Haddad fecha campanha no Recife conclamando democratas

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O candidato da frente democrática a presidente, Fernando Haddad, fez um ato gigantesco na noite desta quinta-feira, 25, no Recife, que atraiu milhares de pessoas em meio à arrancada na reta final da campanha. Incisivo e demonstrando cada vez mais confiança na virada, Haddad diz que o candidato Jair Bolsonaro, a quem chama de “arregão”, porque foge dos debates, vai ladeira abaixo nas pesquisas.

“Eu nunca vi alguém que se diz do Exército dizer que sua estratégia é se esconder. Ele não honra nem as Forças Armadas”, disse Haddad para a multidão no Recife. “Ele não respeita ninguém, não tem serviço prestado e não vai ganhar esta eleição”, acrescentou Haddad. O candidato petista reforçou que nesta reta final a meta é intensificar a militância, conversar com eleitores, ouvir, mostrar as propostas e desmascarar as fake news disparadas contra ele e a vice Manuela D’Ávila.

Segundo a pesquisa Datafolha divulgada nesta noite, a diferença caiu para seis pontos percentuais, considerando que cada ponto que Haddad cresce, Bolsonaro cai. Em votos totais, Bolsonaro tem 48%, ante 38% de Haddad. Existe 6% de eleitores indecisos e 8% de eleitores que declaram que irão votar branco ou nulo. Além disso, 6% dos eleitores de Bolsonaro admitem a possibilidade de mudar o voto até a eleição.

Na última pesquisa do Datafolha, Bolsonaro tinha 43% da preferência do eleitorado feminino, contra 39% de Haddad. Agora, o capitão da reserva tem 42% contra 41% do petista entre as mulheres. Entre os jovens de 16 a 24 anos, há uma semana, Haddad perdia por 9 pontos, de acordo com a última pesquisa Datafolha. Agora, vence numericamente Bolsonaro por 45% a 42% nessa faixa etária.

O Datafolha também mostrou que Haddad cresceu 7 pontos na região Norte e 4 pontos na região Sul.

Publicitários lançam manifesto pela democracia

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Em tempos onde a população encontra-se assustada com o possível futuro negro que vem pela frente e o país periga mergulhar em um abismo político em que dificilmente irá se recuperar, um grupo de publicitários lançou esta semana um manifesto em apoio à candidatura de Fernando Haddad para a presidência do país e contrária à de Jair Bolsonaro.

Intitulado “Democracia Acima de Tudo”, o documento foi publicado no última dia 22 de outubro e conta com quase 800 assinaturas no momento da publicação desta nota. O manifesto afirma que por conta do tom da disputa presidencial deste ano – classificada como “entre valores humanitários e ideias antidemocráticas“, se referindo respectivamente às campanhas de Haddad e Bolsonaro – a classe tem a responsabilidade “moral e ética” de se posicionar à favor das minorias e de um país livre de intolerâncias. “Independente da posição política de cada um de nós, somos todos contra a violência, a censura e a instauração de um governo autoritário e antidemocrático“ encerra a publicação.

Esta é a primeira vez na História que a classe publicitária brasileira expressa um posicionamento político em uma corrida presidencial.

Quem tiver interesse em assinar o manifesto pode enviar o nome completo para o e-mail democraciaacimadetudo.2018@gmail.com que será aderido à publicação.

Confira abaixo o texto do documento na íntegra:

Centenas de profissionais do mercado publicitário, abaixo-assinados, de diferentes ideologias políticas, vêm, por meio desta, tornar pública a nossa posição a favor da democracia, da liberdade de expressão e dos direitos humanos.

Repudiamos o discurso de ódio e, como formadores de opinião e criadores e propagadores de ideais, é nossa responsabilidade, moral e ética, nos mobilizarmos em defesa das minorias, por um país livre de intolerância, preconceito e discriminação.

Não podemos ficar imparciais diante da situação que vivemos no Brasil, em que a disputa é entre valores humanitários e ideias antidemocráticas.

Vale destacar o movimento em nossa própria classe, cujo passado (e presente) machista, racista, xenofóbico e homofóbico, finalmente, deve caminhar em direção a um futuro mais justo.

Independente da posição política de cada um de nós, somos todos contra a violência, a censura e a instauração de um governo autoritário e antidemocrático. Dessa forma, sendo coerentes com tais valores, nesse momento crítico de nossa história, a única opção é o voto em Fernando Haddad.

