Jornalista saudita foi torturado e esquartejado ainda vivo

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O jornalista Jamal Khashoggi entrou no consulado da Arábia Saudita em Istambul (Turquia) no último dia 2 para recolher um documento, e não voltou mais a ser visto com vida. Uma câmera registrou sua entrada na legação diplomática e, segundo relato da imprensa turca, existe também uma gravação de áudio que revelaria com toda crueldade que ele foi torturado e assassinado. Segundo o jornal turco Yeni Safak, de linha governista, Khashoggi “teve os dedos da mão cortados” enquanto ainda estava vivo e, finalmente, foi “degolado”.

O caso Khashoggi já virou uma crise em que Riad, Washington e Ancara, principalmente, jogam suas cartas num baile diplomático em que alternam sorrisos perante as câmeras e advertências e pressões longe dos holofotes. O assunto ameaça abalar a reputação do príncipe herdeiro Mohamed bin Salman (mais conhecido pelas iniciais MBS), homem forte da monarquia saudita, que já havia toureado outras polêmicas relativas à repressão da dissidência interna, ao envolvimento na devastadora guerra do Iêmen e no bloqueio ao Qatar.

A seguir, uma reconstituição desse caso brutal e turvo.

Os fatos provados

Jamal Khashoggi procede de uma importante família bem relacionada dentro da elite saudita. Ele próprio ocupou cargos importantes, mas caiu em desgraça por suas críticas ao príncipe herdeiro e teve que se exilar em 2017. Desde então, vivia com um pé nos Estados Unidos, onde colaborava com o The Washington Post, e outro na Turquia, onde reside sua noiva, Hatice Cengiz.

Em 28 de setembro, o jornalista saudita foi no consulado do seu país em Istambul para solicitar um certificado de estado civil, necessário para se casar. As autoridades consulares lhe trataram corretamente, segundo relato de Cengiz, e lhe pediram que voltasse na semana seguinte, quando teriam o documento pronto. Foi o que o jornalista fez em 2 de outubro, às 13h14 (hora local). As câmeras de vigilância no lado de fora do consulado mostram-no entrando no edifício diplomático. E essa é a última imagem de Khashoggi com vida.

Naquele mesmo dia, em três voos diferentes, chegaram a Istambul 15 sauditas ligados aos serviços secretos, às Forças Armadas e à segurança real, segundo informação da polícia turca vazada para a imprensa. As câmeras captaram uma parte desses homens entrando no consulado uma hora antes da chegada de Khashoggi e saindo três horas depois, em vários veículos, alguns com direção à residência do cônsul saudita.

A misteriosa gravação do assassinato

Nas palavras do jornal turco Sabah, tratava-se de uma “equipe de executores” que chegou a Istambul para matar Khashoggi. De fato, fontes turcas disseram a vários meios de comunicação que dispõem de uma gravação de áudio que demonstraria como Khashoggi foi assassinado de forma selvagem. O Yeni Safak teria sido o único, até agora, a ter acesso a essa gravação. Sempre segundo informações dessa publicação, a operação foi dirigida por Salah Mohamed al Tubaigy, um especialista forense da Direção Geral de Segurança saudita. Khashoggi foi interrogado e, depois, “teve os dedos da mão cortados” enquanto ainda estava vivo, para ser finalmente “degolado”. O cônsul saudita, Mohamed al Otaibi, queixou-se do que estava acontecendo.

“Façam isto em outro lugar. Vocês vão me arrumar problemas”, ouve-se Al Otaibi dizer na gravação, segundo o jornal turco. O legista então responde: “Se quiser continuar vivo quando voltar para a Arábia Saudita, fique quieto”.

