Menina de ouro

A ginasta Rebeca Andrade conquista o ouro no salto

A ginasta Rebeca Andrade conquistou na manhã (noite no Japão) sua segunda medalha nesta Olimpíada. Depois de ganhar a prata no individual geral, ela ficou com o ouro na disputa do salto, em Tóquio. A menina de Guarulhos (SP) poderá ainda ganhar a terceira medalha nesta segunda-feira (2), às 5h57, na prova solo. Ela já detém um recorde: é a primeira mulher a ganhar duas medalhas numa mesma Olimpíada. O único atleta a conquistar três medalhas numa só edição dos Jogos foi o canoísta Isaquias Queiroz na Rio-2016, com duas pratas e um bronze.

Sempre é tempo de aprender

POR GERSON NOGUEIRA

Romércio

A Série B tem sido pródiga em ensinamentos para o Remo. Representa uma oportunidade preciosa de aprender a crescer, depois de tantos anos afastado do campeonato que é a antessala da elite, por assim dizer. Um torneio difícil e equilibrado. A cinco rodadas da virada de turno, tudo está em aberto e as metas ainda estão ao alcance da mão.

Contra o CSA, hoje, no Baenão, o Remo tem a oportunidade de se reconectar com as vitórias. O recente giro sulista deixou desapontamentos, mas permite rever alguns conceitos.

A ideia de um time vitorioso e que pudesse atropelar adversários, esboçada na trinca de triunfos que abriu os trabalhos de Felipe Conceição, talvez não seja tão realista. É possível, sim, fazer uma boa campanha, mas o modelo de jogo baseado na mobilidade ofensiva nem sempre é tão eficaz.

Não por culpa do modelo, mas por deficiência dos executores. O fato é que não há no elenco quantidade tão grande de jogadores capazes de colocar em prática as funções essenciais do sistema. Rapidez na troca de passes, inventividade nos deslocamentos, inversão constante de papéis no ataque.

Funcionou muitíssimo bem contra a Ponte Preta, a contento diante do Cruzeiro, mas afundou completamente frente ao Londrina. Deu sinais de recuperação no jogo com o Avaí, mas precisa se repetir mais vezes para entrar no automático e se consolidar.

O ponto alto do sistema é Victor Andrade. Sem ele, dificilmente Felipe teria como adotar essa configuração de jogo. Com ele, é possível descobrir outras funções para Gedoz e Flores, mas problemas irão surgir sempre que o time como um todo não acompanhar o giro dos homens de frente.

Apesar de a defesa, com Romércio (foto) e Kevem, ter se estabilizado, os laterais seguem pouco participativos, quase ausentes do esforço coletivo. Para que o time não se perca pela distância entre os três setores, é fundamental que Tiago Ennes e Igor Fernandes se entreguem mais ao jogo.  

Dentro do aprendizado geral que a Série B impõe, o Remo precisa estar pronto também a entender que a oscilação é parte do processo e que o perde-ganha é uma contingência natural do equilíbrio da competição. Isso é fundamental para que não surjam abalos acima da linha de normalidade.

Vencer é a prioridade, mas nem sempre será possível empreender uma sequência sem tropeços. Elencos de nível mediano como o do Remo tendem a sofrer mais. O inevitável rodízio de peças põe à prova a qualidade do grupo, principalmente quanto o modelo ainda não está encaixado.

A partida de hoje pode dar respostas a Felipe e aumentar o grau de confiança dos jogadores. Mas, para que isso ocorra, a escolha de titulares e reservas deve ser depurada e até repensada. Mateus Oliveira terá que se integrar de verdade ao time, Dioguinho idem.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, a partir das 21h30, na RBATV. Na bancada, Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião. Em debate, os jogos de Remo e PSC nas séries B e C, e de Castanhal e Paragominas na Série D. A edição é de Lourdes Cézar.

As histórias de Edgar para deleite da massa

Quando se anuncia um livro de Edgar Augusto é preciso abrir alas e comemorar, aplaudir de pé demoradamente. Por generosidade do autor, tive o privilégio de ler “Leque de Estrelas” (Amo! Editora). Um livro do balacobaco, como bem definiu o mestre Pedro Galvão na apresentação.

São 80 crônicas para ler de um tapa, sem firulas. Por hábito, costumo saborear bons textos, vou me detendo nas entrelinhas e volto páginas para ter a certeza de que não deixei nada passar batido. Levei duas tardes de pura delícia com as reminiscências prodigiosas do nosso Edgar.

