Observações sobre as reformas

POR WILSON GOMES, no Facebook

Não tenho uma opinião que mereça ser publicada sobre as reformas trabalhista e da Previdência Social encaminhadas por esta administração. E como ainda não me converti ao grupo dos que dão palpites sobre políticas públicas que não conhecem em profundidade com a mesma segurança com que Deus ditou suas Leis a Moisés, prefiro ficar prestando atenção.

A minha impressão, porém, é que uma coisa e outra precisam ser reformadas, sim. Mantenho-me firme, entretanto, no meu princípio de que pessoas provisórias deveriam ser impedidas de fazer merdas definitivas. A Previdência Social e as relações de trabalho são sérias demais e afetam demais a vida de todos para serem reformadas por este governo afobado, com um fiapo ou dois de legitimidade e, sobretudo, suspeitíssimo. E apoiado por esta 55ª Legislatura em cujas virtudes cívicas não há qualquer cidadão brasileiro disposto a apostar um vintém.

Além disso, propostas com este alcance teriam que necessariamente passar pelo teste democrático das urnas. Um governo que vencesse eleições gerais propondo fazer uma reforma da Previdência nos termos em que está sendo proposta ou uma forma trabalhista com estas características teria toda a legitimidade necessária. Desconfio (e eles também desconfiam) de que propostas desta natureza não passariam por um sufrágio e que só um “carona”, como Temer, que nunca teve qualquer ideia ou projeto escrutinado pelos eleitores, pode passar por cima da vontade da maioria. Vontade da maioria? Que ela não se atreva a atrapalhar.

“O Brasil precisa destas reformas” e o “Brasil tem pressa”, dizem os jornalões, o governo e uma parte esclarecida da opinião pública. Sou capaz de concordar com ambas as sentenças e ainda assim desconfiar que não é bem por aí. O inconveniente da democracia é que ela não garante que o resultado dos sufrágios sejam as melhores pessoas ou as melhores soluções. Ainda assim, preferimos a democracia. Caso contrário estaremos no velho “o déspota sempre sabe do que o povo precisa mais do que o próprio povo, coitado, perdido em enganos e ignorância. Precisamos proteger o povo da sua própria vontade”.

Voltamos a isso?

Flávio Dino: “Até a ditadura militar conviveu com a CLT”

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O governador do Maranhão, Flávio Dino, usou o Twitter para criticar a reforma trabalhista aprovada pela Câmara Federal na noite de quarta-feira (26) e a Reforma da Previdência. “Até a ditadura militar conviveu com a CLT”.  “Quanto mais medidas de confronto, teremos menos democracia e maior crescimento do Partido da Antipolítica”.

Para Flávio Dino, “aumentar a desigualdade social é a pior das violências que pode se cometer em um País já tão injusto”. “A reforma que o Brasil realmente precisa é a tributária para acabar com os privilégios do grande capital e dos milionários”, disse.

“No Brasil, enquanto rendas do grande capital gozam de privilégios únicos no Mundo, rendas do trabalho são reduzidas com reformas regressivas. Não podemos viver felizes em um país em que 1% tem tudo e 99% retrocedem em direitos e cidadania”, acrescentou.

Entre as mudanças aprovadas está a prevalência do negociado sobre o legislado, para que os acordos coletivos tenham mais valor do que o previsto na legislação. O texto também prevê divisão das férias em até três períodos – um dos períodos não pode ser inferior a 14 dias corridos e os períodos restantes não podem ser inferiores a cinco dias corridos cada um. A contribuição sindical obrigatória ficou extinta.

Está prevista no projeto a jornada intermitente de trabalho, ou seja, a prestação de serviços de forma descontínua, podendo alternar períodos em dia e hora – neste caso, o emprego não tem horário fixo de trabalho.

A proposta impede que o empregado, após de assinar a rescisão contratual, questione posteriormente na Justiça trabalhista, e limita o prazo para o andamento das ações.

Sobre o trabalho temporário, o tempo máximo de contratação sai de três meses para 180 dias, consecutivos ou não, podendo haver uma prorrogação por mais 90 dias, consecutivos ou não, quando permanecerem as mesmas condições.

A medida prevê um tempo de 18 meses entre a demissão de um trabalhador e sua recontratação, pela mesma empresa, como terceirizado.

Ao criticar a reforma da Previdência, Dino afirmou que “um dos caminhos mais eficientes para destruir a Previdência Social é somar recessão com redução de direitos trabalhistas”.

