Um teste de força

Por Igor Grabois

Arthur Lira não estava preocupado com o voto impresso, necessariamente. Essa estória do voto impresso é um grande bode. Se tornou o bode de estimação do bolsonarismo. Portanto, Lira, deputado experiente que é, aproveitou pra fazer um teste de plenário. Quem já participou de congressos e assembleias estudantis e sindicais sabe do que estou falando. Faz-se uma votação pra medir força, sentir a composição do plenário.
O bode bolsonarista passou longe de ser aprovado. Uma PEC precisa de 308 votos. 228 votos, porém, é mais do que o necessário pra barrar um impeachment.
Os 218 contrários, podemos descontar algo em torno de 120/130 deputados da oposição de esquerda, no sentido amplo do termo. A direita mais tradicional conseguiu mobilizar algo em torno de 90/100 votos. É necessário refinar essa conta, mas em uma análise imediata é isso.
A rigor, Lira e a direita tradicional têm controle estrito de cerca de cem deputados, independente de legenda. Bozo recortou o centrão. Pode contar com um piso de 190/200 deputados. E têm uns 60 que permaneceram escondidos e preferiram não mostrar posição.
Esses números não refletem o peso do Bozo na sociedade em geral. As classes dominantes têm consenso em relação ao receituário econômico, não sem nuances e contradições. Mas não têm consenso político, sobre o que fazer com o monstro que eles soltaram.
Enquanto o jogo ficar restrito na praça dos Três Poderes, vai ser isso. Morde e assopra, arreganhos e cada setor tentando tirar o seu pedaço do butim.
Falta povo nesse cenário.

Arte brasileira perde Paulo José

Imagem

Grande nome do teatro, cinema e TV no Brasil, morreu nesta quarta-feira o ator Paulo José, vítima de pneumonia. Ele tinha 84 anos e convivia há 20 anos com o mal de Parkinson. Conhecido nacionalmente por papéis como o de Shazan na série cômica “Shazan & Xerife e cia.” de imenso sucesso nos anos 60, na Rede Globo. Ainda na TV, fez papéis marcantes em novelas como “Explode Coração”, “Por Amor”, “Senhora do Destino”, “Caminho das índias” e na série “JK”. No cinema, participou de clássicos nacionais como “Todas as Mulheres do Mundo” e “Macunaíma”. Paulo José foi imenso.

Imagem

A cultura resiste

Por Paulo Rocha (*), na Folha de S. Paulo

Ao longo dos séculos 20 e 21, o Brasil levou ao mundo as cores da nossa bandeira pelas vias artísticas. Na música, revelamos ao planeta a bossa nova. À sétima arte, legamos o cinema novo. Na literatura contemporânea, autores nacionais deixaram obras consagradas e reconhecidas no exterior. E não podemos esquecer, claro, da produção diária de anônimos que enriquecem e formam a cultura popular brasileira.

Pois a classe artística, responsável por levar o nome do país a todo o planeta, agora pede socorro. De personalidades consagradas a cantores de bares, todos estão entre os profissionais mais afetados pelos efeitos da pandemia, sendo muitas vezes impedidos de exercer a profissão devido à nova realidade de distanciamento social.

As consequências são gravíssimas, com artistas tendo que vender instrumentos de trabalho para sobreviver e até mesmo passando fome.

A dificuldade de obter apoio do governo não é em vão. Vem desde 2016, quando artistas denunciaram o atentado contra a democracia que ocorria no Brasil com o impeachment de Dilma Rousseff (PT). No Festival de Cannes, o diretor Kleber Mendonça e a equipe de “Aquarius”, estrelado por Sônia Braga, exibiu no tapete vermelho do Grande Teatro Lumiére cartazes como “Um golpe ocorreu no Brasil”. O dedo na ferida jamais foi perdoado.

Desde Michel Temer (MDB), o auxílio ao setor apenas declinou, começando pela extinção do Ministério da Cultura. Já quando Bolsonaro chegou ao Palácio do Planalto, imediatamente o novo presidente mirou na classe artística para deflagrar uma guerra ideológica suja e desonrosa, extirpando as artes das políticas públicas.

Isso se materializou no esvaziamento do orçamento da União. Entre 2016 e 2021, a verba federal para a área caiu mais de 80%, sendo atualmente de míseros R$ 43 milhões.

Quadro do ator Paulo Gustavo é irreversível, diz boletim médico | Poder360

Por isso, junto com a bancada do PT, apresentei uma proposta que cria a Lei Paulo Gustavo, uma homenagem póstuma ao grande artista que deu vida à Dona Hermínia. O texto prevê a liberação de verbas que totalizam R$ 4,3 bilhões para a área até o final de 2022. A matéria deve ser votada no plenário do Senado ainda neste mês de agosto.

