Suspenso por doping, Machida abraça a “luta agarrada”

A organização oficial das artes marciais mistas Ultimate Fighting Championship atualizou as posições dos seus ex-campeões Lyoto Machida e Jon Jones durante o mês agosto da temporada 2016.

E com isso os lutadores Lyoto Machida e Jon Jones foram retirados de ranking do UFC após terem sido testados positivamente no exame antidoping neste ano, sendo que o brasileiro pertence à categoria média e o norte-americano rankeado entre peso meio-pesado.

Vale lembrar, “The Dragon” Lyoto Machida foi retirado quando surgia na oitava colocação nesta sua divisão, enquanto “Bones” Jon Jones aparecia como campeão interino aparecendo atrás de Daniel Cormier, principal vencedor.

Lyoto-MachidaNão podendo lutar artes marciais mistas profissionalmente, Lyoto Machida se manterá na ativa na luta agarrada. O ex-campeão dos meio-pesados do UFC fará duelo com Jake Shields no evento Submit Cancer, que será realizado no dia 13 de agosto em Denver, nos Estados Unidos.

O combate terá as regras do submission, uma espécie de jiu-jitsu sem quimono. Toda a renda levantada pelas lutas do evento serão repassadas à fundação que apoia o Hospital Infantil do Colorado.

Aos 38 anos de idade, Lyoto não vive bom momento no MMA. O brasileiro vem de duas derrotas seguidas, para Luke Rockhold e Yoel Romero. Em abril, ele faria duelo contra Dan Henderson, mas foi retirado do combate em cima da hora após admitir à Agência Antidopagem dos Estados Unidos que havia ingerido uma substância proibida. Machida está temporariamente suspenso das lutas e deverá ter seu julgamento definitivo em breve.

Já Shields fez três lutas no WSOF desde que deixou o UFC, em 2014. Foram duas vitórias, sobre Ryan Ford e Brian Foster, e uma derrota, para Rousimar Toquinho. (De SuperMMA)

Esses lutadores de MMA sempre a nos surpreender. Hum hum…

O golpe desnudado – e assumido

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POR PABLO VILLAÇA

Não é impeachment e nem é um julgamento por crime de responsabilidade; é um golpe e o processo é puramente político e econômico.

A imprensa do mundo inteiro (com exceção da brasileira, cúmplice dos golpistas) denunciou a farsa do impeachment. Mas não é golpe.

Mais da METADE da população brasileira enxerga o “impeachment” como um processo que contém irregularidades. E maioria absoluta deseja novas eleições. Mas não é golpe.

Um ex-governador notório pelas tais “pedaladas” se torna relator de um processo sobre estas e diz que são crimes. Mas não é golpe.

Um ex-governador, ex-deputado, candidato derrotado e senador campeão de menções em delações discursa falando sobre “honestidade” e “impunidade”. Mas não é golpe.

Os peritos chamados pelo próprio Senado concluem que não houve crime e são ignorados. Mas não é golpe.

Diversas testemunhas da defesa tiveram suas convocações para depor negadas pela comissão do “impeachment”. Mas não é golpe.

O número de sessões é reduzido para acelerar o processo a fim de garantir que o vice-presidente golpista possa ser confirmado no cargo antes que sua popularidade despenque ainda mais. Mas não é golpe.

FHC, em entrevista à Al Jazeera, admitiu que não houve crime e que o julgamento é político – e também que boa parte dos senadores votou por “oportunismo”. Mas não é golpe.

A LÍDER do “governo” Temer na Câmara, Rose de Freitas, assumiu publicamente que “não houve isso de pedaladas”. Mas não é golpe.

O processo de Eduardo Cunha, aliado próximo a Temer (o Pequeno), já dura TREZENTOS dias e foi mais uma vez adiado para que não ocorra antes da votação do “impeachment” e o comprometa. Mas não é golpe.

