Archive for 15 de abril de 2017

Triunfo do jabá: a cobertura corrupta da viagem de Dória à Coreia

POR KIKO NOGUEIRA

Além de sua penugem tucana, um dos motivos para João Doria ter virado o maior media darling nacional é ele trafegar com desenvoltura numa área particularmente sensível do jornalismo: a do jabá. Doria sabe lidar com os vícios da categoria.

Em seu famoso Fórum de Comandatuba, realizado anualmente num belo resort na Bahia, há uma farta distribuição de presentes aos profissionais que vão “cobrir” o evento

Diretores de redação, repórteres, fotógrafos — além de políticos e empresários — ganham brindes dos patrocinadores. Não cabem numa mala. Há um serviço para despachar os mimos.

As matérias sobre o encontro, obviamente, são todas positivas. Pago um Chicabom a você se encontrar qualquer crítica nos relatos sobre esses encontros do Lide. Qualquer, repito. Nunca chove no local.

Companhias aéreas, restaurantes, hoteis, montadoras, estúdios de cinema movimentam muito dinheiro levando coleguinhas para EUA ou Europa para ver um filme, testar um jipe, conhecer uma cidade ou comer num lugar bacana para, depois, ganhar uma boa resenha. 

Na Viagem e Turismo e no Guia Quatro Rodas, que eu dirigi, não aceitávamos convite, uma norma da Editora Abril. Não sei como é hoje.

Doria repete essa receita na prefeitura.

Suas turnês comerciais, em que ele carrega consigo órgãos de imprensa variados, replicam esse modelo de suborno. Primeiro foram os Emirados Árabes Unidos, em que ele foi retratado como uma espécie de Marco Polo na China.

Agora é a Coreia do Sul.

Estadão, Jovem Pan, Folha e Band colaram no prefeito de São Paulo, garantindo em matérias laudatórias que o passeio a Seul foi um sucesso absoluto e o won vai inundar São Paulo.

Segundo a Band, “a Samsung, maior empresa do país, já se comprometeu a implantar um sistema que vai facilitar o pagamento de tarifas na capital paulista”. A Pan jura que ele “firmou acordos importantes” e “analisou perspectivas para a capital com base em exemplos sul-coreanos”.

Graças à JP fomos alertados de que Doria não vai batizar o Bom Retiro de Little Seul. Nenhuma das emissoras avisa que seu empregado está lá com todas as despesas pagas.

O Estadão avisa que Pedro Venceslau foi “a convite da prefeitura de Seul”, mas não explica nada além disso. Quem fez essa triangulação, por exemplo? Doria combina com o jornal e as autoridades de Seul? Nos textos do jornal reproduzidos em outros sites, como o UOL, esse “esclarecimento” não aparece.

No Estadão, a sabujice alcança níveis estratosféricos. “Empresários cortejam tucano”, ficamos sabendo. Doria “chegou a ser chamado de ‘futuro presidente do Brasil’”. Nosso embaixador “não se lembra de um prefeito que tenha buscado recursos de modo tão intenso”. 

Venceslau também informou aos leitores que Doria, veja só que homem público, “preferiu ele mesmo passar seus ternos e camisas no quarto. Não quis gastar dinheiro e nem perder tempo”.

Essa troca de favores se chama corrupção. Isso é comprar uma opinião. É degradante. É desonesto com o pobre leitor, ouvinte ou telespectador, chamado de trouxa na cara dura.

Mas é como João Doria, o “gestor”, opera. Ele sabe apertar os os botões certos dos amigos. É assim que, enquanto um trator atropela a classe política, a imprensa cria e alimenta uma farsa, a nossa versão yuppie de Berlusconi. (Do DCM)

15 de abril de 2017 at 23:17 Deixe um comentário

Rock na madrugada – Pearl Jam, Sad

15 de abril de 2017 at 23:15 Deixe um comentário

A malhação do Temer

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POR XICO SÁ, no El País

Mais sujo e maltrapilho do que o boneco homônimo da malhação do Judas do Crato, no Cariri cearense, o presidente Michel Temer dificilmente remendará seus farrapos morais para seguir no cargo. As delações da Lava Jato o atingem de forma direta, sem meias palavras, como você lê no relato de Xosé Hermida.