Maior jornal britânico publica manifesto de intelectuais contra Bolsonaro

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O jornal britânico “The Guardian” publicou nesta quinta-feira (25) um manifesto contra o candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, assinado por intelectuais brasileiros e estrangeiros, o qual afirma que o deputado ameaça o mundo, não apenas a jovem democracia do Brasil. “Mulheres, ativistas LGBT, defensores dos direitos humanos ambientalistas e povos indígenas estão em risco com o candidato da extrema-direita”, diz o texto.

Segundo o artigo, “o Brasil atravessa a pior crise de sua história desde o golpe civil-militar e o estabelecimento da ditadura em 1964”, principalmente depois do dia 7 de outubro, quando ocorreu o primeiro turno das eleições presidenciais e “Bolsonaro obteve impressionantes 46,03% dos votos”.

“Este resultado desencadeou uma primeira onda de violência de ódio: mais de 70 ataques foram registrados contra pessoas LGBT, contra mulheres, contra qualquer opositor de extrema direita ou contra jornalistas”, acrescenta.

O manifesto ainda ressalta que, depois do primeiro turno, o mestre de capoeira Moa do Katendê, ativista e educador, foi esfaqueado até a morte por um partidário de Bolsonaro, o que é temido ser apenas o início de uma onda mais mortal de violência.

“Este ódio e violência estão sendo claramente instigados por Bolsonaro e seus representantes eleitos. Ao repetir seus discursos e provocações misóginas, racistas, homofóbicas e transfóbicas, exibindo suas armas de fogo, glorificando a ditadura militar, espalhando informações falsas, implicitamente exigem a brutalização, até mesmo o assassinato, de todos aqueles que não se não se parecem com eles”, explica.

Entre os intelectuais que assinam a carta estão os brasileiros: diplomata Celso Amorim; o autor Frei Betto; o músico Chico Buarque; o economista Bresser Pereira; a advogada Carol Proner; o diplomata Paulo Sérgio Pinheiro; e o co-fundador do Fórum Social Mundial Brasileiro, Chico Whitaker. Entre os estrangeiros: o membro do parlamento europeu, o francês José Bové; o linguista norte-americana, Noam Chomsky; a prefeita de Barcelona, Ada Colau; a francesa membro do parlamento europeu, Karima Delli, o político francês Benoît Hamon; além da jornalista canadense, Naomi Klein; e a política portuguesa, Joana Mortágua.

Datafolha: Bolsonaro com 56% e Haddad com 44%; diferença cai 6 pontos

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A distância entre os candidatos a presidente Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) caiu de 18 para 12 pontos em uma semana, aponta pesquisa do Datafolha, divulgada na noite desta quinta-feira. A três dias do segundo turno, o deputado tem 56% dos votos válidos, contra 44% do ex-prefeito de São Paulo. No levantamento passado, apurado em 17 e 18 de outubro, a diferença era de 59% a 41%.

Tanto a queda de Bolsonaro quanto a subida de Haddad se deram acima da margem de erro, que é de dois pontos percentuais para mais ou menos. O Datafolha entrevistou 9.173 eleitores em 341 cidades no levantamento, encomendado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e realizado na quarta (24) e na quinta (25). O nível de confiança é de 95%.

O resultado é a mais expressiva mudança na curva das intenções de voto no segundo turno até aqui, e reflete um período de exposição negativa para o deputado do PSL.

No período, emergiu o caso do WhatsApp, revelado em reportagem da Folha de S.Paulo que mostrou como empresários compraram pacotes de impulsionamento de mensagens contra o PT pelo aplicativo. A Justiça Eleitoral e a Polícia Federal abriram investigações.

No domingo (21), viralizou o vídeo da palestra de um de seus filhos, o deputado reeleito Eduardo (PSL-SP), em que ele sugere que basta “um soldado e um cabo” para fechar o Supremo Tribunal Federal em caso de contestação de uma vitória de seu pai. A fala foi amplamente condenada, obrigando Bolsonaro a se desculpar com a corte.

No mesmo dia, o candidato fez um discurso via internet para apoiadores em São Paulo cheio de elementos polêmicos: sugeriu, por exemplo, que os “vermelhos” poderiam ser presos ou exilados, e disse que Haddad deveria ir para a cadeia.

