A grande chance do Timão

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Por Alberto Helena Jr.

Eis a única chance que restou ao Corinthians neste ano em que o time caminhou pelas sombras das grandes competições, embora começasse com o título paulista conquistado em cima do maior rival – o tão badalado Palmeiras de tantas e custosas contratações.

O Timão, ao contrário, foi se desidratando ao longo da temporada, trocou três vezes de treinador,e a crítica situação financeira do clube limitou as contratações a meia dúzia de jovens e alguns veteranos que ainda não responderam à altura das necessidades do time.

É com essa escassa bagagem que o Timão desembarca no Mineirão, nesta quarta-feira,  pra começar a disputa decisiva pela Copa do Brasil diante de um Cruzeiro bem armado defensivamente e com alguns recursos no ataque.

Uma eventual e quase improvável vitória não só dará forças ao Timão pra garantir o título em Itaquera como o ativará na luta por uma vaga na Libertadores, algo praticamente fora das perspectivas gerais.

Para o jogo do Mineirão, o Corinthians conta com um reforço inestimável: o lateral-direito Fagner, recém-saído da enfermaria do clube. Claro que não se pode esperar um Fagner azougue, indo e vindo com a mesma propriedade de sempre. Mais viável seria rezar pra que ele aguente bem do início ao fim da partida, pois sua eventual saída no meio do jogo forçaria o técnico Jair a mexer em dois setores – a lateral e o meio campo – com o deslocamento de Gabriel e a entrada de quem?

Pois é. Que tal Pedrinho, o mais hábil de todos os jogadores corintianos disponíveis neste momento? Não exatamente na posição de Gabriel nessa formação já ortodoxa de dois volantes e um meia. Mas, invertendo o triângulo, avançando suas linhas defensivas na chamada marcação alta e tal e cousa e lousa e maripousa, com o verdadeiro futebol moderno (eterno) exige.

Mas, tire o cavalinho da chuva meu amigo fiel, que essas opções, no futebol brasileiro, só são adotadas num momento de extremo desespero no final das partidas. De resto, é te cuida aí que eu me cuido aqui. E o placar, geralmente, fica ali cochilando na esperança de ser ativado uma vezinha pelo menos.

Quanto ao Cruzeiro, por certo, não sairá da rota traçada há tempos por Mano Meneses: é trancar a frente de sua área e esperar o momento certo pra dar o bote com Tiago, Raniel e Rafinha, já que Arrascaeta não foi liberado pela Celeste. E Mano ainda pode recorrer à experiência e o oportunismo de Fred no segundo tempo, embora o artilheiro esteja longe de sua melhor forma física.

Assim, o Cruzeiro é favorito, num clássico nacional de poucos gols, entre outras coisas porque as metas serão defendidas por dois ases – Fábio e Cássio -, muita catimba, e faltinhas de lado a lado, Mas, sacumé, quando se trata de Corinthians…

Revelação do Santos concorre prêmio de melhor jogador jovem do mundo

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O atacante Rodrygo, do Santos, está entre os concorrentes do prêmio “Troféu Kopa”, promovido pela revista “France Football”, para o melhor jogador sub-21 do mundo. O atleta de 17 anos é o único brasileiro e o mais novo da lista. O grande candidato ao título é o francês Kylian Mbappé, campeão do mundo com a França na Rússia.

Além do francês e do brasileiro, a lista dos 10 nomeados tem Houssem Aouar (França/Lyon), Trent Alexander-Arnold (Inglaterra/Liverpool), Patrick Cutrone (Itália/Milan), Gianluigi Donnarumma (Itália/Milan), Ritsu Doan (Japão/Groningen), Amadou Haidara (Mali/Red Bull Salzburg), Justin Kluivert (Holanda/Roma) e Christian Pulisic (EUA/Borussia Dortmund).

Esta é a primeira vez que a “France Football” promove o prêmio, e o grande vencedor será conhecido no dia 3 de dezembro. (Com informações da Folhapress)

Morto por votar em Haddad, Moa do Katendê é sepultado sob gritos de “EleNão”

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O enterro do grande mestre baiano de capoeira e compositor Romualdo Rosário da Costa, 63 anos, o Mestre Moa do Katendê, morto brutalmente a facadas por um bolsonarista, aconteceu na tarde desta segunda (8) em Salvador. A cerimônia, no cemitério Quinta dos Lázaros, no bairro da Baixa de Quintas, aconteceu sob forte emoção, a partir de 17h. Assassinado na madrugada da própria segunda, Mestre Moa foi enterrada sob gritos de “EleNão”, referência ao movimento contra Bolsonaro, o #EleNão, e acompanhado por cantos-pontos da capoeira e das religiões afro: “Olha o negro, sinhá/Mataram o negro!” e “Ôooooo, a liberdade pela cidade”.

