Caetano: “Ajustes de Temer prometem somente aos poucos que já têm muito”

images-cms-image-000541017

O cantor e compositor Caetano Veloso diz que não está surpreso com a guinada conservadora que grandes países, como Estados Unidos com Donald Trump e Brasil com Michel Temer, estão dando. “Quando olho para as figuras de Temer, parecendo saído de 1953 –e, como disse a “Economist” num artigo favorável a ele, com o gestual de um mágico de palco –, e de Trump (um pop retrógrado), me lembro do “gosto do que acontece”, diz Caetano em entrevista ao jornal Folha de São Paulo.

Ele pondera que torce para que os ajustes propostos por Temer deem certo, mas lamenta que não tem essa esperança. “Mais prosaicamente, às vezes torço para que os ajustes do governo Temer deem certo, só porque não gosto de ver o Brasil não funcionar. Esses ajustes dos golpistas que prometem pouco a poucos e a prazo longuíssimo não sugerem nada disso. Principalmente quando parecem prometer somente aos poucos que já têm relativamente muito”.

Papão viaja para Santarém com o time definido

chamusca_Q88YHPd

Não há mistério no Papão para o confronto desta terça-feira (20h30), em Santarém, contra o São Raimundo, válido pela semifinal do Campeonato Estadual. O técnico Marcelo Chamusca informou que a escalação será a mesma da partida contra o Águia pela Copa Verde na última terça-feira. O objetivo dele é preservar a formação utilizada a fim de ganhar ainda mais entrosamento.

O Papão deve começar o jogo com o seguinte time: Emerson; Ayrton, Lombardi, Gilvan e Hayner (Willian Simões); Rodrigo Andrade, Wesley e Diogo Oliveira; Alfredo, Will (Bergson) e Leandro Carvalho. Caso não surja nenhum problema de contusão, o time deverá ser mantido para a partida de sábado (15), em São Luís, contra o Santos-AP pela Copa Verde.

A delegação alviceleste viajou na tarde desta segunda-feira para Santarém, com os seguintes jogadores relacionados:

Goleiros: Emerson e Marcão
Zagueiros: Fernando Lombardi, Gilvan e Pablo
Laterais: Ayrton, Hayner, Will, William Simões
Volantes: Augusto Recife, Jonathan, Rodrigo Andrade e Wesley
Meias: Diogo Oliveira e Daniel Sobralense
Atacantes: Alfredo, Bergson, Leandro Carvalho e Leandro Cearense

(Fotos: Fernando Torres/Ascom PSC)

Revista francesa já projeta Neymar com a Bola de Ouro

neymar

As grandes atuações de Neymar no último mês fizeram com que o brasileiro passasse a ser elogiado, depois de um começo de temporada em que sofreu críticas pelos poucos gols marcados. A corrente que considera que o camisa 11 pode passar a ocupar o posto de melhor jogador do mundo ao fim do ano ganhou força e chegou até mesmo à capa da conceituada revista “France Football”, que dedica sua primeira página da edição abril ao astro.

A publicação dá destaque a Neymar e usa a manchete “Sim, ele quer a Bola de Ouro!” para colocar o brasileiro na briga pelo prêmio que a própria revista organiza. Atualmente, a premiação não é mais considerada mais importante do planeta, perdendo o status para o Fifa The Best desde o ano passado, quando deu fim à parceria com a entidade máxima do futebol mundial. Entretanto, o troféu – concedido desde 1956 – ainda é cobiçado pelos atletas, sendo uma das referência no mundo do futebol.

Embora só chegue às bancas a partir desta terça-feira, a “France Football” deu uma prévia da reportagem sobre o atacante em seu site, onde afirma que a atuação da estrela na goleada histórica sobre o PSG, pelas oitavas de final da Liga dos Campeões, foi um marco na carreira do atleta.