O vice golpista, desde que tomou o poder, publicou MPs que consistem exatamente nas tais pedaladas e o TCU as aprovou sem problemas. Mas não é golpe.

O braço direito de Temer, Romero Jucá, foi GRAVADO conspirando para derrubar Dilma para barrar a Lava-jato. Mas não é golpe.

O programa de governo eleito por 54 milhões de pessoas foi abandonado por Temer, que partiu na direção oposta e imediatamente – ainda interino! – deu início a privatizações, corte de direitos dos trabalhadores e de programas sociais. Mas não é golpe.

Senadores que logo após a votação inicial na Casa indicaram dúvida sobre o “impeachment” foram abordados por Temer para “negociar” a posição – e Romário, por exemplo, ganhou o direito de indicar a diretoria de Furnas. Mas não é golpe.

A PM e a Força Nacional estão reprimindo todas as manifestações contra o “impeachment” e a favor do “Fora Temer”. Mas não é golpe.

O STF, que supervisiona o “impeachment” e teve o aumento de salário de seus juízes vetado por Dilma, foi imediatamente premiado com o reajuste quando Temer tomou o poder, num impacto de 58 bilhões de reais para as mesmas contas públicas que o golpista afirmara que iria reduzir. Mas não é golpe.

Os candidatos DERROTADOS na última eleição passaram a integrar o “governo” que derrubou aquele eleito pelo povo. Mas não é golpe.

Temer manobrou descaradamente não só para viabilizar o impeachment, mas para confirmá-lo, chegando a ter um aúdio com DISCURSO DE POSSE vazado antes mesmo do primeiro julgamento e confirmando, com isso, que estava fazendo o possível para tomar o lugar da Presidenta da qual era vice. Mas não é golpe.

E é golpe, enfim, porque se trata de interromper as políticas públicas eleitas pela maioria da população nas últimas quatro eleições. A venda do campo de Carcará, que valia quase 23 bilhões e foi entregue por 8 bilhões, é a repetição exata do processo de privataria de FHC que viria a ser rejeitado pelo povo. Da mesma maneira, as declarações de Temer sobre aumentar a idade de aposentadoria para 70 anos, eliminar (ops, perdão: “flexibilizar”) a CLT e entregar a definição dos direitos de cada empregado aos seus patrões são a mais pura manifestação de uma política interessada apenas em agradar a elite.

Para a elite brasileira, por sinal, seu voto deveria valer mais do que o daqueles que não fazem parte dos 10% mais ricos – e, com o golpe, mais uma vez ela provou que “democracia” é um conceito nulo em um país que tem uma mídia preocupada não com a ética e a veracidade do que publica, mas com os interesses aos quais atende.

A elite brasileira é do tipo que considera “errado” um voto que não seja no candidato comprometido com seus interesses. E que se acha no direito de “corrigir” o “erro” como bem entender. A elite brasileira, enfim, é esta que vocês podem ver na imagem do tweet que acompanha este post (abaixo). São pessoas como esta que agora estão no poder.

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Não vivemos mais em uma democracia. Este é o retrato do Brasil em 2016 e pelos próximos sei-lá-quantos anos.

E hashtags não mudarão esta realidade.

Perfeita e irretocável análise da triste era das trevas que assola o país.  

A grosseria gratuita de Carmen Lúcia

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POR PAULO NOGUEIRA, no DCM

O que levou a ministra Carmen Lúcia a ser tão deselegante, tão impiedosa e tão maldosa exatamente no dia em que foi eleita para suceder Lewandowski no comando do STF? A única resposta que me ocorre é uma combinação letal de ódio no coração com ignorância presunçosa.

Dizer que quer ser tratada como “presidente”, tudo bem. Mas afirmar que quer isso por ser “amante da língua portuguesa” é ao mesmo tempo uma crueldade com Dilma e um disparate linguístico.

