Sangria dos vazamentos dá dois pesos e duas medidas à Lava Jato

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POR HELENA CHAGAS – Os Divergentes

Quem sou eu para sugerir mudanças de procedimentos ao Supremo Tribunal Federal ou ao Ministério Público. Mas há algo de errado, muito errado mesmo, nos rituais, prazos e normas regimentais dessas instituições, que parecem ter parado no tempo e acabam produzindo situações injustas. Não dá nem para comentar a lentidão, clara no prazo de uma semana que a Lista de Janot versão 2.0 está levando para chegar às mãos do relator Edson Fachin.

O que pode trazer mais danos, porém, é a sangria dos vazamentos seletivos, que continuam a pingar diariamente, apesar do sigilo legal que ainda protege a lista dos políticos citados nos depoimentos da Odebrecht. Em tese, o Ministério Público é o guardião da lei. Mas parece não hesitar em descumpri-la na hora de passar alguns nomes que interessam para a imprensa.

E aí é que está. São sempre alguns, enquanto outros são preservados. A imprensa não pode ser responsabilizada. Afinal, queremos notícia. Mas está sendo dado um benefício indireto aos políticos que estão tendo seus nomes não revelados. Por quê?

Diferentemente do vazamento do primeiro dia, fruto de uma coletiva em off – uma contradição em termos – agora cada veículo dá um time diferente. Sabemos de um lado que já serão nove ministros de Michel Temer no alvo. De outro, que Aécio Neves será objeto de seus inquéritos. De forma mais diluída, que Geraldo Alckmin, que não apareceu no primeiro momento, está, sim, entre os futuros investigados. Só que eles são mais de cem.

Ninguém tem dúvida alguma de que o nosso sistema político está caindo de podre. Na hora de reforma-lo, porém,  é preciso incluir também o STF e as normas processuais elaboradas no tempo do telex e das cartas, quando ainda havia possibilidade de haver sigilo sobre alguma coisa.

A primeira atitude de Edson Facchin deveria ser a suspensão total, geral e irrestrita do sigilo da lista de Janot.

Jornalista é detido por divulgar vazamento de informação

POR MIGUEL DO ROSÁRIO, no blog Cafezinho

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Ainda faltam detalhes sobre as razões. Mas já podemos divulgar a seguinte denúncia. Eduardo Guimarães, do blog Cidadania, acaba de ser vítima de violência judicial, ou mais especificamente, de um sequestro judicial, que é o nome que damos a essa ilegalidade chamada condução coercitiva.

A notícia foi confirmada pelo advogado Pedro Serrano, que informou já ter enviado profissionais para a delegacia da Lapa, São Paulo.

Segundo conhecidos, o motivo seriam investigações sobre um vazamento de notícia sobre a condução coercitiva de Lula, que o blog Cidadania antecipou com exclusividade. Não poderia haver nada mais ridículo: sequestro judicial de jornalista que divulgou vazamento de informação!

O Brasil vive um regime de exceção, isso já está mais do que claro.

A grande imprensa dá, todos dias, vazamentos sobre a Lava Jato.

O juiz Sergio Moro vazou, ilegalmente, gravações íntimas e privadas do presidente Lula e da presidenta Dilma.

Mas eles, mídia e judiciário, protagonistas do golpe, podem cometer qualquer crime, inclusive o pior de todos, que foi avalizar o impeachment sem crime da presidenta Dilma, jogando no lixo mais de 54 milhões de votos.

Para mim, essa notícia revela um judiciário desmoralizado e uma Polícia Federal completamente ensandencida, um fio desencapado, sem controle.

E tudo isso enquanto temos um governo ilegítimo, fraco, refém do próprio Judiciário e, sobretudo, da grande mídia.

A Lava Jato está na rua hoje, fazendo mais uma de suas operações midiáticas, espalhafatosas, vazadas antecipadamente para a grande mídia, desviando atenções do fiasco ferroviário que foi essa sub-lava jato da carne, da crise econômica e das votações antissociais em curso no congresso.

Enquanto a polícia toca o bumbo na rua, o congresso detona a previdência, as leis trabalhistas, os direitos sociais. Já destruíram a economia e a democracia, e agora querem censurar quem os denuncia?

O Cafezinho se solidariza com o blogueiro Eduardo Guimarães e acompanhará o caso de perto.

Este blog também se solidariza com o blogueiro Eduardo Guimarães, um destemido militante das causas progressistas.