Sinais de evolução

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POR GERSON NOGUEIRA

O vendaval parece ter amainado e o futebol do Papão começa a aparecer. Por isso, o aspecto mais importante da vitória sobre o Águia na sexta-feira foi a constatação de que Marcelo Chamusca encontrou o caminho que leva ao sonhado encaixe tático, usando mão de jogadores que já estavam disponíveis na Curuzu.

O segredo está na nova configuração do meio-de-campo, que agora atua com um armador à frente de dois volantes. Enquanto o técnico insistia com os três volantes, as jogadas elaboradas não aconteciam e o time ficava absolutamente previsível.

Os desafios enfrentados em Marabá foram superados pela boa produção coletiva e o brilho individual de cinco jogadores – Alfredo, Leandro Carvalho, Wesley, Will e Ayrton. Todos se beneficiaram diretamente do eficiente trabalho da meia-cancha.

Depois da natural pressão inicial imposta pelo Águia, o Papão foi se adaptando ao gramado e equilibrou as ações já por volta dos 20 minutos. Resguardado na defesa, o time começou a procurar o gol. Encontrou aos 34 minutos, em jogada que evidencia o entrosamento do time.

Wesley roubou bola junto à linha lateral e armou um contra-ataque perfeito. Leandro Carvalho foi lançado e passou a bola para Alfredo avançar até a linha de fundo. O cruzamento saiu rasteiro, passando pelo goleiro e chegando a Will, que entrou de carrinho para fazer o gol.

Na etapa final, o esforço do Papão foi para controlar as tentativas de Tiago Mandií, Eric, Vinícius e Ednaldo, os mais perigosos e lúcidos do Águia.

Já com Capanema e Sobralense substituindo a Wesley e Diogo Oliveira, o time resistiu até os 29 minutos. Mandií foi lançado na direita e acabou derrubado por Hayner quando se preparava para cruzar. Ednaldo cobrou o penal e empatou.

A pressão aumentou, mas a firmeza do Papão no meio impedia que o jovem time do Águia conseguisse ajustar uma boa sequência de ataques.

Seguro nos desarmes, o Papão passou a se beneficiar do avanço de Ayrton no espaço deixado por Ednaldo. Foi assim que nasceu o gol mais bonito da noite, novamente pelo lado direito.

O lateral recebeu a bola, tocou para Sobralense, que devolveu de letra. Ayrton apareceu à frente e bateu rasteiro, desempatando o jogo, aos 38’. Um lance nascido da combinação de esforço coletivo e méritos individuais, como Chamusca tanto defende.

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Golpe na CBF impõe séria derrota ao futebol

Mestre Tostão foi o primeiro a cantar a pedra sobre a nova artimanha da CBF. Em meio à excelente arrancada da Seleção Brasileira nas Eliminatórias, Marco Polo Del Nero articulou e conseguiu modificar o estatuto da entidade, aumentando ainda mais o poder eleitoral das federações estaduais, que passam a ter votos com peso três contra peso 2 dos clubes da Série A e peso 1 dos integrantes da Série B.

O ardil pode ser assim explicado: se as 27 federações estaduais fecharem apoio a um mesmo candidato à presidência da CBF ele terá 81 votos, quantidade suficiente para derrotar os votos dos clubes (60).

A manobra frustrou quem acreditava que a partir do Profut se alcançaria finalmente o equilíbrio natural das coisas, estabelecendo que o colégio eleitoral da CBF fosse composto por 40 votos de clubes e 27 de federações.

Para se ter ideia do tamanho do prejuízo, a alteração deixou o conjunto de votos dos clubes, das séries A e B, com o mesmo peso que tinham antes apenas os da Série A – 42,5%. A elite do futebol brasileiro fica assim reduzida a 28% dos votos no pleito da CBF.

O fato é que a CBF impôs na marra os conceitos de seus arcaicos (e espertos) dirigentes, segundo os quais as federações são representantes naturais dos clubes. É de conhecimento até do reino mineral que os clubes são muito mais importantes e que quase sempre marcham em sentido contrário ao das entidades estaduais que bancam a cada vez mais antidemocrática CBF.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa, a partir das 20h45, na RBATV. O técnico Marcelo Chamusca (PSC) é o convidado. Participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 02)

Jornalista faz dissertação de mestrado sobre o Fenômeno Azul

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A jornalista Aline Freitas, de 28 anos, apresentou, no último dia 24, uma dissertação de mestrado no curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Pará (UFPA), que analisou os laços de afeto que envolvem os torcedores do Clube do Remo, a partir de processos socioculturais comunicativos. O trabalho foi defendido para mais de 40 pessoas que estiveram presentes na Faculdade de Comunicação (Facom) da UFPA, grande parte da torcida do Leão. Com orientação do professor Dr. Fábio Castro, Aline estudou, por dois anos, a relação dos azulinos com o clube.

