Direto do Twitter

“Anote-se: Bolsonaro teve 55% dos votos válidos, mas apenas 39% dos votos totais, dos quais Haddad teve 31%. A soma de brancos, nulos e abstenções foi 42,1 milhões, ou 28,5%, Isso significa que NÃO teve o apoio de 61% do eleitores. A legião de Pilatos determinou o resultado.”

Tereza Cruvinel, jornalista

Desculpas em cascata

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POR GERSON NOGUEIRA

Seria engraçada não fosse quase trágica a mania que os técnicos têm de justificar fase ruim. As desculpas vêm em cascata. Nem precisa acompanhar as entrevistas. O papo é sempre o mesmo. É a bola que não entra. O momento que não ajuda. As defesas adversárias muito fechadas quando visitam Belém.

Podiam ser mais criativos e arranjar outras explicações, algo como a força dos ventos contrários ou a queda brusca da umidade do ar. Coisas com um apelo científico mais elucidativo, que fugissem às lorotas habituais.

É compreensível que, sob pressão, os profissionais fiquem sem argumentos, não tenham respostas para o baixo rendimento. Como não podem sentar a pua no grupo de jogadores, pelo risco de arapucas internas (das quais nem Lopetegui escapa), apelam para o óbvio ululante.

Contra o Coritiba, no sábado passado, jogando sofrivelmente, o PSC esbarrou no forte sistema defensivo adversário. Ficou cercando lourenço, cruzando bolas sem direção e tentando chegar no chamado jogo aéreo, única jogada que ainda dá certo na Curuzu. Desta vez, porém, a coisa não funcionou.

De sua parte, o visitante também não queria muita coisa. Ficava enrolando na meia-cancha, de vez em quando armava um contragolpe, mas sem criar situações claras. O primeiro tempo terminou com o jogo dando toda pinta de zero a zero.

Até que, já na segunda etapa, em cruzamento pelo lado esquerdo a bola chegou à pequena área do Papão e encontrou a canela de Diego Ivo. O desvio matou a saída do goleiro Renan Rocha e foi direto para o barbante.

Brutal infelicidade do zagueiro que mais prega motivação nas entrevistas. Vive dando brados de entusiasmo mesmo depois de goleadas terríveis, como aquela sofrida frente à Ponte Preta de Brigatti.

Com Timbó de lateral esquerdo, aterrorizando os corações bicolores, o time saiu em busca do empate. Apenas na vontade, sem esquematização de jogo. Não há nenhum jogador no atual grupo alviceleste capaz de atuar com serenidade. Mesmo os mais técnicos, como Carmona e Thomaz, tendem a sumir ante as cobranças e ao baixo astral causado pela má campanha.

O gol salvador veio no finalzinho, depois de um bate-rebate na entrada da área. Renato Augusto apanhou a sobra e bateu no canto direito da trave coxa-branca, sem chances para o goleiro. Foi o terceiro arremate bicolor em direção ao gol. Essa triste estatística ajuda a explicar a secura de ideias e de inspiração que se abate sobre a equipe.

Nas entrevistas, os jogadores repetiram a ladainha de que nada está perdido e que chegará o dia em que a bola vai entrar. Brigatti foi na mesma toada. Voltou a enaltecer a dedicação do elenco, a participação nos treinos, o esforço de todos. Discurso desnecessário porque na Série B todos os times se dedicam aos treinos e buscam a vitória, exatamente como o PSC.

O que diferencia os que estão no cume da tabela dos que sofrem na parte baixa é a qualidade técnica que empregam para perseguir seus objetivos. E é isso que falta ao Papão, embora Brigatti (como Dado Cavalcanti e Guilherme Alves) evitem afirmar isso com todas as letras.

Como optam pela tática de dourar a pílula, são obrigados a afirmar reiteradas vezes que o grupo é maravilhoso, merece um lugar ao sol e que a pífia colocação é produto de alguma injustiça divina.

O fato é que a coisa já adquiriu contornos dramáticos. Com 33 pontos, o PSC precisa vencer quatro dos cinco jogos que irá disputar, sendo três fora de Belém. Missão quase impossível. Creio que, até por uma questão de planejamento, a diretoria do clube já deve estar avaliando o cenário da Série C 2019. Se ainda não está fazendo, deveria fazer.

