Lutar e vencer

haddad-bahia-600x414

Por José Reinaldo Carvalho, no Brasil247

Alguém em sã consciência e honestidade de propósitos duvida de que foi uma vitória Fernando Haddad se qualificar para o segundo turno com 31.342.005 votos, no quadro de uma luta desigual?

Desde 2013, o Brasil vive uma vertiginosa onda de direita, que se tem acentuado e avolumado com uma sucessão de fatos que em seu conjunto podem ser qualificados como uma espécie de contrarrevolução. Dentre esses acontecimentos funestos se destacam a destituição da presidenta Dilma Rousseff e a prisão do presidente Lula.

Uma situação assim nefasta deixou sequelas também em setores da esquerda. Uns miravam 2013 como um levante popular por transformações progressistas. Outros nele se basearam para forçar notas interpretativas e na sequência passaram a a encarar o golpe de 2016 como o momento non plus ultra da superação do ciclo lulo-petista (sic!), propício à abertura do novo ciclo neo-desenvolvimentista sob a liderança do… centrão.

Quem poderia imaginar que em tal contexto de ofensiva da direita mais empedernida e da esquerda mais confusa a candidatura do petista Fernando Haddad, em aliança com o Partido Comunista do Brasil que indicou a vice Manuela D´Ávilla, pudesse alçar um voo tão alto, considerando as condições em que a chapa foi lançada, em plena ocorrência de uma fraude eleitoral que foi a todos os títulos o impedimento de Lula?!

É este o critério pelo qual devemos analisar o atual estágio da luta eleitoral a 12 dias da votação e não da antecipação da derrota.

Não esqueçamos de que o plano das forças reacionárias era vencer as eleições já no primeiro turno. Este plano fracassou. Ninguém se engane com as aparências. Este plano incluía considerar Lula, o PT, seus aliados na esquerda como forças proscritas do cenário político. Mas eis que há uma batalha de segundo turno, há eleitos, há candidatos por eleger e nada indica que a esquerda esteja proscrita ou morta, a não ser que se opte por utilizar as armas que a direita pretende distribuir aos ricos.

Pendente do resultado eleitoral, o Brasil democrático e popular aposta na vitória, no avanço e, se há forças de vanguarda dignas desta designação, não pensa em outro cenário que não seja a vitória e o avanço daqueles partidos e movimentos que, impregnados de amor à pátria e convicções de progresso social, encontram-se empenhados em barrar a ameaça fascista e tornar este país um apanágio das liberdades. Não há nem pode haver outro plano estratégico senão este, o que implica lutar até o último voto pela vitória no segundo turno da eleição presidencial.

Existe muita coisa em jogo: a luta contra as desigualdades sociais, o combate ao racismo, homofobia e misoginia, a defesa dos programas sociais, o plano nacional de desenvolvimento, a defesa da soberania nacional, a universalização de direitos, a política externa de integração entre povos, defesa da paz e inserção do Brasil num mundo carregado de ameaças.

Esta postulação requer a mobilização de todas as reservas ideológicas e morais do Brasil democrático, progressista e popular, a capacidade de desatar a energias criadora e mobilizadora das massas populares no Brasil urbano e profundo, de fustigar a memória nacional sobre os danos até hoje não reparados de 21 anos de ditadura castrense, de uma década de flagelo neoliberal e a habilidade de fazer soar o alarme da consciência coletiva para a ameaça da perda de direitos e a transformação de trabalhadores e empreendedores em párias.

Requer também a renovação da capacidade da esquerda para unir amplas forças políticas e sociais numa frente tão ampla quanto seja possível para conjurar o perigo do fascismo.

Fazem bem o Haddad e as forças de esquerda e centro-esquerda (PT, PCdoB, PSB, PCB, PSOL e PROS) que se reuniram nesta segunda-feira (15) em Brasília. Serenas e firmes, decidem sobre tarefas imediatas, ignoram ruídos, miram o futuro da árdua mas não impossível tarefa de construir a unidade, acima de toda tendência à fragmentação.

Tempo haverá para todo tipo de debate e exercício de formulação programática, desde que prevaleçam a lucidez, a capacidade de lutar e a unidade. O ciclo progressista iniciado com a primeira eleição de Lula em 2002 e continuado por Dilma teve virtudes e defeitos, misérias e grandezas. Tempo haverá para o balanço judicioso e criterioso, para autocríticas e a abertura de novos caminhos.

Neste instante dramático e crucial, a firmeza quanto ao rumo é tudo. E como dizia certo bigodudo que ganhou a Segunda Grande Guerra, a esquerda não pode nem deve jamais perder de vista a direção do golpe principal.

A vitória do candidato da frente democrática, Fernando Haddad, é o antídoto à candidatura de Bolsonaro, a qual representa uma ameaça à democracia e aos valores civilizacionais, a ascensão das forças de extrema direita, fascistas, o perigo de restabelecer uma ditadura, a aplicação de políticas antissociais, a perseguição às forças de esquerda, a repressão aos movimentos sociais.

