Bajulação embalada para compra

Desonestidade intelectual é o que há.

Em pleno desabrochar do neofascismo e das práticas ditatoriais no país, há professor-doutor se assanhando para atrair a simpatia dos donos do poder na República.

Vê-se que de nada valeu o estudo e a busca do conhecimento. O lustro acadêmico desce ao rés do chão, vencido pela irrefreável tentação por cargos públicos – no caso, a possível indicação para reitor biônico, a partir dos acenos indecentes à política de perseguição e ódio movida pelo atual presidente e sua entourage.

Artigo que circula nas redes sociais, de autoria que não cabe nominar, até para não dar embalo às intenções não declaradas ali contidas, causa estupor entre os que observam a roda da intolerância girar cada vez mais intensamente nestes tristes trópicos.

O aplauso dos ignorantes é compreensível e até desculpável, mas a hipocrisia dos acadêmicos é repulsiva e inaceitável.

Enfim, como diria o outro, cada um dá o que tem.

Vida que segue.

Decreto das armas pode levar aéreas estrangeiras a cancelar voos para o Brasil

captura-de-tela-2019-01-15-as-14-32-21-600x336

Companhias aéreas e até representantes do governo estão preocupados com o decreto sobre porte de armas assinado há duas semanas pelo presidente Jair Bolsonaro. Eles entendem que o presidente pretende permitir o embarque de pessoas armadas a bordo de aeronaves comerciais, o que poderá levar companhias aéreas estrangeiras a cancelarem voos para o Brasil, aumentando os preços das passagens.

Técnicos do governo dizem que foram surpreendidos pelo decreto e que tentam encontrar uma saída para evitar o rebaixamento do Brasil na auditoria que será feita pela OACI (Organização da Aviação Civil Internacional) na semana que vem.

Na inspeção, serão analisados documentos e a aplicação das normas de segurança internacional nos aeroportos. Técnicos ouvidos pela Folha de SP disseram que a OACI pode emitir um alerta para os quase 200 estados-membros informando riscos eventualmente identificados.

Globo pede R$ 20 milhões pela Copa América, mas emissoras não se interessam

copa-america

A Globo tentou sublicenciar os direitos de transmissão da Copa América, que será realizada em junho no Brasil, mas nenhuma emissora se interessou. A rede pediu R$ 20 milhões para liberar o torneio, valor considerado alto pelas suas concorrentes, por se tratar de um evento curto e sem o mesmo impacto de uma Copa do Mundo. A crise econômica do país também foi outra justificativa para a recusa.

O Grupo Globo comprou a Copa América por R$ 51 milhões junto à Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol). A emissora pretendia recuperar parte desse investimento e agradar à confederação, que desejava mais verba de televisão. Mas ninguém quis conversa após a Globo acenar ao mercado que estaria disposta a negociar – só a Record não foi sondada.

A Globo pediu pouco menos da metade do que pagou para sublicenciar, mas aceitava baixar o valor proposto inicialmente. Tudo para se adequar à realidade atual da TVs brasileiras, que atravessam uma longa crise, com queda no faturamento.

A Band até se animou ao ser consultada, mas a situação financeira da emissora não permitiu sequer o início de tratativas. RedeTV! e SBT apenas agradeceram, mas não disseram que não tinham interesse na competição.

Um ponto muito valioso

POR GERSON NOGUEIRA

O empate obtido pelo Papão em Volta Redonda (RJ), ontem, foi merecidamente comemorado pela torcida bicolor presente ao estádio. Conquistar ponto em terreno inimigo é sempre positivo. As circunstâncias da partida tornaram o resultado ainda mais interessante: um pênalti favoreceu o Voltaço na metade do 2º tempo, mas o goleiro Mota defendeu bem a cobrança de João Carlos.

Com o ponto ganho ontem, o Papão se manteve invicto fora de casa – um empate e uma vitória – e continua no G4 do grupo B.

A partida mostrou um panorama inicial de domínio territorial do PSC, que tocava a bola, evitando repetir os erros de articulação cometidos contra o Juventude. Controlando as ações, o time ditou o ritmo até por volta dos 15 minutos, mas a partir daí o Volta Redonda passou a pressionar, arriscando chutes da entrada da área, embora sem maior perigo.