A proposta de reforma da Previdência aumenta a idade mínima da aposentadoria de 53 para 65 anos, tanto para homens como para mulheres, e o tempo mínimo de contribuição aumenta de 15 para 25 anos. Depois o governo recuou, e passou a propor a idade mínima de 62 anos para mulheres. (Do Brasil247)

Decisão em aberto

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POR GERSON NOGUEIRA

Para um time cheio de volantes o meio-campo, o Papão até que fez um excelente primeiro tempo na Vila Belmiro, criando duas boas chances de gol e jogando sem medo. Como de hábito, porém, o desembaraço ofensivo da metade inicial cedeu lugar ao excesso de cuidados na etapa final. Acuado, o time permitiu ao Santos exercitar a troca de passes e as inversões de jogadas, seus principais trunfos. A pressão aumentou sobre a zaga e levou à justa vitória dos donos da casa por 2 a 0.

De maneira geral, o jogo foi bem mais equilibrado do que expressam os dados estatísticos, segundo os quais a atuação santista pareceu mais brilhante do que realmente foi. O Peixe teve, por exemplo, massacrantes 69% de posse de bola, mas na prática ficou trocando bolas junto à linha lateral e no setor defensivo. A coisa só mudou de figura no segundo tempo com a queda de ritmo e os seguidos erros de passe cometidos pelos bicolores – foram 24 só nesta fase do jogo.

Quando a bola rolou, a postura do time de Marcelo Chamusca chegou a surpreender pela ousadia nas arrancadas pelos lados. Os volantes se adiantavam e criavam condições para que Leandro Carvalho e Bergson recebessem bolas em condições de arremate.

A zaga santista custou a perceber os riscos que corria deixando os atacantes mais ou menos à vontade. Aos 29 minutos, um chutão de Gilvan para o ataque pegou Leandro entre os zagueiros. Ele avançou para finalizar dentro da área, mas o goleiro Vanderlei evitou o gol. Só quase ao final do 1º tempo é que Dorival Jr. reforçou a marcação sobre Leandro e passou a vigiar Wesley e Rodrigo Andrade, que jogavam livres com a bola nos pés.

Lento e pouco ligado no jogo, o Santos parecia confiar que os gols sairiam naturalmente. Vítor Ferraz, que já defendeu o Águia, resolveu mostrar que sabe passar de calcanhar e fazer outras firulas dispensáveis. Enquanto o Peixe fazia gracinhas, os bicolores iam se assanhando e ameaçando, a partir do bom posicionamento da retaguarda. Ricardo Oliveira só teve uma chance de chutar em gol, David cabeceou nas mãos de Emerson e Lucas Lima passou em branco, tendo ainda o desprazer de levar um drible desconcertante de Leandro Carvalho.

Depois do intervalo, ao ver que a coisa estava mais complicada do que o previsto, Dorival pôs o Santos no ataque, adiantando Renato e os laterais e aproximando Lucas Lima do hábil Bruno Henrique pela esquerda. Foi por ali que nasceu o primeiro gol, aos 4 minutos. Bruno Henrique preparou o tiro sob os olhares de Ayrton e Wesley, que continuaram olhando, e disparou na gaveta de Emerson, sem defesa. Golaço para levantar o astral da tropa peixeira e sacudir os bicolores.

Mas, de olho no regulamento, o Papão se encolheu ainda mais, receando sofrer um placar dilatado. O Santos foi então se impondo e o jogo virou um duelo de ataque contra defesa. Chamusca substituiu Rodrigo por Diogo Oliveira, para fazer a bola parar no meio e adicionar qualidade ao contra-ataque, mas o meia-armador entrou mal e nada acrescentou tecnicamente.

Leandro Carvalho saiu para a entrada de Jonathan, que desfrutou de boa oportunidade em cruzamento na área já nos instantes derradeiros. Do outro lado, a insistência santista acabou premiada. O colombiano Copete (que substituiu Mateus Ribeiro) marcou o segundo gol, aos 43’.

O resultado deu tranquilidade ao Peixe, mas não foi um desastre para os bicolores, que têm condições de reverter em Belém. Atuações destacadas de Emerson, Perema, Hayner e Leandro Carvalho.

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O mais novo escândalo da Conmebol

O futebol é, de fato, mãe generosa para muita gente. A Conmebol acaba de descobrir, em investigação interna, um rombo de mais de R$ 440 milhões em suas finanças. É a herança nefasta do reinado de Nicolas Leoz, o cartola paraguaio que seguiu à risca os passos do guru João Havelange, tanto em longevidade quanto em capacidade de trapacear.

Fica a impressão clara de que, a cada nova mexida no lamaçal do futebol sul-americano, o fedor só aumenta. Para ter alcance mais amplo, as investigações deveriam se concentrar nos contratos de licenciamento de produtos, patrocínios e direitos de transmissão.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 27)