Roupas de refugiados sendo queimadas mostram ao mundo um Brasil sem governo

paca

Por Leonardo Sakamoto

Parte da responsabilidade pelas turbas enfurecidas de brasileiros que perseguiram refugiados com paus e pedras, derrubaram suas tendas e queimaram seus pertences, neste sábado (18), em Pacaraima (RR), em resposta ao assalto e agressão a um comerciante local, deve entrar na conta de políticos, comunicadores e figuras públicas que vêm elevando o tom contra os venezuelanos que fogem da catástrofe social sob o governo Nicolás Maduro.

O discurso xenófobo acaba por incendiar um ambiente propício ao fogo. Pois outra parte da responsabilidade, a que que esparramou gasolina, deve-se ao poder público devido à sua ação insuficiente – que não têm garantido atendimento emergencial para instalar alojamentos, prover alimentação, ampliar os serviços de saúde e intermediar emprego à altura do desafio.

O acolhimento humanitário de refugiados é previsto em tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário. Demandas por ignorar isso enquanto vizinhos, como a Colômbia, recebem um fluxo dez vezes maior, vem do mesmo caldo ignorante que produz pérolas como a sugestão do país deixar a ONU – coisa que nos transformaria em um pária entre as nações.

Ainda mais que a maior parte desses refugiados está apenas de passagem. Dados divulgados pelo governo federal apontam que 69 mil dos 127,8 mil que cruzaram essa fronteira entre 2017 e junho de 2018 já deixaram o país. O problema não é a fronteira (que o Ministério das Relações Exteriores e o Supremo Tribunal Federal vêm, de forma correta, mantendo aberta apesar da estapafúrdia pressão pelo contrário), mas a falta de planejamento e de execução de políticas por parte do governo federal. E diante disso, mercadores do caos aproveitam-se da situação, seja em Roraima, Brasília, São Paulo, onde for, para jogar a população local contra os que vêm de fora.

O fato de estarmos em período eleitoral, apenas piora o quadro. Há candidatos aos mais diferentes cargos que usam o preconceito ao estrangeiro como plataforma eleitoral. O surto de violência em Pacaraima começou após um grupo de venezuelanos assaltar e espancar um comerciante, que foi hospitalizado.

A solução para o ocorrido – que passaria por prender os envolvidos e levá-los a julgamento, como acontece em milhares de outros casos envolvendo brasileiros que assaltam e ferem brasileiros diariamente no país – acabou sendo um ataque contra os ”invasores”, após um protesto pacífico descambar para a perseguição aos refugiados. Venezuelanos foram empurrados de volta à fronteira e, segundo relato de Patrícia Campos Mello e Avener Prado, que estão no local pela Folha de S.Paulo, passaram a quebrar carros de brasileiros, em retaliação.

Não se pode culpar uma comunidade pobre pela presença de alguns ladrões da mesma forma que não se pode culpar um bairro rico pela presença de alguns ladrões. Por que, então, centenas de refugiados deveriam ser agredidos pela ação de alguns ladrões? Diante do ressentimento acumulado e da percepção de inação do Estado, a resposta escolhida foi a barbárie.

Há impactos claros de sobrecarga nos serviços públicos de áreas de entrada, que deveriam ter uma resposta mais rápida do governo federal. A demora para que isso aconteça apenas joga mais combustível.

Mas preocupa a crescente quantidade dos que acreditam que os estrangeiros pobres roubam empregos e pioram a crise influenciados por lideranças e por informações espalhadas pelas redes e aplicativos de mensagens de forma irresponsável. Muitos caem no conto da notícia falsa que diz que o Brasil vai gastar bilhões com Bolsa Família para refugiados, tirando da boca dos nativos, quando a entrada deles é proporcionalmente pequena para causar esse estrago.

Os ataques xenófobos a venezuelanos reportados somam-se à violência contra bolivianos e haitianos nos últimos anos e aos pedidos de devolução de refugiados sírios lidos nas redes sociais. O problema não é com os migrantes ricos e brancos, mas com os refugiados e migrantes pobres. A verdade é que muita gente nas grandes cidades, quando questionada, não sabe de onde vem o incômodo que sente ao constatar centenas de venezuelanos, haitianos ou bolivianos andando nas ruas. Mas se fossem loiros escandinavos ricos pedindo estada, a história seria diferente.

Reportagem publicada, neste domingo (19), no UOL mostra que o Brasil conta com quatro estrangeiros a cada 1000 habitantes – abaixo da média mundial, de 34 e muito aquém da Alemanha (134), dos Estados Unidos (123) e mesmo da Argentina (42). Ao mesmo tempo, se temos 750 mil estrangeiros por aqui, há 3 milhões de brasileiros morando lá fora. Ou seja, temos saldo negativo com o mundo.