Saulo Mineiro era a figura mais destacada do ataque do Volta Redonda, mas Mota apareceu bem nas bolas dirigidas ao gol. Quase ao final da primeira etapa, o PSC voltou a ter a posse de bola e ensaiou algumas pontadas, mas faltava agressividade para abrir a marcação.

Os passes errados comprometiam os avanços e prejudicavam a transição. O estreante Diego Rosa não comprometia, mas também não conseguia acompanhar Nicolas nas tentativas de envolver a zaga do Volta Redonda. Impaciente com os erros no meio-de-campo, Léo Condé substituiu William por Tiago Luís aos 37 minutos, a fim de dar qualidade ao passe.

Depois do intervalo, o Volta se tornou mais presente no campo de defesa do PSC, que recuou excessivamente, acuado pela força ofensiva do adversário. Condé trocou Diego Rosa por Pimentinha, a fim de sair do sufoco que a equipe vinha sofrendo.

Logo em seguida, no período mais agudo da pressão dos donos da casa, aos 26 minutos, a bola foi lançada na área e o zagueiro Micael tocou com a mão. O pênalti foi marcado, mas João Carlos bateu quase no centro do gol para defesa segura de Mota.

A intervenção de Mota no penal veio coroar uma atuação que já era bastante destacada. O goleiro se saiu muito bem em pelo menos dois arremates do ataque do Volta Redonda.

Com a perda da penalidade, o Volta Redonda arrefeceu e o Papão ganhou motivação. Condé criou mais coragem, trocou Jheimy por Vinícius Leite e, pela primeira vez, o time saiu decididamente em busca da vitória.

Pimentinha começou a arriscar as jogadas individuais em velocidade e criou duas boas situações. A melhor delas foi aos 39’, quando entortou dois marcadores e bateu cruzado. A bola passou muito perto.

Ficou a sensação de que o time poderia ter sido mais ofensivo, caso Pimentinha e Vinícius estivessem em campo desde o começo. Pelo que se viu ontem, Condé terá que rever a preferência por Jheimy, que teve duas oportunidades e não funcionou bem.

—————————————————————————————-

Leão joga tudo pela liderança

Contra o Ypiranga-RS, sexto colocado no grupo B, com 4 pontos, o Remo tem hoje à noite a chance de assumir a liderança isolada, caso conquiste os três pontos dentro do estádio Jornalista Edgar Proença. A tarefa não é tão simples como muitos imaginam.

remo1x0boaesporte-mg (1)

O Ypiranga, que foi surpreendido pelo PSC dentro de casa logo na estreia, baseia seu jogo na defesa alta e nos contra-ataques. Caberá aos azulinos a troca de passes rápidos para tentar superar a marcação.

Com um meio-de-campo que tem a volta de Douglas Packer (foto) e a forte presença de Ramires como segundo volante, Márcio Fernandes aposta nas manobras pelo meio, envolvendo Carlos Alberto e Gustavo Ramos, que volta para recompor.

A lateral direita ganha a habilidade de Michel, que treinou entre os titulares e deve fazer sua estreia diante do torcedor remista. Na esquerda, fica Ronaell. O miolo da zaga será formado por Jansen e Marcão, visto que Fredson se recupera de corte no pé.

O sistema defensivo é um dos pontos altos do time de Márcio Fernandes. Foi o setor que primeiro ganhou consistência. A marcação no meio também demonstra consistência, com Yuri e Ramires. Já o departamento de criação ainda requer alguns ajustes.

O grande problema segue no ataque, onde não há uma figura central de referência, embora Emerson Carioca tenha feito gol importante no confronto com o Luverdense. E Gustavo, que desempenha dupla função, correndo pelos lados e marcando, nem sempre é um atacante em tempo integral como o time precisa.

Tendo em vista essa situação, os desafios do Remo contra o Ypiranga passam principalmente pelo desempenho da linha ofensiva e dos responsáveis pela transição.

—————————————————————————————–

Pantera e Tubarão arrancam vitórias na Série D

Com o empate do PSC e as vitórias do São Raimundo em Boa Vista (RR) e do Bragantino em casa, o futebol paraense teve um final de semana de invencibilidade nas séries C e D.

O Pantera derrotou o Atlético por 2 a 1, com um gol salvador de Bilau, sempre ele, aos 46’ do 2º tempo. O Tubarão venceu o Floresta (CE) de virada, com gols de Leandro Cearense (pênalti) e Fidélis (2).

