Professor da Uepa é interrogado por PMs após debater fake news em aula

Enquanto ministrava uma aula sobre fake news no curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Pará (Uepa), o professor Mário Brasil teve sua aula invadida pela PM. O caso foi relatado em nota pública do Sindicato dos Docentes da Uepa.

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“O professor Mário Brasil relatou que, durante uma de suas aulas, ao solicitar aos alunos que fotografavam seus slides, falou, em tom de brincadeira, que os mesmos não fizessem Fake News com aquelas imagens. Por isso, uma das alunas se ofendeu, entendendo como indireta à sua pessoa e se retirou da sala. Posteriormente, o pai da referida aluna entrou na universidade acompanhado de policiais que abordaram o docente inquirindo-o e coagindo-o a se deslocar à delegacia para prestar esclarecimentos. O professor sabiamente se recusou e informou que somente compareceria acompanhado do seu sindicato e advogados e buscou o diálogo entre os presentes. Neste momento, os policiais desistiram da ação”, diz o sindicato.

A que ponto a onda fascista já avançou… Toda solidariedade ao professor Mário Brasil.

A democracia pode triunfar

Por Jorge Branco (*)

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“Nunca desencoraje qualquer um que avança, não importa o lento que vai.” – Platão em “A República”

As pesquisa sobre intenção de voto para estas eleições de domingo, dia 27 de outubro, apontam um tendência: a queda em todos os setores da disposição de votar em Jair Bolsonaro e o crescimento do número de eleitores que desejam votar em Fernando Haddad. Possivelmente, esta movimentação nas intenções de voto decorre da exposição forte que as verdadeiras intenções e opiniões de Jair Bolsonaro, de seu candidato a Vice Presidente, General da Reserva Mourão e de seus apoiadores, como João Dória, prefeito de São Paulo, Wilson Witzel, candidato a governador do Rio de Janeiro e das verdadeiras milícias de fake news que fazem um trabalho de destruição da verdade e da dignidade nestas eleições.

Nestes últimos dias, em especial a partir da reportagem da Folha de São Paulo que denunciou que empresários bancam uma campanha contra o PT pelo whatsapp, como caixa 2 no valor de 12 milhões de reais, se estabeleceu uma esperançosa reação ao torpor autoritário que estava tomando conta do país como na fábula do “Flautista de Hamelin”, escrita pelos irmãos Grimm. Nesta fábula, um flautista hipnotiza os ratos que infestavam a cidade de Hamelin e os afoga no rio. Como o povo da cidade desconfiou, decidiu não pagar o flautista pelo serviço, ele então, por retaliação, tocou sua flauta novamente e hipnotizou todas as crianças da cidade e as trancou em uma caverna. A cidade então ficou sem ratos e sem crianças.

Diferente da fábula, entretanto, os resultados poderão ser dramáticos pois tratamos aqui da realidade. O país vive uma encruzilhada de dimensões históricas. Se avança sobre o caminho aberto pela Constituição Federal de 1988 e sua esteira de possibilidades no que diz respeito a liberdade, proteção social, direitos dos trabalhadores, dos indígenas, quilombolas, de igualdade racial e de gênero ou se retrocede aos tempos do regime autoritário onde se hiper explorou o povo brasileiro sob o tacão da tortura, mortes e desaparecimentos.

Essa reação de certo sentimento democrático que vemos nesta reta final, entretanto, não é fruto de descobertas individuais mas de uma memória coletiva que, se ainda não transformou a cultura política brasileira em uma cultura solidamente democrática e igualitária, é forte o suficiente para despertar a maioria da sociedade para o aprisionamento das melhores utopias que esta cantilena fascista estava produzindo sobre os brasileiros e que poderá, caso vença, fazer o Brasil retroceder décadas.

O que já ocorre com a simples combinação de 2 anos de governo Temer e da possibilidade do candidato fascista vencer as eleições. Para confirmar isso basta conferir, nos jornais conservadores e liberais da Europa e dos Estados Unidos, a queda de prestígio e desvalorização do Brasil, grande potência emergente nos anos de Governo do Lula.

Esta memória democrática, indisposta a morrer, vive nos movimentos sociais que travam uma batalha por direitos básicos como habitação, terra, escola, saúde e dignidade. Vive em amplos setores da juventude que, mesmo não vivendo as trevas da ditadura, sabem que suas possibilidades de futuro estão vinculadas à democracia e não ao fascismo.