Em votos totais, Bolsonaro tem 48%, ante 38% de Haddad e 6% de indecisos. Há 8% de eleitores que declaram que irão votar branco ou nulo. Desses, 22% afirmam que podem mudar de ideia até o dia da eleição. O deputado perdeu apoio em todas as regiões do país, embora mantenha sua liderança uniforme, exceto no Nordeste, onde Haddad tem 56% dos votos totais e Bolsonaro, 30%.

A maior subida de Haddad ocorreu na região Norte, onde ganhou sete pontos, seguido da Sul, onde ganhou 4. Já Bolsonaro mantém uma sólida vantagem na área mais populosa do país, o Sudeste: 53% a 31% do petista. O Centro-Oeste e o Sul seguem como sua maior fortaleza eleitoral, com quase 60% dos votos totais nas regiões.

Entre os mais jovens (16 a 24 anos), Haddad viu sua intenção de voto subir de 39% para 45%, empatando tecnicamente com Bolsonaro, que caiu de 48% para 42%.

O segmento em que o petista mais subiu foi entre os mais ricos, aqueles que ganham mais de 10 salários mínimos. Ali, cresceu oito pontos, mas segue perdendo de forma elástica para Bolsonaro: 61% a 32% dos votos totais. Lidera na outra ponta do estrato, entre os mais pobres (até 2 salários mínimos), com 47% contra 37% do deputado.

Entre o eleitorado masculino, Bolsonaro mantém ampla vantagem sobre Haddad, embora tenha caído três pontos – mesma medida da subida do petista. Tem 55% a 35%, distância que é reduzida a um empate técnico por 42% a 41% entre as mulheres.

A rejeição a ambos os candidatos, uma marca desta eleição, permanece alta. Haddad viu a sua oscilar negativamente de 54% para 52%, enquanto Bolsonaro teve a sua subindo três pontos, para 44%. A certeza do voto dos eleitores declarados de ambos é alta: 94% dos bolsonaristas e 91% dos pró-Haddad se dizem convictos. (Com informações da Folhapress) 

A marcha da insensatez

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Por Everton Borges Ferreira (*)

Um velho conhecido já me dizia: a ignorância é atrevida. Pois bem. Verifica-se uma vigorosa marcha rumo à radicalização política, em que a população desinformada ou não caminha para eleger o seu algoz.

A visão de um Judiciário, como poder puro e incorruptível, e o Ministério Público, como fiscal da lei, está desmistificada. É possível verificar hoje que a celeuma da liberdade de Lula fez escola, mas para pior. O Judiciário não aprende com os erros, amplia-os. 

Não se tratava de uma guerra de egos de juízes de piso, mas de um modus operandi agora visto na cúpula. Ministro Lewandowski autorizou, no dia 28 de setembro, que Lula concedesse entrevista e novamente uma decisão “favorável” a Lula tirou todos do sofá.

Fux tomou a dianteira e cassou a decisão de Lewandowski, que não poupou críticas ao reafirmá-la no dia 1º de outubro. Para qualquer rábula que tenha o mínimo de honestidade intelectual, Fux atropelou as mais elementares regras de direito processual, mas ele pouco se importa com regras. 

O Judiciário no Brasil é igual ao que existia na República Velha, ou pior, pois hoje os juízes não possuem o mínimo de recato. Os membros (e também os do Ministério Público) constituem um verdadeiro estamento, impermeável a qualquer crítica.

Geoffrey Robertson, que defende Lula no processo perante o Conselho de Direitos Humanos (CDH) na ONU, ficou embasbacado com o óbvio: no Brasil, primeiro se julga, depois se fundamenta. 

O julgamento nos tribunais possui um roteiro definido, com data marcada somente para a sua publicidade. O jurista brasileiro tem dificuldade de entender este absurdo óbvio, é difícil explicar para o peixe o que é a água, pois, fora dela, ele morre.

A Constituição Federal claudica há 30 anos, demonstrou sua fadiga, não resistiu ao elementar direito fundamental de sociedades democráticas, a presunção de inocência.

O processo no Brasil é um grande simulacro, sempre foi, agora está escancarado com o processo de impedimento de Dilma Rousseff e a condenação de Lula por Moro. Os direcionamentos promovidos pelo judiciário levaram ao segundo turno um candidato de extrema direita de viés autoritário. 

