Paragominas x Remo; PSC x Águia – comentários on-line

Campeonato Paraense 2017 – 10ª rodada

Paragominas x Remo – estádio Arena Verde, em Paragominas, 16h

PSC x Águia – estádio da Curuzu, 16h

Rádio Clube _ IBOPE_ Segunda a Sexta _ Tabloide

Na Rádio Clube, Claudio Guimarães narra, Rui Guimarães comenta PSC x Águia. Reportagens – Paulo Sérgio Pinto, Dinho Menezes, Paulo Henrique. Banco de Informações – Adilson Brasil

Carlos Gaia narra, João Cunha comenta PFC x Remo. Reportagens – Paulo Caxiado.  

Reinventando a roda

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E a Globonews reinventa as leis da economia. Só 19% dos reajustes salariais superaram a inflação em 2016 no Brasil. Gestão Temer já tem mais de 13 milhões de desempregados. Mas, segundo o canal de notícias golpista, deve estar todo mundo em êxtase. O país de braços dados com a felicidade. Hum hum…

Chance para os “cabanos”

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POR GERSON NOGUEIRA

Líder geral do campeonato e invicto na competição, o Remo sofre novas mudanças para encarar o Paragominas hoje à tarde, na Arena Verde. Com a ausência de titulares lesionados, suspensos e poupados, o time terá feições de “esquadrão cabano”. Entre os titulares, nove nativos. De “forasteiros”, apenas o goleiro Vinícius e o volante Elizeu.

Diante dos problemas, restou ao técnico Josué Teixeira abrir oportunidades a suplentes que podem vir a ser aproveitados na reta final do Paraense. Na criação, ele concede nova chance ao garoto Max. Promessa da base, ele entrou como titular na partida contra o Rio Branco pela primeira fase da Copa Verde, mas não teve boa produção.

Jefferson, volante revelado no Carajás, será improvisado na lateral direita. O ‘pau-pra-toda-obra’ Tsunami compõe a zaga com Henrique, substituindo a Igor João, afastado depois da infantil expulsão em Macapá.

Jaquinha, outro que foi mal no meio da semana, permanece na ala esquerda. Na marcação, aparece outra revelação, Lucas Vítor, fazendo companhia a Elizeu. Fininho será o homem da ligação ao lado de Max. No ataque, Felipe e Gabriel Lima.

Sobre o time pesa a responsabilidade de manter a invencibilidade e a liderança geral contra um adversário desesperado e em vias de ser rebaixado. Há também a cobrança natural da torcida por uma boa atuação depois da vexatória eliminação para o Santos-AP na Copa Verde. Um novo revés pode agitar ainda mais o ambiente no Evandro Almeida.

Josué sabe que, mesmo desfigurado, o Remo de hoje será observado com o mesmo rigor pelo torcedor. Quase todos os escalados já estiveram em ação no time titular, mas podem sofrer os efeitos da falta de ritmo. De qualquer maneira, têm a excelente chance de para mostrar que podem estar no time principal. Como diz a filosofia oriental, crises representam oportunidades.

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Papão põe time B em ação contra o Águia

Com a sorte que costuma rondar os campeões, o Papão conquistou o direito de decidir em casa a semifinal da Copa Verde após sorteio realizado na CBF. Como já havia ocorrido contra Galvez e Águia, a segunda partida diante do Santos-AP será em casa. Apesar de muitos clubes preferirem jogar a primeira em seus domínios, em torneios de mata-mata, a tendência histórica favorece quem decide diante de sua torcida.

Para quem encarou dificuldades imensas no cruzamento contra o Galvez, superado na Curuzu em confronto cheio de polêmicas envolvendo a arbitragem, o sorteio diminui bastante os riscos de uma surpresa amapaense, como aconteceu no confronto entre Santos-AP e Remo na semana passada.

Além de ter a confirmação da partida decisiva em Belém, o Papão ainda aguarda definição quanto à liberação do estádio Zerão, pois o regulamento da Copa Verde exige capacidade mínima de 10 mil lugares – a atual é de apenas 4 mil lugares.

Com o time principal ainda em busca de maior entrosamento, Marcelo Chamusca preferiu dar folga aos titulares e vai colocar em ação o time alternativo contra o Águia, hoje à tarde, pela última rodada classificatória do Campeonato Estadual.