E deixemos claro: os recursos não são governamentais, mas do Fundo Nacional da Cultura (FNC) e do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). Esses instrumentos são apenas geridos pelo governo e encontram-se bloqueados. A ideia é repassar os valores para que estados e municípios possam garantir apoio aos mais diversos campos, que vão de produções audiovisuais a pequenas produções locais.

Não é possível desprezar a cultura, responsável por movimentar 2,67% do PIB brasileiro e envolver quase 6 milhões de pessoas direta ou indiretamente.

Demos ao mundo gênios que vão de Tom Jobim, Chico Buarque e Martinho da Vila a Dona Onete, cantora de carimbó do Pará, e Mestre Vitalino, famoso artesão nordestino. Mas, além deles, temos ainda os anônimos no esteio da nossa diversidade. Todos merecem nosso respeito. Mesmo diante do descaso, a cultura brasileira resiste.

(*) Senador do PT-PA

Jornalistas: seminário da Fenaj abordará como se proteger e denunciar violência

Os números da violência contra jornalistas no Brasil são alarmantes: foram 428 casos (incluindo dois assassinatos) no ano passado. Com o equivalente a mais de uma ocorrência por dia, 2020 foi o ano mais perigoso para o exercício do jornalismo no país desde o início da série histórica do Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa, documento elaborado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) desde a década de 1990.

Às ameaças e intimidações (7,94% do total), somaram-se agressões verbais/ataques virtuais (17,76%), censuras (19,86%), cerceamento à liberdade de expressão por meio de ações judiciais (3,74%) e uma nova categoria, intitulada descredibilização da imprensa (35,51%), entre outras formas de violação do trabalho dos jornalistas.

Preocupada com essa realidade, a Fenaj vem intensificando as ações de acompanhamento e de prevenção à violência contra a categoria, em 2021. E como parte da estratégia de enfrentamento, a entidade sindical realizará, no dia 21 de agosto (sábado), a partir das 9h, o seminário on-line “Violência contra Jornalistas: denunciar para combater e se proteger para evitar”.

O seminário é gratuito e integra um projeto de monitoramento da violência contra jornalistas com o apoio do Fundo de Direitos Humanos do Reino dos Países Baixos. O evento acontecerá pela plataforma Zoom, com capacidade para 200 participantes. As inscrições podem ser feitas AQUI.

Para a presidenta da Fenaj, Maria José Braga, a Federação e os Sindicatos de Jornalistas
vêm cumprindo seu papel de denunciar, durante todo o ano, as agressões ocorridas e pressionar as autoridades competentes para que haja apuração célere para a identificação dos culpados e a consequente responsabilização/punição.

Além disso, Maria José destaca que as entidades sindicais cumprem importante trabalho de apoio e acompanhamento aos profissionais vítimas da violência. No entanto, ela reconhece que é necessário que a categoria reconheça as formas de violência e saiba como denunciar, contribuindo de forma efetiva com os Sindicatos e a Federação nessa tarefa.

Programação

O seminário está dividido em duas etapas, sendo a primeira intitulada “Violência contra jornalistas: como, onde e porque denunciar”. Serão duas mesas de debates. Pela manhã, das 9h às 12h, o tema é “O que caracteriza a violência contra jornalistas e por que denunciá-la?”, contando com as participações já confirmadas da presidenta da FENAJ, Maria José Braga; da pesquisadora Alice Baroni, da Universidade de Pádua (Itália); e do presidente do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), Yuri Costa.

À tarde, das 14h às 17h, será a vez do tema “Jornalistas: como denunciar a violência sofrida?”, com participação do vice-presidente da Fenaj, Paulo Zocchi, e da jornalista Bianca Santana. Também foram convidados jornalistas vítimas de agressões e representantes da Comissão Especial de Defesa da Liberdade de Expressão do Conselho Federal da OAB.

Apoio do Fundo

O projeto apoiado pelo Fundo de Direitos Humanos do Reino dos Países Baixos tem o objetivo de monitorar a crescente violência contra jornalistas no Brasil, a partir da coleta de dados pelos 31 Sindicatos de Jornalistas filiados à Fenaj, para elaboração, publicação e lançamento do Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil – Ano 2021.

Também são objetivos do projeto: capacitar jornalistas para promoverem denúncias sobre agressões e cerceamento ao exercício profissional; capacitar jornalistas para se defenderem de ataques virtuais; e denunciar as agressões contra a categoria no Brasil e internacionalmente. Neste sentido, em novembro desse ano, está programada para acontecer a segunda etapa desse projeto, com a realização do curso de capacitação “Como se proteger de assédios e ameaças on-line”.