Um inventário da história recente de Belém, escrito com destreza para ser lido com prazer. Em alguns momentos, a prosa tranquila de Edgar faz lembrar a maestria de Ruy Castro ao se reportar ao Rio de Janeiro antigo.

Dei boas risadas com histórias pitorescas e curiosas, como o relato hilariante das festas do Automóvel Clube de Belém (sim, é verdade, ele existiu mesmo!), encarapitado no 13º andar do edifício Palácio do Rádio.

É comovente a descrição do encontro do menino Edgar com seu ídolo Pedro Vargas, intérprete de “Farolito” e “Vereda Tropical”, entre outros sucessos imortais.

Como eu, Edgar também se rende às chuteiras imortais daquela Seleção Brasileira de 1962, pontilhada de craques botafoguenses. Pode-se dizer que a Copa do Chile foi a única ganha por um clube, o nosso Botafogo, que generosamente deu ao Brasil seu segundo título mundial.

Há essas e muitas outras histórias maravilhosas, homenagens sinceras a ícones como Nelson Gonçalves, Carlos Lyra, Sebastião Tapajós e – claro – aos Beatles. Acima de tudo, o livro revela em cores vivas a personalidade gentil e a bonomia única de Edyr Proença, o pai de Edgar.

O livro permite que a gente conheça melhor a personalidade de Edyr, descrito em passagens bem-humoradas, como a das desafiadoras botas em plena beatlemania. Recortes que só o amor de filho permite resgatar com tanto esmero e carinho.

Recomendo aos baluartes da coluna que não deixem de ler. Não reúne apenas as memórias de Edgar. É sobre tantas coisas que pareciam escondidas no fundo de alguma gaveta qualquer. E é um mimo apaixonado a Belém, aquela cidade que tanto amamos e que por vezes parece existir hoje apenas em nossa saudade.

O lançamento oficial de “Leque de Estrelas” será em agosto, em local a ser confirmado.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 01)

Bom dia, Coreia do Norte: a TV Brasil nas mãos do bolsonarismo

Por Bernardo Mello Franco, em O Globo

A TV Brasil foi criada com a promessa de se tornar uma BBC brasileira. Nunca chegou perto disso — e agora virou um arremedo da emissora estatal da Coreia do Norte.

O canal prepara o lançamento de um telejornal só com “boas notícias”. O programa convidará o telespectador a passear num país imaginário, onde não existe fome, pandemia, inflação ou desemprego.

A nova atração ainda não foi ao ar, mas a TV Brasil já opera como um veículo de propaganda do bolsonarismo. Até o Sem Censura, herança da antiga TVE, foi rebaixado à categoria de programa chapa-branca. Deixou de promover debates para amplificar as vozes do regime.

Na segunda-feira, o canal promoveu mais um espetáculo de governismo. Anunciou uma “entrevista exclusiva” com Bolsonaro, mas transmitiu uma peça de campanha paga com dinheiro dos impostos.

Se havia alguma dúvida sobre o programa, ela desapareceu logo na segunda “pergunta”. A apresentadora exaltou as viagens do presidente e emendou: “Eu queria que o senhor falasse um pouco desse contato direto com a população…”.

Bolsonaro teve 35 minutos para fazer proselitismo em rede nacional. Prometeu aumentar o Bolsa Família, asfaltar estradas, distribuir terras e levar internet aos pobres. Ele também usou o palanque eletrônico para mentir sobre a Covid. “A vacina tem dado mostras de que ela não te protege”, disse. Todos os imunizantes aplicados no país foram aprovados pela Anvisa, que atestou sua segurança e eficácia.

Em outra passagem, o presidente voltou a destilar preconceito contra povos indígenas. “Tem índio que quando você conversa ele já está tão evoluído quanto um de nós”, afirmou. Os índios não foram procurados para se defender da comparação.

Numa frase, Bolsonaro escancarou que vê o canal público como instrumento de promoção pessoal: “Eu podia falar todo dia aqui”. No fim da “entrevista”, foi encorajado a deixar “um recado para o pessoal da Amazônia”. Falou sem interrupções durante 14 minutos, uma eternidade para os padrões televisivos.

O capitão ficou tão à vontade que convidou os telespectadores para sua próxima “motociata”. Se assistisse à TV Brasil, o camarada Kim Jong-un morreria de inveja.