Governo compra o apoio da mídia à reforma da Previdência

angora-1492104308-e1492104408520

POR JOÃO FILHO – The Intercept Brasil

Acendeu o sinal amarelo no Planalto. Uma rachadura na antes sólida base aliada está dificultando a aprovação da Reforma da Previdência. Segundo levantamento feito pelo Estadão, 275 deputados são contra as mudanças e apenas 101 são a favor. Por isso, o governo passou a distribuir cargos e emendas parlamentares em troca de apoio. Até aí, nenhuma novidade. Esta é uma prática comum na democracia brasileira e todos os governos anteriores lançaram mão dela. Mas uma outra estratégia do governo foi anunciada essa semana sem o menor pudor: distribuição de verbas publicitárias em troca de apoio editorial à Reforma da Previdência.

O plano foi desenhado pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco (PMDB), o Gato Angorá, que é um propineiro de mão cheia segundo ex-executivos da Odebrecht. Percebam que o governo não pretende apenas comprar espaço publicitário para promover a reforma, mas fazer isso em troca de uma opinião favorável de jornalistas e apresentadores:

“A estratégia do Palácio do Planalto para afastar as resistência à reforma é fazer com que locutores e apresentadores populares, principalmente no Nordeste, expliquem as mudanças sob um ponto de vista positivo. Os veículos de comunicação que aderirem à campanha terão direito à publicidade federal.” – Estadão

Mas a situação é ainda mais grave do que isso. A indicação dos veículos de imprensa para receber publicidade ficará a cargo de deputados e senadores. Eles poderão, inclusive, indicar seus próprios veículos. Portanto, a reforma ganharia apoio não só da imprensa contemplada com publicidade, mas da bancada governista que tem se colocado contra este assassinato dos direitos dos aposentados. Como bem disse um auxiliar de Temer, a estratégia “mata dois coelhos com uma só cajadada”. Eu diria que ela mata os direitos previdenciários e compra a imprensa com um só golpe.

Com a eleição de 2018 se aproximando, vocês devem imaginar quantos parlamentares não estão louquinhos para fazer um agrado à imprensa da sua região. E uma pergunta se faz pertinente: que moral um congresso atolado na lama tem para fazer reformas que afetam tão profundamente a vida dos brasileiros?

Tudo isso seria um escândalo em qualquer país. Seria um escândalo neste país se o governo fosse o anterior. Mas não foi.

A notícia foi dada por Monica Bergamo na Folha de São Paulo e por Vera Rosa e Tânia Monteiro no Estadão —  que apoia a reforma com muito entusiasmo em seus editoriais  — mas não ganhou nenhum destaque nas capas impressas e dos seus portais. O Estadão preferiu colocar na capa uma foto dos tucanos Alckmin e Doria sorrindo ao lado da seguinte frase do governador sobre o prefeito: “Seria ótimo candidato” — talvez as prévias tucanas sejam mais importantes que o governo federal comprando apoio jornalístico.

Nos outros principais veículos do país, a notícia teve repercussão próxima de zero. As Organizações Globo, por exemplo, ignoraram completamente o fato. O que era para ganhar status de grande escândalo tornou-se um acontecimento irrelevante na mídia brasileira. Não é difícil imaginar o porquê.

Priorizar os veículos nordestinos é uma escolha certeira. A popularidade de Temer na região vem desabando com maior intensidade que no resto do país e comprar apoio editorial para a reforma também significa, por tabela, comprar apoio ao seu governo.

Esse é o drama do povo brasileiro. Enquanto o governo federal empurra a conta da crise para os trabalhadores com cortes profundos nos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, há aumento de verbas para a imprensa e perdão de dívidas bilionárias para banqueiros.