O candidato já se manifestou abertamente favorável à tortura e aos torturadores, mas o TSE entende ser indevida esta vinculação e proibiu a propaganda do PT que escancara isso.

O TSE tem dois pesos e duas medidas, pois propagar a mentira que Fernando Haddad defendeu o incesto no seu livro ‘Em defesa do socialismo: Por ocasião dos 150 anos do Manifesto’ (Editora Vozes, 67 páginas), escrito em 1998, é uma crítica normal, é a configuração de que a balança tem lado.

Não é necessário ler o livro para ver se tem algo de errado. Eu não li, basta lembrar que a Editora Vozes publica grande parte das publicações católicas, incluindo os folhetos das missas. 

O absurdo foi tão grande que a própria Vozes foi obrigada a desmentir.

Os juízes, que nos governos petistas tiveram poderes ilimitados, vão ter que se acostumar com o autoritarismo. Não existe nenhuma justificativa do ponto de vista jurídico e da administração do Judiciário para a nomeação de um general para assessor, a não ser se proteger, pois basta um soldado e um cabo para fechar aquela casa de notáveis.

Os constituintes de 1988 acreditaram num judiciário livre, confiando que ele resguardaria a democracia, seria o fiel guardião da constituição. Não entenderam nada, não existe ditadura sem judiciário.

É necessário lembrar Carl Schmitt: soberano é aquele que decide sobre a exceção. A exceção é mais interessante que a regra. A regra não prova nada; a exceção prova tudo. Na exceção, o poder da vida real rompe a crosta de um mecanismo que se tornou torpe pela repetição.

(*) Advogado, bacharel interdisciplinar em Ciência e Economia, assessor e consultor jurídico-econômico-financeiro

Brasil: silenciar é mentir

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Por Francisco Assis – Jornal Público (Lisboa)

Com tantas e tão importantes coisas a ocorrerem na Europa, sinto-me impelido a escrever, uma vez mais, sobre o Brasil. Por estes dias, que correm tumultuosos e quase insanos, não é só o destino imediato do seu país que está nas mãos do povo brasileiro. É algo bem mais vasto. Nem sempre é fácil destrinçar a linha, por vezes muito ténue, que separa a civilização da barbárie. O próprio movimento civilizacional engendrou historicamente múltiplas formas de barbárie. Há, porém, ocasiões em que essa demarcação se pode estabelecer com absoluta nitidez. Quando assim é, tudo se torna simultaneamente mais simples e mais dramático. Conhecemos alguns episódios da história europeia, penosamente trágicos, em que facínoras de índole antidemocrática e antiliberal se guindaram ao poder por via do voto popular. Não ignoramos o que daí resultou. É por isso mesmo que, no próximo domingo, os brasileiros terão de fazer uma escolha de consequências verdadeiramente globais. O triunfo de um celerado, cultor da violência, apólogo do liberticídio, da supressão dos direitos humanos, da erradicação do pensamento divergente, repercutir-se-ia muito negativamente por toda a humanidade.

A democracia é o regime da palavra: da palavra dialógica, da palavra como expressão de um conceito, como argumento, como forma de persuasão. É por isso que os debates são tão importantes num regime democrático. A recusa em debater é ao mesmo tempo manifestação de medo e de arrogância. Quem foge aos debates furta-se a um dever elementar da disputa democrática e revela quão impreparado está para o desempenho de qualquer função pública. Não é por acaso que os ditadores fecham os parlamentos, eliminam a imprensa livre e perseguem as vozes discordantes. Ao recusar-se a participar em qualquer debate com o seu adversário, Bolsonaro exibe, de modo absolutamente transparente, a sua verdadeira índole: a de um homem que se recusa a respeitar as regras básicas de um regime democrático.

Por que eleitores de Bolsonaro estão mudando o voto?

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As últimas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República têm apontado um enfraquecimento da candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) nesta reta final da disputa com Fernando Haddad (PT). O Ibope de terça-feira (23) mostrou que a diferença entre os postulantes ao Planalto caiu 4 pontos. Segundo o instituto, a rejeição a Bolsonaro aumentou 5 pontos e a certeza de voto no candidato diminuiu na mesma proporção.

Uma tendência semelhante foi identificada pelo levantamento CNT/MDA publicado um dia antes. A pesquisa Vox Populi desta quinta-feira (25) apresentou um resultado ainda mais alarmante para a candidatura do militar da reserva: 53% a 47%.

