A virada começa por São Paulo

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Levantamento do Ibope sobre intenções de voto para presidente na cidade de São Paulo mostra que a associação do candidato do PSDB governador, João Doria (PSDB), está contribuindo para alavancar a candidatura de Fernando Haddad (PT) a presidente.

Segundo o Ibope, a alta rejeição ao tucano na capital que ele abandonou tem feito o “Bolsodoria”, voto casado nele e em Jair Bolsonaro (PSL), tem pior desempenho entre os paulistanos do que entre os moradores do interior de São Paulo.

Na cidade de São Paulo, Haddad disparou de 19,7% de votos no primeiro turno para 51% da intenções de voto, contra 49% de Bolsonaro, de acordo com o Ibope. Já o candidato do PSB a governador,l Márcio França, lidera com 18 pontos de vantagem em relação ao tucano.

Doria renunciou ao cargo de prefeito para disputar o governo do estado pouco mais de um ano depois de assumir, em 2017, mesmo tendo se comprometido a ficar na prefeitura até o fim do mandato. 48% dos eleitores da capital dizem que não votam nele, contra 25% dos do interior, segundo o Ibope.

Folha de SP pede que PF investigue ameaças de apoiadores de Bolsonaro

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Da Agência Brasil

O jornal Folha de S. Paulo informou hoje (24) que entrou com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitando que a Polícia Federal (PF) investigue ameaças a profissionais do veículo. Após a publicação de reportagens investigativas sobre a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), a autora da matéria, jornalista Patrícia Campos Mello, recebeu centenas de ameaças e ofensas sobretudo via redes sociais. Outros dois jornalistas que participaram da apuração da reportagem também vêm sofrendo ameaças, acrescentou o jornal em comunicado. O diretor do Instituto Datafolha, Mauro Paulino, foi alvo de ameaças por redes sociais e em sua casa.

A Folha disse ter identificado uma “ação orquestrada contra a liberdade de expressão”. Segundo o jornal, as ameaças se alastraram por grupos de apoio ao presidenciável do PSL no WhatsApp.

No dia 19 de outubro, a Folha publicou reportagem denunciando um esquema de compra de envio de mensagens em massa no aplicativo WhatsApp que seria bancado por empresários favoráveis a Bolsonaro. Os contratos chegariam até R$ 12 milhões. Bolsonaro e executivos citados na reportagem negaram qualquer envolvimento.

A compra de mensagens pró-Bolsonaro no aplicativo de celular motivou ações junto ao TSE, que investiga o caso com apoio da Polícia Federal (PF). Por causa da abertura dessas investigações, a presidente do TSE, ministra Rosa Weber, e outros ministros foram ontem (23) ameaçados e xingados em vídeo divulgado nas redes sociais. O autor do vídeo, coronel da reserva Carlos Alves, já é alvo de inquérito da PF, aberto a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), após receber solicitação do próprio Supremo Tribunal Federal (STF). O Ministério do Exército também condenou as declarações do coronel da reserva e afirmou que ele não representa as posições da Força, além de informar que sua conduta já é alvo de apuração na esfera militar.

Perseguição a jornalistas

A autora da reportagem sobre o disparo em massa de mensagens pró-Bolsonaro, Patrícia Campos Mello, passou a receber ameaças de partidários do presidenciável do PSL, segundo relatou a Folha de S.Paulo.  Em redes sociais, ela foi xingada e acusada de que a reportagem teria sido “comprada pelo PT”. Segundo a Folha, a jornalista teve sua conta no WhatsApp invadida. Os hackers enviaram mensagens a favor do candidato do PSL para contatos armazenados. Além disso, ela recebeu ameaças por telefone de números desconhecidos.

Ainda de acordo com a Folha, circularam imagens entre apoiadores de Bolsonaro incitando eleitores a confrontar a jornalista em uma palestra marcada para o dia 29, além de uma montagem onde ela apareceria abraçada ao candidato do PT, Fernando Haddad. Patrícia Campos Mello teve de fechar sua conta no Twitter – passando a permitir apenas interação com seguidores autorizados.

No domingo (21), o candidato Jair Bolsonaro (PSL) afirmou a seus seguidores que “a Folha de S. Paulo é o maior fake news do Brasil, imprensa vendida”. O candidato criticou o jornal diversas vezes em razão da reportagem publicada. Em entrevista à Rádio Justiça, a advogada do PSL, Karina Kufa, afirmou que a denúncia não tem base documental e que qualquer caso de apoio espontâneo não teve anuência do candidato.

