Flamengo entra na Justiça para ter público em seus jogos

Maracanã — Foto: Alexandre Vidal / CRF

O Flamengo entrou na terça-feira com uma medida cautelar inominada no STJD. O clube quer que a CBF libere a presença de público em jogos do Campeonato Brasileiro em que for mandante, de acordo com a legislação da cidade onde ocorrer a partida. Há otimismo para conseguir o aval. Clube que mais lutou pelo descumprimento das normas de saúde durante a pandemia, a diretoria do rubro-negro do Rio sempre se posicionou ao lado do discurso negacionista do presidente Jair Bolsonaro em defesa da volta de público aos estádios.

O Flamengo entende que não tem por que não ter mais público desde que siga as exigências da prefeitura do Rio de Janeiro, em caso de jogos na cidade. O departamento jurídico do clube fundamentou a ação com o precedente do Cruzeiro, em Belo Horizonte, e com base nos protocolos da prefeitura. Na última semana, a prefeitura do Rio de Janeiro liberou a presença de público num total de 10% da capacidade do Maracanã – cerca de 7 mil pessoas.

Tinha que ser o Flamengo…

Dona de bar anti-Bolsonaro desafia os fascistas em Curitiba

Bek's Bar - Divulgação - Divulgação

Por Chico Alves, no UOL

Giovanna Lima nunca pensou em ser dona de boteco, mas se viu nessa condição no ano passado, depois que o pai, Jefferson, morreu e deixou sem comando o Bek’s Bar, estabelecimento de Curitiba que era o seu ganha-pão desde 1980. Além da falta de prática, houve incompatibilidade ideológica. Simpatizante da esquerda, ela passou a lidar com muitos clientes bolsonaristas, que ironizavam sua convicção política, faziam piadas racistas e homofóbicas.

Por muito tempo, aturou sem reagir. Há algumas semanas, porém, Giovanna, de 33 anos, decidiu marcar posição. “Resolvi responder abertamente pra todas essas pessoas que estavam questionando minha administração e meu posicionamento”, explica.

A partir daí, no atendimento presencial e especialmente nas redes sociais, começou a deixar clara a reprovação ao governo do presidente Jair Bolsonaro. No Twitter, publica frases como “combater o fascismo é nosso dever moral” e “Bolsonaro precisa pagar pelas vidas que ele arruinou e pelo luto causado às famílias”. No atendimento delivery, o cliente recebe o pedido em sacos de papel com a frase “Fora Bolsonaro”.

Giovanna Lima - Divulgação

O principal marco foi o texto publicado nas redes no dia 25 de julho, que não deixou dúvida quanto a sua disposição. “Tem bastante gente que tem se incomodado com o nosso posicionamento, especialmente o político. Isso tem reverberado em comentários do tipo ‘perdeu um cliente’. Deixo aqui avisado que cliente que apoia o genocídio de 500 mil brasileiros e outros milhares de atrocidades DEFINITIVAMENTE não fará falta”, escreveu.

E completou: “Eu prefiro falir com dignidade que ir contra meus princípios. Se você apoia tanto seu presidente, posicione-se também em suas atitudes e não venha mais aqui. Cliente fascista é livramento”.

O que seria uma iniciativa para garantir a saúde mental e a coerência política, acabou viralizando. De 600 seguidores no Twitter, em menos de um mês chegou quase aos sete mil. Além disso, o movimento aumentou. “Desde setembro não fazia retirada (de dinheiro) e agora em agosto vou conseguir receber salário”, brinca.

Se não fizesse isso, seria difícil continuar. O ambiente hostil aumentou a frequência das crises de ansiedade que tem desde criança, multiplicou as sessões de análise.

“Perdi a conta de quantas piadas homofóbicas e racistas eu ouvi lá”, desabafa Giovanna. “Nunca fiz questão de esconder nada. Tenho algumas camisetas com foice e martelo, tenho um boné do MST, tenho uma namorada e faço intervenções urbanas com poesia em Curitiba”.

A dona do Bek’s não descarta o risco de alguma reação mais agressiva, em meio ao clima de polarização política que vive o país e em uma capital conhecida por ter um perfil de direita. “Claro que temo isso, mas temo muito mais viver numa sociedade fascista”, acredita.