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 20)

Como Lula conheceu Rosângela, a mulher com quem quer se casar

captura-de-tela-2019-05-19-as-23-04-38-600x429

captura-de-tela-2019-05-19-as-23-12-45-600x401

Por Joaquim de Carvalho, no DCM

O namoro de Lula com Rosângela da Silva começou a dois dias do Natal do ano passado, quando a socióloga esteve no campo de futebol que reuniu, de um lado, o time de Chico Buarque, o Politeama, e, de outro, a equipe do MST, coordenada por João Pedro Stédile.

Vestindo a camisa 13 do Politeama, Lula foi o destaque do jogo. Marcou um gol de pênalti e foi expulso pelo árbitro Juca Kfouri, depois de receber o segundo cartão amarelo por jogar a camisa para a torcida.

Os torcedores reagiram, com bom humor, e gritaram “Volta, Lula”, “Volta, Lula”.

Rosângela, que os amigos chamam de Janja, era uma das torcedoras que pediram o retorno do ex-presidente ao jogo, numa situação que tem paralelo evidente com a situação política da época, em que a maioria dos eleitores demonstrava pelas pesquisas que queria o retorno de Lula à presidência da República.

Ao dar os dois cartões, Juca Kfouri fez o papel do juiz parcial, que tirou Lula de campo, e o ex-presidente viveu o próprio personagem. Mas, tirando esse detalhe, o jogo não foi encenação. Terminou empatado em 5 a 5.

captura-de-tela-2019-05-19-as-23-06-37

Lula já conhecia Rosângela, antiga funcionária de Itaipu e hoje trabalhando no escritório da binacional em Curitiba, mas o affair começou ali, no jogo em homenagem ao jogador Sócrates, que deu nome ao campo do MST.

A socióloga tem 52 anos, embora aparente bem menos, daí porque alguns jornalistas cravaram a idade de 40 ao publicar a notícia do namoro de Lula.

Três meses depois, Rosângela se encontrou com o ex-presidente na caravana pelo sul do País, a última que ele comandou. Como é da região, Rosângela esteve em algumas cidades por onde Lula passou.

Desde que o ex-presidente foi preso, no dia 7 de abril do ano passado, os dois trocam cartas e ela foi incluída na lista de amigos e parentes que Lula pode receber às quintas-feiras. Segundo os amigos, Rosângela visita Lula sempre acompanhada.

Ao ex-ministro Bresser-Pereira, na última quinta-feira, o ex-presidente abriu o coração. Disse que está apaixonado e que pretende se casar com Rosângela assim que deixar a prisão. Na rede social, a notícia do namoro repercutiu bastante, com comentários sobre o estado de espírito de Lula. 

“Ser feliz ainda é a melhor vingança”, escreveu o jornalista Palmério Dória.

Dois anos sem o talento de Chris Cornell

Por José Miguel Rodrigues – revista Blitz de julho de 2017 (Lisboa)

Discos de ouro, discos de platina, até de multiplatina. Uma carreira de enorme sucesso e de fazer inveja a muitos dos seus pares. Uma dinâmica vocal poderosa, que lhe permitia saltar sem esforço aparente do registo mais grave ao mais agudo. Grammys e outros galardões e títulos elogiosos na prateleira. Muita fama, muito dinheiro. Uma família, porque para trás ficou uma mulher incrédula e três filhos sem pai. Muita, muita vida ainda para viver. Muito talento para partilhar. No entanto, houve ali um momento, na noite de 17 de maio de 2017, em que tudo isso deixou de fazer sentido. Ler isto, no papel, é brutal, mas a vida é mesmo assim. Às vezes, bastam minutos para que tudo deixe de fazer sentido. Este deus do rock, como tantos outros antes dele, tinha um lado negro, e bem pronunciado. Ao longo de uma carreira que durou quase três décadas, Chris Cornell, a imponente voz do Soundgarden, Temple Of The Dog e Audioslave, sempre fez questão de cantar os males como quem os espanta e, em temas como «Pretty Noose» ou «Like Suicide», fê-lo de forma bem explícita. Escreveu sobre solidão, tristeza, suicídio – e essa melancolia tingiu de uma forma indelével grande parte do seu legado. Mesmo assim, com o jogo todo em cima da mesa, a notícia da sua morte, escassas horas depois de se ter apresentado em palco, na cidade de Detroit, com a sua banda de sempre, apanhou toda a gente de surpresa.