“Haverá para o PSG um antes e um depois de 8 de março de 2017. Para Neymar também”, diz a revista, que ainda aponta que o brasileiro foi “a única estrela” da partida que marcou a maior virada da história dos confrontos de mata-mata da Champions. Além disso, exalta números da carreira do astro, citando os 51 gols pela seleção brasileira e os 100 com a camisa do Barça, aos 25 anos.

O brasileiro terá a chance de brilhar mais uma vez na Liga dos Campeões nesta terça-feira, quando o Barcelona enfrenta o Juventus, em Turim, às 15h45 (de Brasília), no jogo de ida das quartas de final.
MASCHERANO DEFENDE

A expulsão diante do Málaga gerou críticas a Neymar, não só pelos motivos que o levaram a tomar dois cartões amarelos, mas pela postura de ironia ao deixar o campo, que pode deixá-lo suspenso por três jogos e fora do clássico contra o Real. Entretanto, Mascherano fez questão de sair em defesa do brasileiro. Um dos mais experientes do elenco do Barça, o argentino tratou de minimizar o caso, em entrevista coletiva na véspera do confronto contra o Juventus, no jogo ida das quartas de final da Liga dos Campeões, que será realizado nesta terça, em Turim, às 15h45 (de Brasília).

Neymar foi expulso aos 20 minutos do segundo tempo do duelo contra o Málaga, depois atingir de forma dura Llorente – ele havia levado um cartão amarelo no primeiro tempo, quando impediu uma cobrança de falta adversária ao parar para amarrar suas chuteiras em frente à bola. Com um a menos, o Barça sofreu em busca do empate e acabou levando mais um gol, vendo a diferença para o rival Real Madrid aumentar para três pontos. Mascherano, porém, garante que não houve cobrança a Neymar nos vestiários.

– Não punimos uns aos outros, mas pelo contrário. Quando alguém está mal ou entra em dificuldade, somente apoiamos e tratamos de ajudá-lo – comentou.

Daniel Alves enfrenta o Barça pela primeira vez

gettyimages-653376942

Foram oito temporadas, 391 jogos e 21 gols até que Daniel Alves deixou o Barcelona. Segundo ele, por desgaste. O reencontro está marcado para esta terça-feira, agora defendendo o Juventus, em Turim, pelo jogo de ida das quartas de final da Liga dos Campeões.

Em entrevista ao site da Fifa, o lateral-direito brasileiro detalhou os motivos que o levaram a optar pela mudança de ares – ele assinou contrato por dois anos com a Velha Senhora. Admitiu que estava numa “linha de fogo” e brincou ao falar do presente do Barça:

– Tenho certeza que eles sentem falta de mim (risos)! Eu levei um pouco de alegria ao vestiário. Eu conversei com eles e me disseram que é isso o que eles mais sentem falta de mim: o quão feliz eu sou e como eu sou – disse. Daniel Alves também falou sobre a nova casa e a oportunidade de atuar ao lado de grandes defensores.

Confira a entrevista completa abaixo:

Após muitos anos na Espanha, como você se sente num novo país e clube?

É diferente, mas é um desafio ao mesmo tempo. Foi estranho, mas eu sempre gostei de um desafio, e é por isso que eu decidi mudar.

gettyimages-529161344

Ao mesmo tempo, deve ter sido estranho vestir a camisa preta e branca.

Sim, foi estranho! Eu joguei pelo mesmo time e com os mesmos companheiros por muitos anos. É estranho, mas isso é o futebol. Eu sou uma pessoa muito inquieta e novas experiências me empolgam mais do que qualquer outra coisa. E é o que eu estou tendo agora com Juve.

Como é atuar com defensores do calibre de Buffon, Chiellini e Bonucci?

Eles são lendas do esporte. São excelentes defensores, o que você já esperava, pois a liga italiana é muito exigente nesse sentido. Até mesmo quando você joga numa posição mais avançada como a minha, você precisa trabalhar duro, ser muito competitivo e defender bem. Esse foi o passo que eu precisei dar nos meus primeiros meses aqui. Acho que eu me adaptei às ideias muito rapidamente. Eu me vejo como uma pessoa inteligente e mantive minhas habilidades enquanto meu futebol evoluiu. Se você quer melhorar, você precisa manter o que você tem e aprender novas coisas.