O crime ocorreu no Bar do João, na comunidade do Dique Pequeno, no Dique do Tororó, em Salvador (aqui) e foi o mais grave de uma série de ataques perpetrados por apoiadores de Bolsonaro em várias cidades do país (aqui).

Sob forte comoção, mais de 500 amigos e admiradores acompanharam o enterro de Mestre Moa, uma referência cultural na cidade e no país e um importante disseminador de manifestações culturais afro-brasileiras.

Caetano Veloso compartilhou em sua conta no Instagram o vídeo de uma entrevista com ele e Moa do Katendê, de 2011, e escreveu: “Moa do Catendê, a quem devo a revelação que foi ver e ouvir o grupo de pessoas na rua cantando ‘Misteriosamente o Badauê surgiu’, foi morto a facadas por ter dito que votara em Haddad. O assassino, um bolsonarista apaixonado, foi encontrado quando tentava fugir. É o que acabo de ler no Yahoo!News. Moa era meu amigo e foi uma das figuras centrais na história do crescimento dos blocos afro de Salvador. Estou de luto por ele. Não olho redes sociais. Abri o Yahoo! pra chegar ao email e vi a foto de Moa, sorrindo, o que me fez parar, meio alegre de vê-lo, e ter a terrível notícia que contei aqui resumidamente. A descrição da cena está no Yahoo! As informações vieram da Secretaria de Segurança Pública da Bahia. Fundador do Badauê, compositor, mestre de capoeira, Moa vive na história real da cidade e deste país”.

O crime

Ele foi morto com 12 facadas pelas costas por Paulo Sérgio Ferreira de Santana, de 36 anos, apoiador do candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL), após uma discussão sobre a eleição. O irmão do mestre de capoeira foi atingido no braço e levado ao Hospital Geral do Estado, onde ficou internado.

Segundo testemunhas, agressor e vítima não se conheciam antes da discussão. Moa foi enterrado na tarde de hoje.

Em depoimento à polícia, Sérgio Ferreira de Santana admitiu que a divergência política foi a motivação do crime que ele cometeu. A polícia informou que o eleitor de Bolsonaro ingeriu bebida alcoólica desde a manhã do domingo e chegou ao bar às 23h.

Môa do Katendê era um conhecido ativista contra a intolerância religiosa. “Nós, de matriz africana, respeitamos todos. E o que queremos? Em troca, respeito e consideração. Agora, invadir terreiros, procurar difamar uma tradição milenar é um ignorância muito grande. Aqui é um desabafo, e isso no país todo está fortalecendo”, afirmou em vídeo divulgado em sua página recentemente.

Mestre Môa do Katendê não era somente um artista negro entre tantos da Bahia. Ele era referência na defesa das tradições africanas e percorria o mundo divulgando a arte. Compositor, dançarino, capoeirista, percussionista, artesão e educador, dizia que a cultura poderia promover a paz.

Há 40 anos, havia fundado o “Badauê”, várias vezes campeão do carnaval baiano nos anos 80, na categoria de afoxés. “Esse afoxé foi responsável pela reafricanização do carnaval baiano”, diz o amigo e produtor cultural em São Paulo do mestre, Leandro Sequelle.

Em 1995, criou o afoxé “Amigos de Katendê”, com o qual viajava pelo mundo. Nesta segunda-feira (8), tinha viagem marcada para São Paulo, a trabalho.

Sua tia não é fascista; ela está sendo manipulada

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Por Rafael Azzi, via Facebook

Você se pergunta como um candidato com tão poucas qualidades e com tantos defeitos pode conseguir o apoio quase que incondicional de grande parte da população?

Você já tentou argumentar racionalmente com os eleitores deles, mas parece que eles estão absolutamente decididos e te tratam imediatamente como inimigo no mais leve aceno de contrariedade? Até sua tia, que sempre gostou de você, agora ataca seus posts sobre política no facebook?

Pois bem, vou contar uma história.