mw-680

As homenagens, os «tributos», oriundos de todos os quadrantes da indústria, sucederam-se nas redes socais. Apesar de, ao longo dos anos, ter sofrido de depressões, fobias sociais várias e ser confesso consumidor de drogas e álcool em excesso, Chris Cornell estava sóbrio há mais de uma década. Em 2000, tinha casado com Susan Silver, manager do Soundgarden e Alice In Chains, com quem teve a primeira filha, Lillian Jean. O casal acabaria por divorciar-se uns anos depois, mas o músico encontrou de novo a estabilidade emocional ao lado da publicista Vicky Karayiannis, com quem teve mais dois filhos.

As aparências da dura realidade que o consumia silenciosamente por dentro nem por um momento apontavam para um desfecho deste gênero. Depois de ter atuado para 5 mil pessoas no Fox Theatre e já depois da meia-noite, a polícia de Detroit acorreu a uma chamada de aparente suicídio no hotel e casino MGM Grand. Encontraram Cornell no seu quarto, no chão da casa de banho, com uma corda de exercício enrolada ao pescoço. Nos meses que antecederam a tragédia, tanto Serj Tankian do System Of a Down como o produtor Brendan O’ Brien, privaram de perto com Cornell e afirmaram à Rolling Stone que o músico estava «de bom humor e igual a si próprio» e, ao final da tarde, nesse mesmo dia 17, publicou um jubiloso «Finalmente de volta à Rock City!» através do seu Twitter.

Contudo, as gravações do concerto, disponibilizadas no YouTube, mostram-nos um frontman visivelmente perdido, com as intervenções entre temas a oscilarem entre a gratidão e o críptico, incluindo uma bizarra alusão a cruzes a arderem em relvados. Às vezes, a sua voz, uma fusão de uivo roqueiro e sensualidade bluesy, soa sem a força habitual, desfasada dos instrumentistas. No quarto de hotel, depois de uma pequena sessão de autógrafos, o músico falou com a mulher e surpreendeu-a com um discurso arrastado, que atribuiu à tomada de dois comprimidos de Ativan, um medicamento para a ansiedade. Preocupada, Vicky Cornell pediu ao segurança da banda para verificar se estava tudo bem com o marido e foi ele o primeiro a encontrar o corpo.

Hoje sabe-se que o músico tinha sete tipos de drogas diferentes no organismo e, apesar dos efeitos secundários do Ativan – entre os quais se contam tendências suicidas – terem sido apontados como a causa para o comportamento errático de Chris na noite da sua morte, o relatório da autópsia entretanto divulgado pelo Instituto de Medicina Legal de Wayne County garante que nenhuma das drogas contribuiu para a causa da morte, apontada como enforcamento. Jerry Cantrell, dos Alice In Chains, disse recentemente que «nada apontava para que esta história terminasse assim», mas por esta altura já se percebeu que a cidade de Seattle tem uma enorme capacidade para arrastar os seus filhos mais brilhantes até ao fundo do poço.

Nascido Christopher John Boyle a 20 de julho de 1964, na cidade de Seattle, Chris Cornell foi um de seis filhos nascidos numa família católica irlandesa. Após o divórcio dos pais, Ed, farmacêutico, e Karen, contabilista, as crianças adotaram o nome de solteira da mãe e Chris começou por aprender a tocar piano, optando mais tarde pela bateria. Preterindo desde cedo as lições em favor do treino «a solo» no quarto, reza a lenda que, aos 9 anos, descobriu uma coleção de discos dos Beatles, sendo que a banda britânica se tornaria essencial na sua formação como artista.

Aos 14, atormentado por episódios de depressão, Cornell já tinha abandonado a escola para se dedicar à música e, com o salário que ganhava a trabalhar como cozinheiro num restaurante chamado Ray’s Boathouse, ajudava a sustentar a família. No início dos anos 80, encontra o baixista Hiro Yamamoto e, juntos, criam a banda de versões The Shemps, espalhando as sementes para o nascimento do Soundgarden em 84, com a formação a ficar completa com Kim Thayil na guitarra e Matt Cameron na bateria, uma manobra que permitiu a Chris concentrar-se no seu papel como vocalista. Apesar de ter passado grande parte da adolescência como um miúdo solitário, o rock ajudou-o a superar o desconforto que sentia no contacto com outras pessoas – e de que maneira.

