Fé cega, faca amolada

POR GERSON NOGUEIRA

Há uma brutal diferença a separar jogos comuns de acontecimentos épicos no futebol. Nem o fato de o PSG ter se entregue de corpo e alma a uma ridícula tática defensivista diminui o tamanho do feito do Barcelona, no confronto de anteontem. Nem os erros de arbitragem reduzem a importância da façanha. Foi um jogaço, graças à aplicação e à fúria obsessiva do time espanhol.

Quando você ouvir um desses gurus da autoajuda falar em força mental procure pensar nesse time do Barcelona. Ter fé é fundamental em qualquer atividade humana. Biblicamente, a mensagem é definitiva: a fé remove montanhas. Ora, o Barça se apegou a esse princípio.

Deu certo. Nos últimos 20 minutos da decisão com o PSG, o mundo viu um time obcecado pelo gol, indo às últimas consequências para botar a bola no barbante. Daqui a algumas décadas, quando os moleques de hoje forem senhores, certamente irão recomendar que se veja o vídeo a partir dos 30 minutos do segundo tempo. É o bastante.

O futebol devia ser sempre assim. Jogado com paixão e entrega. Sem meio-termo, indo às últimas consequências. Como se não houvesse amanhã – e, na verdade, não havia.

Muitas coisas ficaram provadas no gramado do Camp Nou. A mais importante de todas é que não há resultado impossível de ser buscado. Os jogadores do Barça não hesitaram em nenhum momento. O técnico, Luis Henrique, também não. Ele, por sinal, armou um esquema todo voltado para imprensar o PSG, sem dar espaço e nem permitir sossego.

Sem laterais, mas com meias que corriam pelos lados, o Barça foi inclemente. Martelou do começo ao fim. Quando o primeiro tempo terminou, com 2 a 0 no placar, veio a impressão de que não ia dar.

Ficou ainda mais complicado quando Cavani descontou, deixando o placar em 3 a 1 e obrigando os catalães a fazerem mais três. Ora, a maioria dos times do planeta, mesmo diante de suas torcidas, iria sentir o golpe, arrefecer e entregar os pontos.

O Barça levou apenas alguns minutos para reagir. Neymar cobrou falta com perfeição e ampliou, devolvendo a sensação de que dava para chegar. Instantes depois, sofreu o pênalti e converteu, a poucos minutos do fim.

A luta contra o relógio fez com que o Barça atingisse o estágio da superação absoluta, quando há uma combinação de vontade física e de atitude mental positiva. Todos os jogadores centrados na ideia de que o sexto gol estava ali, à porta.

E começou a ser construído pelos pés de Neymar, o dono da reação, motor da sobrevivência. Mandou a bola na área, cruzada e precisa, para Sergi Roberto desviar para as redes.

Aí, por breves e intermináveis segundos, a história transpôs os limites do Camp Nou e invadiu o mundo, transformando em catarse coletiva a empolgante conquista do Barça. Tão tocante que até o frio Messi explodiu em gritos – como nunca havia feito antes – e foi comemorar com a torcida, como um Cantona reencenado.

Foi bonito. Viu-se a história acontecendo diante de todos. Como o 7 a 1 da Alemanha, no Mineirão, este é um capítulo que jamais será esquecido.

Repito: o feito suplanta até os pecados da arbitragem errática. Haverá sempre alguém a lembrar que Di Maria foi tocado na área quando o jogo estava 3 a 0, em pênalti ignorado pelo apitador. Acontece. São coisas que infelizmente o futebol se acostumou a ver, seja na Champions League, na Copa Verde ou na Lampions League.

O que não é rotineiro ocorrer foi a transfiguração de um time, obstinado a ponto de alcançar a classificação contra uma equipe igualmente forte, sem esmorecer em nenhum instante. E jogando muita bola, com passes no chão toques rápidos, sem jamais abrir mão de seu principal trunfo: a técnica refinada a serviço do resultado.

O futebol renasce sempre que alguém o homenageia dessa forma. Depois desse jogo, a temporada 2017 já pode acabar.

Importante observar que ninguém mais vai poder dizer que Neymar é pipoqueiro ou cai-cai. Tomou conta do jogo e ainda teve fibra para pegar a bola e cobrar um pênalti diante de 100 mil catalães. É preciso ter sangue nas veias para agir assim (Bebeto, nos idos de 90, refugou numa situação idêntica, em La Coruña). O craque brasileiro se agigantou e atingiu um novo patamar, só reservado aos grandes heróis.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 10)

CBF confirma jogo contra Alemanha

A Seleção Brasileira enfrentará a Alemanha não dia 27 de março de 2018, a três meses da Copa do Mundo da Rússia. A partida Será, realizada em Berlim, no Estádio Olímpico. O coordenador de Seleções, Edu Gaspar, pontuou a importância da partida no ano do mundial. “Jogar contra uma seleção de alto nível, como a Alemanha, será uma prova fundamental para nossos atletas e Comissão Técnica. Ainda mais por se tratar de um jogo na casa do adversário e em um ano importantíssimo para nossa Seleção”.

Tomara não aprontem mais um vexame tsunâmico.

Rock na madrugada – Dr. Feelgood, Route 66

Temer vira piada com sua “homenagem” às mulheres

IMG_4985-600x400

POR PAULO NOGUEIRA, no DCM

Temer virou assunto em alguns dos mais relevantes veículos da mídia internacional, da CNN ao NY Times, do El País ao Telegraph.

Esta a boa notícia para ele.

A má é que ele foi objeto de um misto de piada e estupefação.

O motivo foi o discurso que ele fez no Dia das Mulheres. O anacronismo ululante de suas palavras chamou a atenção do mundo.

O ponto da fala que mais repercutiu foi aquele em que Temer fala da importância da mulher ao fazer o supermercado.

Até minha avó Cotinha — Deus a tenha — teria achado estupidamente obsoleto o pronunciamento de Temer.

A imprensa brasileira ficou calada, em seu esforço épico para proteger Temer até ele fazer o serviço sujo que se espera dele — essencialmente, a destruição dos direitos dos pobres.

Mas as redes sociais prontamente reagiram, e com elas a mídia internacional.

O discurso de Temer é o melhor retrato dele e de seu governo: mentalmente velho para além da imaginação.

Quem terá escrito o texto? Me ocorreu essa pergunta. Escrever discursos presidenciais é sempre tarefa de quem goza de imenso prestígio diante do chefe.

O redator anônimo da fala acabou, involuntariamente, prestando um serviço para a sociedade ao mostrar o que vai nas profundezas da cabeça de Temer. Mulher é para fazer supermercado e criar filhos, empregado é para dizer amém ao patrão — e por aí vai.

Numa entrevista ao 247, Dilma disse que Temer é “menor que o Brasil”.

A “homenagem” às mulheres deixou claro que ele não é apenas menor que o Brasil — mas um homem que trabalha para que o país como um todo se reduza à sua insignificante estatura.

Josué reafirma disposição de valorizar jogadores vindos da base

No estilo direto que o caracteriza, o técnico Josué Teixeira, do Remo, afirmou nesta quinta-feira que irá prestigiar jogadores da base para as posições carentes no time. “Não vou trazer alguém para ser reserva do Léo Rosa e ganhar mais que ele. A ideia era utilizar o Roni, mas ele se lesionou. Tem o Lucas Vítor, Jefferson, Kevin, que eu trouxe da base. Vamos analisar. Não choro por jogador ausente. Valorizo todos que estão aqui”.