“Ouviram-se gritos horrendos”, relata também o Middle East Eye (MEE), um veículo próximo ao Governo do Qatar, citando uma fonte turca que teria escutado a gravação. Os gritos teriam parado quando algum tipo de narcótico foi administrado à vítima. Ao todo, Khashoggi teria suportado com vida sete minutos de tortura. Depois, o legista começou a despedaçar o corpo enquanto escutava música com fones de ouvido. “Quando faço este trabalho, escuto música. Vocês deveriam fazer o mesmo”, diz Tubaigy aos colegas na gravação, segundo o MEE.

Guerra de vazamentos

Muitos se perguntam por que a Turquia não divulga a gravação, já que representaria uma prova definitiva do assassinato. A resposta mais plausível é que esse áudio, se existir, foi feito de forma ilegal, provavelmente através de microfones escondidos ou utilizando algum funcionário saudita como agente duplo dos serviços secretos turcos.

Desde o começo, fontes do Governo de Ancara fizeram vazamentos à imprensa e a pessoas próximas de Khashoggi. Quatro dias depois de seu desaparecimento, já diziam que ele tinha sido assassinado no consulado; mais tarde, que havia sido esquartejado com um serrote; posteriormente que havia uma gravação que demonstrava isso. Por outro lado, publicamente as autoridades turcas se negam a comentar tais assuntos e pedem que se aguarde o final da investigação. Quem mais se aproximou de reconhecer a existência de indícios concludentes foi o ministro do Interior, Süleyman Soylu, que nesta quarta-feira, em declarações à agência de notícias Anadolu, disse que “as provas são poderosas, mas isto é trabalho da Justiça – a Justiça trará tudo isto à luz”.

Por que a Turquia age assim maneira? “O Governo turco está furioso porque o ocorrido é uma brutal violação da sua soberania e do protocolo diplomático, mas mostrar-se muito zangado em público com a Arábia Saudita tem seus riscos”, argumenta Aaron Stein, autor do livro Turkey’s New Foreign Policy, em declarações ao EL PAÍS. “É óbvio que quem vaza esta informação é o próprio gabinete do [presidente turco, Recep Tayyip] Erdogan, para fazer a Arábia Saudita sentir a pressão da comunidade internacional.”

Investigação

Como as legações consulares são consideradas invioláveis, conforme estipula a Convenção de Viena para as Relações Diplomáticas, a polícia turca não podia fazer buscas no consulado sem autorização do Governo saudita, que a concedeu nesta segunda-feira, quase duas semanas depois do desaparecimento de Khashoggi, e depois de numerosas negociações entre Ancara e Riad. Os turcos precisaram concordar em trabalhar em conjunto com uma equipe de agentes sauditas enviados do seu país.

A operação de buscas no consulado teve início na segunda-feira, e na terça-feira os sauditas fizeram os investigadores turcos esperarem em vão durante horas para entrar na residência do consulado-geral. Sem terem acesso, eles desistiram e foram embora por volta de meia-noite. Nesta quarta, por outro lado, a polícia científica turca foi autorizada a entrar.

O presidente turco disse na terça-feira que foram buscados vestígios de substâncias “tóxicas”, supostamente usadas para dissolver o corpo do jornalista, e também que algumas provas haviam sido manipuladas “pintando sobre elas”. Mas a investigação, durante a qual foram colhidas numerosas amostras e usou-se o produto químico luminol para encontrar rastros de sangue, conseguiu detectar “certas provas” do crime, segundo relato de uma fonte turca à agência AP.

Livrar a cara de MBS

Enquanto os investigadores turcos se preparavam para entrar na sua residência, o cônsul-geral saudita em Istambul, Al Otaibi, tomava na terça-feira um voo de volta a Riad. O Ministério de Relações Exteriores turco afirmou que não o expulsou, e tampouco quis declarar que ele fugira, dando a entender, em vez disso, que foi chamado a consultas pelo Governo saudita.

Ainda não se sabe quem arcará com essa morte. Vários meios de comunicação norte-americanos publicaram nesta semana que a Arábia Saudita poderia reconhecer o crime, mas atribuindo-o a elementos “incontrolados” dentro dos serviços secretos, que teriam agido sem o conhecimento da cúpula saudita. Isso permitiria que MBS livrasse a sua cara.