O principal nome dessa história é um sujeito chamado Steve Bannon. Bannon tinha uma visão de extrema direita nacionalista. Ele tinha um site no qual expressava seus pontos de vista que flertavam com o machismo, com a homofobia, com a xenofobia, etc. Porém, o site tinha pouca visibilidade e seu sonho era que suas ideias se espalhassem com mais força no mundo.

Para isso, Bannon contratou uma empresa chamada Cambridge Analytica. Essa empresa conseguiu dados do facebook de milhões de contas de perfis por todo mundo. Todo tipo de dado acumulado pelo facebook: curtidas, comentários, mensagens privadas. De posse desses dados e utilizando algoritmos, essa empresa poderia traçar perfis psicológicos detalhados dos indivíduos.

Tais perfis seriam então utilizados para verificar quais indivíduos estariam mais predispostos a receber as mensagens: aqueles com disposição de acreditar em teorias conspiratórias sobre o governo, por exemplo, ou que apresentavam algum sentimento de contrariedade difuso ao cenário político atual.

A estratégia seria fazer com que esse indivíduo suscetível a essas mensagens mudasse seu comportamento, se radicalizasse. Como as pessoas passaram a receber as notícias e a perceber o mundo principalmente através das redes sociais, não é difícil manipular essas informações. Se você pode controlar as informações a que uma pessoa tem acesso, você pode controlar a maneira com que ela percebe o mundo e, com isso, pode influenciar a maneira como se comporta e age.

Posts no facebook podem te fazer mais feliz ou triste, com raiva ou com medo. E os algoritmos sabem identificar as mudanças no seu comportamento pela análise dos padrões das suas postagens, curtidas, comentários.

Assim, indivíduos com perfis de direita e seu tradicional discurso “não gosto de impostos” foram radicalizados para perfis paranoicos em relação ao governo e a determinados grupos sociais. A manipulação poderia ser feita, por exemplo, através do medo: “o governo quer tirar suas armas”. Esse tipo de mensagem estimula um sentimento de impotência e de não ser capaz de se defender. Estimula também um sentimento de “somos nós contra eles”, o que fecha a pessoa para argumentos racionais.

Sites e blogs foram fabricados com notícias falsas para bombardear diretamente as pessoas influenciáveis a esse tipo de mensagem. Além disso, foi explorado também um sentimento anti-establishment, anti-mídia tradicional e anti “tudo isso que está aí”. Quando as pessoas recebiam várias notícias de forma direta, e não viam essas notícias repercutirem na grande mídia, chegavam à conclusão de que a grande mídia mente e esconde a verdade que eles tem.

Se antes a mídia tradicional podia manipular a população, a manipulação teria que ser feita abertamente, aos olhos de todos. Agora, todos temos telas privadas que nos mandam mensagens diretamente. Ninguém sabe que tipo de informação a pessoa do lado está recebendo ou quais mensagens estão construindo sua percepção de realidade.

Com esse poder nas mãos, Bannon conseguiu popularizar a alt right (movimento de extrema direita americana) entre os jovens, que resultou nos protestos “unite de right” no ano passado em CharlottesvilleVirgínia que tiveram a participação de supremacistas brancos. Bannon trabalhou na campanha presidencial de Donald Trump e foi estrategista de seu governo. A Cambridge Analytica trabalhou também no referendo do Brexit, que foi vencido principalmente por argumentos originados de fakenews.

Quando a manipulação veio à tona, Mark Zuckerberg foi chamado ao senado americano para depor. Pra quem entendeu o que houve, ficou claro que a democracia da nação mais importante do mundo havia sido hackeada. Mas os congressistas pouco entendimento tinham de mídia social; e quem estaria disposto a admitir que a democracia pode ser hackeada através da manipulação dos indivíduos?

Zuckerberg estava apenas pensando em estabelecer um modelo de negócios lucrativo com a venda de anúncios direcionados. A coleta de dados e a avaliação de perfil psicológico das pessoas tinham a intenção “inocente” de fazer as pessoas clicarem em anúncios pagos. Era apenas um modelo de negócios. Mas esse mesmo instrumento pode ser usado com finalidade política.

Ele se deu conta disso e sabia que as eleições brasileiras podiam estar em risco também. Somos uma das maiores democracias do mundo. O facebook tomou medidas ativas para evitar que as campanhas de desinformação e manipulações ocorressem em sua rede social. Muitas contas fake e páginas que compartilhavam informações falsas foram retiradas do facebook no período que antecede as eleições.