A par dos Melvins, os Soundgarden foram uma das primeiras bandas a desacelerarem aquela energia juvenil do punk e a arrastá-la a compassos mais próximos dos Black Sabbath. Nos anos seguintes tornaram-se os primeiros a lançar um single através da Sub Pop, sucedido pelos EPs Screaming Life e Fopp e, já depois do álbum Ultramega OK ter sido editado pela SST, fizeram a primeira digressão na Europa e foram nomeados para um Grammy na categoria de «Best Metal Performance», figurando numa lista que incluía também Faith No More, Metallica, Queenryche e Dokken. Logo de seguida, transformaram-se num dos primeiros nomes do underground de Seattle a assinar com um selo multinacional, no caso a A&M, que colocou Louder Than Love nos escaparates a 5 de setembro de 1989.

mw-860

O proto-grunge contido nesses doze temas mostrava o grupo a fundir as referências Led Zeppelin e Black Sabbath com os sons soturnos de Killing Joke e Bauhaus, deixando para trás as influências mais metal do passado. Apesar do autocolante do P.M.R.C. na capa, graças à letra de «Big Dumb Sex» e de alguns padrões rítmicos pouco convencionais, o disco transformou-se no primeiro dos Soundgarden a figurar na tabela da Billboard. Louder Than Love revelava uma garra impressionante e, acima de tudo, o tremendo registo de Cornell que, apesar da natureza batida de algumas letras, mostrava talento para entregá-las de forma tão convincente e intensa que, na verdade, pouco interessava acerca do que estava a cantar. Nos anos seguintes, a sua abordagem à escrita mudou de forma evidente, com o músico a revelar-se progressivamente mais franco e sem medo de explorar os seus demônios, abordando as lições proporcionadas pelas perdas que, repetidamente, o abalavam a si e à sua cidade natal.

Em março de 1990, Andrew Wood, o vocalista dos Mother Love Bone e antigo companheiro de apartamento de Cornell, morreu com uma overdose de heroína. A perda do amigo assombraria Cornell ao longo dos anos e não deixa de ser profético, até irônico, que tenha sido ele o principal instigador do Temple of the Dog.

Duas homenagens a Wood, «Say Hello 2 Heaven» e «Reach Down», tornaram-se as músicas de base para a criação do projeto, com membros de um então desconhecido Pearl Jam. «Não sei mesmo se algum dia vão conseguir tirá-lo do meu coração e da minha alma», refletiu Chris Cornell acerca de Wood há dois anos, numa entrevista à Billboard. «Houve um período em que ele se sentava no quarto, do outro lado do corredor do meu, e começávamos a fazer canções ao despique. Ele não o estava a fazer para os Malfunkshun e eu não o estava a fazer para o Soundgarden; não tinha nada a ver com isso. Estávamos os dois a divertir-nos, só isso. Sempre fomos muito próximos».

O single «Hunger Strike», um dueto entre Cornell e Eddie Vedder que a MTV tratou de imortalizar, subiu à 4ª posição da tabela de vendas nos Estados Unidos, mas com o Pearl Jam a navegar a onda de sucesso gerada pelo clássico Ten e nada interessados em capitalizarem com a morte de um dos seus pares, os músicos não mais voltariam a compor sob a mesma designação, reduzindo as aparições à interpretação ocasional de um ou outro tema quando Soundgarden e Pearl Jam se cruzavam no mesmo cartaz. A primeira digressão a sério acabaria por acontecer apenas em 2016, em celebração dos 25 anos de Temple of the Dog.

NA SOMBRA DE NEVERMIND

De volta ao primeiro ano dos 90, o grunge estava a desenvolver-se, a evoluir, ainda a definir uma personalidade própria. Isso era audível nos Soundgarden. O quarteto, já com o novo recruta Ben Shepherd no baixo, existia desde 1984, três anos antes da criação dos Nirvana e Alice in Chains, cinco antes dos Mudhoney e seis antes dos Pearl Jam. A brincar com a ideia do que significava ser uma banda realmente pesada com o próximo álbum, Cornell e companhia estavam prestes a dar o passo decisivo na sua afirmação como um dos nomes icónicos do grunge. Numa altura em que essa palavra ainda nem sequer fazia parte do léxico musical, composto sem o zeitgeist em mente, Badmotorfinger saiu em outubro de 1991, duas semanas depois do Nevermind e, injustamente, estará sempre condenado a viver na sombra da avalanche criada pelo sucesso estratosférico desse álbum. Mostrando a «estranheza» que sempre os caracterizou, as canções misturavam hard rock, heavy metal e pós-punk sem que se pudesse colocar os músicos numa redoma estanque, e Cornell continuava a liderar com o seu engenho para as melodias memoráveis.