A campanha de Bolsonaro foi tomada por uma agenda negativa desde a revelação do esquema de fraude eleitoral, através de caixa 2, em que empresários firmaram contratos de até R$ 12 milhões para manipular o resultado da eleição por meio do WhatsApp.

A investigação das denúncias deve se estender para o período pós-eleitoral e perdurar durante a gestão do próximo presidente. Não há data prevista para a divulgação de conclusões. De todo modo, o escândalo teve potencial para estremecer uma candidatura que parecia inabalável. Mas não foi só isso.

A ausência de Bolsonaro nos debates constrange os próprios eleitores do ex-capitão do Exército. O Datafolha do dia 18 de outubro indicou que 73% dos votantes queriam vê-lo nos debates.

Mesmo após ser liberado pelos seus médicos, o candidato decidiu não encarar Haddad face a face. Assim sendo, Bolsonaro tornou-se o primeiro presidenciável da história do Brasil a fugir de debates no 2º turno de uma eleição presidencial.

Também estão sendo evitadas as entrevistas com potencial de colocar Bolsonaro em situação desconfortável, onde são grandes os riscos de ficarem expostas as suas limitações.

O candidato do PSL recusou os convites para participar das sabatinas no Roda Viva, Grupo Globo e Rádio CBN, que foram realizadas nesta semana. De acordo com um entendimento interno da alta cúpula da campanha de Bolsonaro, ele perde votos se falar demais.

O caso mais emblemático deste 2º turno aconteceu nesta terça-feira (23), na Rádio Guaíba. Para conceder uma entrevista ao veículo, o candidato exigiu que todos os jornalistas presentes, exceto o apresentador, permanecessem em silêncio. Indignado, Juremir Machado pediu demissão ao vivo.

Está claro, também, que tanto o discurso de Bolsonaro sobre banir e prender adversários, quanto a fala de seu filho, Eduardo, a respeito do Supremo Tribunal Federal (STF) não surgiram em boa hora. Ambos precisaram se justificar e voltaram atrás. “O que eu quis dizer é que vou combater os bandidos vermelhos baseado no andamento da Lava Jato”recuou Bolsonaro.

Eduardo, por sua vez, depois de ser chamado de golpista pelo ministro decano Celso de Mello e repudiado por todos os demaispediu desculpas oficialmente pelas afirmações de que o STF poderia ser fechado por um soldado e um cabo.

Foi na esteira dessas declarações que os presidenciáveis Marina Silva e José Maria Eymael, além do ex-governador tucano Alberto Goldman declararam voto em Fernando Haddad. Embora não tenha externado voto, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também acentuou suas críticas ao candidato da extrema-direita.

Vira voto

Em um período de apenas dez dias, o perfil ‘Vira Voto’ no Instagram acumulou mais de 250 mil seguidores. Na página são publicados depoimentos de pessoas que, após reflexão crítica, decidiram migrar de Bolsonaro para Haddad neste 2º turno.

“Eu votei no Bolsonaro no primeiro turno. Coloquei não um, mas dois adesivos no vidro traseiro do meu carro e no da minha esposa. Mesmo ela sendo contra ele. Domingo recebo uma enxurrada de mensagens em grupos pró-Bolsonaro sobre suposta fraude em urnas. Neste mesmo dia, recebo notícias do esfaqueamento de um senhor na Bahia por causa do seu apoio a Haddad. Nos mesmos grupos falam que a história é fake news e que se ele morreu é porque mereceu. Eu tenho formação, venho de família de classe média tradicional. Sou cristão, contra o aborto, mas nunca irei relativizar uma morte. Eu estava sendo levado ao caos por cegueira, por ignorância, por ódio. Vocês não têm o mínimo de noção de como são os grupos de WhatsApp pró-Bolsonaro. É fake news atrá de fake news”, diz uma das histórias de conversão de voto.

“Eu estava completamente cega, tomada por ódio e desesperança no primeiro turno, alimentada por mentiras que vinham de todas as partes. Por conta própria, longe das redes manipuladoras, decidi estudar e buscar informações diretas dos próprios candidatos. Suas posturas. Hoje me assusto ao ver como eu era até poucos dias atrás, manipulada por puro ódio. Acordei quase tarde, mas acordei a tempo. Por uma vida melhor para mim e para o futuro do meu filho”, conta outra eleitora que desistiu de Bolsonaro.