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Eleições azulinas às portas do impasse

O Remo convive com os riscos de mais um desfecho tumultuado de seu processo eleitoral. Como a Assembleia Geral, provocada por recurso de um associado, ainda não decidiu sobre o futuro da chapa 10, a confusão vai dominar o tempo que deveria ser dedicado a debates e apresentação de propostas. Pior: há a possibilidade de que o resultado das urnas fique pendente, esperando o posicionamento da Justiça.

Por ora, a expectativa é quanto ao pronunciamento do presidente da AG. Até o leãozinho de pedra do Evandro Almeida sabe da influência que o presidente Manoel Ribeiro tem sobre as diversas instâncias do clube, incluindo a AG.

Tem tanto poder que a decisão sobre o pedido de impugnação – bem fundamentado, segundo todos os que a coluna consultou sobre os estatutos da agremiação -, que deveria caber ao colegiado, será monocrática.

São situações que se repetem ao longo do tempo, dificultando qualquer esperança de que o Remo consiga se unificar e partir para um processo de modernização, sempre lembrado pelos candidatos presidenciais e nunca implementado a sério.

O cenário atual não inspira nenhum sentimento otimista. Pelo contrário, caso a chapa de Ribeiro seja autorizada a concorrer, é certo que haverá novo pedido de impedimento, sendo que a eleição acontece já no próximo dia 10 de novembro. O impasse está desenhado.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 30)

Eleito insiste em repetir fake news e ataca Folha de S. Paulo

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) atacou a Folha de S. Paulo nesta segunda-feira, 29, em entrevista ao Jornal Nacional. Em discurso acalorado, Bolsonaro disse que a Folha “não tem prestígio nenhum” e que “só espalha fake news”. Bolsonaro disse também que a Folha não terá verba de publicidade do governo federal a partir do próximo ano.

Em um furo de reportagem da jornalista Patricia Campos Mello, a Folha denunciou o esquema de disseminação em massa de fake news contra Fernando Haddad pelo Whatsapp, financiada por empresas apoiadoras da campanha de Bolsonaro. Apesar de criticar a Folha de fabricar “fake news”, Bolsonaro voltou a falar sobre o Kit gay, uma das fake news mais disseminadas contra Haddad na campanha.

“Notável o esforço de Bonner e Renata em tentar ‘normalizar’ Bolsonaro. Deram-lhe todas as chances. Ele dispensou algumas: insistiu com a fake news do kit gay e ameaçou a Folha de S. Paulo”, disse o jornalista Ricardo Noblat sobre a entrevista.

Bono destaca Bolsonaro em performance sobre “demônios” da política

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Nos shows da atual turnê do U2,  ‘Experience & Innocence’, o cantor Bono Vox sempre se fantasia do demônio MacPhisto para fazer críticas à política internacional. Na apresentação da banda neste domingo, em Belfast, na Irlanda do Norte, Bono apontou sua artilharia verbal para Donald Trump, Rodrigo Duterte e o presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro.

“O que vocês estão olhando, Belfast? Vocês nunca viram um político antes?”, questiona o músico. “Os demônios de MacPhisto estão tomando o poder ao redor do globo. Meu tipo de pessoa, como Donald, fazendo a América odiar de novo. Meu bonitão filipino, Rodrigo Duterte. Mesmo hoje, nesse dia de eleição. Duzentos milhões de pessoas prestes a ter seu carnaval transformado numa parada militar por um homem chamado Capitão Bossa Nova. Bolsonaro, não esqueçam o nome. Muitos nomes, mas apenas um rosto. O meu.”

A performance foi capturada em vídeo por um fã que publicou as imagens no YouTube.

Inquietante retorno ao passado

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Do Brasil247

O jornal francês Le Monde alertou nesta segunda-feira, 29, para os riscos de retrocesso na eleição de Jair Bolsonaro (PSL) como presidente do Brasil. Em editorial, o Le Monde afirma que com a eleição de Bolsonaro é “nostálgica da ditadura”, e que faz o Brasil juntar-se à lista de países que adotaram o “nacional-populismo”.