«O Chris sempre teve um facilidade enorme para imaginar melodias em volta de estruturas rítmicas estranhas», recordou Kim Thayil à Noisey, aquando do 20º aniversário do icônico disco dos 90s. «A maior parte das pessoas só consegue cantar e pensar em 4/4 e tem dificuldade em criar melodias em cima de compassos marados, mas para o Chris era algo natural porque ele foi o nosso primeiro baterista e conseguia pensar nesses tempos».

Três anos depois, recuperados da digressão mundial que os viu passar pela primeira vez por Portugal (no antigo Estádio José de Alvalade, como «suporte» ao Guns N’ Roses), Superunknown mostrou ao mundo um Soundgarden mais contido, até mais polido, ampliando a visibilidade do quarteto nos Estados Unidos e no mundo. À quarta nomeação, a banda ganharia por fim o primeiro Grammy da sua carreira graças a «Black Hole Sun». Para o melhor e para o pior, Cornell tinha chegado finalmente ao céu e ao inferno do mainstream. Ou melhor, o céu e o inferno do mainstream tinham chegado finalmente a Chris Cornell.

Ainda inspirado pela morte de Wood uns anos antes, escreveu «Like Suicide», uma canção que ganhou ainda mais peso e significado quando Kurt Cobain se suicidou exatamente um mês depois do lançamento de Superunkown. «Let Me Drown» e «Limo Wreck», do mesmo disco, mostravam o cantor a mergulhar de cabeça na sua luta interior e, sempre cândido e aberto a falar sobre os seus medos, apesar da sua natureza tímida fora de palco, descreveu o seu «cinzentismo» como um bom reflexo de ter crescido no Noroeste. «Vivemos entre os arrepios da vida quotidiana e essa beleza natural que nos rodeia o tempo todo», disse à Rolling Stone durante a mesma conversa em que confessou gostar, desde miúdo, de estar à janela «a imaginar como seria» atirar-se lá para baixo.

O quarteto lançaria ainda Down on the Upside em 1996, mas o escalar de tensões entre os músicos precipitaria a separação em abril do ano seguinte. Nada avesso a esquemas de trabalho rigoroso, o vocalista dá início à sua carreira a solo mesmo na viragem do milênio, com a edição de Euphoria Morning.

AS GLÓRIAS E OS DEMÔNIOS

De adolescente tímido a aclamado «deus do rock», Chris Cornell, confesso consumidor de drogas e álcool desde os 12 anos, acabaria por ser internado para reabilitação em 2002. «Às tantas tive mesmo de chegar a uma conclusão», disse no início deste ano, depois de uma entrega de prêmios, à Launch Radio Networks. «É aquele tipo de conclusão humilhante, perceber que, afinal, não sou diferente de qualquer outra pessoa. Tenho de pedir ajuda – e isso não é algo que alguma vez tenha feito no passado».

Há cinco anos, tinha dito ao Mirror, «para mim o problema sempre foi, principalmente, o álcool – da adolescência até aos 30 anos. Na reta final do Soundgarden as coisas começaram a piorar, por isso é algo que teria acontecido mesmo que tivéssemos ficado juntos. Foi um longo e lento deslize, depois uma longa e lenta recuperação, mas houve também muita autodescoberta, claro». «Saí da reabilitação», recordou Chris, «e parti de imediato em tour com o Audioslave, vendi milhões de discos e toquei para multidões de 10 mil ou 20 mil pessoas. Isso não é aquilo pelo qual que a maioria das pessoas passa… Geralmente saem da reabilitação, têm a vida destruída e têm de lutar para trabalhar de novo. Eu tinha uma identidade à espera de ser abraçada».