Mas não contavam com a capilarização e a popularização dos grupos de whatsapp. Whatsapp é um aplicativo de mensagens diretas entre indivíduos; por isso, não pode ser monitorado externamente. Não há como regular as fakenews, portanto. Fazer um perfil fake no whatsapp também é bem mais fácil que em outras redes sociais e mais difícil de ser detectado.

Saiba mais: Datafolha: 61% dos eleitores de Bolsonaro se informam pelo WhatsApp

Lembram do Steve Bannon, que sonhou com o retorno de uma extrema direita nacionalista forte mundialmente? Que tinha ideias que são classificadas como anti minorias, racistas e homofóbicas? E que usou um sentimento difuso anti “tudo que está aí”, e um medo de os homens se sentirem indefesos para conquistar adeptos?

Pois bem, ele se encontrou em agosto com Eduardo Bolsonaro. Bolsonaro disse que o Bannon apoiaria a campanha do seu pai com suporte e “dicas de internet”, essas coisas. Bannon é agora um “consultor eventual” da campanha. Era o candidato ideal pra ele, por compartilhava suas ideias, no cenário ideal: um país passando por uma grave crise econômica com a população desiludida com a sua classe política.

Logo depois de manifestações de mulheres nas ruas de todo o Brasil e do mundo contra Bolsonaro, o apoio do candidato subiu, entre o público feminino, de 18 para 24 por cento. Um aumento de 6 pontos depois de grande parte das mulheres se unir para demonstrar sua insatisfação com o candidato.

Isso acontece porque, de um lado, a grande mídia simplesmente ignorou as manifestações e, por outro, houve um ataque preciso às manifestações através dos grupos de whatsapp pró-Bolsonaro. Vídeos foram editados com cenas de outras manifestações, com mulheres mostrando os seios ou quebrando imagens sacras, mas utilizadas dessa vez para desmoralizar o movimento #elenão entre as mais conservadoras.

Além disso, Eduardo Bolsonaro veio a público logo após a manifestação e declarou: “As mulheres de direita são mais bonitas que as de esquerda. Elas não mostram os peitos e nem defecam nas ruas. As mulheres de direita têm mais higiene.” Essa declaração pode parece pueril ou simplesmente estúpida mas é feita sob medida para estimular um sentimento de repulsa para com o “outro lado”.

Isso não é nenhuma novidade. A máquina de propaganda do nazismo alemão associava os judeus a ratos. O discurso era que os judeus estavam infestando as cidades alemãs como os ratos. Esse é um discurso que associa o sentimento de repulsa e nojo a uma determinada população, o que faz com que o indivíduo queira se identificar com o lado “limpo” da história. Daí os 6 por cento das mulheres que passaram a se identificar com o Bolsonaro.

Agora é possível compreender porque é tão difícil usar argumentos racionais para dialogar com um eleitor do Bolsonaro? Agora você se dá conta do nível de manipulação emocional a que seus amigos e familiares estão expostos?

Então a pergunta é: “o que fazer?

Não adiante confrontá-los e acusá-los de massa de manobra. Isso só vai fazer com que eles se fechem e classifiquem você como um inimigo “do outro lado”. Ser chamado de manipulado pode ser interpretado como ser chamado de burro, o que só vai gerar uma troca de insultos improdutiva.

Tenha empatia. Essas pessoas não são tolas ou malvadas; elas estão tendo suas emoções manipuladas e estão submetidas a uma percepção da realidade bastante diferente da sua.

Tente trazê-las aos poucos para a razão. Não ofereça seus argumentos racionais logo de cara, eles não vão funcionar com essas pessoas. A única maneira de mudar seu pensamento é fazer com que tais pessoas percebam sozinhas que não há argumentos que fundamentem suas crenças e as notícias veiculadas de maneira falsa.

Isso só pode ser feito com uma grande dose de paciência e de escuta. Peça para que a pessoa defenda racionalmente suas decisões políticas. Esteja aberto para ouvi-la, mas continue sempre perguntando mais e mais, até ela perceber que chegou num ponto em que não tem argumentos para responder.

Pergunte, por exemplo: “Por que você decidiu por esse candidato? Por que você acha que ele vai mudar as coisas? Você acha que ele está preparado? Você conhece as propostas dele? Conhece o histórico dele como político? Quais realizações ele fez antes que você aprova?

