Faltou bola e humildade

POR GERSON NOGUEIRA

O favoritismo azulino virou pó na terra do marco zero. O Santos-AP superou o Remo por 3 a 0 e garantiu classificação à semifinal da Copa Verde. O jogo, disputado nesta segunda-feira à noite, no estádio Zerão, em Macapá, foi amplamente dominado pela equipe da casa, que se postou bem no meio-campo e envolveu o Remo desde os primeiros minutos.

Foi um resultado histórico para o futebol amapaense, que nunca havia eliminado um representante do Pará em competição inter-regional. Foi um desfecho trágico para o Remo e sua apaixonada torcida. Equipe estava invicta há 12 partidas e entrou em campo com a vantagem do empate para se classificar.

No primeiro tempo, com o Remo marcando muito mal, Fabinho abriu o placar aos 14 minutos, após receber um lançamento de Balão Marabá. O setor de marcação paraense não funcionava. Tsunami levou cartão amarelo e Josué o substituiu por Fininho. Nos contragolpes, o Santos ameaçava sempre o setor defensivo azulino.

Do lado remista, além da desorganização, o time ainda foi sofrível nas finalizações, desperdiçando todas as chances que surgiram. Gabriel Lima perdeu três oportunidades no primeiro tempo e mais quatro na etapa final – incluindo dois cabeceios na trave do goleiro Axel.

Para tentar mudar a situação e imprimir ritmo mais forte, logo depois do intervalo, Josué Teixeira substituiu Eduardo Ramos (lesionado) por Val Barreto, mas o Remo continuou errático nas tentativas de buscar o empate. Não acertava uma saída para o ataque e até os alas Léo Rosa e Jackinha nada produziram.

Os problemas se concentravam principalmente no meio-de-campo, onde os volantes apenas cercavam os jogadores do Santos, mas sem oferecer resistência. O Remo não teve em Macapá nem mesmo o brio e a disposição que o time sempre exibiu na temporada.

A zaga do Santos, formada por Dedé e Jefferson, esteve sempre firme e a meia-cancha trabalhava até com tranquilidade, sempre procurando encaixar contragolpes, com Fabinho, Denílson, Batata e Rafinha. Aos 25 minutos, por reclamar ao receber um cartão amarelo, o zagueiro Igor João foi expulso e a situação ficou ainda mais crítica.

Denilson, aproveitando cruzamento de Fabinho, ampliou aos 30 minutos. Depois, quando o Remo ainda tentava o gol que levaria a disputa para as penalidades, veio a pá de cal: em cobrança de falta, aos 40 minutos, Batata fechou a contagem.

Resultado justo diante do que produziram as duas equipes. Enquanto o Remo conseguiu atuar de forma ainda mais apática do que na partida realizada na semana passada, no Mangueirão, o Santos encarou a partida com extrema seriedade e aplicação tática.

Balão Marabá – um jogador que já passou pelas equipes emergentes do futebol paraense – era o organizador e Fabinho o homem das escapadas pelos lados. Em nenhum momento, o jogo simples e esforçado dos amapaenses sofreu qualquer ameaça do Remo. Antecipei na coluna de ontem que o jogo seria muito complicado e que Flamel faria muita falta a um time que tem limitações sérias do meio para frente. Dito e feito.

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Peixe faz Leão amargar novo insucesso regional

O resultado humilhante de ontem veio se juntar a uma lista de insucessos azulinos contra adversários regionais, como Rio Branco, Palmas e Vila Aurora. Mais que isso: significou um prejuízo de quase R$ 1 milhão – provável faturamento das semifinais contra o Papão. Foi o segundo baque sob o comando de Josué Teixeira – o primeiro representou a eliminação para o modesto Brusque na Copa do Brasil.

Depois da partida, Josué citou as dificuldades enfrentadas – perdas de Flamel e Jayme, contusão de Eduardo Ramos e expulsão de Igor João. Tem certa razão nisso, mas o time não conseguiu jogar e se mostrou presa fácil para a movimentação até simplória do Santos porque as individualidades não deram as caras. Castigo merecido.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 04)

Leão recebido com festa em Macapá pelo Fenômeno Azul

Os jogadores e a comissão técnica do Remo foram recebidos festivamente no aeroporto de Macapá, neste domingo, quando desembarcaram na cidade. Com gritos de incentivo e cantando o hino azulino, a torcida foi levar seu apoio, prometendo comparecer ao estádio Zerão nesta noite para ajudar a empurrar o time rumo à vitória diante do Santos-AP pela Copa Verde.

