada pelo técnico ao optar por um sistema móvel no ataque, sem a presença do centroavante fixo.

Nos últimos jogos, o esquema não funcionou. Contra o CSA, apesar da vitória, a ausência de Felipe Gedoz levou à escalação de Renan Gorne. Diante do Operário, três titulares estavam fora – Uchoa, Erick Flores e Victor Andrade – e o ataque simplesmente não existiu.

O trio retorna hoje e com ele a esperança de uma volta à configuração tática que garantiu as três vitórias seguidas, contra Brusque, Ponte Preta e Cruzeiro. Flores, principalmente, mostra-se cada vez mais útil. Participa de quase todas as situações de jogo, tanto na parte defensiva quanto na frente.

Com ele, Gedoz tende a render mais e os volantes ganham um reforço no combate direto aos atacantes adversários. Uchoa é responsável pela saída de qualidade. Victor Andrade é o atacante mais agudo, que torna o jogo mais vertical e menos dependente de cruzamentos.

Lágrimas no adeus de Messi poderiam ser pelo Barça

Em cerimônia que se revelaria até solene demais para o ambiente do futebol, Lionel Messi se despediu do Barcelona no fim de semana, com direito a lágrimas e emoção nas poucas palavras proferidas. Ficou patente a tristeza dele em ter que abandonar sua casa. Chegou ao clube ainda criança e foi lá que aprendeu tudo, com companheiros e técnicos.

Detalhes da demorada negociação para renovar contrato revelam que o jogador não fez força para sair. Pelo contrário, Messi queria ficar. O problema é que o Barcelona vive dias de pindaíba. Não é uma pindaíba nível Brasil, mas a situação é angustiante no gigante catalão.

O aperreio é tão sério que o Barça, dizem, não poderia honrar nem com a metade do que pagava a Messi em seu último contrato. Tudo isso provocado pelas jabuticabas financeiras que enfraqueceram o clube nos últimos 10 anos e acentuadas pelas regras do fair play financeiro de La Liga, o milionário campeonato espanhol.

Apesar de distante dos tempos de bonança e fausto, o Barcelona ainda encontra forças para uma última e desesperada tentativa de prender Messi. As negociações estão rolando nas últimas horas, embora quase toda a mídia europeia esteja cravando que o craque argentino está prestes a ser anunciado no PSG de seu amigo Neymar.

As imagens do adeus de Messi, reverenciado e aplaudido de pé pelos companheiros, abraçando-se a todos com emoção e pranto, soam como representação viva do drama vivido pelo Barcelona. É óbvio que, se perder o ídolo, levará décadas para se recompor.

Meia virou artigo de primeira necessidade no Papão

Quase todos os dias surge uma nova especulação sobre um meia-armador na mira do PSC. Para o bem de time e torcida, é bom que o sonhado especialista da posição chegue logo. Desde Itamar Schulle, passando por Eutrópio e agora Roberto Fonseca, todos os técnicos se atrapalharam por não contar com um organizador.

A carência vem de longe, nem vou me estender aqui, mas o momento exige providências imediatas. Nas duas partidas sob o comando de Fonseca, contra Tombense e Botafogo-PB, a equipe exibiu as fragilidades táticas causadas pela ausência de um cérebro no meio-campo.

Como arranjar um meia-armador é tarefa quase impossível, o clube devia se concentrar em trazer um meio-campista que seja desenvolto o suficiente para conduzir a bola quando necessário ou reter quando for mais sensato.

Domingo, em João Pessoa, o PSC não conseguia trocar três passes inteligentes, para frente. Só fazia isso em seu próprio campo, quando não havia ninguém marcando, sinal eloquente de que falta uma cabeça pensante ali na zona central, onde tudo começa e termina. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 10)