
POR GERSON NOGUEIRA
O Remo resolveu partir para uma cruzada de reabilitação que não dispensa acenos a ferramentas de suporte emocional. Há consenso na cúpula administrativa que o time tem limitações, mas alguns maus passos têm mais a ver com problemas de natureza psicológica. Uma fonte da diretoria aponta como sinais óbvios dessa situação a eliminação da Copa Brasil com uma derrota “por descuido” para o limitado Serra-ES, em jogo que o empate beneficiava o Leão, e o revés diante do PSC em jogo disputado apenas quatro dias depois.
Nas duas ocasiões, ficou patente a baixa reserva de confiança do elenco à época dirigido por João Neto. Entusiasmado com o bom começo de campanha no Campeonato Estadual, o time sucumbiu à queda na Copa BR. O gol, no começo do segundo tempo, ocorreu em lance fortuito. Uma bola cruzada na área, que não foi devidamente acompanhada pela marcação. O setor defensivo ainda se recobrava da expulsão do volante Robson.
No Re-Pa, o primeiro gol bicolor aconteceu igualmente instantes depois de um incidente traumático: a contusão grave sofrida pelo zagueiro Mimica, espécie de líder da zaga. Kevem entrou às pressas em campo e a defesa nem teve tempo de se recompor. Um rebote do próprio Kevem desviou na perna de Rafael Jansen e entrou no gol, trazendo ainda mais abatimento à equipe, que não conseguiu acertar o passo e acabou sofrendo mais dois gols, tendo ainda dois jogadores expulsos (David Batista e Vacaria).
Por conta disso, diretoria e comissão técnica decidiram recorrer aos préstimos da “coach” Eliane Couto, que tem ministrado palestras diárias antes dos treinos. São palavras de incentivo e exercícios mentais que buscam tranquilizar os atletas, preparando-os para as agruras de uma atividade que não reage bem a maus resultados.
A quatro dias de outro Re-Pa, o trabalho de reforço psicológico deve funcionar como complemento para os ajustes de ordem técnica e tática. O comportamento diante do maior rival vai demonstrar, na prática, até onde a preocupação em assimilar preceitos de autoajuda rendeu ganhos efetivos.
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Auxiliar técnico deve comandar Papão domingo
Ainda sem confirmação do novo técnico (até o fechamento desta coluna), Leandro Niehues comanda os treinos na Curuzu pós-saída de João Brigatti e é quase certo que vai dirigir o time no clássico de domingo contra o Remo. Pela maneira como o auxiliar técnico tem orientado os jogadores, o torcedor deve se preparar para ver um time com outra postura. Talvez não haja alteração na escalação, mas o interino tem colocado em prática princípios de organização tática que o comitê de análise e desempenho vinha recomendando, e que Brigatti não atendia.
Por esse motivo, o Papão deve apresentar posicionamento diferente no jogo, explorando outras características dos atletas. Será uma interinidade de características bem diversas de situações em que o técnico improvisado apenas repete o que já vinha sendo feito pelo antecessor. A conferir.
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O bizarro senso de Justiça da federação do Rio
Nunca o conceito de dois pesos e duas medidas, criado por Voltaire, que rege tradicionalmente as decisões no futebol brasileiro ficou tão evidente como nesta patacoada produzida pela comissão de arbitragem da Federação do Rio de Janeiro. Quando a arbitragem prejudica (fato raro) interesses do Flamengo, há um tipo de decisão; quando o clube é beneficiado, o entendimento é inteiramente diferente.
Ao contrário da sentença sumária que se abateu sobre Pathrice Maia e Raquel Matos, responsáveis pela anulação de um gol do Flamengo contra o Volta Redonda no sábado (16), a Ferj decidiu não punir árbitro e assistentes que atuaram na vitória do rubro-negro sobre o Madureira, anteontem. O primeiro gol, de Gabigol, foi em impedimento escandaloso. O atacante estava um metro à frente da zaga, mas a jogada foi validada.
Maurício Machado Coelho foi o apitador, Daniel de Oliveira Alves Pereira era o assistente. A Comissão de Arbitragem entendeu que os profissionais não devem ser punidos. No máximo, devem passar por reciclagem.
Questionada pela decisão contraditória, a Ferj deu uma explicação indecente: o erro não teria interferido no resultado, como se tal coisa fosse possível prever num confronto que estava 0 a 0 quando a jogada ocorreu. Na prática, o gol teve muita influência no desfecho da partida. Afinal, o plano do Madureira era segurar o empate e, se possível, fazer gol em contra-ataque. O gol rubro-negro alterou os planos do time. Obrigado a se expor, acabou sofrendo o segundo na etapa final.
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Para torcida merengue, Neymar seria o último dos reforços
O menino Ney não está realmente em seus melhores momentos junto ao torcedor. No Brasil, atravessa fase das mais impopulares em face dos excessos como celebridade. Na Espanha, não é diferente.
Em pesquisa feita pelo jornal Marca junto à torcida do Real Madrid sobre o reforço dos sonhos, Mbappé levou de baciada: 79% da preferência. Kane ficou com 8%, Icardi beliscou 4% e Neymar vem com minguados 3%.
(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 21)
O Santos levou uma sapatada ontem do Botafogo-SP. Sampaoli, o técnico internacional do clube, disse ter devolvido o salário pago do mês porque entende que todos os funcionários do time devem receber seus salários em dia, e não somente a comissão técnica. Os salários de fevereiro dos jogadores ainda não foram pagos. Meu alento é saber que não são somente os dirigentes dos clubes paraenses que cometem sandices. E o futebol brasileiro desce a ladeira.
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Apesar de não concordar com o “fato raro”, a FERJ é aliada da dupla Botafogo e Vasco, sendo agora orfã de Eurico. Mas, é nítido o uso de dois pesos, assim como infame é a justificativa.
Lembro daquele jogo que já vai longe, quando o Remo chutou inúmeras bolas nas traves defendidas pelo Celso, este operou mais uns cinco ou seis milagres e, no final, o Paysandu ganhou o jogo. Já pensou se o árbitro errasse naquele momento pra fazer justiça no placar?
Diante dessas canalhices, só resta torcer pra que os grandes clubes europeus derrotem a FIFA e daí surja um efeito dominó que sepulte o pútrido sistema vigente.
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