A diplomacia norte-americana também parece estar trabalhando neste sentido, com a recente visita do secretário de Estado, Mike Pompeo, a Riad. O próprio presidente dos EUA, Donald Trump, disse no Twitter que conversou com o príncipe herdeiro e que este “negou qualquer conhecimento do ocorrido no consulado”. E, em uma entrevista à AP, criticou que MBS seja tratado como “culpado até prova em contrário”.

Entretanto, é improvável que uma ação de tal magnitude dos serviços secretos sauditas ocorresse sem o conhecimento de um príncipe que demonstrou controlar muito bem o que ocorre no Reino do Deserto. De fato, uma investigação do The New York Times revelou que pelo menos 3 dos 15 agentes enviados a Istambul pela Arábia Saudita em 2 de outubro faziam parte do primeiro círculo de segurança pessoal do príncipe Bin Salman, e que outro foi fotografado com ele em visitas a Madri, Paris, Boston, Houston e Nova York. (Do El País)

Regimes autoritários agem assim, impondo terror e tortura para calar os críticos.

Record é acusada de pressionar jornalistas em favor de Bolsonaro

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (SJSP) divulgou uma nota nesta sexta-feira (19) afirmando ter recebido denúncias de vários jornalistas da Rede Record (televisão, rádio e portal R7) que disseram estar sofrendo pressão permanente da direção da emissora para que o noticiário beneficie Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência da República, e prejudique Fernando Haddad, do PT.

“A entidade torna público, como exige seu dever de representação da categoria, o inconformismo desses profissionais com as pressões inaceitáveis e descabidas em uma empresa de comunicação”, disse o sindicato no comunicado.

O sindicato ressalta ainda que a pressão interna para o favorecimento de Bolsonaro tem origem no apoio público de Edir Macedo, dono da emissora. No dia 30 de setembro, o líder da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) declarou apoio ao capitão reformado na corrida presidencial.

“A partir daí, o noticiário começou a dar uma guinada, ainda antes do primeiro turno eleitoral. Um momento importante foi a entrevista com Jair Bolsonaro levada ao ar em 4 de outubro, no mesmo momento em que sete outros candidatos à Presidência realizavam um debate na TV Globo, com a ausência do líder nas pesquisas”, acrescenta o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo.

“O portal R7 também passou a ser dirigido a favor do candidato do PSL de forma explícita: por vários dias seguidos, os destaques da rubrica “Eleições 2018” na home se dividiam entre reportagens favoráveis a Bolsonaro e reportagens negativas a Haddad”, relata a nota do Sindicato.

“É preciso considerar que a Rede Record é uma empresa privada, para a qual a legislação prevê o “poder diretivo” do empregador sobre os funcionários. Isso funciona para o conjunto das relações de trabalho, mas o jornalismo está entre as profissões que exigem relativa autonomia por sua própria natureza (como acontece, por exemplo, com os professores). O compromisso do profissional com o “acesso à informação”, cláusula pétrea da Constituição, deve ser preponderante quando existe um conflito”, ressalta a entidade.

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Além da denúncia, o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo publicou uma nota de repúdio. Leia abaixo:

Em defesa do direito à informação correta e equilibrada na cobertura das eleições, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo repudia as pressões feitas pela direção da Record e exige o respeito à autonomia de apuração e edição dos jornalistas da empresa. Em função da situação, adota ainda as seguintes providências:

a) respeitando a autonomia da Comissão de Ética do SJSP, reforça o pedido para que a direção da Record endosse o “Protocolo Ético para o Segundo Turno das Eleições 2018”, enviado pela Comissão de Ética para a chefia do jornalismo de todas as empresas de comunicação do Estado;b) solicita uma reunião imediata com a empresa para expressar diretamente sua posição e reivindicar garantias de que as pressões sobre os jornalistas serão interrompidas o quanto antes;c) insiste desde já com as empresas de rádio e televisão do Estado para que, nas negociações da campanha salarial deste ano (data-base em 1º de dezembro), seja incluída a cláusula de consciência, integrante da pauta de reivindicações;d) decide inserir as denúncias relativas à Rede Record no dossiê que prepara para entregar ao Ministério Público dos Direitos Humanos sobre a violação de garantias profissionais dos jornalistas no atual período eleitoral; ee) coloca-se à disposição de todos os jornalistas da emissora para fazer debates, reuniões e adotar todas as medidas necessárias para garantir o respeito à autonomia profissional a que todos os jornalistas, e cada um, têm direito.

São Paulo, 19 de outubro de 2018

Direção – Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

Empresário bolsonarista usou Lei Rouanet para financiar 147 “projetos culturais”

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A Havan, uma das empresas centrais mencionadas no escândalo de disparo em massa de propaganda eleitoral via WhatsApp, utilizou R$ 12.323.338,27 dos cofres públicos para financiar 147 projetos culturais via Lei Rouanet, pelo mecanismo de incentivo fiscal (o empresário dá o dinheiro e depois o abate do imposto de renda devido). As informações constam da página da Lei Rouanet no Ministério da Cultura. O escândalo foi revelado pela Folha de São Paulo em 18 de outubro, a dez dias do segundo turno.

A demonização da Lei Rouanet tem sido uma das peças de panfleto mais utilizadas pelo candidato neofascista Jair Bolsonaro (PSL) na campanha presidencial. Frequentemente a militância bolsonarista se vale do argumento para desqualificar artistas que se manifestam contra o candidato, mas os dados oficiais mostram que a rede de lojas Havan, do empresário bolsonarista Luciano Hang, é useira e vezeira dos mecanismos de incentivo cultural sob os governos Lula, Dilma e Temer.

“Ele (Bolsonaro) deixou rastro, e nós vamos atrás do rastro para saber todo mundo que botou dinheiro sujo numa campanha de difamação”, afirmou na quinta-feira o candidato petista Fernando Haddad, atingido desde antes do primeiro turno pela campanha difamatória movida com aporte de dinheiro de empresas como a Havan, que violam a lei eleitoral por caracterizarem doações não-declaradas, a famigerada caixa 2. O financiamento empresarial privado de campanhas também foi proibido pela legislação eleitoral vigente.

Entre os projetos que financiou, a Havan escolheu desde a manutenção anual da franquia brasileira do balé russo Bolshoi, notório símbolo da antiga era comunista (a empresa usou R$ 750 mil de dinheiro público para apoiar a companhia) até a escola de samba Unidos da Coloninha, de Florianópolis (SC), que recebeu R$ 410 mil para organizar o Carnaval de 2011 cujo samba-enredo era A Arte da Troca e da Venda, a Sociedade Triunfou (sobre o tema “trajetória econômica do Brasil até a estabilização da moeda”).

Os Éguas e a Flipa

Por Edyr Augusto Proença

Relancei há dias, na Livraria da Fox, onde está à venda, meu primeiro romance, “Os Éguas”, lançado em 1998 pela Boitempo Editorial, casa por onde lancei todos os meus outros livros. É difícil aceitar a passagem do tempo. Cada obra que escrevemos é um filho que nasce. Quando me perguntam qual considero meu melhor, prefiro dizer o próximo. Meu pai teve cinco filhos e dizia que gostava de cada um de maneira diferente, conforme seu gênio. O amor era o mesmo. Nunca pensei seriamente em escrever um romance. Talvez isso passeasse na minha cabeça, quando já tinha o vício de ler tantos livros.