“A campanha eleitoral de 2018, longe de revigorar uma democracia doente, acentuou seus males. Os discursos de Jair Bolsonaro, fracamente articulados, se reduzem a um ultranacionalismo quimicamente puro, totalitário e vingativo. O Brasil, invocado em quase todas as suas frases, deve ser libertado, segundo ele, depurado e purificado dos ‘delinqüentes’ e dos ‘vermelhos’. Sua capacidade para governar dependerá agora de como ele irá construir uma maioria sólida no Congresso, apesar de suas tendências radicais. Se não alcançar a maioria, ele presidirá por decretos, como já mencionou”, diz o jornal.

Leia, abaixo, o editorial do Le Monde na íntegra, em tradução de Sylvie Giraud.

Brasil: Preocupante retorno ao passado

Editorial do “Le Monde”. O Brasil acaba de eleger um presidente racista, sexista, homofóbico e defensor da tortura. Jair Bolsonaro, ex-pára-quedista, nostálgico de um período ditatorial (1964-1985) que parecia estar para sempre confinado à história, é o primeiro militar eleito desde a ascensão ao poder em 1946, de Gaspar Dutra.

Eleito com uma folgada maioria (55,1% dos votos), o candidato de extrema-direita fecha um parêntese da história brasileira de treze anos de governos liderados pelo Partido dos Trabalhadores (PT) de Lula, aos quais vêm acrescentar-se trinta e três anos de alternância política moderada entre o centro-esquerda e o centro-direita. Com exceção apenas da vitória, em contracorrente, de Andrés Manuel Lopez Obrador no México, seja a eleição de Sebastian Pinera no Chile, a de Mauricio Macri na Argentina ou a de Ivan Duque na Colômbia, os principais pleitos políticos na América Latina apontam todos, unilateralmente, em uma mesma direção. Fora esta exceção, a “virada à esquerda” do subcontinente parece já fazer parte do passado.

No Brasil, o impeachment da presidente Dilma Rousseff, em agosto de 2016, a condenação de seu predecessor, Lula, em julho de 2017 e sua prisão em abril de 2018 além da interdição para que reapresente sua candidatura, são todos acontecimentos que marcam um contexto de intensa virada à direita do maior país da América do Sul.

Nenhuma ambigüidade sobre seu extremismo

O percurso do futuro presidente não padece de nenhuma ambiguidade sobre seu extremismo. Eleito deputado em 1991, Jair Bolsonaro é então acusado de ter tentado organizar atentados para chamar a atenção sobre os baixos salários dos militares, o que o levou a passar duas semanas na prisão. Será preciso esperar o final da década de 1990 para que a opinião pública descubra sua violência verbal.

Em pleno Congresso, em 1999, ele lamenta que a ditadura não tenha executado 30.000 corruptos a mais, incluindo o presidente Fernando Henrique Cardoso. Quatro anos depois, em um debate na televisão, ele diz à deputada do PT, Maria do Rosário, que ele nunca a estupraria pois ela não o merecia. Uma afirmação que ele repete, onze anos depois, nos corredores do Congresso, dirigindo-se àquela que, no ínterim, tornou-se secretária dos direitos humanos no governo Dilma Rousseff.

Aos 63 anos, Jair Bolsonaro é de longe o político de direita eleito mais extremista na história recente da América Latina. Não fosse suficiente sua violência verbal, ele se destaca com frequencia por seu racismo em relação aos povos indígenas e negros, sua misoginia e seu culto às armas. Rapidamente, essa retórica lhe vale a alcunha na imprensa de “Trump brasileiro” ou “Trump Tropical”.

Ultranacionalismo quimicamente puro

A campanha eleitoral de 2018, longe de revigorar uma democracia doente, acentuou seus males. Os discursos de Jair Bolsonaro, fracamente articulados, se reduzem a um ultranacionalismo quimicamente puro, totalitário e vingativo. O Brasil, invocado em quase todas as suas frases, deve ser libertado, segundo ele, depurado e purificado dos “delinqüentes” e dos “vermelhos”. Sua capacidade para governar dependerá agora de como ele irá construir uma maioria sólida no Congresso, apesar de suas tendências radicais. Se não alcançar a maioria, ele presidirá por decretos, como já mencionou.

O Brasil vem aumentar a já longa lista de países que mergulharam no nacional-populismo em vários lugares do globo, dando a impressão de que nenhum continente está imune a essa onda. Essa dinâmica perigosa tomará forma rapidamente através de efeitos muito concretos no Brasil.