Embalagem do Bek's Bar, com mensagem contra Bolsonaro - Divulgação - Divulgação

E para aqueles que consideram que a posição de Giovanna é intolerante? “Tolerei demais ser desrepeitada no meu ambiente de trabalho. Eu só quero ser tratada de uma maneira digna”, explica. “Repito que prefiro falir com dignidade do que trabalhar num espaço hostil. Se a pessoa se identifica com o fascismo não tem como ser gentil com ela”.

Giovanna aceitou o desafio para ficar à altura da devoção que o pai tinha pelo boteco. “Algo em mim me dizia que ele ficaria orgulhoso se eu tentasse. Aceitei, com muito medo e com muita coragem também”. diz.

Ela não descarta, em algum momento que a temperatura política esteja mais amena, voltar a sentar na mesma mesa com alguns opositores políticos. “Se a pessoa não for uma fascista declarada, eu espero que sim. Mas acho que isso vai depender mais dos frequentadores do que de mim”, avisa.

À procura de um organizador

POR GERSON NOGUEIRA

Não precisa ser um meia de ofício, nem um camisa 10 clássico. Tem que ser é um organizador de jogadas, alguém que tenha qualidade para comandar a transição ofensiva, lançar os companheiros e se aproximar da área adversária. Este é o perfil básico do meio-campista que o PSC está buscando no mercado, com as dificuldades naturais do período.

Há uns oito anos, desde que Eduardo Ramos passou pela Curuzu em grande forma, o PSC não tem um jogador que reúna as qualidades exigidas de um médio clássico. Médios, para os europeus, são todos os jogadores que se posicionam ali na meiúca. Nem todos precisam ser armadores, alguns volantes fazem bem a função.

Andrea Pirlo foi um deles, dos melhores. Zidane foi imenso. Fernando Redondo outro. Kevin De Bruyne é o melhor de hoje, mas Paul Pogba não fica longe. Ninguém exige legítimos estilistas, mas precisam saber organizar empurrar um time à frente. A recente Eurocopa mostrou o quanto é valioso ter um meio-campista dinâmico, sagaz e participativo.

Fiz esse ligeiro nariz-de-cera para exemplificar o quanto é complicado arranjar um jogador de meio que saiba cuidar de funções diversificadas. É o dínamo do time, o cara que vai assinar todas as bolas e cuidar da construção de jogadas.

No elenco do PSC, desde o ano passado, não existe ninguém capaz de fazer minimamente o que um meia-armador faz. Não é culpa do clube, talvez tenha sido um descuido não incluir a posição entre as prioridades, mas o mercado também não ajuda. Buscar um meia é caro e difícil.

João Paulo supera lesão, diz estar 100% e projeta próximo desafio do  Paysandu na Série C | paysandu | ge

Os melhores estão todos empregados, disputando as competições nacionais. Só por um golpe de sorte se encontraria alguém talhado para a função esquecido num clube de terceira ou quarta divisão. O Castanhal tem William Fazendinha, que sabe jogar ali. A dúvida é: funcionaria no PSC com as cobranças inerentes a um clube de massa?

Diante disso, Roberto Fonseca terá que olhar à sua volta. Ruy não encaixou, nem desembarcou ainda. Volantes como Jhonattan e Ratinho não se estabilizaram no papel. Resta João Paulo (foto), um meia de bons recursos, cujo grande problema é de ordem física, situação causada por lesões seguidas.

Conhece aquela faixa do campo em que os meias pisam. Sabe lançar, chuta bem e é hábil para exercer o controle de bola. Em Manaus, na penúltima partida do PSC, fez boa aparição nos 30 minutos finais. A sequência talvez ajude João Paulo a se encontrar e permita que Roberto Fonseca encontre o que busca para a meia-cancha.

Treino dos profissionais “inaugura” o CT do Leão

Em meio à luta por causas impossíveis, como esperar providências da CBF para os seguidos erros de arbitragem contra o time na Série B, a diretoria do Remo conseguiu ontem se debruçar sobre um cenário bem mais satisfatório e real: o início da utilização do Centro de Treinamento do Leão pelos jogadores do elenco profissional.

Foi o primeiro treino coletivo comandado pelo técnico Felipe Conceição num dos campos do CT. Portanto, a partir de agora, o complexo esportivo passa de fato a ser de uso permanente do clube, tanto para o time de profissionais como para as divisões de base, que já vinham se exercitando em campos do CT.

Várias obras internas estão sendo tocadas para dar mais conforto aos atletas, comissões técnicas e profissionais da área médica. O Remo, por assim dizer, entra definitivamente para o patamar dos grandes clubes. Nos próximos dias, voltarei ao atualíssimo tema da utilidade dos CT’s.