Ficamos horrorizados com a barbárie cometida contra Jean Charles de Menezes, em 2005, pela polícia de Londres, mas erramos com com estrangeiros baseados no preconceito. Diariamente. Nossos avós eram os forasteiros estrangeiros que sofriam nas mãos dos estabelecidos. Hoje, somos nós os estabelecidos que criticam os forasteiros. Com exceção, é claro, dos indígenas, que sofreram – e ainda sofrem – um processo lento de genocídio, sendo forasteiros em sua própria terra.

Como já disse aqui uma vez e repito: o problema do Brasil não são fronteiras abertas para refugiados venezuelanos, haitianos, sírios. Nosso problema são a elite política e o poder econômico, que continuam mandando no país. Alguns deixam de agir para mitigar o problema. Outros jogam os pobres que aqui já estavam contra os pobres que chegam agora.

Em tempo: enquanto não houver uma articulação regional consistente para construir uma saída dialogada à grave crise na Venezuela, articulação que não passe por devaneios militares, não haverá solução definitiva para a questão dos refugiados.

Mourinho, Zidane e a espada de Dâmocles

FBL-ENG-PR-MAN UTD-LEICESTER

Por José Inácio Werneck

Até agora todos os torcedores do Manchester United que eu conheço (e são muitos) responderam positivamente à notícia divulgada pela imprensa francesa de que Zinedine Zidane poderia assumir o cargo de técnico do clube, substituindo José Mourinho.

Não seria para já, mas uma Espada de Dâmocles vai ficar pendendo sobre a cabeça de Mourinho de agora em diante. Aliás, há um dado interessante no episódio, dado que parece ter passado despercebido à imprensa espanhola. Mourinho  agora diz que gostaria de ser Diretor de Futebol no Manchester United.

Como tal, ficaria acima de Zidane, se ele viesse a ser contratado como técnico (ou, como é costume na Inglaterra,  manager.)

Mas isto seria um conflito, não uma solução.

Conflitos, por sinal, Mourinho já tem muitos no Manchester United. Ele não se dá muito bem com Paul Pogba e Luke Shaw, jogadores, e tampouco se dá bem com Ed Woodward.

Este vem a ser simplesmente o muito poderoso “Executive Vice-Chairman” do Manchester United, responsável por tudo  o que diz respeito ao  futebol.

Hendrix em Woodstock, há 49 anos

Na madrugada de 18 de agosto de 1969, Jimi Hendrix incendiou Woodstock cantando “Hey Joe”. Uma performance inesquecível do genial guitarrista, fazendo história no mítico festival de música que marcou o crepúsculo da era Flower Power.

Golpe declara guerra à ONU

dacionaro

A barbárie, no Brasil, definitivamente, ganhou foros internacionais – e no sentido literal.

Transcrevo nota da Folha sobre as declarações de Jair Bolsonaro, hoje, dentro de um estabelecimento militar, a Academia das Agulhas Negras:

O Brasil deixará a ONU (Organização das Nações Unidas), um antro “de comunistas”, caso Jair Bolsonaro seja vitorioso no pleito presidencial, prometeu o presidenciável do PSL.
“Se eu for presidente, eu saio da ONU. Não serve para nada essa instituição”, disse Bolsonaro neste sábado (…)
“Saio fora, não serve para nada, é um local de reunião de comunistas e de gente que não tem o menor compromisso com a América do Sul”, disse após ser questionado pela Folha sobre a decisão favorável de um comitê da ONU pela candidatura do ex-presidente Lula.

Embora dita com as ferraduras próprias do Sr. Bolsonaro, a rigor, é algo muito semelhante á posição dos ministros do STF que mandaram dizer que decisão da ONU não passa de ata de condomínio.

Não se sabe como estes senhores habitam prédios, se as regras convencionadas por todos não têm valor. Mas,  ficar na ONU, assinar tratados internacionais e disso fazer letra morta é, afinal e na prática, o mesmo que não estar lá.

Veremos se o senhor Ministro Luiz Roberto Barroso, tão politicamente correto, associa-se ao senhor Bolsonaro e manda às favas a decisão do Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidades. (Do Tijolaço)

O Brasil vai redefinir o conceito de loucura.

Artilheiro amazonense é aposta do Leão

caiojohn

O Remo anunciou seu primeiro reforço para a próxima temporada: é o atacante Caio John, revelado pela equipe sub-19 do Fast Clube de Manaus-AM. O jogador se destacou no certame amazonense da categoria, marcando 8 gols. O bom desempenho no torneio despertou o interesse da comissão técnica azulina. No acerto contratual por duas temporadas, o Remo ficou com 50% dos direitos federativos do atleta. A outra metade pertence a investidores.

Tite e o campo que fala


flamengo-v-cruzeiro-copa-do-brasil-2017-finals-5aeda550347a021f30000018

Por Alberto Helena Jr.

