
POR GERSON NOGUEIRA
Durou apenas três discos, mas marcou a cena musical para sempre, influenciando muita gente boa. Venderam pouco, não alcançaram sucesso comercial, nem lotavam shows. Essa aura de derrotados, porém, não combina com a consistência artística e a longevidade do trabalho. Big Star, banda criada por Chris Bell e Alex Chilton na Memphis dos anos 70, nadou sempre contra a correnteza. Apesar do nome pretensioso, teve dificuldades imensas em fazer chegar sua música ao mercado. Contou com a admiração de críticos e músicos, mas passou à história como a aposta que não vingou.
Uma parceria desastrada entre a pequena gravadora da banda, a Ardent Records, e a então poderosa Stax acabou por detonar toda e qualquer possibilidade de conquistar fama e dinheiro. A Stax faliu justamente quando era lançado o álbum Radio City, considerado o mais apurado trabalho dos artesãos Chilton e Bell, que tinham talento para serem reverenciados como Lennon & McCartney ou Jagger & Richards, mas que acabaram se perdendo em alguma curva da estrada.
A história do Big Star revela uma linha invisível a ensinar que nem tudo leva ao sucesso na indústria da música, por mais que todos os elementos estejam presentes. Alex Chilton havia aparecido como vocalista e compositor do grupo Box Tops, estourando nas paradas com o sucesso “The Letter” em 1967. Largou Box Tops e, aconselhado pelos pais, guardou a grana. Matava o tempo curtindo a vida mansa em Memphis, cidade sempre cultuada como berço do rock e morada do blues.
Em 1972, durante ensaios nos estúdios da Ardent, alguém soprou a Chris Bell que Chilton estava livre e que talvez topasse se juntar a ele. O convite foi feito e prontamente aceito, reunindo dois grandes músicos em torno de um projeto ainda sem nome. Enquanto analisavam sugestões, alguém apontou para a fachada de uma revendedora de carros que ficava em frente à gravadora. Big Star. Estava batizado o grupo.
Amigos e parentes da dupla falam sobre os dois, ajudando a personalidades complexas e parecidas. Como era previsível, a relação deteriorou com o tempo muito em função da introspecção de ambos, que erguia uma barreira na comunicação, embora deva-se dizer que se completavam no aspecto criativo.
“#1 Record” foi o título do primeiro LP, que chegou cercado de expectativas e resenhas favoráveis, mas teve vendas muito fracas. Bell passou a desenvolver uma certa mágoa porque Chilton era sempre reconhecido pela mídia. Rolling Stone e NME viviam incensando-o, até mesmo quando a presença de Bell era mais preponderante em determinada composição.
O segundo disco, “Radio City” (1974), foi saudado com redobrado entusiasmo pelas revistas especializadas, mas o insucesso comercial trazia crescente desânimo. Críticos musicais influentes, Lester Bangs à frente, admiravam e reverenciavam o Big Star, mas não foram capazes de fazer com que o grande público se interessasse pelas canções de construção delicada e inventiva, como “Kangoroo” e “In the Street”.
Depois do terceiro álbum, “Third/Sisters Lovers”, em 1978, que já não contou com a presença de Chris Bell, o Big Star simplesmente desapareceu em meio a uma nuvem de frustração nos que aprenderam a cultuar a banda.
Depois de várias tentativas infrutíferas de mostrar suas criações, Bell morreria tragicamente aos 27 anos – membro obscuro do chamado “clube dos 27”, como Brian Jones, Janis Joplin, Jim Morrison e Jimi Hendrix -, vítima de acidente de carro.
Ouvir hoje as músicas de Chilton e Bell confirma a impressão de que eram realmente músicos de primeira linha que escolheram hora e lugar errados. Em carreira solo, Chilton chegou a abraçar a causa punk, juntando-se aos Replacements e angariando a devoção de nomes respeitáveis, como o R.E.M., Pixies e Wilco, mas nunca mais repetiu o êxito de “The Letter”.
Antes de sua morte, em 2010, ainda teve tempo de promover um revival do Big Star, tendo o baterista Jody Stephens como único parceiro da formação original. Foram apresentações memoráveis nos Estados Unidos e Inglaterra matando a saudade de fãs ilustres e anônimos. Apesar de toda a urucubaca que certou sua história, a banda ocupa hoje um lugar de honra entre as referências do rock alternativo.
Resolvi escrever esta resenha tardia depois de ver o documentário dirigido por Drew DeNicola e Olivia Mori intitulado “Big Star: Nothing Can Hurt Me”. O filme estampa, com crueza e dignidade, a dor e a melancolia vistas nas músicas e nas vidas dos músicos do Big Star.

“Nós estamos ainda analisando com o departamento físico e de fisiologia do clube sobre o nível de fadiga de alguns atletas”, procurou despistar Chamusca, durante entrevista logo depois do treino. O volante Ricardo Capanema, que estava lesionado, volta a ser relacionado, mas deve ir no banco de reservas. Jonathan é outro que deve ficar entre os suplentes.




De acordo com a coluna de Lauro Jardim, do O Globo, ao menos dois aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) saíram lotados de Brasília (DF) rumo à cidade paranaense onde acontece o encontro com políticos e empresários das mais diferentes esferas de poder.