Repercussão

A Federação Nacional dos Jornalistas e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo emitiram nota na semana passada em que condenaram os ataques a Patrícia Campos Mello e a profissionais do jornal. “Avessos ao debate e à crítica pública, essenciais numa sociedade democrática, os agressores querem sufocar a liberdade de imprensa e calar qualquer voz que levante questionamentos dirigidos a seu candidato. É a própria democracia que está sendo atingida quando a repórter é atacada”, diz o texto.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo também se manifestou em favor da profissional, reconhecida pela sua experiência e contribuição para a imprensa brasileira. “Retaliar jornalistas em função de sua atividade profissional não atinge apenas o(a) comunicador(a) em questão; traz prejuízos à sociedade como um todo, inclusive aos que praticam os ataques”, pontua a associação.

No início do mês, a Abraji divulgou levantamento em que identificou pelo menos 130 agressões a profissionais de imprensa cobrindo eleições. Foram 75 ataques por meios digitais, como redes sociais, e 62 físicos.

A Agência Brasil entrou em contato com a Polícia Federal para obter informações sobre o pedido do jornal e aguarda retorno. O TSE informou que a denúncia da Folha tramita em sigilo.

Em discurso crítico, Mano Brown recomenda esforço final na periferia

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A contundência dos discursos pró Haddad e anti-Bolsonaro nos Arcos da LapaRio de Janeiro, foi tanta que confundiu a cobertura da imprensa tradicional, acostumada à mesmice política que se alastrou pelo país.

O rapper Mano Brown fez o discurso mais inteligente e denso sobre a identidade da esquerda progressista e sua fala é um alerta decisivo para a reta final da campanha de Haddad. Brown pede menos festa e mais ação, menos ‘estratégia’ e mais alma, menos elitismo e mais povão. Caetano Veloso foi na mesma direção e disse que o momento é de complexidade (e que exige reação complexa).

jornalismo tradicional continua perdido como cachorro que caiu do caminhão de mudança. Diante do estilo e da linguagem de um rapper como Mano Brown – nota da redação: ele é um rapper, não um mestre de cerimônia – a imprensa mergulhou na sua habitual cegueira e viu apenas um detrator do PT e da campanha de Haddad.

Mas Mano Brown fez o discurso mais contundente até aqui para a campanha que defende a democracia. Foi um discurso de chamamento, de força, de caráter, de comprometimento.

Ele disse: “vim apenas me representar. Não gosto do clima de festa. A cegueira que atinge lá, atinge aqui também. Isso é perigoso. Não tá tendo clima pra comemorar“.

E prosseguiu: “Tá tendo quase 30 milhões de votos pra tirar. Não estou pessimista. Sou realista. Não consigo acreditar pessoas que me tratavam com carinho, se transformaram em monstros. Se algum momento a comunicação falhou aqui, vai pagar o preço. A comunicação é alma. Se não conseguir falar a língua do povo, vai perder mesmo. Falar bem do PT para torcida do PT é fácil. Tem uma multidão que precisa ser conquistada ou vamos cair no precipício. Tinha jurado não subir no palanque de mais ninguém“.

O público ensaiou uma vaia, o que também é parte da mise-en-scène dos eventos públicos. A imprensa também acredita que ‘vaia’ é algo exclusivamente negativo, ignorando o poder democrático de uma ‘vaia’. As análises do jornalismo padrão derretem.

Brown ainda fechou: “Não gosto do clima de festa. O que mata a gente é o fanatismo e a cegueira. Deixou de entender o povão já era. Se somos o Partido dos Trabalhadores tem que entender o que o povo quer. Se não sabe, volta pra base e vai procurar entender. As minhas ideias são essas. Fechou“.

Na sequência de Brown, Caetano Veloso proferiu, igualmente o seu mais forte discurso pró Haddad de toda a campanha. Ao subscrever Brown, Caetano evocou o sentido de ‘complexidade‘. Ele disse: “a fala do Mano traz a complexidade do momento“.

E enunciou uma das melhores sentenças já ditas em uma campanha eleitoral: “O Brasil tem sido bombardeado há décadas por discursos de sociólogos que usam palavrões em suas análises e apostam na imbecilização da sociedade. Temos que encontrar meios de dizer a esses eufóricos [eleitores do Bolsonaro] do perigo à democracia. Me oponho a ‘cafajestização’ do homem brasileiro“.

Chico Buarque seguiu a mesma linha, com um discurso não festivo e direto ao ponto: “talvez aqueles eleitores que votaram em Bolsonaro, os chamados coxinhas, se sensibilizem com essa onda de boçalidade, com morte de gays, trans, travestis, mulheres, negros e capoeiras. Quem sabe o povo pobre, que votou em Bolsonaro, contra si mesmo porque a proposta dele vai contra essas pessoas, mude de ideia na hora do voto. Não queremos mais mentira, não queremos mais a força bruta. Queremos Fernando e Manuela“.

