Morre o pai do rock

Chuck Berry, um dos pioneiros do rock n’ roll, morreu neste sábado, 18. O departamento de polícia do condado de St. Charles, do estado norte-americano do Missouri, confirmou a notícia no Facebook. Berry tinha 90 anos. “A polícia do condado de St. Charles respondeu a um chamado de emergência na rua Buckner aproximadamente às 12h40 de hoje (sábado, 18 de março)”, diz a publicação no Facebook. “Dentro da casa, os policiais encontraram um homem inconsciente e imediatamente tentaram salvá-lo. Infelizmente, o homem de 90 anos não pôde ser reanimado e foi anunciado morto às 13h26.” O texto ainda confirma que o homem era Chuck Berry e acrescenta que a família dele pede privacidade neste momento.

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Desde o primeiro hit, “Maybellene”, em 1955, Berry compôs uma coleção de músicas que se tornaram partes essenciais dos primórdios do rock: “Roll Over, Beethoven”, “Rock & Roll Music” e especialmente “Johnny B. Goode” eram odes à nova forma de arte que surgia – músicas tão importantes que tinham que ser dominadas por qualquer banda ou guitarrista novatos que viessem depois de Berry.

Na adolescência, Keith Richards e Mick Jagger se aproximaram graças à paixão em comum pela música de Berry, e nas últimas cinco décadas as canções dele foram reinterpretadas por uma impressionante quantidade de artistas: desde os Rolling Stones, Beach Boys, The Kinks, The Doors e Grateful Dead até James Taylor, Peter Tosh, Judas Priest, Dwight Yoakam, Phish e os Sex Pistols.

Misturando blues e country, Berry também inventou um próprio estilo de guitarra – como “tocar uma campainha”, como ele descreve em “Johnny B. Goode” – que foi imitado por bandas desde os Stones e os Beach Boys até os grupos de punk rock. As letras dele – a maioria sobre sexo, carros, músicas e problemas – introduziram um novo vocabulário à música popular dos anos 1950.

Nas canções dele, Berry capturava a nova prosperidade pós-guerra dos Estados Unidos – um mundo, como ele cantou em “Back in the U.S.A.”, no qual “hambúrgueres chiam em uma grelha aberta dia e noite”. “Eu fiz discos para as pessoas que os comprariam”, Berry disse uma vez. “Sem cor, sem etnia, sem política – eu não quero isso, nunca quis”. Nos anos recentes, Berry recebeu o Lifetime Achievement Awards (prêmio pelas conquistas de toda a carreira) no Grammy de 1986 e foi induzido ao Hall da Fama do Rock. (No DCM)

Usada por Cunha para lavar dinheiro, Assembleia de Deus quer formar partido

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O termo “cristão” e variações aparecem no nome de seis dos 56 partidos na fila do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para virar a 36º legenda brasileira. Tem o PEC (Partido Ecológico Cristão), o PPC (Partido Progressista Cristão)…

O PRC (Partido Republicano Cristão) leva vantagem sobre os concorrentes: está sendo articulado com ajuda da Assembleia de Deus, a maior igreja evangélica do Brasil (30% dos 42 milhões de fiéis no Censo 2010, sendo que o total de evangélicos já saltou para três em dez brasileiros).

Essa gigantesca rede de fé deve facilitar a coleta de assinaturas mínimas, recolhidas em ao menos nove Estados, que o TSE exige para formar um novo partido –486 mil, ou 0,5% dos votos válidos na última eleição para a Câmara.

Fonseca assinou relatório pró-Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em 2016, quando o agora ex-parlamentar presidia a Câmara e tentava anular sua cassação na Casa. Os dois são assembleianos.Já foram 300 mil registradas em cartórios país afora, calcula o presidente do PRC, deputado Ronaldo Fonseca (Pros-DF), coordenador da bancada de 24 deputados ligados à Assembleia de Deus.

Fundada por missionários suecos em 1911, a Assembleia de Deus (AD) se multiplicou em várias ramificações, e elas não necessariamente dialogam entre si. Não raramente, estão em lados avessos da política (algumas ficaram com a petista Dilma Rousseff, outras com o tucano José Serra, e parte com a então verde Marina Silva em 2010, por exemplo). (Da Folha de SP)