Se de um lado é, no mínimo, prudente Tite ir convocando jovens promissores para esses amistosos com vistas às próximas disputas oficiais da Seleção, de outro, preocupa-me o fato de o técnico brasileiro não o fazer com o foco no nosso principal problema: a ausência de um número suficiente de meias-armadores para manter o equilíbrio do meio de campo e o municiamento devido ao ataque.

Lucas Paquetá (foto) foi uma boa lembrança, mas terá sido também a de Andreas, o brasileirinho nascido na Bélgica e agora servindo ao United? Tenho minhas dúvidas, depois de vê-lo em ação várias vezes em outras equipes. Está mais para outro volante do que para um meia autêntico. Mas, quem sabe? Só sei que Rafinha Alcântara se ajustaria melhor nessa posição. É talentoso, tem o perfil exato para a função e joga no Barça.

Mais à frente, e Vinicius Jr., meu? O garoto está encantando os madrilenhos depois de seduzir os rubro-negros aqui.

Outro que mereceria uma chamada no lugar, talvez de William, seria David Neres, ex-São Paulo e atualmente esmerilhando no Ajax: hábil, veloz, cheio de invenções e fazedor de gols.

Por outro lado, é bom mesmo não jogar fora tudo que foi feito até agora. Afinal, embora desclassificada diante da Bélgica, uma das sensações da Copa, a Seleção cumpriu papel digno na competição, inclusive na derrota. E sempre haverá um grupo de jogadores que pula de uma Copa à outra.

Mas, como dizem por aí, o campo é quem fala. Esperemos, pois, por suas sentenças.

Direto do Twitter

é aquele momento q o sujeito q ñ faz ideia do q é justiça social (ou q faz e odeia) acha q pegando o telefone e dando dinheiro pra uma rede de TV multibilionária, tá fazendo a parte dele pra ajudar os necessitados. Aí quando vê uma criança no farol sobe o vidro”.

Lisa ManuHaddad

Tite manda recado a Gabriel, barrado na convocação: “Que fique em paz”

http_o.aolcdn.comhssstoragemidas2bc60164c8f266c7fe657bef72ace618206261998gabriel+jesus+e+neymar

Gabriel Jesus ficou de fora da primeira convocação da Seleção Brasileira após a eliminação na Copa do Mundo da Rússia. Nesta sexta-feira, o técnico Tite deixou o centroavante de fora dos 23 selecionados para os amistosos contra Estados Unidos e El Salvador, escolhendo Roberto Firmino, Pedro e Everton para o setor. Em entrevista coletiva concedida na sede da Confederação Brasileira de Futebol, o comandante do Brasil justificou a decisão.

“A comissão técnica conversou com todos os atletas que não foram convocados. Todos. Externando a importância que eles têm, do momento de oportunidade de cada um e até mesmo revezamento dos atletas. Claro que o Gabriel sentiu (não ser convocado), ele é humano. Mas ele sabe do nosso comportamento e da nossa conduta, de lealdade, da seriedade do trabalho”, falou.

Tite ainda pediu para que Gabriel Jesus ficasse “em paz”, evitando criticar o jogador pela falta de gols no Mundial de 2018.

Outro ‘cidadão de bem’ em apuros

Por Kiko Nogueira, DCM

Preso em flagrante por estuprar uma menina de 13 anos em Manaus, o empresário Fabian Neves dos Santos, 37, vai para a cadeia. A juíza Patrícia Chacon, da Vara Especializada em Crimes Contra a Dignidade Sexual de Crianças e Adolescentes, decretou preventiva de 30 dias.

“A criança contou que essa tia falava que ela ia apanhar caso não mantivesse relações com os homens que ela conseguia. A vítima era obrigada a se prostituir”, contou a delegada Joyce Coelho.

Ele é dono de uma companhia de segurança, a Forte Vip. Em dezembro de 2016, atrasou salários de seus funcionários e foi chamado de empresário-ostentação pelo site Portal Holofote. Alegando prejuízos à sua imagem e honra, foi à justiça para tentar censurar a publicação. O juiz negou.

Fabian também se definia como “cidadão de bem” nas redes sociais, da mesma maneira que o professor de biologia Luís Felipe Manvailer, acusado de atirar a esposa do quarto andar, e Denis Furtado, o Doutor Bumbum.

Sua empresa tem contratos com o poder público. Nas redes sociais, aparece em fotos com a mulher em barcos e em viagens no exterior. O perfil dele ainda não foi apagado e pode ser visto aqui.

Chama a atenção a quantidade de posts em apoio a Jair Bolsonaro. Num deles Fabian elenca as qualidades que admira em seu candidato: “a moral, os bons costumes e os valores cristãos”.

No pacote não podiam faltar as denúncias contra a corrupção e a “censura” petista, o perigo do comunismo e a exaltação de Sergio Moro. Apoiou o impeachment com força e com vontade.

Deus proteja as crianças do Brasil de gente como Fabian.