Batalha entre velhos rivais

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POR GERSON NOGUEIRA

A Libertadores é a menina dos olhos dos grandes clubes brasileiros desde o começo dos anos 80. Até lá, salvo exceções, as principais agremiações não davam ao torneio a importância devida, nem atentavam para a visibilidade mundial de uma conquista continental.

É verdade também que antes a competição era um primor de desorganização e esquemas envolvendo arbitragens e tribunais de apelação. A forma de disputa não beneficiava os brasileiros, submetidos ainda a gramados sofríveis nos outros países do continente.

Dominada por times argentinos e uruguaios, a Libertadores parecia fadada a ser monopolizada pelos dois principais países dos três (o outro é o Paraguai) que integram a bacia hidrográfica do Rio da Prata.

Quando o Brasil acordou para o valor da competição, passou a ter mais força no enfrentamento direto com os argentinos, principalmente depois que o futebol uruguaio entrou em declínio.

Os confrontos de semifinal da competição deste ano fazem lembrar as épicas batalhas entre os velhos rivais. Dois representantes brasileiros contra dois argentinos, justamente os mais emblemáticos de lá. O Grêmio, defendendo o título de campeão, abriu esta etapa jogando ontem contra o River Plate, em Buenos Aires.

Hoje, também na capital argentina, na mítica Bombonera, será a vez do Palmeiras de Luís Felipe Scolari encarar o Boca Juniors. Campeão em 1999, o técnico tenta dar a volta por cima no clube que o projetou de verdade no cenário nacional.

Chamuscado pela vexatória participação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2014, Felipão andou vagando por clubes menores sem muito êxito até se reencontrar no Palmeiras, onde comanda uma boa campanha no Campeonato Brasileiro e avança na Libertadores.

O título nacional está bem encaminhado, mas a competição continental é a chamada cereja do bolo, representando muito tanto para o time quanto para o seu comandante.

Curiosamente, a dupla que representa o Brasil nestas semifinais tem por característica mais óbvia a forte marcação, disposição extrema para os embates no meio-campo (na bola ou sem) e força no jogo aéreo. O Grêmio de Renato Gaúcho foi moldado durante um bom tempo pela filosofia de Felipão.

Pode-se dizer, por conta disso, que o Brasil que tenta chegar à decisão da Libertadores é essencialmente gaúcho no modo de jogar e no jeito de pensar competições copeiras. Transpiração é o item principal. Inspiração vem depois, às vezes nem dá as caras, pois a Libertadores não exige tanto da qualidade técnica quanto da entrega física.

A sorte está lançada.

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Legado da Copa reforça ainda mais caixa da CBF

Nem dá para imaginar o que a CBF vai fazer com a pequena fortuna que a Fifa libera na sexta-feira, a título de legado da Copa do Mundo de 2014. Nunes e Caboclo devem estar esfregando as mãos efusivamente à espera dos R$ 370 milhões anunciados pela entidade.

Dinheiro mais do que suficiente para a CBF investir nas divisões de base, melhorar a qualidade de suas competições e lembrar também da enjeitada e  Copa Verde, sob ameaça de extinção nesta temporada. Chorar miséria vai soar esquisito a essa altura.

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Futuro presidente elege torcedor como prioridade máxima

O Papão conseguiu, por obra do acaso, aplainar o caminho da sucessão presidencial. Livrou-se da carga extra e indesejável dos embates encarniçados entre situação e oposição, que tanto mal já causaram à agremiação no passado.

Apesar de sérias divergências internas, expostas nas dissidências anunciadas no grupo Novos Rumos, o clube terá chapa única na eleição prevista para 26 de novembro. Representa um considerável alento para enfrentar as dificuldades atuais na Série B e os desafios para 2019.

Ricardo Gluck Paul lidera a chapa registrada anteontem. Será, por óbvio, o próximo presidente do PSC. Em rápida conversa, ontem à tarde, resumiu o que pensa implementar durante a futura gestão:

“O desafio dessa gestão será o de reconectar o clube com a torcida e fazer do Paysandu o time do povo, mais uma vez. Torcedor em primeiro lugar, como maior ativo do clube”, disse.

A afirmação indica que Ricardo, como toda a atual cúpula dirigente, tem noção do crescente fosso estabelecido entre o clube e sua massa torcedora, espelhado nas baixas plateias em jogos do PSC nos últimos quatro anos.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 24)