Olimpíada faz justiça às mulheres do Brasil

Imagem de Ana Marcela nadando com peixe em Tóquio chama a atenção; veja  fotos - Jornal O Globo

Ana Marcela é a bola da vez. Venceu ontem, com performance admirável, a prova olímpica da maratona aquática. Era desconhecida até então. Em alguns minutos transpôs a barreira que separa a vida comum do estrelato. Como Rebeca Andrade e Rayssa Leal, Ana vem de uma comunidade humilde, representa o Brasil periférico, das quebradas.

Acima de tudo, o ouro conquistado por ela confirma que esta Olimpíada vai ser marcada pela forte presença da mulherada brasileira. Com a nova conquista, o Brasil atingiu um total de 15 medalhas, quatro de ouro e, dessas, duas foram conquistadas por mulheres negras: além de Ana Marcela, a ginasta Rebeca Andrade levou a premiação máxima na prova de salto da ginástica artística.

O show nos saltos deu à Rebeca o ouro na ginástica artística e fez o país se derreter repentinamente por um esporte pouco badalado. Olimpíadas servem para isso: levar à redescoberta de modalidades que hibernam por quatro anos.

Como a “fadinha” Rayssa, Rebeca e Ana Marcela lutam contra todos os obstáculos que jogam contra todo atleta olímpico no Brasil. Para agravar o quadro, o atual governo acabou com o Ministério dos Esportes.

Rebeca, Rayssa, Ana Marcela são heróis improváveis da saga de sacrifícios do país que não tem um projeto institucional de formação de atletas e só descobre o real valor das medalhas na hora dos Jogos.

Há, também, variações disso, na figura de atletas cujas famílias cultivam a prática de esportes desde os ancestrais. É o caso de Martine Grael, que junto com Kahena Kunze, faturou o ouro na vela, anteontem. Duas excepcionais atletas, que tiveram a sorte na vida de dispor de mais recursos.

Martine veleja desde garotinha. Velejar não é barato. A modalidade é inacessível para a maioria, mas quem liga? Importante é a festa no pódio, a bandeira (tão enxovalhada por alguns) tremulando. 

Não há dúvida: o esporte só é amado pelos brasileiros se nos permite vencer. Mas, voltando ao pitaco inicial, que os misóginos se calem e reconheçam que nesta Olimpíada as mulheres são a cara do Brasil. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 04)

Em sete meses, concessão de Indicações Geográficas bate recorde no Brasil

Queijo de búfala do Marajó recebe registro de Indicação Geográfica e Selo  Arte | Comex do Brasil

Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que em apenas sete meses, o Brasil ganhou 11 novas indicações geográficas, ultrapassando o recorde de concessões de 2020, quando, ao longo de todo o ano, foram registradas 10 IGs. Ao todo, o país conta com 86 produtos e serviços protegidos.

Indicações geográficas são os mecanismos de propriedade intelectual que reconhecem a fama, a notoriedade e/ou a singularidade de um território na produção de um bem ou serviço. Assim, ajudam a proteger essa origem, sendo uma importante aliada de produtores e também de consumidores. No Brasil, o órgão responsável pela análise dos pedidos é o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

“A evolução dos registros nos mostra que cresce a percepção, nos setores produtivos, do valor desse instrumento para valorizar seus produtos e diferenciá-los num mercado consumidor cada vez mais exigente”, afirma o superintendente de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), João Emilio Gonçalves. 

Entre os reconhecidos deste ano, estão itens bastante famosos no mercado brasileiro, como os chocolates artesanais de Gramado (RS), o queijo de Marajó (PA), a farinha de mandioca de Bragança (PA) e as redes fabricadas em Jaguaruana (CE).

Conheça as IGs reconhecidas em 2021

Indicações de Procedência

Chocolate artesanal – Gramado (RS)

Queijo de búfala – Marajó (PA)

Farinha de mandioca – Bragança (PA)

Café conilon – Estado do Espírito Santo (ES)

Redes – Jaguaruana (CE)

Vinho de altitude – Santa Catarina (SC)

Denominações de Origem

Café – Caparaó (ES/MG)

Café – Montanhas do Espírito Santo (ES)

Café robusta – Matas de Rondônia (RO)

Pirarucu – Mamirauá (AM)

Mel de melato – Planalto Sul Brasileiro (SC/PR/RS)