Em muitos casos, a pessoa tentará mudar o discurso para falar mal de um outro partido ou do movimento feminista. Tal estratégia é esperada porque eles foram programados para achar que isso representa “o outro lado”, os inimigos a combater.

Nesse caso, o caminho continua o mesmo: tentar trazer a pessoa para sua própria razão: “Por que você acha que esse partido é tão ruim assim? Sua vida melhorou ou piorou quando esse partido estava no poder? Como você conhece o movimento feminista? Você já participou de alguma reunião feminista ou conhece alguém envolvido nessa luta?

Se perceber que a pessoa não está pronta para debater, simplesmente retire-se da discussão. Não agrida ou nem ofenda, comportamento que radicalizaria o pensamento de “somos nós contra eles”. Tenha em mente que os discursos que essa pessoa acredita foram incutidos nela de maneira que houvesse uma verdadeira identificação emocional, se tornando uma espécie de segunda identidade. Não é de uma hora pra outra que se muda algo assim.

Duas das mais importantes democracias do mundo já foram hackeadas utilizando tais técnicas de manipulação. O alvo atual é o nosso país, com uma das mais importantes democracias do mundo. Não vamos deixar que essas forças nos joguem uns contra os outros, rasgando nosso tecido social de uma maneira irrecuperável.

P.S.: Por favor, pesquise extensamente sobre todo e qualquer assunto que expus aqui, e sobre o qual você esteja em dúvida. Não sou de nenhum partido. Sou filósofo e, como filósofo, me interesso pela verdade, pela ética e pelo verdadeiro debate de ideias.Sua tia não é fascista, ela está sendo manipulada.

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Aniversariante, Lennon tem obra atualizada ante avanço da extrema direita

A eleição de Trump e a candidatura de Bolsonaro resgatam a canção “Imagine” como um hino necessário e urgente

Por Julinho Bittencourt

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John Lennon, o mais politizado e engajado dos Beatles, faria 78 anos nesta terça-feira (9), não tivesse sido assassinado, em dezembro de 1980, na porta do prédio onde morava, em Nova Iorque. A sua obra, aclamada pela crítica e pelo público, é consagrada nos quatro cantos do planeta como uma ode ao pacifismo, ao desarmamento e à igualdade.

O compositor se engajou também na luta pelo feminismo, contra o racismo, contra a guerra do Vietnã, pela libertação de líderes políticos como Angela Davis e John Sinclair e denunciou tiranias tanto de direita quanto de esquerda mundo afora.

A militância de Lennon incomodou tanto, sobretudo dentro dos EUA, que ele sofreu um longo processo de extradição, sob o pretexto de um inquérito que respondia por porte de pequena quantidade de maconha.

Lennon era cidadão inglês e optou, a partir da década de 70, depois da dissolução dos Beatles, por viver na América, ao lado de sua segunda esposa, Yoko Ono. Conseguiu a sua permanência graças a um longo processo, onde a população americana promoveu um enorme abaixo assinado a seu favor. Além disso, várias personalidades se posicionaram também a favor do músico e um grande movimento mundial garantiu o seu green card, o visto de permanência.

Ironicamente, no momento em que acabava de lançar seu primeiro disco em cinco anos, o excelente “Double Fantasy”, de 1980, em parceria com Yoko, Lennon foi morto com quatro tiros por um ‘fã’, na porta de sua casa, quando voltava de uma gravação.

O mundo ficou consternado com a morte brutal do ex-Beatle. Vigílias foram feitas em todas as partes e a sua canção “Imagine” virou o hino pacifista mais executado do planeta. A canção, com um clamor quase ingênuo pela paz mundial, o desarmamento, a compreensão entre os homens, a luta contra o fanatismo religioso e o apelo pelos desabrigados, passou a ser executada de forma unânime em todos os tipos de manifestações humanistas. Desde igrejas, partidos políticos, manifestações pela paz entre tantas outras, “Imagine” é sempre lembrada em várias línguas e interpretações diferentes.

A partir do fim da guerra fria e um momento de relativa paz – em algumas partes do planeta – e estabilidade democrática, sobretudo em alguns países do mundo ocidental, a canção passou a ser acusada de ingênua e, até mesmo piegas, por alguns críticos. Com o avanço da extrema direita em várias países do mundo, sobretudo nos EUA, a eleição de Donald Trump e a candidatura de Jair Bolsonaro no Brasil, “Imagine” volta a ser um hino necessário e urgente.