Ex-titulares, como Recife, Jonathan e Leandro Cearense, reaparecem na equipe. Jogadores que ainda não se firmaram, como Andrelino, Samuel e Perema, também ganham a chance de mostrar serviço, como aconteceu diante do S. Francisco, em Santarém. Naquela ocasião, Rodrigo Andrade, Will e Wesley jogaram tão bem que garantiram vaga no time titular. A partida é um treino de luxo para os dois times, pois o Papão já garantiu o 1º lugar da chave A1 e o Águia não corre mais risco de rebaixamento.

(Coluna publicada no Bola deste sábado, 08)

QWERTY

POR EDYR AUGUSTO PROENÇA

Eu ia emburrado para o curso de datilografia. Minha mãe me matriculara, prevendo (talvez) meu futuro como jornalista. Foi uma das melhores ações em relação a mim. Também aprendi inglês a partir dos oito anos. As pretinhas, como chamava as teclas o grande Millor Fernandes, fazem parte da minha vida. Tenho até uma mania. Ao ouvir determinadas palavras que me interessam, as escrevo com os dedos tocando a palma das mãos. Tique nervoso, sei lá. Meu pai tinha uma portátil, Royal, belíssima. Minha primeira máquina, penso que era uma de trabalho, negra, difícil de domar. Depois, quando comecei a trabalhar em rádio, era mais moderna, estrutura em plástico, onde desenvolvi a habilidade usando todos os dedos. Lembro, redigindo o jornal Zeppelin, da velocidade que alcançava. Houve a breve experiência com uma Facit, elétrica, mas que constantemente dava problemas em imprimir o texto. Já era o tempo da fita de correção. Mas ainda não era o fim do revisor de texto. Antes, riscávamos o erro, acrescentávamos às laudas, comentários paralelos, enfim, um borrão. Então vieram as máquinas elétricas com esfera redonda. Eram uma delícia de escrever.

Lembro do meu irmão Edgar e de meu pai Edyr escrevendo. O primeiro fez curso de datilografia, mas meu pai, velocíssimo, usava apenas dois dedos de cada mão, um pouquinho do que hoje é feito pela maioria, nos computadores. Então os PCs invadiram nossas vidas. Millor reclamava do silêncio que agora havia nas redações, antes tão barulhentas, com as máquinas manuais. O Jornal do Brasil lançou um manual. Millor escreveu mais. Da vergonha de uma máquina nos corrigir a cada vez que cometêssemos um erro. Naquele silêncio, ao ouvir o som, todos na redação olhavam e ele ficava humilhado. Maldita máquina. Então me entregaram um computador e o programa Carta Certa, ancestral do Word. Preguei acima da máquina, a sequencia de botões necessárias para liga-lo. Havia também AltControlDel. Era tudo muito difícil, diferente, o que hoje qualquer criança faz. A leveza do toque, em comparação à violência das manuais. Outro mundo. Vieram os notebooks, os padrões diferentes e hoje não conseguimos viver sem um teclado, seja no relógio, celular, iPad e outros. Ao contrário de mim, os jovens usam os dois polegares para teclar no celular, mais rapidamente. Sou da geração do dedo indicador. E não é que acabo de ter uma grande surpresa? Algo que nunca pensei que existisse.

Estive na França e pensei em comprar um novo notebook, com mais possibilidades. Em Toulouse, tarde de folga, circulei pelo centro da cidade, tão bela. Dou de cara com uma revendedora da máquina pretendida. Havia um ainda mais moderno. O rapaz cheio de orgulho, me explicando. Comprei. Feliz, ansioso, retornei ao hotel para usar a novidade. Os primeiros toques, ensinando a máquina a seu jeito, são com teclas indicadoras. Finalmente, tentei escrever. Havia algo errado. As teclas fora de lugar. Como assim? Com defeito? No preço que paguei? Voltei correndo. Todos ficaram loucos. Haviam errado. Não me disseram. Na França, ao contrário de quase todo o mundo ocidental, a posição das teclas é AZERTY e não QWERTY, como sempre trabalhei. Pena, para conseguir um como queria, somente fazendo encomenda. Não havia tempo. Devolvi o notebook. Pensamos às vezes saber de tudo, mas não. Há sempre o que aprender no mundo. QWERTY e não AZERTY.

(Publicado em O Diário do Pará, Caderno TDB, Coluna Cesta e opiniaonaosediscute.blogspot.com em 07.04.17)