Há tempo para lutar, agora. E para vencer, já.

Pearl Jam está no Rock in Rio 2019 e pode emplacar o 20º show no Brasil

Captura-de-Tela-2018-10-16-às-5.34.42-PM

Por Lúcio Ribeiro, na Popload

Na real, no festival carioca, deverá ser o show de número 19, se confirmado. Mas vai que tocam mais uma vez em São Paulo, para completar a vigésima. O fato é que a bandaça americana Pearl Jam, depois de tocar no Lollapalooza Brasil deste ano, volta ao país no ano que vem, para participar do megafestival Rock in Rio 2019, a Popload apurou.

A banda de Eddie Vedder já passou por aqui em 2005, 2011, 2013, 2015 e 2018. O grupo levou 15 anos para chegar ao Brasil, desde sua formação, em Seattle. Mas, depois que veio, só aumentou a freqüência das visitas. No total foram 18 shows.

De novo, a última passagem foi pelo Lolla Brasil, em março deste ano mesmo, que ainda contou com uma apresentação só deles no Maracanã. Isso se não contarmos as performances solo de seu líder em São Paulo.

De oficial oficiaaaaaaal, o Rock in Rio só anunciou o dia do metal, que acontece em 4 de outubro de 2019 (Sepultura, Megadeth, Scorpions e Iron Maiden). O festival, que acontece em sua maior parte em outubro pela primeira vez, outra info exclusiva da Popload meses atrás, está marcado para rolar nos dias 27, 28 e 29 de setembro e 3, 4, 5 e 6 de outubro.

Segundo um grande portal de música brasileiro, cóf, a cantora Pink e o grupo Muse também estão na escalação volumosa do Rock in Rio.

O último disco de estúdio do Pearl Jam, “Lightning Bolt”, saiu em 2013. Depois disso, uma música nova, “Can’t Deny Me”, e um papo de álbum novo que ainda não se concretizou.

Mas, para os fãs do grupo, material novo pouco importa. Vale mais saber se vão abrir com “Release” ou tocar “Habit”. Afinal, nenhum setlist do PJ é igual ao outro. E esse é um dos maiores atrativos da banda desde sempre.

** A foto deste post, da banda Pearl Jam, é de divulgação.

Chapa de Manoel Ribeiro é impugnada no Remo

A Junta Eleitoral do Clube do Remo publicou, no final da tarde desta terça-feira, ofício com a lista completa de candidatos aptos a concorrer à Assembleia Geral, ao Conselho Diretor e ao Conselho Deliberativo na eleição marcada para o próximo dia 10 de novembro. A novidade é a impugnação da chapa de Manoel Ribeiro (presidente) e Hilton Benigno (vice), a pedido de sócios da agremiação.

Conforme reza o artigo 85 do estatuto, os impugnados têm 48 horas para apresentar defesa na Junta Eleitoral. Por enquanto, estão aptos a disputar a eleição os candidatos Fábio Bentes, cujo vice é Cláudio Jorge, e Marco Antonio Pina, que tem Francisco Rosas como vice-presidente.

Barcelona retira status de embaixador de Ronaldinho após apoio a Bolsonaro

ronaldinho-se-torna-oficialmente-embaixador-do-barcelona-1486140222519_615x300

O Barcelona-ESP anunciou hoje (16) a retirada do status de embaixador de Ronaldinho Gaúcho, ex-jogador do clube catalão e da seleção brasileira. O motivo foi o apoio do craque ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), candidato à Presidência da República.

Em manifestação nas redes sociais, o jogador publicou uma foto vestindo a camisa amarela do Brasil e com o número 17, em alusão a Bolsonaro. “Por um Brasil melhor, desejo paz , segurança e alguém que nos devolva a alegria. Eu escolhi viver no Brasil, e quero um Brasil melhor para todos”, escreveu o jogador.

Segundo o jornal espanhol Sport, o Barcelona não deve se posicionar publicamente, mas reitera que a manifestação não está de acordo com os valores da entidade. A participação do ex-atleta em eventos oficiais do Barça está suspensa.

“A questão é que o clube tem visto com preocupação não é posicionar-se e pedir o voto democraticamente, mas dar o voto explícito a posições totalitárias contra a defesa dos direitos humanos, independentemente do que acabará sendo sua ação governamental”, afirma a publicação, ressaltando que Bolsonaro apresenta posições homofobia, misoginia e racismo em 30 anos de vida pública. (Do Metro1)

A clássica vocação de jogador de futebol no Brasil negando suas raízes. 

Escaramuças e trapaças

Por Gerson Nogueira

Não é segredo que o futebol paraense não anda bem das pernas há anos. Um dos últimos alentos era a celebrada gestão Novos Rumos no PSC. Tudo fazia crer que os caminhos adotados eram alinhados com o que há de mais moderno em gestão esportiva. Não é bem assim, como todos fomos informados nos últimos dias. Uma destemperada troca de golpes na cúpula dirigente bicolor resvalou dos muros da Curuzu para o terreno midiático.