Possibilidades que vivem materialmente através das dezenas de universidades públicas, ensino técnico, quotas, PROUNI, casa de estudantes criadas no período democrático e não no período autoritário. Vive nos agricultores que expandiram sua produção e mantiveram seus filhos na produção. Vive, também, em setores da classe média que conhecem o crescimento do emprego e dos salários que viveram durante os mais recentes anos da democracia.

São estes sujeitos, organizados e libertos, que estão acordando os demais do pesadelo do hipnose do flautista aplicado pelo fascismo.

(*) Sociólogo, Mestre e Doutorando em Ciência Política

Tite anuncia nova convocação da Seleção

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O técnico Tite anunciou na manhã desta sexta-feira a lista de convocados para os dois próximos amistosos da Seleção Brasileira. O Brasil enfrentará o Uruguai, no dia 16, e Camarões, dia 20. As partidas serão realizadas em Londres. Essa foi a última convocação de 2018.

A lista conta com novidades: Alan, jogador que vem se destacando pelo Napoli, defenderá o Brasil pela primeira vez. O goleiro Brazão, do Cruzeiro, também é novato na relação. Jogadores que estão na disputa do Campeonato Brasileiro não foram chamados, como explicou o coordenador de seleções Edu Gaspar.

“Falamos sobre jogadores do Campeonato Brasileiro. Decidimos não convocar nenhum que esteja disputando o campeonato. Mas foi discutida com o clube uma convocação específica. O Dedé é o único que estará convocado devido à singularidade do atleta”, disse, no mais perfeito titês.

Abaixo a lista dos convocados:

Goleiros

Alisson

Ederson

Brazão

Defensores

Danilo

Dedé

Fabinho

Filipe Luis

Marcelo

Marquinhos

Miranda

Meias

Alan

Arthur

Casemiro

Paulinho

Coutinho

Walace

Atacantes

Douglas Costa

Firmino

Jesus

Neymar

Richarlison

Willian

Latam coage funcionários a votar em Bolsonaro

Latam

Latam solta nota informando que afastou tripulação que fazia propaganda de Bolsonaro a bordo, mas na moita coage funcionários a votarem do candidato fascista. Denúncia já foi levada à CUT pelos empregados assediados pela empresa chilena. Na dúvida, não voe Latam.

Depois que o Nocaute divulgou, ontem, um selfie feito por tripulação da Latam imitando gesto de campanha de Bolsonaro – uma arma apontada para a frente – a empresa aérea chilena divulgou no início da noite o “afastamento temporário dos seis funcionários envolvidos”.

A nota é um lero-lero oficial para enganar incautos, conversa para boi dormir. Enquanto os marqueteiros da empresa redigiam a nota, o blog do Esmael divulgava a notícia segundo a qual funcionários da empresa estão, sim, sendo coagidos a apoiar o candidato da extrema-direita.

Veja a reportagem do blog:
Funcionários da Latam denunciam assédio das chefias para apoiarem Bolsonaro

Funcionários da companhia aérea Latam denunciaram forte pressão e assédio a que estão submetidos pelos seus chefes por não declararem voto ou apoiarem o candidato de extrema direita, Jair Bolsonaro (PSL). Em denúncia à CUT-SP, eles contam que, ao optarem pela neutralidade ou indicarem que vão votar em Fernando Haddad (PT), passam a ser alvos de pressões nos escritórios, nas bases de trabalho nos aeroportos, oficinas e até nos voos, criando “um ambiente insuportável” de trabalho.

Questionada pela CUT-SP, a companhia aérea diz não ter conhecimento dos casos e que “repudia veementemente qualquer tipo de ofensa e prática discriminatória”. Em nota à CUT-SP, a Latam informa que “adotará as medidas cabíveis a respeito do tema”. A empresa também reitera que “a segurança é um valor imprescindível que perpassa todas as operações da empresa”.

*Informações originalmente publicadas em Nocaute – Blog de Fernando Morais

Repressão já começou nas universidades

Federal

Associações de docentes de universidades estaduais e federais em diversos estados denunciam uma série de ações da Polícia Federal, algumas delas realizadas nesta quinta-feira (25), para coibir supostas infrações à legislação eleitoral a três dias da votação de segundo turno, no próximo domingo (7). A reportagem reuniu fotos, manifestos, notas e mandados judiciais apresentados por agentes federais nas instituições de ensino, a maioria com o objetivo de recolher materiais considerados indevidos em período de eleições e de proibir aulas públicas e manifestações no ambiente acadêmico.