– Minha dissertação analisou cientificamente a relação emocional que a torcida do Remo estabelece com o time de futebol e, para isso, me coloquei na pesquisa como jornalista, pesquisadora em comunicação, apaixonada por futebol e torcedora do Clube do Remo, disposta a analisar, através de um olhar atento, as inquietações, depoimentos e respostas dos remistas sobre o amor que sentem pelo clube. A minha formação acadêmica, pessoal e a vivência nos estádios foram somadas a um referencial teórico-metodológico com foco na perspectiva da intersubjetividade – explicou Aline Freitas, que teve o trabalho aprovado pela banca avaliadora. (Do GE Pará)

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Leão se prepara para batalha no Zerão

De folga neste sábado, os jogadores do Remo têm reapresentação marcada para a manhã de domingo no estádio Evandro Almeida e em seguida viajarão para Macapá-AP. O time enfrenta o Santos-AP na segunda-feira, às 19h, no estádio Zerão, precisando de um empate para seguir na Copa Verde. Na capital amapaense, o técnico Josué Teixeira ainda comandará um último treinamento.

No treino da sexta-feira, o grupo continuou sem a presença dos meias Flamel e Rodrigo e dos atacantes Jayme e Nano Krieger, que se recuperam de lesões. Todos estão sob tratamento intensivo para iniciar a fase de transição. Na partida de ida, no Mangueirão, o Remo venceu por 2 a 1, com muita dificuldade.

A diretoria do Santos colocou ingressos à venda, com arquibancadas a R$ 100,00.

Belém, a cidade que apodreceu

POR EDYR AUGUSTO PROENÇA

Hoje volto a um tema sobre o qual já escrevi. Mas é que há algumas semanas, voltando de viagem, saudoso dos meus, das minhas coisas e da cidade, levei logo uma bofetada ao trafegar em direção à minha casa. Talvez nunca Belém tenha estado tão mal. Após duas administrações seguidas, uma delas (será que chegará ao final?) mal iniciada. Após um Átila, rei dos hunos, passar pela Prefeitura, temos outra figura que se destaca pela inação. Onde foi parar o dinheiro de Belém? Faliu? Logo após a reeleição, discutida na Justiça que, ao que parece, está docemente convencida a perdoar os erros, esperou-se pelas promessas. Nada veio. As ruas estão esburacadas, sem sinalização, sem fiscalização, com fiscais preocupados apenas em multar. Não há lei com um número de mortes, no centro e na periferia, superior ao de guerras no Oriente Médio. Diariamente. Há poucos dias, onze da noite, ouço cinco tiros na Riachuelo. Tá lá um corpo estendido no chão. Convenientemente alguns minutos depois, uns dez carros de Polícia chegaram para conferir. É a Polícia que está matando, sem uniforme e com a aquiescência dos superiores? São os traficantes? O povo no meio disso. E balas zumbem em nossos ouvidos.

A falta de lei reflete nos mínimos deveres civilizatórios. É a lei da selva. Faz-se o que quer. Penso que, de maneira pensada, se alguém decidir sair nu e cometer toda a série de crimes, nada lhe acontecerá, sequer aparecerá alguém reclamando. Lojas fecham. Camelôs se instalam onde bem entendem. São avisados da alguma blitz. Está tudo dominado. O governador sumiu. Se não há mais nada a fazer, qual a razão da reeleição? Pergunto o mesmo ao prefeito. Em alguns bairros, a lei do silêncio e o toque de recolher é decretado por outros poderes. E o que fazemos aqui? Tive várias chances quando jovem, de ir embora. Boas tentações. Não fui. Devia ter ido? Sei lá. Mas hoje, novamente, vem a vontade de “capar o gato”. Ir para outro país, como Portugal. Estávamos em uma cidade estrangeira. Minha mulher sai e tem a bolsa firmemente segura, braços cruzados até que, de repente, cai na risada e deixa a bolsa em seu lugar normal. Não estamos em Belém. Claro, nenhum lugar é um paraíso, mas aqui estamos longe, muito longe de ter qualquer segurança. Pior para os jovens. O que há para eles? Nada.

Os que escapam para São Paulo, por exemplo, amargam longa procura por emprego. Um deles declarou : nos disseram que bastava estudar muito para depois ter um emprego muito bom. Não é verdade. Têm pós graduação e outros e conseguem emprego com nível de primeiro grau. Mas ficar aqui? Vivendo no quarto, ligado na internet, tv a cabo, a garota que dorme com ele e dependendo dos pais? E a galera da periferia? Muito pior. Universidades soltam a cada semestre um sem número de próximos desempregados. Não há mercado de trabalho. Talvez como camelô, tão adorados pelos prefeitos. Não produzimos nada.

Nossa elite passa finais de semana em Miami, pelo mundo, e não traz nada para usar aqui. Vive em mansões de 50 andares, palácios, mas quando sai à rua, pisa na lama. Esse BRT é um erro brutal, grandioso, que nunca ficará pronto. Dane-se a cidade. Vêm aí novas eleições. Nova chance para, mais uma vez, errarmos. E dizemos que amamos Belém? Ouvimos Fafá cantar a música do pai e da tia Adalcinda e choramos. Devíamos era chorar de raiva. Ir para as ruas. Quebrar tudo. Botar pra fora esses incompetentes. Esses caras têm sorte de sermos um povo frouxo. Que pena, Belém. O último a sair, apague a luz, se já não estiver cortada.

(Publicado em O Diário do Pará, Caderno TDB, Coluna Cesta e opiniaonaosediscute.blogspot.com em 31.0317)