Remo faz bom jogo e arranca empate fora de casa

Em confronto equilibrado, disputado na noite desta terça-feira, em Goiânia, o Remo empatou com o Goiás por 1 a 1. Nicolas marcou o gol alviverde e Renan Gorne, cobrando pênalti, empatou a poucos minutos do fim. O primeiro tempo mostrou ligeira superioridade do time paraense, que saía bem de seu campo e alternava ataques com Victor Andrade, Felipe Gedoz e Erick Flores. As melhores chances de gol da etapa inicial couberam ao Leão.

Aos 8 minutos, Victor Andrade chutou com perigo. Aos 28′, Flores cabeceou após cruzamento de Victor Andrade. Um zagueiro afastou em cima da linha, com o goleiro fora do lance. Minutos depois, Victor Andrade recebeu passe na área e bateu rasteiro para boa defesa de Tadeu.

Goiás 1 x 1 Remo, pela 17ª rodada da Série B do Brasileiro — Foto: Ascom Remo

O Remo tinha o controle do jogo, trocando passes e invertendo o posicionamento dos atacantes, o que confundia a marcação. O Goiás cometia faltas seguidas para conter Victor Andrade e Gedoz.

Na etapa final, o zagueiro David Duarte finalizou duas vezes, mas Vinícius apareceu bem. O Remo trocava passes, mas não era agudo. Aos 17′, Alef Manga recuperou bola na intermediária aproveitando erro na saída do time azulino e tocou para Nicolas. O atacante aplicou uma finta em Kevem e bateu na saída de Vinícius, marcando um belo gol.

Em desvantagem, o técnico Felipe Conceição iniciou as mexidas importantes no Remo. Tirou Lucas Siqueira e lançou Artur e trocou Mateus Oliveira por Lucas Tocantins. Artur pouco produziu, mas Tocantins foi decisivo. Por volta dos 30 minutos, Alef Manga e David Duarte quase ampliaram o marcador.

Aos 37 minutos, nasceu a jogada do gol azulino. Lançado na área, Lucas Tocantins passou por Dieguinho e foi derrubado pelo goleiro Tadeu dentro da área. Pênalti claro, que Renan Gorne bateu com categoria. Nos minutos finais, ainda houve tempo para o meia-atacante Dadá Belmonte ser expulso por xingar o árbitro.

Foi uma atuação satisfatória do Remo, com mais acertos do que erros. A volta de Uchoa, Erick Flores e Victor Andrade fez o time ganhar musculatura no meio e força ofensiva. Faltou mais confiança para forçar sobre a defensiva goiana, principalmente no primeiro tempo. No fim das contas, um bom resultado. O empate manteve o Leão na 13ª posição do campeonato. O próximo jogo, pela 18ª rodada, será contra o Vasco no Baenão, na próxima sexta-feira, 13.

Goiás-GO 1×1 Remo (Renan Gorne)

Câmara derrota Bolsonaro e enterra PEC do voto impresso

O bizarro desfile militar em Brasília, promovido pelo presidente Jair Bolsonaro nesta terça-feira (10), não foi capaz de influenciar a Câmara dos Deputados na votação da PEC do voto impresso (PEC 135/2019), de autoria da deputada federal Bia Kicis (PSL-DF). Apesar de a mobilização golpista de tanques e blindados, a proposta acabou sendo rejeitada no plenário nesta terça. A PEC já havia sido derrotada em comissão especial.

A PEC foi rejeitada no plenário com 218 votos contrários e apenas 229 favoráveis. Para ser a provada, a proposta precisava de no mínimo 308 apoios, 79 votos a mais do que os bolsonaristas conseguiram. Um deputado, Aécio Neves (PSDB-MG), se absteve. 64 deputados não votaram.

Os partidos que foram contra o texto foram PT, PL, PSD, MDB, PSDB, PSB, DEM, PDT, Solidariedade, PSOL, Avante, PCdoB, Cidadania, PV e Rede. Apenas PSL, Republicanos e Podemos orientaram a favor. O Progressistas, que ganhou o Ministério da Casa Civil, liberou a bancada, assim como PSC, PROS, PTB, Novo e Patriota. Apenas PT, PSOL, PCdoB e Rede foram integralmente contra, confira aqui como votou cada parlamentar.

O PSL, inclusive, não queria que a votação fosse realizada nesta terça para “ganhar tempo”, conforme disse o líder Vitor Hugo (PSL-GO). A deputada Erika Kokay (PT-DF) denunciou nas redes que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) teria tentando virar votos em favor da PEC.