Em cumprimento às determinações da Justiça Eleitoral, o objetivo da corporação seria recolher panfletos, manifestos e outros materiais confeccionados pela comunidade acadêmica, que reclama de ameaça à liberdade de expressão. O Congresso em Foco tentou contato com a assessoria da PF, por telefone e e-mail, mas não conseguiu resposta.

A lista atualizada na noite desta quinta-feira (25) somava 28 universidades federais e estaduais (veja lista abaixo). Associações de professores passaram a emitir notas de repúdio para denunciar supostos excessos da PF e ameaça à liberdade de expressão e manifestação.

Em um dos mandados judiciais, o juiz eleitoral Horácio Ferreira de Melo Júnior, da 17ª Zona Eleitoral de Campina Grande (PB), determina ação policial na Associação dos Docentes da Universidade Federal de Campina Grande (ADUFCG) “com vistas a busca e apreensão de panfletos intitulados MANIFESTO EM DEFESA DA DEMOCRACIA E DA UNIVERSIDADE PÚBLICA, bem como de outros materiais de campanha eleitoral em favor do candidato a Presidente da República Fernando Haddad, número 13, do PT, conforme despacho anexo”.

Já o juiz eleitoral Rubens Witzel Filho, da 18ª Zona Eleitoral de Dourados (MS), expediu ordem judicial para proibir uma palestra sobre fascismo na Universidade Federal de Grande Dourados (UFGD). A “aula pública”, como classifica o magistrado, deveria ter sido realizada às 10h de hoje (quinta, 25) e tem como tema “Esmagar o fascismo – O perigo da candidatura Bolsonaro”. Uma óbvia referência ao candidato do PSL, Jair Bolsonaro.

“Pra quem tem dúvidas que a liberdade de expressão está já ameaçada: Polícia Federal nesse exato momento fazendo busca na Associação dos Docentes da UFCG [Universidade Federal de Campina Grande], aparentemente motivada por um panfleto que a Associação lançou no dia 18 a favor da democracia. Temos exatamente 60 horas para salvar o que resta da nossa democracia”, diz mensagem compartilhada em um grupo de docentes a que este site teve acesso na noite desta quinta-feira (25).

“Pessoal, é com muita tristeza que informo que a ADUFCG acabou de ser invadida pela Polícia Federal. Eles estão com um mandado de apreensão e busca daquele nosso manifesto em defesa da democracia e da universidade”, relata outra mensagem.

Em um fórum aberto no Facebook para discutir o assunto, um internauta fez o seguinte relato nesta noite: “A Polícia Militar e o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro estão, neste momento, exigindo a retirada das faixas ‘Marielle Vive’ e ‘Ditadura Nunca Mais’. Nas faixas não há referências a partidos. O TRE não tem autoridade para tal”.

“Amigos da pós-graduação, peço solidariedade de vocês, porque meu irmão, Wilson Madeira Filho, diretor da Faculdade de Direito da UFF [Universidade Federal Fluminense], acaba de receber um mandado de prisão. Tudo é arbitrário: entraram na UFF

O que diz a lei

Com alcance federal, a legislação eleitoral tem sido aplicada segundo características de cada região. No caso de Dourados, por exemplo, uma denúncia foi feita por meio do aplicativo “Pardal”, desenvolvido pela Justiça Eleitoral do Mato Grosso do Sul para que eleitores fiscalizem e denunciem eventuais infrações neste período de campanha.

O denunciante argumentou que a aula pública contra Bolsonaro é conduta vedada pela legislação eleitoral nesta época. O dispositivo a que se refere a denúncia proíbe agentes públicos, servidor ou não, de usar a máquina pública administrativa a serviço de determinada candidatura – no caso, a de Fernando Haddad (PT), adversário de Bolsonaro em segundo turno.

O propósito do dispositivo legal é preservar o caráter de isonomia entre candidatos, nos termos do artigo 77, I da Resolução 23.551 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que define punição a quem atentar contra a normalidade do processo eleitoral. A legislação também veda o uso de equipamentos e locais públicos, materiais ou serviços públicos como comitê de campanha.

Reação

Mas nada disso convence a comunidade acadêmica, que vê ação de censura nas determinações judiciais. Diversas entidades de professores estão se manifestando durante toda a quinta-feira (25). Por meio de nota, a Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) lamenta que, nas duas últimas semanas, “ao menos seis universidades federais sofreram com o cerceamento à liberdade de expressão, à liberdade de cátedra e ações arbitrárias relacionadas ao acirramento eleitoral”.