A desavença entre Ulisses Sereni, ex-todo-poderoso presidente da Comissão de Futebol, e o gerente Fernando Leite acabou resultando na renúncia do primeiro e na abertura dos portais de baixaria envolvendo o clube, como não se via desde os broncos tempos de Geraldo Rabelo, Miguel Pinho & Cia.

DESENHOS-03

Em entrevista ao Bola, Sereni não aliviou nas críticas aos que comandam o clube. Expôs cruamente as profundas divisões e incompatibilidades entre os atuais dirigentes do Papão. Até então, as eventuais diferenças pouco vinham à tona. Eram assimiladas e sanadas internamente. O episódio do rompimento oficial do ex-presidente Alberto Maia, no final de agosto, serviu como primeiro sinal de racha no grupo.

Desta vez, a crise parece mais séria, pois envolve um dos mais destacados membros da Novos Rumos, responsável direto pelo lançamento da marca própria (Lobo), junto com Maia. Sereni assumiu o futebol profissional e promoveu uma limpeza no departamento, afastando o técnico Guilherme Alves e o executivo André Mazzuco, acusado de incompetência na contratação de jogadores.

Nas declarações ao repórter Nildo Lima, o ex-diretor citou até as ligações de Mazzuco com o clube, que sobrevivem ao seu afastamento. Segundo Sereni, Fernando Leite repassa informações ao executivo. Disse ter gastado dinheiro do próprio bolso (R$ 100 mil), o que remete às velhas práticas da cartolagem, tão negadas pelo atual grupo.

É impossível, porém, não associar o sincericídio praticado por Sereni ao momento dramático do Papão na Série B. A má campanha nos gramados acirra as diferenças nos gabinetes. É assim e sempre será, no PSC ou em qualquer outro clube de futebol. A lamentar que a ilusão de que novas práticas eram adotadas não resista aos maus passos em campo.

O Remo não fica atrás…

A eleição que se aproxima já sinaliza para as conhecidas escaramuças. A chapa encabeçada pelo eterno presidente Manoel Ribeiro, tendo o comandante da PM Hilton Benigno como vice, periga ser impugnada por denúncias bem fundamentadas.

Manoel é acusado de irregularidades referentes à sua passagem pelo Dnit, em 2013, o que o impediria de tentar a reeleição, segundo os estatutos do clube. Já o vice tem sua candidatura embaçada pelo fato de haver sido expulso do Conselho Deliberativo.

A chapa esgrime uma cláusula nos estatutos que assegura a prescrição das duas denúncias. Conselheiros e juristas do próprio Remo desmentem essa interpretação, que estaria sendo brandida por aliados do atual presidente.

O fato é que até o assalto de R$ 400 mil aos cofres azulinos, durante administração de Ribeiro, tem sido lembrado como fator impeditivo – por má gestão financeira – às pretensões do longevo cartola.

De concreto, a certeza de que o Remo marchará outra vez dividido e desunido para um novo processo eleitoral. Por ironia, seu mais experiente dirigente, que deveria assumir o papel de mediador, dispõe-se a abraçar duelos encarniçados em nome de um projeto de continuísmo.

——————————————————————————————-

Das teorizações de Tite à sinceridade de Neymar

Neymar, exibindo a proverbial vocação para entrevistas inúteis e insossas, foi o eleito de ontem na Seleção para falar do amistoso com a Argentina, caça-dólar promovido pela CBF e justificado pelo técnico Tite com todas aquelas lorotas que já nos acostumamos a ouvir. Alguns até acreditam nas boas intenções. Eu, por dever de ofício, duvido cada vez mais.

O camisa 10 do escrete fez questão de comemorar a ausência de Messi no jogo. Gesto sincero, pois La Pulga certamente criaria sérios problemas para a titubeante linha de zaga nacional. Neymar citou apenas sobre o ex-companheiro de Barcelona, mas a Argentina está bastante desfalcada. Aguero, Di María e Higuaín também não estarão em campo.

Por tudo isso, espera-se um amistoso menos sonolento por parte da seleção de Tite, cada vez menos convincente em suas teorizações lazarônicas, que só encantam ainda alguns poucos devotos da crônica paulistana.

De minha parte, irei dedicar alguns minutos a ver a movimentação inicial. Caso a coisa lembre um jogo realmente competitivo, avaliarei a decisão de ficar plantado por 90 minutos em frente à tevê.

——————————————————————————————

Adeus ao poeta e velho comunista

A coluna é dedicada ao amigo Carlos Queiroz, um velho comunista que nos deixou neste fim de semana, legando saudades e muitas histórias saborosas. O “Matador” rabugento, cheio de chistes, convivia com o poeta das madrugadas na redação do Diário. Convivemos durante mais de duas décadas. Saudades do texto afiado e das conversas futebolísticas. Queiroz era remista e flamenguista, bandeiras pelas quais sorria e chorava.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 16)