Mês: julho 2019
Jornada decisiva no Acre

POR GERSON NOGUEIRA
O Remo tem um jogo decisivo hoje à noite pela 14ª rodada da Série C, em Rio Branco, diante do Atlético-AC. Em quarto lugar no grupo B, com 19 pontos, o time bicampeão paraense só terá plena segurança de permanência no G4 em caso de vitória.
Com o alívio trazido pelas informações sobre o estado de saúde do meia-atacante Carlos Alberto, situação que abalou o grupo antes do embarque para a capital acreana, Márcio Fernandes deve confirmar a escalação testada nos treinos da semana.
A equipe terá mudanças na linha de zaga. Djalma irá na lateral direita depois da estreia desalentadora de Gabriel Cassimiro. Fredson volta, apesar da segura atuação de Mimica em Erechim (RS), para recompor a zaga com Marcão (foto). Ronaell será mantido na esquerda.
Do meio para frente nem tudo é o que parece. A meia-cancha terá Yuri, Ramires e Eduardo Ramos. O ataque contará com Gustavo Ramos, Emerson Carioca e Guilherme Garré.
A questão é que Eduardo Ramos deve ser o atacante centralizado e Emerson fará o papel de articulador, ao lado de Garré. Ambos, obviamente, estarão sempre próximos da dupla de Ramos, dependendo da situação do jogo.
O Remo está no G4 desde a primeira rodada, já foi líder por algumas rodadas e agora está na quarta colocação. É o único time a conseguir essa façanha. No extremo oposto, o Atlético-AC tenta desesperadamente sair da lanterna do grupo, onde se encontra desde as primeiras rodadas.
Para encarar um time desesperado, o Remo precisa se cercar de alguns cuidados. Deve jogar com tranquilidade, controlar a posse de bola e partir em velocidade quando surgirem espaços no campo de defesa acreano.
A configuração do meio e do ataque revela que, entre o pragmatismo e a ousadia, Márcio Fernandes optou pela última alternativa. Vai com um time ofensivo, com apenas dois volantes, sendo que Ramires pode se transformar em peça ofensiva caso haja espaço para avançar.
Eduardo Ramos, normalmente um organizador de jogadas, pela capacidade criativa, será outra vez utilizado como atacante, função que pode executar pelo talento para as finalizações.
É claro que, dependendo do andamento do jogo, Emerson pode aparecer no centro do ataque para o embate com a zaga, mas a intenção do técnico é que ele se dedique à função de ajudar os atacantes partindo do meio-campo com a bola dominada, exatamente como fez contra o Luverdense.
Com cinco partidas a disputar, Márcio Fernandes sabe que a classificação pode até ser obtida com três vitórias em casa – onde joga com Tombense, São José e PSC. A questão é que não pode depender exclusivamente disso, até porque o Remo não tem conseguido vencer seus jogos em Belém.
O mais lógico é buscar resultados como visitante, explorando os erros dos adversários. Se no primeiro turno da fase classificatória isso deu certo, pode funcionar outra vez. O jogo de hoje no Florestão vai servir para mostrar se o time conseguiu finalmente afastar a fase ruim, que já soma seis rodadas sem vitória.
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A torneira não para de jorrar no Flamengo
O Flamengo continua a esbanjar dinheiro. Há muita grana jorrando pelas bandas da Gávea, apesar de o clube ainda resistir em indenizar as famílias das vítimas da tragédia do Ninho do Urubu.
Na sexta-feira, a apresentação de Filipe Luís, lateral contratado após passagem muito elogiada no Atlético de Madrid e na Seleção Brasileira, cumpriu o ritual tradicional, com festa e paparicação.
Filipe junta-se a Rafinha e ao próprio Jorge Jesus no processo de internacionalização que o Flamengo tenta iniciar nesta temporada, buscando alcançar conquistas mais relevantes.
O jogador chega empolgado, revelando que tem paixão pelo clube e que isso de certa forma foi o motivo de ter decidido voltar ao Brasil depois de ter consolidado uma carreira na Europa, tendo outras ofertas para seguir jogando no exterior.
Para Filipe, o importante é tentar fazer história no clube de coração e disputar títulos, coisa que não conseguiria no Atlético de Madrid ou em times da periferia europeia. Pareceu sincero ao dizer isso.
A dúvida é se o Flamengo vai conseguir recuperar o investimento com um jogador que está chegando aos 34 anos, em fase descendente e sem a mesma flama de outros tempos.
O mesmo se aplica a Rafinha, outra aquisição cara, que tem no máximo mais ou duas temporadas em bom nível. Aliás, a forma como Rafinha foi escalado por Jorge Jesus contra o Emelec levantou vários questionamentos.
De toda sorte, quem tem dinheiro para torrar pode fazer o que bem entender. O problema é que grana, como se sabe, não cresce em árvore e deve ser bem empregada porque um dia pode acabar.
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E o Fogão fica na mão, apenas para variar
Erik, meia-atacante paraense que surgiu no Goiás e passou pelo Palmeiras, era o melhor homem de frente do Botafogo. Jogou bem no ano passado e no começo de 2019, virou ídolo, mas nos últimos jogos vinha atuando mal. Devia ser a preocupação com a transferência para o futebol japonês, confirmada ontem. Bom para ele, péssimo para o Fogão. Vida que segue.
(Coluna publicada no Bola deste sábado, 27)
Enquanto isso…

