Marina anuncia apoio a Haddad

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Marina Silva (Rede) divulgou um comunicado em que chama Jair Bolsonaro de risco iminente ao país. “Diante do pior risco iminente, de ações que, como diz Hannah Arendt, “destroem sempre que surgem”, “banalizando o mal”, propugnadas pela campanha do candidato Bolsonaro, darei um voto crítico e farei oposição democrática a uma pessoa que, “pelo menos” e ainda bem, não prega a extinção dos direitos dos índios, a discriminação das minorias, a repressão aos movimentos, o aviltamento ainda maior das mulheres, negros e pobres, o fim da base legal e das estruturas da proteção ambiental, que é o professor Fernando Haddad”, diz trecho da carta.

Leia a íntegra do comunicado:

Neste segundo turno a Rede Sustentabilidade já recomendou a seus filiados e simpatizantes que não votem em Bolsonaro, pelo perigo que sua campanha anuncia contra a democracia, o meio-ambiente, os direitos civis e o respeito à diversidade existente em nossa sociedade.

Do outro lado, a frente política autointitulada democrática e progressista não se mostra capaz de inspirar uma aliança ou mesmo uma composição. Mantém o jogo do faz-de-conta do desespero eleitoral, segue firme no universo do marketing, sem que o candidato inspire-se na gravidade do momento para virar a própria mesa, fazer uma autocrítica corajosa e tentar ser o eixo de uma alternativa democrática verdadeira.

Alianças vêm de propósitos comuns, de valores políticos e éticos, de programas e projetos compartilhados, que só são possíveis em um ambiente de confiança em que, diante de inaceitáveis e inegáveis erros, a crítica é livre e a autocrítica é sincera.
Cada um de nós tem, em sua consciência, os valores que definem seu voto. Sei que, com apenas 1% de votação no primeiro turno, a importância de minha manifestação, numa lógica eleitoral restrita, é puramente simbólica. Mas é meu dever ético e político fazê-la.
Importa destacar que, como já afirmei ao final do primeiro turno, serei oposição, independentemente de quem seja o próximo presidente do Brasil, e continuarei minha luta histórica por um país politicamente democrático, economicamente próspero, socialmente justo, culturalmente diverso, ambientalmente sustentável, livre da corrupção, e empenhado em se preparar para um futuro no qual os grandes equívocos do modelo de desenvolvimento sejam superados por uma nova concepção de qualidade de vida, de justiça, de objetivos pessoais e coletivos. O meu apoio à Operação Lava-jato, desde o início, faz parte dessa concepção, na qual o Estado não é um bunker de poder de grupos, mas um instrumento de procura do bem público.

Vejo no projeto político defendido pelo candidato Bolsonaro, risco imediato para três princípios fundamentais da minha prática política: primeiro, promete desmontar a estrutura de proteção ambiental conquistada ao longo de décadas, por gerações de ambientalistas, fazendo uso de argumentos grotescos, tecnicamente insustentáveis e desinformados.

Chega ao absurdo de anunciar a incorporação do Ministério do Meio Ambiente ao Ministério da Agricultura. Com isso, atenta contra o interesse da sociedade e o futuro do país. Ademais, desconsidera os direitos das comunidades indígenas e quilombolas, anunciando que não será demarcado mais um centímetro de suas terras, repetindo discursos que já estão desmoralizados e cabalmente rebatidos desde o início da segunda metade do século passado.

Segundo, é um projeto que minimiza a importância de direitos e da diversidade existente na sociedade, promovendo a incitação sistemática ao ódio, à violência, à discriminação. Por fim, em terceiro lugar, é um projeto que mostra pouco apreço às regras democráticas, acumula manifestações irresponsáveis e levianas a respeito das instituições públicas e põe em cheque as conquistas históricas desde a Constituinte de 1988.

Por sua vez, a campanha de Haddad, embora afirmando no discurso a democracia e os direitos sociais, evocando inclusive algumas boas ações e políticas públicas que, de fato, realizaram na área social em seus governos, escondem e não assumem os graves prejuízos causados pela sua prática política predatória, sustentada pela falta de ética e pela corrupção que a Operação Lava-Jato revelou, além de uma visão da economia que está na origem dessa grave crise econômica e social que o país enfrenta.

Os dirigentes petistas construíram um projeto de poder pelo poder, pouco afeito à alternância democrática e sempre autocomplacente: as realizações são infladas, não há erros, não há o que mudar.

Ao qualificar ambos os candidatos desta forma, não tenho a intenção de ofender seus eleitores, milhões de pessoas que acreditam sinceramente em um deles ou que recusam o outro, com muitas e justificadas razões. E creio que os xingamentos e acusações trocados nas redes sociais e nas ruas só trazem prejuízos à democracia, mas é visível que, na maioria das vezes, essas atitudes são estimuladas pelos discursos dos candidatos e de seus apoiadores. A política democrática deve estar fortemente aliançada no respeito à Constituição e às instituições, exercida em um ambiente de cultura de paz e não-violência.

