Archive for 6 de abril de 2017

Gigantes da MPB – Nelson Cavaquinho

6 de abril de 2017 at 13:12 Deixe um comentário

Vale a pena ver (sempre) – O Grande Lebowski

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POR GERSON NOGUEIRA

Revi noite dessas, no Telecine, o sensacional “O Grande Lebowski”, dos irmãos Joel e Ethan Coen. O filme é de 1998 e, pelo que me recordo, não estourou nos cinemas como se imaginava. Pois revi e gostei ainda mais. A cada cena uma nova descoberta. Quando o filme foi lançado seria difícil capturar o chamado gosto médio. É uma comédia espertíssima, cínica, antenada, com dezenas de referências à cultura pop e uma trilha sonora afiadíssima. Acima de tudo, é um filme de temática livre, com história central confusa e que não tem lá muita importância, pois o que conta mesmo é o “não fazer nada” dos personagens centrais vividos por Jeff Bridges, John Goodman e Steve Buscemi.

Dude, um gente boa meio doidaço vivido com extrema perícia por Bridges, já é visto como um dos grandes personagens do cinema contemporâneo, encharcado de trejeitos pop. Sempre de poncho, bermudão e chinelos, Dude gasta o tempo jogando boliche, fumando baseado, bebendo cerveja e tomando um drinque chamado “White Russian”.

Seu bem-bom só é interrompido quando entra em cena um milionário homônimo em cadeira de rodas, cuja mulher supostamente foi sequestrada por bandidos niilistas. Elementos do cinema noir se misturam aos delírios de Dude e às trapalhadas de Walter (Goodman).

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Comédia pontilhada de cenas pesadas, bem ao estilo dos brothers Coen, O Grande Lebowski vale mais pelo que insinua e transmite do que propriamente pela história que conta. Dude é um hippie perdido na Los Angeles atual, tentando levar um estilo de vida descompromissado, orgulhoso dos próprios fracassos e da eterna pinimba com reacionários.

O filme teria tudo para ser apenas uma viagem colorida pelo cenário de Los Angeles, mas a interpretação despudorada de Bridges e a mão firme dos Coen transforma tudo em ouro puro, incluindo as referências ao cinema pornô e à indústria do disco. As piadas seguem atualíssimas e verossímeis.

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Uma curiosidade do filme é que Bridges usou em cena suas próprias roupas caseiras como itens do figurino. Participou de todos os aspectos de construção do personagem, ajudado pelo fato óbvio de que Dude foi elaborado pensando justamente nele. Bridges exercita seu talento para papéis cômicos e expressa o tempo todo um requinte na composição de um anti-herói típico.

Gravitam em torno de Dude personagens exagerados e não menos hilários, como Doony (Buscemi), Jesus (John Turturro) e a excêntrica Maude (Julianne Moore). Um festival de absurdos que em outras mãos teria virado um mingau insosso.

Apaixonados pelo cinema, os irmãos Coen esbanjam conhecimento da sétima arte, enxertando cenas de tributo aos musicais de Busby Berkeley – cuja coreografia valoriza desenhos geométricos – e sátiras aos filmes policiais e às comédias de humor negro.

O capricho com que a trama e os detalhes de O Grande Lebowski foram tecidos diz muito do devotamento que os irmãos Coen têm pelo cinema como manifestação artística. O resultado final é uma bênção para os cinéfilos e uma diversão para os sentidos. Grandes filmes parecem ter o dom de se fazerem eternos.

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