Kakay: “Portaria 666 é um desaforo”

Por Eduardo Maretti
“A Portaria 666, e parece que até o próprio número já indica, não é algo razoável. É muito grave. Eu penso que – com a manifestação da ABI, de jornalistas e advogados como um todo – isso não deverá dar em nada, porque seria um despautério (ação absurda, tolice), um retrocesso”, afirma o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, sobre a portaria que “regula o impedimento de ingresso, a repatriação, a deportação sumária, a redução ou cancelamento do prazo de estada de pessoa perigosa”, assinada pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, e cujo alvo principal é o jornalista Glenn Greenwald, do Intercept Brasil.
Para o criminalista, a portaria “é um desaforo, partindo de um ministro da Justiça”. “Cada vez mais ele perde as condições de continuar como ministro. É parcial, assim como foi enquanto juiz, e agora ele quer usar a estrutura do Estado, como usou a do Judiciário, para tentar atingir as pessoas que evidentemente têm a proteção constitucional do Direito e da plena liberdade do exercício do jornalismo”. Ele acrescenta: “Acredito que eles não vão tomar nenhuma providência contra o jornalista Glenn, até porque seria um escândalo internacional, com repercussão muito negativa”.
Em sua opinião, o ministro da Justiça teve o apoio do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) para “fazer grandes absurdos”. “Mas ele está começando a entender que hoje não tem o apoio das pessoas que pensam neste país”.
“Há mais de dois anos eu dizia das dificuldades que esse cidadão teria se ocupasse um cargo político. Quando ele disse que ia assumir o Ministério da Justiça, dei uma entrevista ao Estadão onde dizia que ele teria um fim melancólico. E acho que ele infelizmente não tem a dimensão do que é ser ministro da Justiça”, afirma Almeida Castro.
Já o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, de acordo com a colunista Mônica Bergamo, afirmou que o ex-juiz e atual ministro da Justiça “usa o cargo, aniquila a independência da Polícia Federal e ainda banca o chefe de quadrilha ao dizer que sabe das conversas de autoridades que não são investigadas”. Em nota pública sobre a Portaria 666, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) afirmou que “considera inconstitucional e um abuso de poder”.
Na última quinta-feira (25), a Folha de S. Paulo publicou reportagem na qual revela que Moro avisou autoridades supostamente vítimas de hackers e que as mensagens relacionadas a eles precisariam ser destruídas. O argumento é a preservação da privacidade. Nesta sexta, em outra reportagem, o jornal informa ter contratado uma perícia que mostra “uma série de elementos de autenticidade” na gravação de áudio atribuída ao procurador da República Deltan Dallagnol, da Operação Lava Jato.
Sócia do Itaú, XP Investimentos cai na Vaza-Jato com organização de reuniões “clandestinas” com Fux e Dallagnol
O jornalista Reinaldo Azevedo divulgou nesta sexta-feira (26) mais uma reportagem da Vaza Jato, em parceria com Leandro Demori, do site The Intercepet Brasil, em que mostra o coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, atuando como consultor privado de banqueiros. “Deltan e, antes dele, o ministro Luiz Fux, do Supremo, participaram de reuniões privadas com banqueiros e investidores para discorrer sobre o tema “Lava Jato e eleições”. Os encontros devem ser chamadas, sem exagero, de clandestinos”, escreve Reinaldo.
A conversa foi em maio de 2018, quando Débora Santos, assessora da XP Investimentos, e casada com o procurador Eduardo Pelella, ex-número dois do ex-PGR, Rodrigo Janot, convidou Dallagnol para uma reunião privada com o compromisso de que não sairia na imprensa. E ela diz que Fux, na semana anterior, havia estado na XP e elogia o evento por sua “clandestinidade”.
Ao convidá-lo para o “evento privado”, que seria remunerado, “Débora se refere ao marido, numa evidência de que a Lava Jato já é mais do que uma simples força-tarefa. Tornou-se uma tropa de elite do estado paralelo, um verdadeiro círculo aristocrático. Como, por aqui, a ruína se traveste de inovação, Débora apela a esse vínculo para convencer Deltan a participar não de uma conferência aberta, a que a imprensa, por exemplo, poderia ter acesso. Essa já estava em sua agenda e aconteceria em setembro do ano passado”, conta Reinaldo.
“O convite é para que ele seja a estrela de uma ‘reunião privada’ — remunerada, sim! — com investidores, que tem um caráter que se pode dizer clandestino. Afinal, Deltan é um homem pago pelo Estado brasileiro para atuar como procurador. O órgão que ele integra é o titular da ação penal e pode, adicionalmente, atuar também na investigação. Eis o palestrante disputado a peso de ouro. E que tem de falar em segredo”, diz Reinaldo.
“Débora quer que Deltan discorra sobre ‘Lava Jato e eleições’ a quem regula suas apostas a depender de cenários que, ora vejam, dependem, por sua vez, em grande parte, das decisões do próprio procurador. Quanto custa a bola de cristal do vidente que tem como interferir no futuro? Reitere-se: Débora, a mulher de Pelella, o íntimo de Janot, que desenhou a Lava Jato, não está convidando o buliçoso procurador para falar a uma plateia ampla — a conferência —, que ela trata até com certo desdém. Afinal, um evento assim, aberto, seria formado por um ‘público heterogêneo’, que se contenta com o que já está nos jornais”, conta o jornalista.
Sinopse da vida real