Outro motivo importante para a definição e declaração de meu voto é a minha consciência cristã, valor central em minha vida. Muitos parecem esquecer, mas Jesus foi severo em palavras e duro em atitudes com os que têm dificuldade de entender o mandamento máximo do amor.

É um engano pensar que a invocação ao nome de Deus pela campanha de Bolsonaro tem o objetivo de fazer o sistema político retornar aos fundamentos éticos orientados pela fé cristã que são tão presentes em toda a cultura ocidental. A pregação de ódio contra as minorias frágeis, a opção por um sistema econômico que nega direitos e um sistema social que premia a injustiça, faz da campanha de Bolsonaro um passo adiante na degradação da natureza, da coesão social e da civilização. Não é um retorno genuíno ao mandamento do amor, é uma indefensável regressão e, portanto, uma forma de utilizar o nome de Deus em vão.

É melhor prevenir. Crimes de lesa humanidade não tem como se possa reparar. E nem adianta contar com o alívio do esquecimento trazido pelo tempo se algo irreparável acontecer. Crimes de lesa humanidade o tempo não apaga, permanecem como lição amarga, embora nem todos a aprendam.

Todas essas reflexões me inquietam, mas mostram o caminho da firmeza, do equilíbrio na análise e a necessidade de pagar o preço da coerência, seja ele qual for.

E assim chegamos, neste segundo turno, ao ponto extremo de uma narrativa antiga na política brasileira, a do “rouba, mas faz” e depois, do “rouba, mas faz reformas”, mas ajuda os pobres, mas é de direita, mas é de esquerda etc. De reducionismo em reducionismo, inauguramos agora o triste tempo do “pelo menos”.

Diante do pior risco iminente, de ações que, como diz Hannah Arendt, “destroem sempre que surgem”, “banalizando o mal”, propugnadas pela campanha do candidato Bolsonaro, darei um voto crítico e farei oposição democrática a uma pessoa que, “pelo menos” e ainda bem, não prega a extinção dos direitos dos índios, a discriminação das minorias, a repressão aos movimentos, o aviltamento ainda maior das mulheres, negros e pobres, o fim da base legal e das estruturas da proteção ambiental, que é o professor Fernando Haddad.

A última chance

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Por Fernando Brito

“Já adverti o garoto, , o meu filho, a responsabilidade é dele. Ele já se desculpou”, disse Jair Bolsonaro sobre o vídeo em que seu filho, Eduardo, sugere que bastam um cabo e um soldado para fechar-se o STF. O “garoto” tem 34 anos, é deputado com 1,8 milhão de votos, policial federal, usa uma arma na cintura e é um dos mais altos chefes da campanha do pai.

O general Mourão também é crescido e levou seu “cala-boca” por sugerir um “autogolpe”, além da extinção do 13° salário. O militar sabe que auto ou exo,  golpe é atentado à democracia e à Constituição.

Outro “sossega aí” levou Paulo Guedes, o “posto ipiranga”, ao propor uma CPMF rediviva. Tomou a canelada e calou o bico.

É claro que foram silenciados não por terem as ideias que têm, mas por expô-las antes da hora.

Mas faz-se de conta que Bolsonaro não concorda com eles.

Se não concordasse não teria dado a eles os lugares que deu e, menos ainda, continuariam onde estão.

Seus atos são apenas antecipações do frenesi autoritário que os assanha.

São pontas de um iceberg que aparecem e que nos deveriam advertir do que há sob as águas escuras do ódio e do aventureirismo bolsonaristas.

É em direção a isso que vamos, a toda velocidade.

Há gente achando que as instituições republicanas são inafundáveis, como achavam do Titanic.

Outros, como o presidente do STF acham que um “ai, ai, ai”  numa nota dada por suas assessoria de imprensa acham que é o bastante para que o candidato recue em seus planos de poder absoluto.

Sabem quem ele é, mas fingem não saber, para assim não terem de explicar-se porque deixaram, durante quase 30 anos, impunes todos os seus elogios à ditadura, à tortura, à morte, à discriminação de seres humanos.

Crêem que haverá rangidos, danos, algumas vidas perdidas no convés da terceira classe, mas que não perderão seu lugar na ponte de comando e, daqui a quatro anos, poderão dar algumas voltas no timão que é seu e, acreditam, sempre será.

Se não conseguirmos, apenas com nossas mãos manietadas, mudar o rumo do desastre, nem mesmo para eles haverá botes salva-vidas.