Feira do Som

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POR EDYR AUGUSTO PROENÇA

Tive a sorte de dar o nome ao “Feira do Som”, programa que está completando 45 anos em atividade. Além disso, são 50 anos de profissão de Edgar Augusto, meu irmão mais velho. Quando um programa de rádio atinge essa longevidade, e na comemoração ganha páginas e colunas em jornal, além de programa em televisão, é porque realmente é importante.
Foi ali nos anos 1970. Havia várias sugestões. A minha foi acatada. Era uma época fantástica. A Cultura reagia maravilhosamente à ditadura e censura. Cinema, Artes Plásticas, Literatura, Teatro e Música viviam momentos incríveis. Os Beatles pararam. Hendrix e Janis morreram. Mas havia o rock progressivo e muita gente boa surgindo. Aqui tínhamos os baianos, Chico, Milton, pernambucanos como Alceu, mais Elba, Geraldo, Ramalho, cearenses como Fagner. Muita coisa boa. Talvez tenha uma inspiração no programa do Flávio Cavalcanti, que falava de música, embora de maneira tragicamente retrógada. Bem, havia Nelson Motta.
Edgar já era apresentador do “Cantinho dos Beatles”, com fã-clube e tudo. E também, um dos melhores narradores de futebol que ouvi, perdoem se sou totalmente suspeito. Havia também o “Sábado Gente Jovem”. E a “Feira do Som” inovando, ousando com as novidades, fazendo a cabeça de tanta gente, principalmente pela informação.
Veio a FM e o programa foi para a Rádio Cidade Morena. O estúdio era pequeno, como são hoje os estúdios onde o locutor também opera a mesa, põe músicas e comerciais. Tive a dádiva de dividir com ele o microfone. Ficava manobrando a mesa de som, enquanto ele, sentado no chão do estúdio, espalhava as notícias. Muita gente boa foi entrevistada ali e sentou no chão. Era tudo muito à vontade. Lembro de Nara Leão, que veio lançar o disco em que canta “Nasci para Bailar”, de Donato e Paulo André. Ela voltou com Roberto Menescal, cantando bossa nova. Lembro de Geraldinho Azevedo, Flávio Venturini, tanta gente…

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Mas a rádio era comercial e o programa acabou por ocupar sua melhor posição na Rádio Cultura, da qual, permitam-me, Edgar já fazia parte desde a Cultura Ondas Tropicais, em uma equipe por mim montada. Com uma voz especial e vocabulário de “dia de semana”, ele usa várias técnicas para prender os ouvintes. As novidades a cada dia. A menção aos músicos presentes em cada música executada. O noticiário local, muito importante para os artistas da terra, criando inclusive apelidos que duram até hoje, como “Operário da Noite”, para Pedrinho Cavallero. Os bordões, repetidos diariamente, estão no pensamento dos ouvintes. Outra técnica de fidelização.
Se os artistas locais conseguem, nessas trevas em que vivemos há mais 20 anos, ainda existir, apresentar-se, alguns com carreira, gravando CDs e shows em outras cidades, a “Feira” tem parte nisso. Trata os estreantes e os veteranos da mesma maneira, sempre com uma palavra de alento e incentivo. Recebe-os no programa, que ainda tem seções fixas, em que premia os ouvintes e, claro, o “Cantinho dos Beatles”, para os empedernidos.
Todo esse tempo no ar e com um público de A a Z, em várias faixas etárias, faz esse programa um patrimônio cultural de uma cidade tão sofrida nessa área. Quanto a mim, mesmo à frente de uma emissora comercial, não deixo de ouvi-lo. Edgar é um ídolo. Irmãos, somos amigos. Forneço discos, notícias. O som do programa é o meu preferido, entre outros. Mais do que nunca, continuemos a ouvir, de segunda a sexta, “aqui fala o Edgar Augusto!”. Parabéns!

(Publicado em O Diário do Pará, Caderno TDB, Coluna Cesta e em opiniaonaosediscute.blogspot.com)

Sempre que um político defender a “reforma política”, desconfie

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DO PODER 360

Voltou com força o debate sobre uma reforma política.

Quando se observa debaixo da superfície dos discursos a favor da moralidade, sobram apenas duas metas principais perseguidas pelo presidente da República, deputados e senadores: 1) livrar de punição quem cometeu crime de caixa 2 no passado e 2) criar 1 fundo de R$ 4 bilhões a R$ 6 bilhões com dinheiro público para financiar eleições.

Em resumo, todas as vezes que 1 político aparecer na TV dizendo ser necessário fazer a “reforma política”, desconfie. Os objetivos reais são apenas esses citados neste texto.

O SOFISMA DA BUSCA PELO MELHOR MODELO

Como Michel Temer se engajou no processo, haverá uma miríade de propostas. Voto em lista fechada de candidatos. Voto distrital puro. Voto misto (distrital e proporcional). Distritão (quando cada Estado vira 1 distrito; Temer gosta dessa ideia). E por aí vai. O tema é complexo. A cacofonia favorece aos políticos –que desejam uma grande confusão para aprovar algo que, no final, resulte no tal fundo bilionário eleitoral e na anistia ao caixa 2.

O fato é que não existe 1 modelo político-eleitoral ideal nas democracias representativas ocidentais. Existem vários modelos à disposição que precisam ser implantados com alto rigor e fiscalização.