O posicionamento contrário a Bolsonaro de alguns antipetistas históricos causou certa surpresa em alguns observadores do atual processo eleitoral. Destaques para Reinaldo Azevedo, Míriam Leitão e Arnaldo Jabor.

O fenômeno ganhou até uma página própria no Facebook: “antipetistas contra Bolsonaro”. Um usuário explicou do que se trata: “Modéstia às favas, eu acho ‘antipetistas contra Bolsonaro’ uma grande sacada. De uma só vez, você se posiciona contra um fascista ante o qual — na minha opinião — não cabe ficar neutro e, ao mesmo tempo, funde a cuca da figura mais chata do cenário político nacional, que é o petista fanático”.

O ator Marcelo Serrado, crítico do PT e figura carimbada nas manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff declarou apoio a Haddad no 2º turno. Serrado interpretou o juiz Sergio Moro no polêmico filme “Polícia Federal – A Lei É para Todos”.

A ‘virada’ mais importante do pleito talvez tenha sido a do deputado federal eleito Pastor Sargento Isidório, campeão de votos (323 mil) na Bahia na disputa para a Câmara Federal.

Pastor evangélico e sargento da Polícia Militar, Isidório afirmou que “quem lê a Bíblia sabe que Jesus disse ‘amai-vos uns aos outros’. Não tem lugar nenhum Jesus dizendo para matar. Tem um bocado de evangélico defendendo isso”.

“Sou militar, eu tinha tudo pra apoiar o Bolsonaro, mas quando vi ele não ir a debate e fazer discurso que ofende jornalista e mulheres, tudo isso fez eu decidir meu voto. Votarei no Haddad, ele não é o homossexual que eu pensava. É casado há 30 anos com a mesma mulher, tem filhos. Tudo que eu pensava foi desconstruído. Procurei ver os vídeos, a gente sabe que é tudo fake news”, explicou Isidório.

Favoritismo

Pontue-se, apesar dos elementos supracitados, que Bolsonaro ainda é favorito para vencer no domingo. O direitista abriu uma vantagem de quase 18 milhões de votos sobre Haddad no 1º turno e a campanha do petista pode ter acordado tarde demais.

A história mostra que nunca o candidato mais votado no 1º turno perdeu a eleição presidencial no 2º turno. Haddad corre contra o tempo em busca de uma virada inédita, enquanto Bolsonaro torce para que o tempo voe e o impeça de ser alvejado por fatos novos. (Do Sul21) 

OEA: Brasil é o 1º país onde eleições serão decididas por fake news

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Após uma reunião com o candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, a presidente da missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) para acompanhar as eleições no Brasil, Laura Chinchilla, afirmou que é inédito em uma democracia o fenômeno observado no Brasil de uso maciço de fake news para manipular o voto.

“É um fenômeno tão novo e tão recente, é a primeira vez que em uma democracia estamos observando o uso do WhatsApp para difundir maciçamente notícias falsas, como no caso do Brasil”, disse Laura Chinchilla, que é ex-presidente da Costa Rica.

Ela ressalta que o uso da notícia falsa para manipular a vontade do eleitor por redes privadas “talvez não tenha precedentes”. E observa que desde o primeiro turno advertiu que esse fenômeno induz à violência nas manifestações políticas.

Chinchilla acrescentou que a comitiva está acompanhando testes de certificação das urnas eletrônicas, e até agora não encontraram sinais de qualquer vulnerabilidade. Diz que fizeram contato para se reunir com o candidato Jair Bolsonaro (PSL), mas até agora não há reunião marcada com ele.

A presidente da missão da OEA argumentou que nas eleições brasileiras, as fake news estão sendo disseminadas pelas “redes públicas e privadas”, como o WhatsApp. Esse diferencial, segundo ela, surpreendeu as autoridades judiciais e policiais, que estão sendo obrigadas a encontrar instrumentos para combater essa técnica.

Chinchilla lembrou que as fake news foram utilizadas eleições de grandes dimensões, como nos Estados Unidos, mas naquele caso utilizaram-se “redes públicas”, como Facebook e Twitter. Isso permitiu rastrear a origem das notícias e deu expertise às autoridades para prevenir essas práticas em outros países. (Do Valor Econômico)