Alta filosofia

Moro volta a ter que se explicar

Por Helena Chagas
Brasília não é para principiantes, por mais famosos e endeusados que sejam. Em tese, a prisão dos hackers de Araraquara seria o momento de o ministro da Justiça, Sérgio Moro, assumir a ofensiva e tentar encurralar a Vaza Jato. Apenas em tese. Neófito na política, porém, Moro está, na visão de interlocutores do Judiciário, a cada dia se desgastando mais, expondo-se ao assumir o papel de comandante da investigação na qual se coloca como vítima. Além da história mal contada envolvendo um DJ, uma manicure e um motorista de Uber, nesta manhã surgiram dois fatos novos que deixam Moro em maus lençóis:
- A divulgação da portaria editada ontem pelo ministro da Justiça endurecendo regras e procedimentos para repatriação e deportação do país de “pessoa perigosa”. Impossível não relacionar a medida ao jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept, responsável pela divulgação dos diálogos comprometedores envolvendo o e-juiz e os procuradores da Lava Jato.
- A publicação, na Veja On Line, de diálogos de Greenwald, de 5 de junho, em que sua fonte, que havia lhe passado eletronicamente o material, lhe assegura não ter sido o autor da invasão do celular de Moro noticiada pela imprensa naquele dia. Aliás, seguindo a lógica irrefutável de que o suposto hacker que obteve as conversas do Telegram, não iria se expor dias depois, dialogando com suas supostas vítimas. Ninguém assegura que isso é verdade, mas faz muito sentido.
Com isso, a história vai ficando cada vez mais enrolada. Evidentemente, a suposta intenção de deportar Greenwald vai acirrar os ânimos e provocar reações. Chega a ser espantoso ver o ex-juiz e atual ministro, que se coloca entre as vítimas da invasão aos celulares da Lava Jato, operar com desenvoltura no caso, sem esconder seu interesse pessoal.