Eymael declara voto em Haddad e defende pacto pela democracia

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A propagação nas redes sociais neste final de semana de um vídeo em que o deputado federal reeleito Eduardo Bolsonaro (PSL) aparece dizendo que bastaria um “cabo e um soldado” para fechar o Supremo Tribunal Federal (STF) mudou pelo menos um voto nesta eleição presidencial. Na manhã desta segunda-feira (22), o candidato da Democracia Cristã (DC), Eymael, fez um post em seu perfil no Facebook afirmando que a declaração afastava qualquer possibilidade de se manter neutro na disputa e propôs que Fernando Haddad (PT) construa um “pacto nacional pela democracia no Brasil”.

“A afirmação publicada ontem, do deputado Federal eleito pelo PSL em São Paulo, Eduardo Bolsonaro e considerada GOLPISTA pelo decano do STF, Ministro Celso de Melo, de que BASTA UM SOLDADO E UM CABO PAR FECHAR O STF, afasta qualquer possibilidade de neutralidade! Proponho ao Candidato a Presidente, Fernando Haddad, que ULTRAPASSE as fronteiras do PT e firme, com as Lideranças Político Partidárias Democráticas do país, o PACTO NACIONAL PELA DEMOCRACIA NO BRASIL!”, diz o post de Eymael.

No domingo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que vem sendo citado como um dos possíveis nomes para liderar uma frente do tipo em apoio a Haddad, havia manifestado repúdio às declarações de Eduardo Bolsonaro.

 

Empate seria mais justo

POR GERSON NOGUEIRA

O escore podia ter sido 0 a 0 ou 1 a 1 (caso a bola chutada por Claudinho entrasse, aos 52 minutos). O certo é que, caso o futebol fosse regido por conceitos de justiça, nenhum dos times merecia vencer no sábado à noite, na Arena Castelão.

Apesar da multidão colorida e animada que compareceu ao estádio para empurrar o time de Rogério Ceni, a partida foi morna na maior parte do tempo. A baixa temperatura do jogo levou a um amortecimento nas arquibancadas.

Nos primeiros 45 minutos, o único lance empolgante foi o cabeceio de Gustavo Henrique no travessão no minuto final. A bola atravessou toda a pequena área do Papão, deixou o goleiro Renan Rocha vendido e chegou ao artilheiro, que saltou quase sem obstáculos.

É justo considerar, porém, que o Fortaleza não fazia por merecer a vantagem no placar. Detinha a posse de bola, mas parava nas linhas de marcação montadas por Brigatti.

A zaga do PSC, depois de vários jogos patéticos, até safava-se bem. Diego Ivo e Timbó fizeram um primeiro tempo quase impecável, vacilando apenas no último cruzamento.

O meio-de-campo também se comportou de maneira satisfatória. Renato Augusto e William se desdobravam na marcação a Dodô e Nenê Bonilha, homens de criação da equipe cearense.

O trabalho de bloqueio foi tão bem executado que raras vezes a dupla tricolor teve chance de tramar jogadas com Gustavo e Marlon, o que irritava visivelmente os atacantes.

A chegada forte do Fortaleza era pela esquerda com o velocista Marcinho, que levou a melhor no combate direto com Maicon Silva. Quando a bola chegava ao arisco camisa 7 a defesa paraense se intranquilizava.

Hugo Almeida e Thomaz desfrutaram de boas chances, aproveitando escapadas em contragolpe pelo lado esquerdo do ataque do Papão. Hugo ficou cara a cara com o goleiro, mas tomou a decisão errada: buscou o drible para o lado quando o correto seria o chute por cobertura.

Depois do intervalo, as investidas mais agudas inicialmente pertenceram ao PSC, que se mostrava mais coeso e seguro do ponto de vista emocional. Com o jogo equilibrado, o Fortaleza dava sinais de insegurança, com erros seguidos de passe junto à linha lateral.

Aos 2 minutos, Hugo Almeida quase abriu o marcador, aproveitando vacilo de Ligger. O atacante bateu forte, mas o goleiro defendeu. O Papão seguiu pressionando e fazendo o Fortaleza se resguardar em seu próprio campo.

Da metade em diante, os erros se acentuaram. Mesmo com Romarinho já em campo, o tricolor não acertava os caminhos, impacientando Rogério Ceni e os torcedores. Apesar desse momento psicológico favorável, faltou ao PSC qualidade ofensiva para ir além das boas intenções na troca de passes.

Comportava-se o Papão com a correção dos times burocráticos, que não têm tanta pressa. Em outro cenário, a estratégia seria apropriada. No contexto atual, ocupando a 18ª posição na classificação, trocar passes laterais sem aprofundar o jogo é pedir para tomar um castigo.

