
Por Alberto Helena Jr.
Como é gostoso ver esse Grêmio do Renato Gaúcho jogar! Nesta noite de terça, em seu campo, meteu 4 a 0 no Tucumán, assim, ó, tocando a bola, envolvendo o adversário e criando chances que poderiam ter elevado o placar a níveis inusitados.
Tá certo que o Tucumán, embora representante de uma escola respeitável – a argentina -, não é nenhum prodígio e já deixou isso claro no jogo de ida, quando o Imortal venceu por 2 a 0.
Prodígio, diante da cena atual do nosso futebol, é o Grêmio, que leva ao pé da letra o tal de equilíbrio, tão utilizado pelos técnicos brasileiros pra justificarem as tantas retrancas espalhadas por esse Brasil afora. O Grêmio, não. O Grêmio é a prova de que se pode jogar um futebol leve, veloz e ofensivo sem deixar espaços para o adversário retrucar com êxito. Tanto assim que é o ataque mais eficiente do país e a defesa menos vazada.
Ah, mas é que lá atrás tem uma dupla de zagueiros primorosa, formada por Geromel e Kanemann. É verdade, mas esses beques estiveram por aí tempo bastante, antes de desembarcarem em Porto Alegre, sem que atraíssem a cobiça de nenhum outro clube.
E que dizer dos dois laterais – Leo Moura e Cortez? Ninguém dava um tostão pelos dois até que Renato os recolheu, deu-lhes as chances necessárias, orientou-os devidamente e aí estão jogando o fino, sobretudo Leo, aos 39 anos, creia.
Maicon foi expulso do Morumbi sob as vaias ensurdecedoras da torcida, assim como ninguém se interessou por Douglas, ambos meias-armadores autênticos, função que foi extinta pelos adoradores do sistema com dois ou três volantes.
Jael e André? Nem de graça, meu! E assim vai Renato Gaúcho colhendo restos pelas beiradas dos campos e, com eles, erguendo um pequeno monumento à memória do verdadeiro futebol brasileiro já tão esquecido.