Na última segunda-feira, o CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais)  — órgão investigado pela Operação Zelotes por manipular decisões em favor das empresas — decidiu por 5 votos a 3, que o banco Itaú não precisa pagar R$ 25 bilhões em impostos referentes à fusão com Unibanco. Essa notícia também teve pouquíssimo destaque. E, enquanto esses R$ 25 bi deixavam de entrar nos cofres públicos, o programa Ciência Sem Fronteiras, que levava jovens para estudar no exterior e custava em torno de R$ 3 bilhões por ano, foi encerrado por falta de verbas.

Rádio Clube, 89 anos de glórias

unnamed

A Rádio Clube do Pará comemora hoje 89 anos de existência. Fundada pelo jornalista Edgar Proença, a emissora foi a quarta a ser inaugurada no Brasil e pertence hoje ao grupo RBA e mantém os níveis de audiência e credibilidade que a fizeram querida de todos os paraenses. A PRC-5, cujo prefixo era “A voz que fala e canta para a planície”, tem sido uma verdadeira escola para profissionais do rádio no Norte do país.

Programas de sua grade estão definitivamente na memória afetiva dos paraenses. É o caso do “Regatão”, do “Calendário Social” e do “Cartaz Esportivo”, até hoje no ar. A força de sua atuação no jornalismo esportivo, comandado por Guilherme Guerreiro, é um dos grandes pilares da sua audiência.

unnamed

Parabéns, PRC-5!

Discussão agita o ambiente no Leão antes do confronto decisivo

Às vésperas do jogo decisivo com o Independente, pelo Campeonato Paraense, uma polêmica agita os arraiais azulinos. Vetado para a partida devido a uma lesão na região posterior da coxa, o jogador Eduardo Ramos questionou a decisão da comissão técnica através das redes sociais e disse que jogaria até “com uma perna só” se fosse escalado.

O técnico Josué Teixeira respondeu, confirmando o veto médico e acrescentando que “quem joga com uma perna só é saci pererê”. O fato é que novamente às vésperas de partida importante surge um problema extracampo no Remo. Isso havia ocorrido antes do segundo Re-Pa do campeonato, quando o atacante Edgar foi barrado por indisciplina.

Safatle: “Futuro de cada brasileiro está sendo decidido por criminosos”

O povo brasileiro está permitindo que seu futuro e o das próximas gerações seja definido por criminosos. É o que aponta o filósofo Vladimir Safatle, num importante artigo publicado nesta sexta-feira.
images-cms-image-000542119
“Você deixaria o seu futuro e o futuro de seus filhos ser decidido por criminosos ou por pessoas com fortes suspeitas de crimes? Pois é isso que está acontecendo agora. Questões fundamentais para o seu futuro, como o sistema de aposentadorias e as leis trabalhistas, estão sendo decididas por pessoas indiciadas na participação em crimes milionários ou que são réus em ações penais correndo no STF. Só na última lista da Lava Jato são 24 senadores e 39 deputados indiciados, inclusive os atuais presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Além disto, quatro senadores e 50 deputados respondem atualmente por ações penais no STF”, diz ele. 
Safatle lembra a situação jurídica do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e diz que ele deveria ser afastado. “O mesmo presidente da Câmara, sr. Rodrigo Maia, que afirmava há alguns dias que a Justiça do Trabalho não deveria nem sequer existir, foi acusado por um delator da Odebrecht de receber R$ 350 mil diretamente em casa. Como alguém com tais acusações nas costas, em qualquer reles democracia liberal no mundo, poderia continuar presidindo a Câmara e decidindo modificações constitucionais?”

Segundo o filósofo, é preciso encontrar formas de defender a sociedade brasileira de quem usurpa o poder. “Deputados, presidentes não são ‘representantes’ do povo. No máximo, eles são seus ‘comissários’, como dizia Jean-Jacques Rousseau. Por isso, uma verdadeira democracia deveria ter, ao lado dos Poderes Executivo e Legislativo, a figura da assembleia popular a ratificar leis e apor seu aceite ou sua recusa. O povo deve ter as estruturas institucionais que lhe permitam continuamente se defender de quem procura lhe usurpar o poder.” (Transcrito do Brasil247)