Jogadores e técnico do Papão adotam discurso da emoção para convocar torcida

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Em entrevista concedida ontem, o técnico João Brigatti citou resultados de outros times para avaliar que há um sinal positivo para o Papão nesta reta final de Série B. Para o jogo desta noite contra o CRB, na Curuzu, o treinador tenta chamar o torcedor depois de duas derrotas seguidas na competição e situação angustiante na tabela – o PSC é o 18º colocado.

“A sorte começou a vir para o nosso lado. Eu não me lembro desde o início do campeonato uma rodada que você inicia perdendo e os seus concorrentes também perdem ao final da rodada. Isso nos deixa muito feliz, mas agora vamos em busca dessa vitória, temos que fazer a nossa parte. Vamos tentar conseguir o resultado diante de um adversário difícil que é o CRB”, declarou.

“Para mim agora é como se fosse uma Copa do Mundo. Cada jogo é totalmente atípico. Quero aproveitar para chamar a torcida. É de suma importância ter esse estádio lotado. A gente espera a torcida do nosso lado para sair dessa situação”, disse Brigatti.

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Pão na mesa

O atacante Hugo Almeida, exceção na má campanha do Papão no returno, também aposta no discurso de tom emocional para convocar o torcedor. “A gente está criando, isso é importante. A gente nunca quer errar gol. O pão da minha casa e da minha família está aqui, não só o meu, como dos outros jogadores também. E o Paissandu que coloca o pão na mesa da minha casa. A gente está em uma situação que sabe que não pode perder gol, mas vamos continuar trabalhando para que as coisas comecem a mudar e se Deus quiser a gente consiga a vitória”, disse.

O CRB ainda não venceu sob o comando do técnico Roberto Fernandes. Tem a mesma pontuação (31) do Papão, mas ocupa a 17ª posição por ter melhor saldo de gols.

Paissandu e CRB-AL se enfrentam nesta terça-feira (9), às 19h15, na Curuzu. Os ingressos custam R$ 20,00 (arquibancada) e R$ 40,00 (cadeira).

Direto do Twitter

“A imprensa escrita, togada, fardada, coisada e televisada passa a ser cúmplice de um projeto de guerra civil a partir do momento em que trata com naturalidade o autor dele, projeto reiterado em inúmeras gravações, na ilusão de que não vai ser engolida pela voragem.”

Palmério Dória, jornalista e escritor

Uma reação à tática de guerra psicológica da campanha bolsonarista

Por Piero Leirner (*)

Aí vão algumas dicas de quem está vendo o outro lado agir como uma “campanha militar”, e não exatamente política. Talvez seja tarde para dizer essas coisas, mas no segundo turno essa guerra aumentará sua intensidade. Deixo aqui então uma contribuição para o anti-Bolsonarismo.

– Tática do Bolsonaro é mentira e dissimulação. Isso vocês já sabem bem. O problema imediato é o como eles mentem, e não se eles mentem. Já sabemos que não vai ter como desmentir tudo.

– TUDO QUE SE FALAR CONTRA BOLSONARO SERÁ RESPONDIDO POR ELES COM SINAL TROCADO. Não adianta acusá-lo de “roxo” achando que vai forçá-lo a dizer “amarelo”, pois é mais provável que ele responda “uva”.

– Por isso, insisto de novo: eles estão usando táticas de Operações Psicológicas que estão em manuais de guerra de 3ª e 4ª gerações (assimétrica e híbrida). Cansei de ver isso. É a filigrana dos “Human Terrain Systems” norte-americanos, usam muita psicologia, linguística e antropologia. E não tem marqueteiro, é uma tática de dissipação, e os agentes, ao assimilá-la, dão prosseguimento ao formato. Então vamos lá, alguns pontos interessantes sobre isso:

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1) a maior parte da informação deles é passada em rede. Isso não se deveu só aos 8 segundos de TV, mas ao fato de que essa ferramenta desestabiliza os canais tradicionais e traz um “empoderamento” ao “cidadão comum”. As teorias da guerra híbrida usam as redes de comunicação descentralizadas para desestabilizar nações; desestabilizar uma campanha eleitoral de adversário é fichinha. Não sei se é eficaz a essas alturas responder apenas no sentido de “negar as fake news”, tem que produzir um contra-discurso (não estou sugerindo fake news, é claro) que opere na mesma lógica;