Presidenta é uma forma absolutamente correta. Ao contrário de Carmen Lúcia, o português é uma língua generosa: em várias situações, admite mais de uma escolha. Dilma optou por presidenta para reforçar o ineditismo de ser a primeira mulher a ocupar o Planalto.

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A mídia jamais a tratou como ela desejava não por amor ao português castiço ou coisa do gênero. Foi uma decisão meramente política. A Veja (destaque acima) tratou Isabelita Peron como presidenta da Argentina nos anos 1970, para ficar num caso. Presidenta figura no Aurélio desde a edição inicial, em 1975.

No âmbito da Academia Brasileira de Letras, o imortal Merval Pereira não usa presidenta, mas o imortal Machado de Assis usou em Memórias Póstumas de Brás Cubas.

Chega?

Negar a Dilma o título escolhido por ela fez parte do jornalismo de guerra que as grandes companhias de mídia adotaram contra ela desde o primeiro dia de seu primeiro mandato.

Dilma teve 54 milhões de votos. Carmen Lúcia teve um: o de Lula, que a levou ao STF em mais uma de suas escolhas desastradas.

Mesmo assim, Carmen Lúcia se acha no direito de sapatear em cima de Dilma. E exatamente quando Dilma enfrenta um drama épico, seu afastamento por um crime que não cometeu. As mulheres de hoje têm uma palavra para expressar a fraternidade feminina: sororidade. O que Carmen Lúcia fez é o exato oposto de sororidade.

Se não bastasse tudo, o comentário infeliz vem num momento em que uma parcela expressiva dos brasileiros nutrem total desconfiança em relação à lisura da Justiça e, especificamente, do STF. A mesquinharia gratuita de Carmen Lúcia apenas vai reforçar essa desconfiança.

Numa tirada antológica, Sêneca escreveu que ao se lembrar de certas coisas que dissera invejava os mudos.

A nova presidente — chamemo-la como quer — do STF poderia refletir sobre a frase de Sêneca.

O efeito Marta

POR GERSON NOGUEIRA

Os narradores de TV se esgoelaram, felizes e estridentes com a goleada. Os pachecos canarinhos deliraram com o fim do jejum de gols do escrete. Todos eufóricos com a exuberante exibição dos meninos olímpicos. Tudo muito bem, só que quase ninguém prestou atenção no nível do adversário. O fato é que a Dinamarca pratica um futebol indigente, tecnicamente inofensivo. Deu um chute a gol – e foi um peteleco – sem representar qualquer perigo para o Brasil.

É verdade que os dois jogos anteriores foram contra times (África do Sul e Iraque) igualmente patéticos e, ainda assim, a seleção não conseguiu nem fazer gols. Por esse ponto de vista, é inegável que a atuação de ontem representa uma evolução.

Houve movimentação entre os setores da equipe e intensa troca de posição dos homens de frente, principalmente Gabriel Jesus, Neymar e Luan. Por instantes, deu até para sonhar com uma seleção principal jogando dessa forma, usando as mesmas peças.

unnamed (15)Além de tudo isso, o time jogou objetivamente, evitando desperdícios. Gabriel Jesus desta vez só perdeu duas chances e Gabriel (o tal Gabigol) errou três chutes. Com Neymar consciente de sua importância para a garotada, correndo tanto quanto os demais e esforçando-se para limpar a barra perante a torcida, o Brasil foi intenso e sempre superior.

É claro que não se pode esquecer que do outro lado estava uma Dinamarca atrapalhada, que não sabia sair de seu campo e errava dois em cada três passes. Portanto, desaconselha-se embarcar nos excessos de paparicos que os homens da TV tentavam fazer aos “meninos do Brasiiil”.

O jeito organizado de jogar foi o segredo para a súbita melhora. Até a saída de jogo pelos lados funcionou bem desta vez e os homens da transição – Ricardo Augusto e Wallace – estiveram impecáveis.