“Professores vêm sendo constrangidos por exercer a profissão e os sindicatos criminalizados. Estudantes que se manifestaram ‘contra o fascismo’ também foram retaliados. A Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) repudia a repressão às liberdades democráticas que tem ocorrido nas universidades públicas. Na Universidade de Brasília, uma pessoa não identificada interrompeu uma aula de Antropologia sobre o conceito de fascismo, intimidando a professora, que encerrou a aula por medo de sofrer agressão física”, reclama a entidade.

Ainda segundo a associação da UnB, outro grave episódio foi registrado na Universidade do Estado do Pará (Uepa), onde um professor “foi coagido por policiais”, no próprio campus da instituição, a prestar depoimento em uma delegacia sobre o comentário que teria feito sobre fake news durante uma aula. A Associação dos Docentes da Universidade do Estado de Mato Grosso (Adunemat), por sua vez, relatou casos de assédio e ameaças sofridas por professores e alunos. “O sindicato divulgou uma nota contra as ações fascistas no espaço acadêmico”, registra a ADUnB.

Também por meio de nota (íntegra abaixo), a Ordem dos Advogados do Brasil, secional Rio de Janeiro (OAB-RJ), repudiou a “tentativa de censura nas universidades”. “A manifestação livre, não alinhada a candidatos e partidos, não pode ser confundida com propaganda eleitoral”, diz trecho da mensagem.

Confira a lista de universidades:

Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)

Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)

Universidade do Estado do Pará (Uepa)

Universidade Federal de Campina Grande (UFCC)

Universidade Federal Fluminense (UFF)

Universidade Estadual da Paraíba (UEPB)

Universidade Federal de Minas (UFMG)

Unidade Acadêmica dos Palmares (Unilab-CE)

Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Cepe-RJ)

Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab-Fortaleza)

Universidade do Estado da Bahia (Uneb-Serrinha)

Universidade Federal de Uberlândia (UFU)

Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Universidade Católica de Petrópolis (UCP)

Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ-MG)

Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa-RN)

Universidade Federal do Amazonas (Ufam)

Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS-SC)

Universidade Estadual Paulista (Unesp-Bauru/SP)

Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Instituo Federal de Brasília (IFB)

Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF)

Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT)

Universidade Federal de Itajubá (MG)

Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)

Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

Universidade do Estado da Bahia (Uneb)

Leia a nota da OAB:

NOTA DA OAB/RJ SOBRE TENTATIVA DE CENSURA NAS UNIVERSIDADES

A OAB/RJ manifesta o seu repúdio diante de recentes decisões da Justiça Eleitoral que tentam censurar a liberdade de expressão de estudantes e professores das faculdades de Direito, que, como todos os cidadãos, têm o direito constitucional de se manifestar politicamente.

A manifestação livre, não alinhada a candidatos e partidos, não pode ser confundida com propaganda eleitoral.

Quaisquer restrições nesse sentido, levadas a efeito, sobretudo, por agentes da lei, sob o manto, como anunciado, de “mandados verbais”, constituem precedentes preocupantes e perigosos para a nossa democracia, além de indevida invasão na autonomia universitária garantida por nossa Constituição.

Rio de Janeiro, 25 de outubro de 2018.

Ronaldo Cramer
Presidente em exercício da OAB/RJ

 

Re-Pa de basquete é interrompido por invasão de quadra pelos atletas do futsal do Remo

O Remo viveu ontem, na quadra do ginásio Serra Freire, um episódio inusitado e triste. Era disputado um Re-Pa de basquete na categoria sub-12. No intervalo da partida, com placar favorável aos remistas (21 a 19), a quadra foi tomada por pais, mães e atletas do futsal sub-17 do próprio Remo para um treino não programado.

A invasão impediu o reinício do basquete e a arbitragem deu por encerrado o jogo, com o Paissandu sendo declarado vencedor. Uma das pessoas que liderou a interrupção do clássico de basquete estaria a filha de um do diretor do Remo.

Os demais envolvidos na programação do basquete ainda tentaram dialogar, apontando que a situação era inaceitável. As crianças treinaram o ano inteiro para jogar um playoff de cinco jogos e o primeiro não terminou, por impedimento de gente do próprio Remo!

Pais das crianças entraram em contato com o blogueiro denunciando o ocorrido e manifestando tristeza com a atitude dos invasores da quadra. Faltou educação, respeito e um mínimo de razoabilidade, desabafou um deles.

O lado absurdo da coisa: o Remo derrotando o próprio Remo.