2) essa estrutura de rede foi muito bem aprendida pelas FFAA norte-americanas no Iraque e Afeganistão. Não tem cabeça, elas operam de forma mais ou menos autônoma. Não duvido que a essas alturas o bolsonarismo já é um tanto independente do seu emissor central: as redes estão fazendo campanha por si próprias, e agem como estações repetidoras umas das outras. Como a maior parte delas é semi-fechada e independente, e só mantem conexões parciais entre si, isso garante a sua eficácia: se uma “célula” cai, outras ocupam o espaço;

3) a descentralização e horizontalidade dessas redes criam essa sensação de maior amplitude, indestrutibilidade, resiliência, e, o que é mais importante, resistência à comunicação exterior que venha de um emissor que atua em outra esfera de consagração; por exemplo, a Globo, a campanha eleitoral. Tudo vai ser “mentira”, só se aceita aquilo que está na própria “célula” e em outras “confiáveis”. Não adianta dizer que a Veja é de direita e publicou aquela matéria: trata-se de uma “imprensa suja e esquerdista”, toda ela. É preciso entender que para esse mecanismo funcionar ele precisa abandonar toda emissão de signos “de fora”. Lembra do Matrix? Pois é.

4) ao mesmo tempo, é preciso perceber que eles não abandonam totalmente uma referência aos centros. No entanto, estes são etéreos: toda essa tática é fundada na ideia de que eles visam um “bem maior”, moral, Deus , família, etc. Por isso mesmo esse pessoal vai bater muito na tecla do identitarismo, trata-se de jogar o adversário para a ideia de que ele só quer representar “grupos pequenos”. Para cada vez que você falar “mulher”, eles vão responder com uma “perversão para a família”, tipo “mulher lésbica”. Manuela será o principal foco de ataque nesse campo, pela história política dela. Vão bater que ela é comunista e traz o “perigo vermelho”. Vão abusar da Venezuela. Não adianta responder com “Finlândia”. Mas é possível, por exemplo, mostrar alguma foto de Manuela fazendo turismo na frente de uma igreja na Europa. Quando eles vierem com “kit gay”, vocês contra-atacam com Haddad jogando futebol. O ponto é esse: quando eles vierem com a “uva”, vocês respondem com “suco”, não com “banana”. É básico, nessas PsiOps, que sempre se opere com uma “shifting scale”, tirando o pé da referência que o emissor inimigo enviou, e sempre com mensagens subliminares. Por exemplo, mostre a cena de uma caminhada de Haddad e Manuela pela rua, passando por um muro com uma imagem do palhaço Bozo. Depois é só deixar o apelido colar no próprio fora de nossas redes.

O que fazer para minar essa tática é realmente um problemão. Certamente há muita coisa para resolver em uma campanha, estou longe de saber como se faz isso. No entanto, se fosse seguir os manuais de contra-insurgência que pensam esses assuntos, sugeriria que se dedique alguns segundinhos a isto: atuar onde eles menos esperam, usar mensagens subliminares, fugir dos lugares que eles estão associando a vocês.

Mostrem várias imagens do Moro com tucanos de black-tie, com militares, em paraísos fiscais. É preciso deixar bem claro que estes são agentes coligados, e que a situação atual de Lula se deve à política, que isso não tem nada a ver com justiça. Não adianta só falar, tem que mostrar imagens que sugiram por A+B essa história. Ela deve ser montada na cabeça das pessoas (e não vir pronta), elas têm que acreditar que chegaram a isso pelas próprias convicções.

Outra coisa: é preciso passar, de maneira inconsciente, a ideia de que a “mudança” que Bolsonaro propõe não é “reestabelecer a ordem”, mas propagar o caos. Use e abuse da imagem de um vice-presidente que não aceita comando do seu chefe, e que Bolsonaro representa um perigo à hierarquia militar. Sugira que ele pode causar instabilidade nas Forças Armadas e que isso pode levar a um golpe (lembrando que é preciso conversar com os comandantes, e mostrar que isso representa um perigo real. Eles sabem disso, mas é bom se deixar claro que o lado de cá sabe também e que está preocupado com isso). Associe ele ao Collor, isso é fácil demais. Não precisa fazer essas coisas diretamente, basta jogar imagens, e deixar a nossa rede funcionar também.

(*) Antropólogo da Universidade Federal de São CarlosO texto foi publicado originalmente na página do Facebook do autor.