Para se classificar à semifinal, o Remo precisa de um empate (por qualquer placar), pois ganhou o jogo de ida por 2 a 1, na quinta-feira (30) em Belém. Após um rápido treino no campo da Associação dos Promotores do Amapá (foto), o técnico Josué Teixeira praticamente definiu a equipe para esta noite.

A única dúvida é no ataque, com Gabriel e Val Barreto disputando posição. A provável escalação é a seguinte: André Luís; Léo Rosa, Henrique, Igor João e Jackinha; Renan, Tsunami, Marquinhos e Eduardo Ramos; Gabriel Lima (Val Barreto) e Edgar. O jogo começa às 20h15.

Um desafio e tanto

POR GERSON NOGUEIRA

Peça importante na estrutura ofensiva do Remo, Flamel foi ausência bastante sentida no jogo de ida contra o Santos-AP, quinta-feira passada. Talvez hoje, no confronto final em Macapá, quando teoricamente haverá mais espaço para o contragolpe, sua perda seja ainda mais lamentada. O Remo venceu a primeira por 2 a 1 e joga pelo empate, mas o Santos saiu do Mangueirão acreditando que pode triunfar no mata-mata.

Cabe observar que não é a primeira vez que o Remo sofre por não dispor de um meia-atacante com a qualidade de Flamel, que é especialista tanto na troca de passes quanto na finalização, além de útil também nas jogadas de infiltração e tabelinhas com os atacantes de lado.

Na Copa do Brasil, diante do Brusque, o Remo acabou derrotado por não conseguir ajustar a parte ofensiva por não ter um jogador com suas características para dar suporte aos atacantes.

Por outro lado, contra o Rio Branco, na capital acreana, na fase inicial da Copa Verde, Flamel representou uma alternativa ofensiva a mais para o Remo e foi o autor do gol de empate, disparando um chute forte da entrada da área.

O torcedor-leitor há de perguntar: Eduardo Ramos não pode executar essa função? Sim, mas teria que jogar um pouco mais à frente, perto dos atacantes e longe da posição original de organizador da meia-cancha.

Sem Flamel, o Remo vai ter dois caminhos para chegar ao gol: explorar as subidas dos alas Léo Rosa e Jackinha e utilizar os lançamentos de Eduardo Ramos para os contra-ataques com Edgar e Gabriel.

O Santos-AP, apesar de limitações no ataque e no setor de criação, tem um time leve, que aprecia o jogo de velocidade. Ao Remo, cabe não negligenciar com a marcação como na primeira partida, quando sofreu um gol em contra-ataque no primeiro tempo e quase cedeu o empate nos minutos finais.

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Jogão confirma sucesso da Copa do Nordeste

Quando a fase é boa, o jogador se supera e faz coisas que até Deus duvida. É o que acontece com Diego Souza, que vive hoje no Sport-PE a melhor fase de sua carreira. Sua movimentação em campo é sempre decisiva, naquela faixa entre a linha de meio-campo e a área adversária. Sabe usar a força nas bolas divididas, mas dribla e chuta bem.

A experiência acumulada certamente contribui para o desempenho atual do meia-atacante. Não surpreende que tenha atraído a atenção de Tite. Mestre Tostão ensina que a força mental é primordial para o rendimento de um atleta. Diego Souza sente-se em casa no Sport, onde desfruta da condição de ídolo e tem um time todo jogando em com ele e para ele.

Acompanhei ontem Sport x Campinense, decidindo vaga nas semifinais da Copa do Nordeste. Diego só não fez chover. Deu passes, fez gols – um deles de bicicleta – e liderou sua equipe do começo ao fim no esforço para superar ou igualar a vantagem estabelecida pelos paraibanos no jogo de ida. O tempo normal terminou 3 a 1 para o Sport, igualando o placar de Campina Grande. Nos penais, o Leão pernambucano levou a melhor.

Além da atuação destacada de Diego, a partida teve o clima e a emoção de uma grande decisão, com a busca pelo gol e uma disputa sempre empolgante e em alta velocidade. Foi mais um bom jogo da Copa do Nordeste, competição que se consolida técnica e financeiramente a cada ano.

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Debate Bola põe em discussão a gestão profissional

O Troféu Camisa 13 promove na quinta-feira, 6, às 18h, um debate sobre “Gestão profissional no futebol”, no auditório do Laboratório Amaral Costa (à rua Antonio Barreto). Carlos Castilho, da Rádio Clube; o presidente do Papão, Sérgio Serra, e o vice-presidente do Remo, Ricardo Ribeiro, serão os debatedores. A entrada é livre, com inscrições no local e distribuição de certificados de participação.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 03)