Essa impressão já havia se disseminado na véspera, quando o mesmo Moro comunicou a autoridades da República que elas tiveram seus celulares invadidos e que suas mensagens seriam destruídas – afirmação imediatamente rebatida por ministros do STF e do STJ e, por fim, pela própria Polícia Federal. Afinal, cabe ao juiz do processo, no caso Vallisney de Oliveira, decidir o que fazer com as mensagens.
Mas o que pode ser pior para Moro é o fracasso de sua estratégia de direcionar as atenções para o crime dos hackers – que tem mesmo que ser apurado e punido – na tentativa de desviar e tirar a credibilidade do fato principal: a investigação de atitudes impróprias e parciais da Justiça na Lava Jato a partir da divulgação das conversas do Intercept.
Tudo indica que Moro não conseguiu estancar essa sangria e nem assustar os jornalistas que vêm investigando o assunto, como mostra a manchete de hoje da Folha de S.Paulo, segundo a qual o procurador Deltan Dallagnol fez palestra paga para uma empresa mencionada na Lava Jato.
A ofensiva de Moro pode durar pouco, pois ele terá que voltar logo à defensiva para se explicar.
Estado de Carlos Alberto preocupa e Remo faz apelo por doações de sangue

A Ascom do Clube do Remo confirmou, na manhã desta sexta-feira, a hospitalização do atleta Carlos Alberto no hospital Porto Dias. Ele sentiu um mal estar ontem à noite e está internado, em observação, realizando exames.
Segundo a assessoria, o atleta está precisando de doações de sangue. Os interessados em ajudar podem se dirigir ao Hemopa informando o nome (Carlos Alberto da Silva de Maria) e o hospital (Porto Dias) onde está internado.
Há muita preocupação na comissão técnica, no elenco e na diretoria azulina quanto ao estado de saúde do jogador. Os primeiros sintomas da doença indicam um processo de anemia. Exame (mielograma) marcado para o final da manhã vai ter caráter mais conclusivo. Nas redes sociais, torcedores se mobilizam para doar sangue, atendendo ao pedido do clube. O perfil do Paissandu no Twitter se solidarizou com a situação, pedindo aos torcedores bicolores que se unam à campanha por doações.

Carlos Alberto, 24 anos, foi contratado por indicação do técnico Márcio Fernandes. De estilo habilidoso, ele ganhou espaço no time logo no começo da Série C e chegou a fazer um belo gol contra o Tombense. Nas últimas rodadas, porém, ele caiu de rendimento e foi substituído no jogo Remo x Luverdense logo aos 23 minutos, aparentemente por problemas físicos.
A delegação remista viajou nesta manhã para Rio Branco (AC), onde joga amanhã à noite contra o Atlético Acreano pela 14ª rodada da Série C.
Desembargador cita o caso de Porto Rico para criticar Judiciário brasileiro
O desembargador Jorge Antônio Maurique, do TRF4, quebrou o silêncio que impera no mundo jurídico sobre a Vaza Jato e disse que, se verdadeiro, o conteúdo vazado é muito ruim para os envolvidos”. “Impressiona que não haja indignação no mundo jurídico com o conteúdo, e sim com a forma. Veja que o conteúdo não foi contestado expressamente pelos envolvidos”, disse ainda. “Por causa de mensagens vazadas a jornalistas, o governador de Porto Rico acaba de renunciar. Lá, só importou o conteúdo.” (Do Painel da Folha de SP)
Moro usa investigação para desviar o foco das denúncias de ilegalidades

Reportagem da jornalista Mariana Oliveira, da TV Globo, informa que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, foi comunicado por telefone na quinta-feira (25) pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro, que celulares de ministros da Corte foram alvos de ataque hacker.
O ministro diz que os “hackers” tiveram acesso a dados de SMS e do Telegram dos magistrados, cujos nomes não foram divulgados. Pessoas próximas dos ministros Toffoli, Luiz Fux, Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes, Luis Roberto Barroso, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello informaram, porém, que não foram procurados por Moro e, portanto, não teriam sido alvos.
O STF informou que não comentará o episódio.
A Polícia Federal está divulgando com alarde que cerca de mil celulares foram alvos do mesmo método utilizado para invadir o celular do próprio Moro, engre eles os aparelhos dos presidentes da República, Jair Bolsonaro; da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ); do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP); do Superior Tribunal de Justiça, ministro João Otávio de Noronha; e da procuradora-geral da República, Raquel Dodge.
Tudo indica que Moro está usando as investigações da Polícia Federal sobre a invasão de telefones de autoridades para escapar das denúncias das ilegalidades que cometeu durante a Operação Lava Jato.