
POR GERSON NOGUEIRA
Como a própria coluna sinalizou, na semana passada, o novo comandante técnico do PSC deve ser mesmo o mineiro Léo Condé, 40 anos, integrante da nova geração de treinadores de futebol e com experiência nas Séries B e C. Preenche os requisitos profissionais que a diretoria do clube desenha para o técnico do time: alguém que esteja antenado com os novos tempos, inquieto profissionalmente e consciente da importância que a organização tática tem para o jogo.
O anúncio deve ser feito hoje, ao meio-dia, com pompa e circunstância. O nome do novo técnico já poderia ter sido anunciado na sexta-feira, mas a diretoria entendeu que isso de alguma forma poderia influir na preparação do time para o clássico diante do Remo.
A coluna teve acesso a uma fonte (não da diretoria) do Papão (mas não da diretoria), dando como certa a contratação. Se realmente confirmada, a vinda de Condé pode ser considerada positiva, na perspectiva de que a diretoria do clube busca profissionais de futebol com atualização e capacidade de entender a chamada nova ordem.
O fato é que não há mais espaço, não como antes, para veteranos empedernidos que não acreditam em sistematização de procedimentos, adoção de princípios tecnológicos e estatísticas aplicadas à rotina de trabalho. O futebol clama por atualização de métodos, o que pode ser uma carga pesada demais para quem anda com a cabeça no passado.
Depois de começar com louvor por testes no futebol de base mineiro, primeiro no América-MG e depois no Atlético, Condé seguiu carreira profissional tendo o Tupi de Juiz de Fora como primeiro clube. Já na segunda passagem pelo Tupi chegou às semifinais da Série C, em 2014, perdendo o acesso à Segunda Divisão para o PSC de Mazola Jr.
Os momentos mais marcantes da curta e movimentada carreira foram o vice-campeonato mineiro de 2015, com a Caldense, e a 8ª colocação na Série B dirigindo o Sampaio Corrêa. Teve depois alguns insucessos, com Bragantino e Goiás.
Recentemente, foi demitido pelo Botafogo de Ribeirão Preto, após um trabalho muito elogiado em 2017, incluindo acesso à Série B no ano passado. Caiu devido a alguns maus passos no Paulista deste ano.
É provável que o mineiro empreenda na Curuzu uma caminhada nos moldes do que se viu com Dado Cavalcanti, outro jovem treinador, cujo prestígio aumentou bastante após dirigir e conquistar títulos pelo PSC.
Com o time ainda invicto e quase garantido nas semifinais do Campeonato Paraense (depende matematicamente de um empate em Marabá na última rodada), Condé desembarca em Belém com a vantagem considerável de não ter com o que se preocupar em relação a brigas na tabela de classificação.
Ao mesmo tempo, condição tão privilegiada, herdada do antecessor João Brigatti, pode se voltar contra o recém-contratado, caso este não consiga conquistar o título da temporada. Afinal, há sempre um lado espinhoso até mesmo em situações que aparentam tranquilidade absoluta.
Além do título estadual, Condé terá como desafio atingir as metas de desempenho que a diretoria do PSC estabelece para a temporada. Dentro dessa filosofia, o trabalho da comissão técnica será avaliado permanentemente, o que requer competência e capacidade de aceitação de críticas. Poucos clubes no Brasil fazem isso hoje.
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Leão festeja acertos e anota erros repetidos
Ainda no estádio Jornalista Edgar Proença, domingo, depois do Re-Pa, o técnico Márcio Fernandes avaliou como extremamente positiva a atuação de sua equipe no clássico. Considerou que as propostas de jogo que foram treinadas tiveram boa execução em campo.
Fernandes não individualizou a análise, mas é certo que deve ter ficado particularmente satisfeito com a atuação de alguns jogadores. A estreia de Marcão na zaga, por exemplo, foi muito além das expectativas. Deu segurança, mostrou imposição física e bom jogo aéreo.
A improvisação de Rafael Jansen na lateral esquerda funcionou a contento. Djalma atuou muito bem como primeiro volante, responsável pela distribuição de jogo. O vacilo no lance final quase comprometeu tudo isso, mas o seu rendimento foi acima do que os outros volantes vinham apresentando.
Na meia-cancha, a presença qualificada de Douglas Packer deu ao time leveza e consistência. Com bom passe, o armador surpreendeu pela mobilidade e adequação a diferentes faixas do campo. Começou mais centralizado e, aos poucos, foi buscando outras zonas de atuação, terminando como quase um ponteiro esquerdo clássico.
O belíssimo gol em cobrança de falta, típico de um especialista na matéria, coroou a grande atuação e contribuiu para alavancar uma instantânea empatia com a torcida. Salvo acidentes de percurso, pode-se dizer que o Remo finalmente tem um camisa 10 para chamar de seu.
Ao mesmo tempo, o técnico deve ter anotado a repetição de problemas sérios no ataque e na lateral direita. Geovane ficou devendo quanto ao condicionamento e Gustavo Ramos, muito exigido na recomposição, acabou por esquecer a função de atacar. Por essa razão, o Remo foi pouco agressivo em momentos do jogo que a situação permitia.
Mário Sérgio, que não pode se queixar de oportunidades, segue devendo maior movimentação e abertura de espaço para os demais companheiros que se aproximam do ataque. Alex Sandro entrou na partida com muito mais presença e velocidade.
Diogo Sodré, substituído no começo da etapa final, é outra insistência dos técnicos remistas. Não encontra espaço, erra passes e não combate. Ramires, cuja contratação foi anunciada ontem à noite, deve vir para ocupar aquele espaço desguarnecido entre Djalma e Packer.
(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 26)