O SISTEMA ATUAL: É BOM

Depois de 21 anos de ditadura militar, o Brasil fez a transição para a democracia em paz, estabilizou a sua moeda, promoveu 7 eleições presidenciais consecutivas pelo voto direto e suas instituições estão cada vez mais fortes. Nenhum outro país latino-americano de relevância teve isso nos últimos 30 anos. Alguma coisa positiva o sistema político atual tem. Produziu corrupção? Sim. Mas também produziu as forças institucionais que estão agora combatendo os crimes. O Congresso não atuou como deveria para modernizar o país? Não. Mas agora se move na crise para fazer as reformas da Previdência e trabalhista, entre outras.

O QUE SERIA UMA REFORMA POLÍTICA REAL

O Poder360 sabe que isso não vai acontecer, exceto com uma revolução sangrenta ou manu militari (e ninguém deseja isso). Outra possibilidade seria o Congresso ter 1 acesso de bom senso (algo improvável, como sempre). Mas não custa listar o que deveria ser feito para que o Brasil pudesse ter uma reforma política de fato:

  1. fim das coligações em eleições proporcionais – o voto em 1 candidato do PT elegeria apenas petistas. Votos em tucanos só iriam para o PSDB. Votos no Tiririca iriam apenas para o partido do Tiririca. Quantos Tiriricas são eleitos a cada eleição? Talvez 2 ou 3 (e juntos elegem mais uma dúzia de desconhecidos). Mas esse é o preço da diversidade na democracia e não faria a menor diferença no Congresso;
  2. cláusula de desempenho de 5% – partidos com menos de 5% de votos para deputado federal em nível nacional não teriam direito a tempo de TV nem ao Fundo Partidário (sobrariam 6 ou 7 siglas);
  3. partidos completos – proibição de estruturas provisórias de partidos em cidades e Estados, com direções locais de fachada (que não são eleitas) e que podem ser destituídas pelos caciques de Brasília a qualquer tempo e época. Todas as unidades locais das legendas (nos Estados e nas cidades) teriam de ser eleitas pelos filiados, sob supervisão da Justiça Eleitoral;
  4. Congresso menor – redução da Câmara de 513 para 400 deputados (com 100 milhões de habitantes a mais, os EUA têm apenas 435 cadeiras). Fim dos senadores suplentes;
  5. 1 homem, 1 voto – a divisão das 400 cadeiras da Câmara seria de maneira a dar a cada Estado 1 número realmente proporcional à sua população (hoje, 1 voto do Acre vale um punhado de votos em São Paulo). O equilíbrio da Federação estaria mantido com o Senado, no qual cada UF continuaria a ter 3 senadores;
  6. financiamento híbrido, público e privado – permitir doações de pessoas físicas e jurídicas, com valores fixos. Por exemplo, até R$ 2.500 por pessoa física e R$ 5.000 por pessoa jurídica. O limite seria fixado pela Justiça Eleitoral, a cada pleito. O sistema teria de ser online, em tempo real, com o eleitor sabendo diariamente (nas páginas do TSE e dos TREs) quem doou para quem. Antes da eleição, cada eleitor saberia exatamente quem financia cada 1 dos candidatos na disputa (hoje, como se sabe, o eleitor só tem acesso à lista completa de doadores e valores após a eleição, o que é um despautério, além de inútil para fins de accountability).

O MITO SEMPRE REPETIDO: “BRASILEIRO NÃO DOA”

Converse com 1 político de esquerda, de centro ou de direita. Todos dirão: “Ah, o brasileiro não tem tradição de doar para políticos”. Trata-se de uma falácia.

O brasileiro não doa porque os políticos não pedem como devem. Porque os políticos não têm coragem nem credibilidade para pedir doações com a intensidade devida.

É comum políticos pedirem dinheiro nos EUA. Mesmo depois das campanhas encerradas, os sites continuam recebendo doações, que vão para os partidos. Logo nas homepages já aparecem os pedidos.

Eis como está hoje a página do republicano Donald Trump, eleito presidente dos EUA em 2016:

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Entre nos sites de políticos brasileiros e verifique se há algo próximo ao que fazem os norte-americanos. Não há.

Candidatos no Brasil poderiam dizer, na TV e na internet, por exemplo o seguinte: “Preciso do seu dinheiro. Doe R$ 1, doe R$ 5 ou R$ 10. Eu vou prestar contas durante todo o meu mandato. Não quero ficar dependente de grandes corporações. Quero o eleitor ficando sócio de minha candidatura”. Quem tem coragem de dizer isso no Brasil? Os políticos tradicionais, não. Mas uma geração de brasileiros poderia se interessar pela política usando essa estratégia.

Nos EUA, as microdoações não existiam tampouco no passado. A tradição foi criada a partir da insistência de políticos –que com a chegada da web disseminaram os pedidos.

No Brasil, Lula teve 46,7 milhões de votos no 1º turno de 2006. FHC havia recebido 35,9 milhões em 1998. Se 20% desses eleitores fossem convidados, de maneira vibrante por Lula ou FHC, seria possível que cada 1 doasse R$ 5 ou R$ 10, em média? Nunca saberemos. Nem Lula nem FHC pediram.