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Aos 47’, quando a pressão cearense era puro desespero, um cruzamento vindo do lado direito venceu a vigilância dos zagueiros e chegou a Gustavo, artilheiro que vivia um jejum de oito jogos. Bola no barbante e os lamentos de sempre, com direito ainda a uma agressão cometida pelo lateral Guilherme Santos, expulso depois do apito final.

O lado positivo da história é que o PSC voltou a jogar com organização e marcação consistente. A má notícia é que agora restam apenas seis partidas e o risco de queda é cada vez maior.

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Errata

Na coluna de ontem, uma topada indesculpável. No artigo sobre a pizza levada ao forno neste começo de processo eleitoral azulino, embaralhei nomes e identifiquei o ex-presidente Pedro Minowa como André. Peço aos 27 baluartes que perdoem o lapso.

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Otimismo e autoajuda diante de mega desafio

Não se sabe até quando João Brigatti vai continuar adotando o tom característico dos manuais de autoajuda pregando fé, altruísmo e perseverança. Ele não pode agir de forma diferente, mas é óbvio que a realidade é bem mais ingrata do que faz crer a pregação alto astral.

O PSC não está rebaixado, pois ainda restam 18 pontos a disputar. Mas os cálculos matemáticos indicam que será preciso empreender uma jornada épica nas últimas seis rodadas.

As contas se mantêm inalteradas: vencer quatro jogos e torcer para que os concorrentes diretos – Brasil (37), CRB (35), Sampaio (32), Juventude (32) e Boa Esporte (29) se atrapalhem pelo caminho.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 22)

O chefe de milícia e o vendedor ambulante

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Por Gilberto Marangoni

O discurso de Jair Bolsonaro na tarde deste domingo – proferido em sua casa no Rio e transmitido via celular a uma manifestação na Paulista – é muito pior que a intervenção de um de seus filhos defendendo o fechamento do STF.

O capitão não falou em ambiente fechado e nem é figura lateral na onda fascista brasileira. Trata-se de um candidato á frente das pesquisas e que já age como eleito. Não discursou como dirigente politico. Mandou recado como chefe de milícia.

Bolsonaro afirma, quase soletrando, que a esquerda irá para o cárcere ou para o exílio. Ameaça Fernando Haddad com anos de prisão, sem que haja julgamento de coisa alguma a definir tal sentença. Rosna contra Lula, que “apodrecerá na cadeia”. Garante que MST e MTST serão classificados como terroristas – provavelmente com base na lei formulada pelo governo Dilma Rousseff, suprema ironia – e que “a paz voltará para quem produz”. Há outras ameaças em seu fraseado chulo e rastaquera.

Nenhuma palavra sobre crise econômica, planos de governo, resolução de algum problema real. O que há é papo de meganha na porta do camburão, para gáudio de sua matilha de hienas.

A sucessão de impropérios foi proferida quase ao mesmo tempo da rendição do TSE, anunciada pela ministra Rosa Weber, em Brasília. Como escolta, a douta autoridade se fez acompanhar por outros condestáveis da República, tendo como figuras de proa o sinistro Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República e o decorativo Ministro da Segurança. A essa altura, não se sabe se eram rendidos ou cúmplices.

O candidato do fascismo jogou querosene em brasa acesa. Dissemina a ideia de que a barbárie está liberada.

Não assisti nenhuma das manifestações ao vivo. Na tarde de domingo, eu, suando em bicas, me ocupava de terminar um circuito de corrida num parque em Brasília, depois de uma chuva providencial. Na saída, encontro um vendedor de água de coco, com vários adesivos de Fernando Haddad em seu carrinho.

Eu o cumprimento pela coragem de exibir suas preferências em dias tão agressivos. Trocamos cinco minutos de conversa. Ele me conta da campanha em seu bairro e da confiança de que vamos virar essa eleição. Pergunto se é petista. Sua resposta é direita:

– Sou comunista, meu camarada. Quero muito mais que derrotar Bolsonaro. Mas estamos aí, num dos poucos momentos em que a esquerda está toda unida. Isso é o que importa. Estamos em campanha!

A frase serena me impactou. É isso aí. Vamos virar. E queremos mais.

O chefe de milícia não pode levar essa.

Estamos em campanha!

Jornal alemão pergunta o que leva negros brasileiros a votarem num racista

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O Süddeutsche Zeitung, sob o título “Por que os negros votam num racista”, ouve a cientista política Mariana Llanos, do Instituto Alemão de Estudos Globais, para entender o que leva não só negros, mas mulheres, indígenas e homossexuais a optar por alguém que “fala contra eles”. Em suma: “Muitos brasileiros estão simplesmente assustados”, temem o desemprego e a violência, o “declínio social”.