O mano Edgar, que era diretor da Rádio Cultura, me disse que talvez voltassem com as radio novelas. Me interessaria pensar em algum argumento? Disse-lhe que, sonoramente, vivíamos momento de muitos sons eletrônicos. Era a época da secretaria eletrônica. Que tal começar ouvindo os recados enviados para alguém que a Polícia descobriu, estava morto? A rádio novela não saiu. Pecado. Mas fui desenrolando um fio de personagens, das mais diversas classes sociais, de um cabeleireiro a um jogador de futebol, passando por um delegado jovem e alcoólatra, cada um deles procurando uma coisa e encontrando outra. Adorei. Vibrei. Descobri-me um observador do mundo, das pessoas, das vidas e amores e desgraças e ambições e traições, enfim. Vida.

Meus colegas jornalistas, em Belém, como de hábito, me deram boas vindas nos jornais, rádio e televisão. Mas em termos de Brasil, tive umas três linhas no há muito extinto Jornal da Tarde, em São Paulo. Mas não é que, já nos anos 2000, uma nova editora francesa, Asphalte Editions, comprou os direitos de publicação, traduziu e lançou na França? “Os Éguas”, não deu para traduzir. Ficou “Belém”. Uma manhã, recebo um telefonema. A Universidade Jean Moulin, de Lyon, escolhe a cada ano, um país e quatro livros escritos e traduzidos para o francês e os estuda por três meses, professores e alunos.

Ao final, premiam o que consideram o melhor, com o troféu Prix Caméléon. “Os Éguas – Belém”, ganhara o prêmio. Não digo dos concorrentes por ética, mas ao contrário de mim, são nomes nacionais da Literatura Brasileira. Bem, tenho seis romances nacionais, na Boitempo. Escrevo, neste momento, mais um. Na Inglaterra, um livro traduzido. Na França, quatro. Mas foi a partir de “Os Éguas” que a imprensa do Sudeste passou a me reconhecer. Ano passado, “Pssica” esteve entre os dez melhores romances lançados na França. Em 2015, “Pssica” foi finalista da Associação Paulista de Críticos de Arte e Prêmio Oceanos. Que tal ler “Os Éguas”? Mudou a capa. Ivana Jinkings, da Boitempo, a quem devo tudo, vai relançar os outros, também mudando a capa.

Estarei com “Os Éguas” e também todos os outros escritores paraenses, neste sábado e domingo em mais uma Flipa. Começou com Salomão Laredo protestando contra a farsa que é a Feira Pan Amazônica do Livro, da Secretaria de Cultura. Ele fez, na Fox, a Feira do Salomão. Deu no que deu. Ano passado, em dois dias, vendemos mil livros de autores locais. Mil livros. A Fox patrocina. A Empíreo, corajosamente, também. João de Jesus Paes Loureiro, este ano, é o patrono. Gênio paraense, professor e poeta singular, com voz moderna e ao mesmo tempo, amazônida, é uma das unanimidades do Pará e do Brasil, com forte presença no exterior. Haverá palestras, conversas, a presença de escritores em congraçamento entre si e, principalmente, com os leitores que forem à Livraria da Fox, neste sábado e domingo. Estão todos convidados.

(Publicado em O Diário do Para, Caderno TDB, Coluna Cesta e opiniaonaosediscute.blogspot.com em 19.10.18)

A frase do dia

“Faço pergunta a meus tantos seguidores que apertarão 17. O que vocês acharam de a Arábia Saudita torturar e matar um jornalista que fazia denúncias contra o regime?

1) Ele mereceu?

2) O Rei é Mito

3) Horrível. Tortura e autoritarismo nunca!

Gostaria, mesmo, de ouvi-los. Abs”.

André Rizek, jornalista

Pearl Jam: boatos alimentam lenda sobre a origem do nome

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Reina muita desinformação sobre a origem do nome Pearl Jam. E a maioria das versões fantasiosas foram espalhadas pelos próprios integrantes em entrevistas através dos tempos.

Versão errada 1

O nome teria a ver com uma geléia (jam em inglês) feita pela avó de Eddie Vedder (chamada Pearl) cuja composição incluía um alucinógeno indígena. Ela seria casada com um nativo americano.