Simbolicamente esfolado em praça pública, na brincadeira cristã e folclórica da Semana Santa, o que ainda pode salvar o mandato de M.T. – seu codinome na planilha da Odebrecht – é a obsessão dos empresários em malhar sem dó os Zés Ninguéns com o desmantelamento nas leis trabalhistas e a reforma da Previdência.

Quanto vale tudo isso na “feira do Paraguai” do Congresso? – a definição é do senador Romero Jucá, um dos principais comparsas do presidente malhado. A tomar pela compra de MPs (medidas provisórias) e projetos-de-lei, quanto está valendo cada congressista no momento? Não venham me dizer que agora é por amor ou credo neoliberal.

Como aceitar que alguém mude as regras da minha aposentadoria depois de saber o recurso do método no esquema dos parlamentares? Fiquei fissurado em apenas uma pergunta: quanto custa, por cabeça, a cada medida aprovada pelo governo? Quem banca agora, depois que sujou para o ramo das generosas empreiteiras? O setor financeiro, que ainda não apareceu nos escândalos da Lava Jato? As empresas estrangeiras, interessadas em assumir os contratos bilionários depois da falência dos enlameados nacionais? Alguém deve estar pagando a conta. Desculpa se volto a desconfiar do patriotismo ou da crença ideológica desses “homens do bem”.

A compostura do presidente e dos parlamentares, precisamos falar de novo sobre a festa cristã das ruas, é a mesma dos espantalhos atingidos pelo som e a fúria na malhação do Judas. Pelo menos na simbologia há uma revolta popular. Que sejam malhados políticos de todas as cores e correntes. Escolhi o Temer e seus aliados por uma medida preventiva óbvia: quem sabe o país ainda consiga evitar a bagaceira prevista para as próximas votações do Congresso.

Ode-brechitiano

No distanciamento brechtiano, técnica de teatro concebida pelo dramaturgo alemão Bertolt Brecht, o que interessa é deixar o mais evidente possível ao espectador que ele está assistindo a uma obra de arte, tudo aquilo é apenas uma ilusão etc. Calma, amigo, não sofra tanto, é apenas uma peça, por mais que seja dramática e sangrenta. As pessoas que gritaram “Jesus, gostoso!” ou “Jesus (o ator de tv Rômulo Arantes Filho), homão da porra”, durante a encenação da “Paixão de Cristo de Nova Jerusalém”, entenderam o espírito.

O distanciamento ode-brectiano, com ou sem Lava Jato, é o contrário. Algo tão do realismo-naturalista que assombra mesmo os conhecedores do submundo da política brasileira. Usei o termo ode-brechtiano pela primeira vez no início deste século, em uma crônica da revista Bravo! De lá para cá, segue uma técnica cada vez mais assustadora.

15 de abril de 2017 at 22:41 Deixe um comentário

O amigo da onça

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15 de abril de 2017 at 22:30 Deixe um comentário

A causa operária

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POR GERSON NOGUEIRA

Em sua biografia (“Liderança”, editora Intrínseca, 2016), o consagrado técnico e manager Alex Ferguson, 49 títulos no currículo e cérebro por trás do incrível sucesso do Manchester United a partir dos anos 90, fala de um exercício mental infalível para montar seus times: sempre escolhia seis jogadores polivalentes, que cumprissem várias funções em campo. E ele dirigia uma máquina de jogar futebol, que chegou a ter ao mesmo tempo Scholes, Giggs, Rooney, Cristiano Ronaldo e os irmãos Neville.

Mal comparando, a história de Ferguson me fez lembrar, por razões inteiramente opostas, o drama enfrentado por Josué Teixeira no Remo atual. Com vários titulares entregues ao departamento médico, ele se vê sem alternativas para estruturar uma equipe competitiva justo na reta final do Campeonato Paraense e nas quartas de final da Copa Verde.