Assim, com a chegada do senhor Bolsonaro ao Palácio do Planalto, em Brasília, é de se esperar uma espetacular aproximação diplomática com Washington e com um Donald Trump que compartilha a mesma visão sobre certo número de assuntos. O novo Presidente deve se alinhar com a posição dos EUA em relação a Israel, mas também à Venezuela. Mas não só; ele prometeu igualmente que sob seu mandato o Brasil sairia do acordo climático de Paris e fecharia a agência brasileira responsável pelo desmatamento e a demarcação das terras indígenas. Para o Brasil, para Amazônia e para o planeta, trata-se de um retorno preocupante ao passado.

O vexame do discurso do novo presidente

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Por Milton Hatoum

Foi um vexame o primeiro discurso do novo presidente. Antes da fala, o eleito e seus assessores, orando de mãos dadas e olhos fechados, pareciam membros de uma seita religiosa fundamentalista, e não dirigentes políticos de um Estado laico.
O discurso, de uma vulgaridade gritante (na forma e no conteúdo), antecipa um estilo de governar.

Não menos vulgares são os assessores e bajuladores que cercam o capitão. Ao ver e ouvir as cenas patéticas da reza e da fala, me lembrei das frases de um conto de Tchekhov:

“Estou cercado de vulgaridades por todos os lados […] Gente enfadonha, vazia… Não há nada mais medonho, mais ultrajante, mais deprimente do que a vulgaridade. Fugir daqui, fugir hoje mesmo, senão vou ficar louco!”

Mas não é preciso fugir. Vou ficar aqui, lendo, escrevendo, dando palestras sobre literatura, questionando democraticamente essa figura sinistra e o que ela representa.

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Tchekhov: “O professor de letras” (In: “O assassinato e outras histórias”, trad. Rubens Figueiredo, ed. Cosac & Naify, 2002)

Somos resistência!

Baião, como no primeiro turno da eleição presidencial, marchou com Fernando Haddad no pleito realizado neste domingo. No município, o candidato petista recebeu 75% dos votos válidos, contra 25% concedidos a Bolsonaro.

Fizemos nossa parte em defesa da democracia.

Orgulho da minha amada terra natal.

Melhor assim. Combateremos à sombra

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Por Oswaldo Coimbra, no Facebook

Nos últimos cinquenta anos, quem se sentiu incomodado pelas injustiças criadas pelo sistema político-econômico vigente no Brasil pode manifestar isto em diferentes cenários. No início dos anos 60, através, por exemplo. da vibrante política estudantil, então, existente. Havia a entidade nacional dos estudantes, a UNE, com seu Centro Popular de Cultura, que tornou conhecido em todos os grêmios e centros acadêmicos, a música do Zé da Silva, cuja letra dizia: “Se ser livre é passar fome, não basta ser livre, não”. Depois, vieram as duas décadas da Ditadura Militar. Alguns pegaram em armas. Outros aproveitaram todas as pequenas brechas que surgiram no Jornalismo, no Teatro, na Música, no Ensino, na Política profissional. Outros se dedicaram aos estudos. Pesquisaram. Prepararam-se. Sabiam que a Ditadura não duraria sempre. E quando houve a chamada redemocratização nos anos 80, estavam prontos para atuar com maior profundidade e eficiência.
Hoje é um dia histórica porque desarrumou o cenário antes existente, para substituí-lo por outro. Teremos de aguardar um pouco – não mais que algumas horas – a chegada de luz ao palco a fim de podemos enxergar melhor os atores se postando nele.
Mas, de antemão sabemos, o regime político-econômico é o mesmo (embora agora planejado para tornar ainda mais acentuadas as injustiças sociais). Continuaremos incomodados com elas. E, ninguém duvide, vamos manifestar isto.
Nada diferente do que ocorre há muito tempo. Assim foram obtidas as conquistas sociais. Duramente. Lentamente.
Neste momento, o único comentário a ser feito é o de Leônidas, general de Esparta, nos anos 400 a.C., quando no comando de poucas centenas de soldados, aguardava o início da batalha contra um exército de 200 mil homens. E soube que o chefe deles, Xerxes, havia dito:
– Minhas flechas serão tão numerosas que obscurecerão a luz do Sol.
Leônidas respondeu:
– Melhor assim. Combateremos à sombra.