Como você vê o Barcelona agora, à distância?

É estranho! Tenho certeza que eles sentem falta de mim (risos)! Acho que eles me apreciam como profissional, jogador de futebol, e como alguém que era bom ter ao redor, que faz cada jogo único, com uma nova dança, música ou qualquer coisa. Eu levei um pouco de alegria ao vestiário. Eu conversei com eles e me disseram que é isso o que eles mais sentem falta de mim: o quão feliz eu sou e como eu sou. Eles dizem que eu sou único (risos).

O vestiário do Juve é tão diferente?

Esse é um dos desafios que eu precisei enfrentar. Eu preciso sentir alegria na minha vida. Preciso de um bom ambiente. Acredito na energia e sinto que o que você faz em campo reflete em quem você é fora dele. É um dos problemas que eu tive. Na Itália, alguns companheiros podem ser muito sérios e não muito expressivos. Eu sou completamente o oposto! Sou feliz, divertido para estar por perto, e eu gosto de um bom ambiente. Eu me sinto um pouco restrito nesse aspecto e me dá a impressão de que tem algo faltando (risos). Mas, como eu disse, é um desafio, e acho que tenho muito a oferecer ao Juventus. Espero que eles se acostumem comigo, caso contrário, eu vou apenas tentar me encaixar.

Vale a pena ver (sempre) – “A Embriaguez do Sucesso”

SweetSmellofSuccess1957_24062_678x380_10252013022316

O subserviente assessor de imprensa Sidney Falco (Tony Curtis) é a contra-face na medida certa para o arrogante, inescrupuloso e manipulador colunista social J.J. Hunsecker (Burt Lancaster) em “A Embriaguez do Sucesso”, obra-prima dirigida por Alexander Mackendrick (1957). Ao longo de 90 minutos o filme descreve uma relação sempre tensa, alimentada por ironia, cinismo e mútua dependência. Com fortes influências do cinema noir, a obra é uma crônica sobre amor e ódio tendo como pano de fundo o jornalismo de futilidades e pequenas maldades.

Os diálogos concebidos por Clifford Odets e Ernest Lehman são autênticas metralhadoras de sarcasmo e desapreço. À época do lançamento nos Estados Unidos, o personagem de Hunsecker foi comparado ao conhecido colunista social Walter Winchell, que usava sua coluna para desancar o sujeito que queria se casar com a sua filha.

Já Martin Scorsese, em A Personal Journey with Martin Scorsese Through American Movies (1995), põe Hunsecker no mesmo patamar do senador conservador Joseph McCarthy, que se cercava de uma rede poderosa de informantes e bajuladores. Suas táticas de intimidação o tornaram uma instituição nacional, mas sua desfaçatez moral se revelaria posteriormente. O filme trata de jornalismo, mas é, acima de tudo, um tratado sobre o cinismo e a manipulação das pessoas.

Lembro que a primeira vez que vi “A Embriaguez do Sucesso” fiquei impressionado com o show de imagens em preto e branco – fotografia de James Wong Howe. A trilha sonora em tons jazzísticos foi confiada a Elmer Bernstein. As tomadas noturnas conferem ao filme o mérito de fazer um retrato primoroso da Nova York dos anos 50. Em meio à luminosidade dos faróis dos carros e letreiros de lojas emerge a verdadeira atmosfera sombria desse drama sujo. “I love this dirty town”, costuma resmungar Hunsecker ao caminhar pelas ruas da Big Apple.

Bastardos gloriosos

POR GERSON NOGUEIRA

O futebol, como a vida, às vezes avança quando dele menos se espera. É tão forte que consegue dar passos evolutivos em meio à mais inclemente das pindaíbas. Por força da necessidade, a dupla Re-Pa parece parece de repente ter redescoberto o imenso celeiro de jovens jogadores, quase sempre inaproveitado em épocas de bonança econômica.