Já ouvi muita gente descendo a lenha no treinador depois da derrota frente ao Independente na quarta-feira, em Tucuruí. Claro que a crítica é sempre válida, mas determinados aspectos precisam ser considerados.

O elenco do Remo é uma colcha de retalhos. Foi montado pelo critério do bom & barato, embora nem todas as peças sejam qualificadas. Em certos casos, a diretoria optou por trazer jogadores de nível médio apenas para quebrar galho em posições carentes.

Josué teve o mérito de conseguir até aqui extrair leite de pedra, formatando um time competitivo para o Campeonato Paraense. Estruturou o desenho tático com dois volantes essencialmente marcadores no meio (Elizeu e Marquinhos) e dois meias, Eduardo Ramos e Flamel, este quase como um terceiro atacante. Ofensivamente, abriu mão do centroavante de referência para explorar a habilidade de Edgar e a rapidez de Jayme.

O restante da equipe gira em torno desse eixo e todos atuam de forma aguerrida. Muitos jogos da invencibilidade remista foram ganhos na base do suor e da raça. Enquanto o condicionamento físico permitiu, o Remo foi ultrapassando os adversários e desafiando seus próprios limites.

Quando as lesões começaram a desfalcar o time, as limitações ficaram expostas e a causa operária azulina mostrou-se cheia de fragilidades. Cabe notar que Josué era elogiado por todos, mas bastou surgirem os maus resultados para que o técnico passasse a ser açoitado sem clemência.

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Padre Antônio Vieira sabia bem o que dizia ao proferir a frase célebre, elegendo o equilíbrio como o preceito mais justo a ser seguido quando se tentar julgar alguém.

Muitos fingem não ver, outros não enxergam mesmo, mas o Remo tem um time não mais do que razoável. Paga hoje o alto preço da intemperança financeira e dos descalabros administrativos dos dez últimos anos.

Perdeu a sede campestre, quase teve o Evandro Almeida vendido em negociata espúria, sofreu assaltos e viu crescerem suas pendências fiscais e trabalhistas. De quebra, há três anos está sem o seu estádio, semidestruído por um de seus vários gestores irresponsáveis.

Contextualizei o cenário para pontuar que o time de Josué é produto da superação. Ganha vida quando está completo e seus operários se entregam à luta sem tréguas. Quando perde peças, fica previsível e comum.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, a partir das 20h45, na RBATV. Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião compõem a bancada. Os convidados da noite serão os zagueiros Henrique (Remo) e Lombardi (PSC).

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Sem medo, Estrela Solitária avança e convence

O Botafogo vai ultrapassando obstáculos e desfazendo preconceitos a cada novo passo na Taça Libertadores. O comportamento tático, quinta-feira, na vitória sobre o Atlético Nacional (o atual campeão) em Medellín, revela maturidade de um grupo comandado com extremo controle por Jair Ventura. A defesa se comportou de maneira inexpugnável e os garotos Emerson Santos e Guilherme fizeram a diferença.

Para quem deu um salto direto da Série B para o torneio mais importante do continente, o Fogão está enchendo todas as medidas. Já bateu quatro campeões continentais – Colo Colo, Olímpia, Estudiantes e Atlético Nacional. Ainda não é para soltar foguetes, mas já merece aplausos.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 16) 

15 de abril de 2017 at 22:09 14 comentários

Papão leva susto, mas consegue empate diante do Santos-AP

15 de abril de 2017 at 22:01 5 comentários

Santos-AP x PSC – comentários on-line

Copa Verde 2017 – Semifinal

Santos-AP x Paissandu – estádio Castelão, em S. Luís, às 19h30

radio-clube-_-ibope-_-sabado-e-domingo-_-tabloide

Na Rádio Clube, Guilherme Guerreiro narra, Rui Guimarães comenta. Reportagens – Valdo Souza, Dinho Menezes. Banco de Informações – Fábio Scerni 

15 de abril de 2017 at 18:30 85 comentários

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