Archive for 16 de abril de 2017

Confissão do golpe em rede nacional

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DA REVISTA FORUM

O presidente Michel Temer, em entrevista ao vivo na noite deste sábado (15), evidenciou, mais uma vez, que não foram as pedaladas fiscais que levaram ao impeachment de Dilma, e sim outros motivos que configuram um golpe. O atual presidente, a jornalistas, confessou que a petista foi derrubada porque o PT não salvou o ex-deputado Eduardo Cunha, até então presidente da Câmara, no Conselho de Ética, e que por isso o processo de impeachment foi aberto.

“Que coisa curiosa! Se o PT tivesse votado nele naquele Comitê de Ética, seria muito provável que a senhora presidente continuasse”, disse, com tranquilidade, o peemedebista.

Abaixo, a transcrição do trecho em que Temer faz a confissão.

Em uma ocasião, ele [Eduardo Cunha] foi me procurar.
 
Ele me disse ‘vou arquivar todos os pedidos de impeachment da presidente, porque prometeram-me os três votos do PT no conselho de ética’. Eu disse que era muito bom, porque assim acabava com essa história de que ele estava na oposição. (…) naquele dia eu disse a ela [Dima] ‘presidente, pode ficar tranquila, o Eduardo Cunha me disse que vai arquivar todos os processos de impedimento’. Ela ficou muito contente e foi bem tranquila para a reunião. 
 
No dia seguinte, eu vejo logo o noticiário dizendo que o presidente do PT e os três membros do partido se insurgiam contra aquela fala e votariam contra [Cunha no Conselho de Ética]. Mais tarde, ele me ligou e disse ‘tudo aquilo que eu disse, não vale, vou chamar a imprensa e vou dar início ao processo de impedimento ’
 
Que coisa curiosa! Se o PT tivesse votado nele naquele comitê de ética, seria muito provável que a senhora presidente continuasse.
 
E quando eu conto isso eu conto para revelar, primeiro, que ele não fez o impedimento por minha causa. E, segundo, que eu não militei para derrubar a presidente.”

16 de abril de 2017 at 19:30 Deixe um comentário

Hum hum…

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16 de abril de 2017 at 18:32 1 comentário

Ponte derruba o Verdão e abre vantagem

16 de abril de 2017 at 18:26 Deixe um comentário

Vasco vence reservas do Fogão e conquista a Taça Rio

16 de abril de 2017 at 18:22 Deixe um comentário

É hoje!!

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16 de abril de 2017 at 15:30 Deixe um comentário

A travestriste

POR EDYR AUGUSTO PROENÇA

Quando o mundo discute a questão da aceitação normal na sociedade dos trans e demais siglas, penso que conheço o travesti mais triste, ou talvez nem seja isso e eu apenas tenha criado um personagem a partir do pequeno contato que tive, e também por vê-la nos arredores de meu prédio, a partir de sábado e às vezes ainda no domingo. Pensei nela e resolvi escrever alguma coisa ao passar de carro, domingo, meio da manhã, pela Riachuelo e encontrar Blake e ela, discutindo. O Blake vocês conhecem, um moreno baixinho, meia idade, grisalho, que certamente por conta de poliomielite na infância, tem duas pernas prejudicadas. Por seu andar, o apelido deveria ser “Break”, por conta daquela dança nos anos 90, talvez. Mas como a pronúncia fica difícil, acabou sendo Blake. Como mantêm-se vivos esses personagens, confesso que não sei. Consumindo o que consomem, não comendo o que deveriam comer, dormindo ao relento, sujeitos a todas as intempéries, por muito menos eu já estaria em uma UTI. Mas estava falando do, vamos chamar de “Travestriste”. Infelizmente não sei o nome dela.

Uma vez, estava andando, sábado, pela manhã, na Praça da República, com meu golden Antonio e ela estava lá, lânguida, estirada em um dos bancos. Mexeu comigo por dever de ofício. O rosto melado da noite, olhos vermelhos, cansados, um bafo de bebida terrível, foi pelo costume. Ao agradecer e recusar, ela, como todos os moradores da rua, pediu um cigarro. Aproveitei para perguntar se trabalhava durante a semana, em um ofício, digamos, menos radical. Sou cozinheiro em um restaurante próximo daqui. Só me monto no final de semana.

Penso que inicia sua história, seu filme, seu enredo, na sexta à noite. Depila-se, faz maquiagem, unhas e sai, orgulhosa, certa de sua sedução. É agora uma mulher magérrima e creio que esconde pernas finas em calças com boca de sino. Sapatos de salto altíssimos. Uma camisa de manga comprida, colares, brincos gigantescos e um enorme rabo de cavalo no aplique. Sai por aí, rondando bares e inferninhos como um que dá a frente para o Boulevard e o fundo para a Manoel Barata. Para meu próximo livro, vou visitar esse antro, claro. Aquele centro da cidade é sua Broadway, o lugar onde desfila. Quando a vejo é sempre no sábado, virada, como se diz de alguém que não dormiu. No sol quente das nove da manhã, ela às vezes está jogada na calçada, guardando um mínimo de charme. Em outras, lutando contra o cansaço, a bebida, a ressaca, faz gestos em direção aos homens e motoristas que passam. Palavras doces, convites ao sexo, propostas. Gestos estudados no espelho, super femininos, lânguidos, repito a palavra.