A mudança de filosofia mais óbvia se verifica no Remo. Atordoado pelas dívidas (trabalhistas e fiscais, principalmente) e na iminência de perder patrimônio, o clube lançou mão do que as divisões de base produziram nos últimos cinco anos.

No Papão, a situação é um pouco mais tranquila. Não há o desespero por obter receita que tanto assola o rival, mas existem problemas de natureza técnica. Nos tempos bicudos ora vividos pelo futebol brasileiro, garimpar bons jogadores no mercado da bola virou uma quase loteria.

E é justamente aí que desponta a importância dos boleiros feitos em casa. Na Curuzu, alguns se destacaram aliando sucesso junto à torcida com a valorização externa, como Yago Pikachu, que não rendeu dinheiro ao clube, mas foi importantíssimo enquanto defendeu a camisa alviceleste.

No confronto de sábado em Paragominas, válido pela 10ª rodada do Campeonato Estadual, o Remo alinhou nada menos que 10 atletas caseiros: Jefferson, Tsunami, Max, Lucas Vítor, Gabriel Lima, Felipe, Luís Cláudio, Caio, Jaquinha e Fininho.

O nobre leitor e baluarte há de ponderar que isso ocorreu porque o técnico Josué Teixeira não tinha outra saída, com tantos titulares lesionados e suspensos. Acontece que, em outros tempos, até recentes, o elenco estaria recheado de sucatas importadas de outras praças. Atletas inferiores (e mais caros) aos jogadores regionais.

Sem dinheiro em caixa, a nova diretoria arranjou soluções simples e caseiras, fugindo aos custos de contratações duvidosas. Foi assim que, além dos moleques da base, o Remo manteve Flamel e trouxe os laterais Léo Rosa e Jaquinha, talvez suas duas melhores contratações no ano.

Diante de cenário tão educativo, é razoável perguntar: por que os dirigentes não pensam sempre em alternativas que sejam compatíveis com as finanças dos clubes¿ Será preciso sempre atravessar uma crise braba para enxergar as saídas mais inteligentes e sensatas¿ Que todos aprendam a lição deste começo de 2017: os jovens “bastardos” das divisões de base merecem mais atenção, respeito e oportunidade.

————————————————————————————————–

Arbitragem capenga e a volta triunfal de Sassá

Acompanhei ao treino de luxo do Fogão para a batalha contra o Atlético Nacional no meio da semana que se inicia. Uma coisa ficou óbvia: Sassá, bem condicionado, é um dos mais perigosos atacantes brasileiros. Só precisa ajustar mais a pontaria e aprender a tomar a decisão certa no último instante – item fundamental no arsenal de um atacante, segundo mestre Tostão. Em velocidade, drible e controle de bola, Sassá já é um dos melhores em atividade no país.

Provou isso ao se livrar de um marcador e bater inapelavelmente na saída do goleiro Júlio César. Gol que lembrou outro astro imortal botafoguense, o “furacão” Jairzinho, pai do técnico Jair Ventura. Sassá enfrentou problemas de ordem pessoal, andou pisando na bola no aspecto disciplinar e pegou um período de gancho no clube. Volta agora em melhor forma e pronto a reforçar o Botafogo no Carioca e na Libertadores.

Outro detalhe a observar no clássico entre Botafogo e Fluminense foi o baixo nível da arbitragem. Além da falha clamorosa no segundo gol alvinegro – vários jogadores na linha de impedimento –, o trio ainda vacilou na aplicação de critérios para faltas e cartões. É preciso haver mais seleção no setor de arbitragem, urgentemente.

Por fim, resta a constatação de que os cariocas criaram neste ano o campeonato mais escalafobético dos últimos tempos. Dividida em duas partes – Taça GB e Taça Rio –, a competição só dá valor de fato à primeira taça. Quem ganhar a Taça Rio (Vasco ou Botafogo) não terá qualquer vantagem extra nas finais.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 10)