Terceirização vai aumentar a precarização no jornalismo

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) se pronunciou sobra a aprovação do Projeto de Lei 4302/98 pela Câmara dos Deputados, que libera a terceirização em todas as atividades das empresas. De acordo com a entidade, que repudia a aprovação, a medida vai precarizar o jornalismo, além de ser um golpe contra os direitos trabalhistas.

No texto veiculado no site do sindicato, a entidade alerta que a terceirização não vai legalizar a “pejotização” na categoria. “A prestação de serviço continuará caracterizada como relação de trabalho – pela pessoalidade, habitualidade e subordinação do empregado – mas vai manter a redução de direitos, como férias e 13º salário, na comparação com um jornalista não terceirizado”. O SJSP fala ainda sobre “quarteirização”, quando uma empresa de terceirização subcontrata outras para a prestação de serviço.

O sindicato afirma que não reconhece qualquer legitimidade na votação que aconteceu na quarta-feira, 22, e acusa o governo de ser ilegítimo. “Uma manobra que ressuscitou um Projeto de Lei enterrado há quase duas décadas”, escreveu a entidade. (Do Comunique-se) 

Ator rejeita papel de FHC e diz que filme da Lava Jato é propaganda tucana

O filme sobre a operação Lava Jato “Polícia federal – A lei é para todos” voltou a ser criticado na imprensa. A película, que obteve de maneira ilegal imagens da condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu comentários negativos do ator da Globo Herson Capri.

C8b4T8cXgAIL0XUSegundo o colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo, Herson Capri foi convidado para representar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) no filme. E teria recusado o convite. “Publicamente, ele não fala sobre o assunto, em respeito aos colegas, profissionais que ele ‘respeita muito, independentemente da posição política’. Mas, a um amigo, Capri disse que o filme é ‘uma peça de propaganda do governo do PSDB, do Plano Real e do mandato do FH, visando a 2018′”, diz Ancelmo Gois em sua coluna deste domingo, 2.

Leia a nota:

Contra o Plano Real?

A produção do filme “Polícia Federal – Al lei é para todos”, sobre a Lava Jato, convidou Herson Capri para o papel de FH. O artista recusou. Publicamente, ele não fala sobre o assunto, em respeito aos colegas, profissionais que ele “respeita muito, independentemente da posição política”. Mas, a um amigo, Capri disse que o filme é “uma peça de propaganda do governo do PSDB, do Plano Real e do mandato do FH, visando a 2018”.

O filme polêmico, que é financiado por um investidor de identidade não revelada, é alvo de críticas por todos os lados. Neste fim de semana, o diretor da revista Carta Capital, Mino Carta, apontou ilegalidades na produção do longa e disse que a obra é mais uma prova de que a lei não é para todos.

“A que se destina a obra? Que papel se atribui a Lula ainda em julgamento baseado nas convicções do promotor Dallagnol, um dos heróis da película? Fácil imaginar que o ex-presidente venha a ser o vilão, de sorte a favorecer a convicção do pregador da guerra santa”, diz Mino Carta. “Estamos diante de um absurdo total, um acinte jurídico, para se somar a tantos deslizes e irregularidades cometidos na República de Curitiba”, afirma. (Da Revista Fórum)

Propinas serviram para enriquecimento pessoal de Serra

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POR LUIS NASSIF, no Jornal GGN

A informação da coluna Radar da Veja, de que a Odebrecht teria feito pagamentos milionários ao senador José Serra na conta de “uma parente” e através do lobista José Amaro Pinto, é a pá de cal na carreira do senador. Desvenda-se o maior segredo de Polichinelo da história da república: o processo de enriquecimento de Serra na política.

A parente de Serra obviamente é a filha Verônica. Completando a delação do executivo da Odebrecht, há a famosa tarja preta que a Polícia Federal colocou na agenda telefônica de Marcelo Odebrecht, antes de vazar a agenda para a mídia. Amadores, chamaram imediatamente a atenção de todos e não se deram conta de que um bom editor de imagens eliminaria as tarjas revelando os nomes. O compromisso tarjado era de Marcelo Odebrecht, com uma reunião com José Serra justamente no escritório de Verônica.

Com a possibilidade aberta, agora, de quebrar o sigilo das contas de Verônica Serra, especialmente dos seus fundos de investimentos, será bastante simples desvendar todo o sistema de lavagem de dinheiro de Serra, que o transformou em um dos políticos mais ricos do país.

Os dois caminhos de Serra para a lavagem de dinheiro foram o mercado de tecnologia e o de obras de arte – ambos propícios à lavagem devido às precificações bastante voláteis e subjetivas.

Pessoas que visitaram Serra em sua casa, aliás, se espantaram com a quantidade de obras de arte espalhadas pelas paredes. Na denúncia que a PGR encaminhará ao STF (Supremo Tribunal Federal), se saberá qual o estágio atual de Rodrigo Janot em relação à blindagem de Serra. Se não incluir abertura de contas de Verônica e arresto de obras de arte, não será uma investigação séria.

Aqui está um roteiro simples e algumas pistas  para destrinchar os métodos de lavagem de dinheiro de Serra:

  1. O caso Santander-Banespa

Desde os idos de 2.000, Serra já se valia das incursões de Verônica no mercado de tecnologia para lavar dinheiro. Quem a conheceu na época sabia ser uma moça limitada, sem noção clara sobre empresas startups. Mesmo assim, conseguia feitos extraordinários.