Quando a vi, no tal domingo, Blake a empurrou e ela deixou-se chocar com a parede de uma casa, mas lá caiu em uma pose de foto, lembrei da expressão “Strike a pose”. Ri. E no entanto seu olhar encerra uma tristeza imensa. Tristeza de não viver plenamente sua feminilidade? Tristeza do mundo que vive, ante seus sonhos de grandeza? Por saber que no dia seguinte estará de volta a uma cozinha cheia de fumaça e cheiro de alho? O que pensa quando sai, toda semana, montada, rebolando, pelas ruas escuras e perigosas do centro?
Essa falta de tempo me impede de chegar próximo, mais uma vez, resistir à cantada de hábito e perguntar por sua vida, suas crenças, seus amores. O que somos nessa vida sem os nossos sonhos, nossos objetivos? O que nos faz, todos os dias, levantar, tomar uma chuveirada e sair para o mundo? Penso que se dermos tudo o que ela gostaria de ter, roupas, sonhos realizados, um amor, um mundo, ela nem saberia o que fazer. É preciso cuidado com o que sonhamos. Ela estará lá, a travestriste, neste final de semana, novamente.

(Publicado em O Diário do Pará, Caderno TDB, Coluna Cesta, e opiniaonaosediscute.blogspot.com em 14.04.17)

16 de abril de 2017 at 14:32 1 comentário

Vale a pena ver (e curtir) – “Californication”

POR GERSON NOGUEIRA

O Netflix disponibiliza desde dezembro as sete temporadas de Californication, série criada por Tom Kapinos e estrelada por David Duchovny com tal competência que a gente às vezes fica desconfiando que ele é mesmo Hank Moody, escritor pé-na-jaca, com um quê de Bukowsky e Kerouac. Sexo (muito sexo), drogas (em doses homéricas) e rock’n’roll (da melhor safra) marcam Californication. As reviravoltas que a história oferece são interessantes, embora as duas temporadas finais revelem um certo cansaço criativo.

O perfil aventureiro e a vida politicamente incorreta de Moody, o personagem central, é o gancho da série, que foi produzida pelo canal Showtime e permaneceu no ar por sete temporadas (entre 2007 e 2014). Irresponsável, egocêntrico, desordeiro e mulherengo ao extremo, Moody parece se esmerar em tomar as decisões erradas, transformando em caos tudo que toca ou vive à sua volta, incluindo a relação conturbada com Karen (Natascha McElhone).

Definida como comédia pelos rígidos padrões de classificação norte-americanos, Californication é também drama e até road-movie em alguns momentos. O tom estradeiro é dado pelo incessante ir e vir do personagem de Duchovny, um eterno insatisfeito, a zanzar sem rumo certo pelos caminhos tortuosos entre a fama e a sarjeta.

Tudo começa com a fase de estiagem intelectual de Moody, cujo bloqueio criativo não permite que consiga escrever uma mísera linha. Ele crê piamente que todos os seus problemas têm a ver com a distância em relação à ex-esposa Karen, seu grande amor, situação que gera atritos também com a filha adolescente Rebecca (Madeleine Martin, foto ao lado).

Curiosamente, alguns dos pontos mais frágeis da história se localizam na ligação piegas demais entre Moody e Karen. Apesar de excelente atriz, McElhone quase sempre destoa da linha bandalha e turbulenta do escritor. Ela é o contraponto às maluquices de Moody, mas fica a impressão de que o papel de musa inspiradora exigia alguém mais conectado, até fisicamente, com Duchovny.

Photo: Jordin Althaus/Showtime

Contribuem muito para a sustança da série personagens fortes, como a jovem problemática Mia Lewis (Madeline Zima), o melhor amigo Charlie (Evan Handler) e a depiladora maluquete Marcy (Pamela Adlon), além de participações especiais de Rob Lowe, Addison Timlin, Brandon T. Jackson, Oliver Cooper e Marilyn Manson, como ele mesmo.

Diversão é a palavra de ordem na vida de Moody, que tem visual e postura de roqueiro, misturando-se festivamente a alguns deles em muitos episódios. Clichês gostosos do rock também estão lá, como a cena em que a viúva de um guitarrista aspira suas cinzas (Keith Richards andou dizendo que tinha feito o mesmo com as cinzas do pai) e a referência direta ao processo autodestrutivo de astros como Kurt Cobain e Jim Morrison.

Confesso que gostei mais das quatro primeiras temporadas, com roteiros bem amarrados e coerentes, discutindo com escracho e mão firme alguns temas fortes, como tráfico de drogas, relação pai & filha, pedofilia e religião. Californication foi exibida no Brasil, na TV aberta (dublada), pelo SBT. A série ganhou 2 Emmys e o desempenho de excessos rendeu a Duchovny (ex-ator de Arquivo-X) um Golden Globe em 2008.

Os primeiros episódios são dirigidos por Stephen Hopkins (House of Lies). O ritmo frenético de alguns episódios contrasta com o tom mais sóbrio e conservador dos que fecham a série, sem que isso constitua uma violência em relação à ideia original. No geral, a série saúda um estilo de vida descompromissado, turbinado por um naipe de beldades de tirar o fôlego. Boa diversão.

16 de abril de 2017 at 11:44 1 comentário

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