E, de fato, até há pouco tempo, parecia tudo relativamente simples, com o músico a dar passadas certeiras no percurso de um artista ímpar, que sempre pareceu mais que capaz de lidar com os seus demônios interiores. Foi, de resto, depois de ter gravado o álbum de estreia com o Audioslave, projeto que o juntou a Tom Morello, Brad Wilk e Tim Commerford, três Rage Against The Machine, entre maio de 2001 e junho de 2002, que optou por pedir ajuda para lidar com os problemas. Apesar de estar a passar pelo divórcio do primeiro casamento, no que à música diz respeito as coisas não podiam correr-lhe mais de feição, com o Audioslave a transformarem-se num sucesso à força dos singles «Cochise», «Show Me How You Live», «What You Are», «Like A Stone» e «I Am The Highway».

A superbanda, de estatuto multiplatinado, acabaria por espalhar o seu charme pelo mundo e, até a separação em 2007, gravaria mais dois álbuns, Out of Exile e Revelations. Nesse mesmo ano, o músico retoma a carreira a solo com Carry On, que incluía uma versão de «Billy Jean» e também «You Know My Name», gravada para a banda-sonora do filme Casino Royale. Na companhia do famoso espião 007, no topo do mundo, o que havia ainda para conquistar? Primeiro, a música pop. Depois, o passado.

Escritos com Timbaland, os singles «Ground Zero» e «Watch Out» mostraram o músico a atirar-se às melodias R&B e, pela primeira vez, apesar do arrojo, a ser mal recebido pelo público e pela crítica com Scream. A redenção veio em 2010, com os Soundgarden a juntarem-se às muitas bandas dos anos 90 que se reuniram no século XXI e, durante os últimos sete anos, retomaram o seu percurso, que teve o ponto mais alto em 2012, com a edição de King Animal, o muito ansiado sucessor de Down on the Upside. Entre digressões de alto gabarito e digressões mundiais face a plateias rendidas à nostalgia, Cornell estava de volta à ribalta do rock e, mantendo edições regulares em nome próprio, nunca mostrou uma ponta de falta de imaginação para a escrita de grandes canções.

Segundo produtor Brendan O’ Brien, nos últimos anos o artista norte-americano parecia estar «numa missão para passar o tempo todo a trabalhar. Literalmente, o tempo todo. Parecia estar sempre a fazer qualquer coisa – e muitas coisas diferentes». De resto, nas fotografias mais recentes, aos 52 anos, Cornell aparentava estar em boa forma, continuava tão bonito como sempre e podia passar por uma pessoa com 10 anos a menos. Independentemente disso, continuava a batalhar com os seus demônios em silêncio… Resta o conforto na ideia de que nenhum homem cuja voz marcou uma geração será algum dia totalmente esquecido.

O dia em que Nilton Santos disputou o Re-Pa

bd338d1e-8466-41c0-bd95-29f1ea9c434b

Foto histórica da tarde festiva no estádio Evandro Almeida, em 1966, marcando o aniversário de reorganização do Remo, tendo Nilton Santos (Enciclopédia do Futebol) como convidado especial azulino.

Da esquerda para a direita, de pé: o dirigente bicolor Giorgio Falângola, Valtinho, Ércio, Neves, Vila, Esteves, Tito, Assis, Rubilota, Ribeiro, Osmany, Zezé, Nilton Santos, João Tavares, Arlindo e Beto, e os dirigentes Rainero Maroja e Jorge Age, do Remo.

Agachados: Abel, Zequinha, Quarenta, Ângelo, François, Edmar, Bené, Betão, Carlinhos, Pau Preto, Jota Alves, Zé Ilídio.

Com um grande na época, o Paissandu venceu por 2 a 0, com dois gols de Bené. Nilton Santos jogou na zaga azulina. “Um dos lances que mais me chamou atenção aconteceu quando Garcia, pelo Paissandu, deu um chutão para o gol, o nosso goleiro já estava batido no lance e o Nilton Santos conseguiu se antecipar e evitar o gol”, lembra o pesquisador e bancário Orlando Ruffeil.

FICHA TÉCNICA

Data: 21/08/1966
Local: Estádio Evandro Almeida

Remo: François; Ribeiro, Esteves, Nilton Santos e Lula (Casemiro); Zezé (Assis) e Beto; Zé Elídio (Nélio), Wilson Pipico, Zequinha, Neves (Adilson). Técnico: Antoninho

Paysandu: Edmar; Paulinho (Waltinho), Abel, João Tavares, Carlinhos; Tito e Quarentinha; Vila (Vadeco), Bené (Lula), Rubilota (Garcia) e Ércio (Pau Preto). Técnico: Juan Antonio Alvarez