O primeiro deles foi sua aproximação com argentinos da Patagon – um sistema de banking eletrônico. Verônica conseguiu vender para o Santander por US$ 700 milhões, uma soma impossível. O próprio presidente do banco participou das negociações.

Anos depois, procurei mapear os interesses do Santander na época. O maior deles era relacionado com a compra do Banespa. Para conseguir viabilizá-lo economicamente necessitava que fossem mantidas no banco as contas dos funcionários públicos e do Estado. A lei impedia.

De alguma forma, o Santander obteve a autorização. Embora o tempo transcorrido seja grande, provavelmente o rastro do dinheiro mostraria os beneficiários desse jogo e a maneira como conseguiu atropelar as leis e preservar as contas públicas, mesmo após a privatização do banco.

Pouco tempo depois, o Santander pagou US$ 5 milhões para os argentinos receberem o software de volta. Hoje em dia, ele repousa em um computador desligado, em um banco médio paulista.

  1. O caso Experian-Virid

O grupo britânico Experian adquiriu a Serasa e avançou como um leão faminto sobre o mercado de avaliação de devedores e de bancos de dados. Nessa ocasião houve a entrega para Experian do banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral pela presidente Carmen Lùcia. A operação voltou atrás depois do protesto de Marco Aurélio de Mello. Carmen Lúcia provavelmente não sabia dos valores envolvidos no mercado de banco de dados. Mas seria interessante saber dela quem a convenceu a oferecer o banco de dados do TSE.

A operação mais suspeita da Experian foi com os Cadins (Cadastro dos Devedores) estaduais. No final do seu governo, Serra entregou à Experian o Cadin do estado. Além do mais valioso, abriu as portas da Experian para os demais Cadins estaduais.

Pouco tempo depois, Verônica adquiriu participação em uma empresa de e-mail marketing, a Virid – que, na opinião de analistas de mercado não deveria valer mais de R$ 30 milhões. Em seguida revendeu-a para a Experiência por R$ 104 milhões. Na época, consultei o setor de relações com o mercado da Experian, em Londres, e me informaram que o valor da operação era sigiloso.

  1. Os negócios com Daniel Dantas

No livro “A Privataria Tucana”, o repórter Amaury Junior esmiuça os jogos de offshores de Verônica.

Há dois episódios pouco analisados e escandalosos. Um deles, o site de comércio exterior que Verônica montou com a irmã de Dantas e que conseguiu o acesso a informações sigilosas do Banco Central e do Banco do Brasil. Se não fosse denunciado, valeria dezenas de milhões de dólares.

Na campanha de 2002, Serra esquentou a casa onde morava, perto da Praça Pan-americana, com recursos supostamente enviados por Verônica dos Estados Unidos. Foi um esquentamento feito às pressas, depois que o PT levantou suspeitas sobre a casa.

Aliás, a história da casa é relevante. Serra a adquiriu quando Secretário do Planejamento de Montoro e quando corriam rumores da montagem de uma indústria de precatórios no Estado: mediante propinas, conseguia-se furar a fila de anos. Serra sempre dizia que alugara a casa – enorme – porque conseguira um aluguel especial com o proprietário.

  1. Os fundos de investimento

O fundo de investimento de Verônica Serra possui 10% do Mercado Libre, portal cotado até pouco tempo na Nasdaq em US$ 2 bilhões. Quebrando o sigilo de Verônica, será fácil rastrear a maneira como em tão pouco tempo ela acumulou um capital de US$ 200 milhões em apenas um investimento.

  1. O fator José Amaro Pinto

O lobista José Amaro Pinto sempre teve ligações estreitas com o lado FHC do PSDB. Foi colega de Sérgio Motta e FHC na Sociologia e Política. É um senhor já de idade, culto, cortês e que, até esta última informação, era conhecido como lobista dos grupos franceses junto ao Brasil. Dentre seus clientes estava a Dassault, que fabrica os Mirage, a Tales, de radares, e a notória Asltom.

Com a informação de que foi o intermediário entre a Odebrecht e Serra, surge a verdadeira face de Ramos: em vez de lobista da França no Brasil, era lobista do PSDB junto a interesses franceses.

Pasquim da direita já trata Aécio como lixo descartável

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POR FERNANDO RODRIGUES, no blog Tijolaço

Aécio Neves vai se tornando um caso clássico de feitiço que vira contra o feiticeiro. A capa da Veja desta semana, dando conta de que ele, através da irmã Andre Neves, operava uma conta milionária em Nova York na qual eram depositadas propinas – entre elas as relativas às “mesadas” sobre a construção da Cidade Administrativa e recompensas por acertos na Usina de Santo Antônio, em Rondônia, da qual a Cemig é sócia.

A informação é  do vazamento – mais um deles -de uma das das dezenas de delações de executivos da Odebrecht e, claro, precisa ser provada, embora seja difícil que, se lhe faziam depósitos, não haja comprovantes de tais entradas de dinheiro. Que seriam, no total, superiores a 70 milhões de reais apenas nos “negócios” da Cidade Administrativa, que custou R$ 2,1 bilhões.e fariam dele o “campeão”

A culpa de Aécio, como a de qualquer um, tem de ser provada.

Mas a grande ironia de toda história é ele ter sido tragado pelos mesmos motivos, com os mesmos métodos e, afinal, pela mesma revista a que ele, até há pouco, apelava para fazer a luta política que não conseguir fazer em propostas e votos.

Durante dois anos foi preservado pela hipocrisia.

Agora, que é inservível, será descartado como um lixo, por enquanto chique, pelos grupos que promoveu e estimulou.

É preciso abrir espaço para um novo “golden boy” da direita.