Na verdade Vedder não tinha uma avó chamada Pearl. Ele tinha uma bisavó chamada Pearl. E ela era casada com um contorcionista de circo, não um nativo americano, e não fazia geleias com plantas alucinógenas como peyote.

Versão errada 2

Pearl Jam é uma gíria que significa “esperma”.

Sim. A gíria existe. Mas não foi essa a origem do nome.

Versão errada 3

O nome original da banda era Mookie Blaylock, nome de uma estrela da NBA que jogou com o New Jersey Nets, Atlanta Hawks e Golden State Warriors. “Pearl Jam” seria seu apelido.

A banda realmente teve esse nome em homenagem a esse jogador e teve de mudá-lo para evitar problemas. O nome do álbum Ten se refere ao número da camisa de Mookie (ou seria isso outro boato?). Mas Mookie nunca teve o apelido “Pearl Jam”.

Afinal, de onde veio o nome Pearl Jam?

Essa é a versão mais provável confirmada pela própria banda… mas é bom lembrar que em algum momento eles confirmaram as versões acima.

Eles gostavam do nome “Pearl” (pérola). Além de significar “pérola” é uma gíria de surfistas para indicar quando a ponta da prancha é submersa na água. Pearl também era o nome de um ótimo disco de Janis Joplin. Também era o apelido do jogador de basquete Earl Monroe. E Eddie tinha uma bisavó chamada Pearl, como dissemos acima.

O nome “Pearl” teria surgido de um brainstorm em um restaurante de Seattle. A palavra “Jam” foi acrescentada em 1991 depois de uma viagem a New York para assistir um show de Neil Young onde muitas “jams” (improvisações criativas sobre a música) foram feitas. Vedder define o nome como algo semelhante a “o conflito criativo que transforma um grão de areia em uma joia”.

(Tirado do livro Is Tiny Dancer Really Elton’s Little John?: Music’s Most Enduring Mysteries, Myths, and Rumors Revealed, de Gavin Edwards)

Cobertura do Bolsolão: Jornal Nacional se redime

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Correta, honesta e equilibrada. Assim podem ser classificados os quase oito minutos que o Jornal Nacional desta sexta (19) dedicou ao principal tema da agenda política desde ontem, o Zapgate (o nome, genial, foi divulgado por Isabel Lustosa).

Provavelmente não se trata de opção política, mas da rendição a uma evidência jornalistica, que não pode ser ocultada depois que o próprio WhatsApp cancelou dezenas de milhares de contas suspeitas de spam e de fake news. O assunto inundou as redes e deixá-lo de lado implicaria sério risco à credibilidade do programa da Globo.

Não faltaram os tradicionais destaques gráficos à reportagem da Folha de S. Paulo, detalhes dos R$ 12 milhões em caixa 2, discriminação das empresas e empresários suspeitos – incluindo o sinistro Luciano Hang, da Havan – e intervenção do próprio Fernando Haddad.

Matéria de manual de redação, com o “ouvir o outro lado” e tudo. Nessa, um Bolsonaro na defensiva tenta se justificar e atacar, com argumentos pouco sólidos, de que “Haddad é quem dissemina mentiras a meu respeito”. Houve destaque também para as ações na justiça eleitoral, tanto por iniciativa do PT, quanto do PDT (anulação do primeiro turno).

A cobertura do dia-a-dia dos candidatos acabou também se mostrando favorável ao petista, que fez palestra no Clube de Engenharia, no Rio. Haddad surpreendeu ao falar de “entreguismo” e ” desnacionalização”, enquanto o fascista comentava a partir de sua casa.

Jornalismo objetivo e de nível. Juntamente com a estupenda inserção petista no horário político, a noite televisiva infunde ânimo nessa montanha russa emocional que os democratas brasileiros enfrentam em dias para lá de dramáticos.