Não se pode subestimar a importância das conversas que Tite teve com o grupo e com o próprio Rogério Micale depois da tenebrosa apresentação contra o Iraque. A título de injetar motivação, o técnico da Seleção Brasileira reorientou as opções do time, reposicionou peças e ajudou a encontrar um caminho competitivo.

Não fez mais do que sua obrigação, diga-se. Pela importância desmedida que a CBF dá à medalha de ouro olímpica, Tite deveria ter assumido a seleção. Esquivou-se da espinhosa missão, alegando malandramente que não queria levar os louros em caso de uma conquista.

Por trás dos panos, porém, deve ter sido chamado a colaborar com Micale, um técnico aplicado, mas ainda inexperiente. Pelo menos pela atuação de ontem, pode-se dizer que a interferência foi bem-vinda.

Como foi positiva para os brios dos atletas a louvação nacional em torno de Marta, da seleção feminina. Comparada a Neymar, ela se tornou símbolo do Brasil bom de bola, ganhando adeptos e colecionando elogios. O efeito sobre a vaidade do craque do Barcelona e de seus companheiros ficou mais do que evidente no gramado da Arena Fonte Nova.

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Dewson e a fúria dos preconceituosos

Com grande destaque na temporada passada, Dewson Freitas despontou como um dos melhores do quadro de árbitros da CBF, tomando a frente em relação a muitos profissionais do eixo Sul-Sudeste. Corre o sério risco de perder todo o prestígio adquirido à custa de muito esforço e competência.

Tudo porque adota um estilo “europeu” de apitar, minimizando algumas faltas e dando prioridade à beleza do jogo. Com ele no apito, a bola dificilmente para. Infrações para “parar o jogo” também não são levadas em consideração.

Algumas vezes acaba exagerando nesse critério e deixando de marcar faltas graves, merecedoras de punição rigorosa. Foi mais ou menos assim que caiu em desgraça junto a clubes politicamente fortes junto à CBF.

Sofre uma saraivada de críticas por dois lances polêmicos.

No confronto entre Flamengo e Santos, na semana passada, deixou de assinalar um pênalti reclamado estridentemente pelos rubro-negros. A tal bola na mão. Em cima da jogada, Dewson interpretou como lance normal – e acertou.

Na última segunda-feira, apitando Corinthians e Cruzeiro, deixou de marcar um pênalti claro do goleiro Cássio sobre o atacante Ábila. A partida terminou empatada e o árbitro paraense virou alvo de duros ataques por parte dos cruzeirenses, situação que culminou com sua suspensão pela comissão de arbitragem da CBF.

Exigente e perfeccionista, Dewson deve ter consciência da falha cometida. Como cidadão esclarecido, deve saber também que sua condição de nortista pesa muito na maneira como a comissão resolveu tratar o problema.

Muitos dos árbitros mais conhecidos do país, como Sandro Meira Ricci e Héber Roberto Lopes, são useiros e vezeiros em lambanças sem que sejam atingidos com mão tão pesada. Ricci veio apitar o jogo do Paissandu contra o CRB pela Série B e conseguiu complicar marcações simples. Apesar dos muitos vacilos ao longo da carreira, está no torneio olímpico de futebol e representou o Brasil na Copa do Mundo de 2014.

Dewson certamente emergirá desse episódio ainda mais forte e amadurecido, mas precisará estar cada vez mais atento aos donos do futebol no Brasil.

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Direto do blog

“É sempre assim: os jogadores são responsabilizados individualmente por eventual fracasso fruto da desorganização e incompetência crônica na gestão do nosso futebol. Até o povo da ESPN, tido como o mais independente, acabou embarcando no oba-oba de uma seleção formada às pressas, justamente porque prevalece a ideia individualista e fantasiosa de dream team.
Por que não formar uma seleção que tenha espírito coletivo, combatividade e aplicação tática, em vez de formar um time de ocasião em que super-heróis são chamados às vésperas do perigo pra derrotar os inimigos?”.

Jorge Paz Amorim, focando na origem dos problemas da seleção olímpica.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 11)