Entre a glória e a perdição

POR GERSON NOGUEIRA

Quanto maior a fama e o sucesso, mais responsabilidade e cobrança. Uma coisa sempre puxa a outra. Assim é a vida. No futebol, ex-jogadores costumam analisar o fenômeno com maior clareza. O distanciamento favorece a percepção crítica e permite enxergar melhor o que antes ficava encoberto pela correria diária, pelos muitos compromissos profissionais.

A encruzilhada vivida por Neymar na Seleção Brasileira que disputou o torneio olímpico dá bem a medida da gangorra do futebol. Por um lado, prestígio e glória. Por outro, desconfiança e mágoa.

Essa linha tênue que separa os dois lados ficou mais do que exposta ao longo da partida final, contra a Alemanha, no Maracanã. Depois de ser venerado como o grande herói, fazendo os gols decisivos da conquista, o jovem atacante do Barcelona desceu ao rés do chão.

unnamed (55)Em consequência de xingamentos e hostilidades que partiam de um pequeno grupo de torcedores, o astro partiu para o revide, ainda em meio aos festejos pelo ouro inédito. Punhos cerrados, expressão de fúria no rosto, deu socos na bancada e devolveu os palavrões. Ironicamente, portava na cabeça a faixa com os dizeres “100% Jesus”, de inspiração evangélica.

Diante das câmeras dos celulares, foi flagrado subitamente indigno dos tributos que a massa ainda lhe prestava dentro e fora do gramado, reconhecendo seus méritos ao liderar a seleção olímpica. Foi uma reação contraditoriamente humana, porém a cena fatídica causou mais impacto que as comemorações pela vitória.

Todo mundo sabia da pressão a que Neymar foi submetido no começo da campanha, quando a Seleção não conseguia jogar bem e alimentava um incômodo jejum de gols. O atacante chegou a ser comparado negativamente com Marta, cuja equipe teve um início mais empolgante na Olimpíada.

Na reta final, os papéis se inverteram e o time masculino readquiriu a confiança do torcedor, mas ficaram os ressentimentos. Expostos na própria  reação destemperada de Neymar e em declarações agressivas de vários jogadores.

O fio da navalha é território quase obrigatório para todo ídolo esportivo. Neymar já havia descoberto isso há mais tempo. Depois da recente Copa América, disputada nos EUA, saiu em defesa do técnico Dunga e se abespinhou com jornalistas que criticaram a eliminação do Brasil logo na fase de grupos.

Vitorioso como atleta pela carreira de sucesso no Barcelona, Neymar costuma citar essa condição sempre que é confrontado com perguntas fora da pauta chapa-branca. Na preparação para a Olimpíada, sustentou embate verbal com um repórter que ousou questionar suas atuações pela Seleção.

Esquece apenas que será sempre cobrado como astro nacional. Como Lionel Messi na seleção argentina, Neymar nunca teve triunfos memoráveis com a Seleção Brasileira. A medalha de ouro nos Jogos do Rio atenua essa dívida, mas ainda não é suficiente. Precisará fazer muito mais.

Ao ver a polêmica em que Neymar se meteu, pensei nos livros de Alex e Casagrande. Ex-craque de Palmeiras e Cruzeiro, Alex enumera em suas memórias todas as falsetas que rondam a carreira de futebolista, tornando-a sempre sujeita a movimentos pendulares. É um relato primoroso, que deveria ser lido por todo boleiro calejado ou iniciante.

O livro de Casagrande (escrito pelo jornalista Gilvan Ribeiro), que terminei de ler no sábado passado, por coincidência o dia da final olímpica, tem narrativa mais emotiva. Passa em revista a amizade e a parceria com Sócrates, mesclando depoimentos de diversas figuras do esporte.

Casão também faz observações preciosas sobre o cotidiano da profissão, recordando bons e maus pedaços da trajetória, cujo auge foi no período da Democracia Corinthiana, ali no começo dos anos 80.

O conteúdo das duas obras é importantíssimo para a formação de qualquer moleque desejoso de abraçar a cobiçada profissão, pois fala dos encantos e recompensas, mas não esquece os percalços e frustrações. Acho que Neymar devia ler os dois livros de uma tacada só.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa, que começa logo depois do Pânico (RBATV), a partir de 00h20.

Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião integram a mesa de debatedores, discutindo os principais assuntos do futebol paraense.

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Direto do blog

“Há um mantra na administração científica atual, que ainda tenta superar Taylor e Ford: ‘agregar valor’. Taylor e Ford fizeram despencar o custo de produção, o que tornou muitos produtos acessíveis à população. Era o esforço pela popularização, que tem a ver com o preço final ao consumidor. Estranhamente, o movimento da administração hoje em dia é a busca por encarecer o produto. É bom que se tenha em mente que isso, agregar valor, quer dizer apenas cobrar mais pelo mesmo. É evidentemente um engodo. Embutir valor no produto é acrescentar algo pelo que o consumidor não faz a mínima questão ou que não faz lá muita diferença entre com ou sem o tal “plus”, ou mesmo induzir uma informação falsa, como a de que certos alimentos ‘enriquecidos’ com vitaminas substituem alimentos naturais, como frutas e verduras. Aliás, ‘enriquecer’ já é lá um termo que merece desconfiança, afinal, como todo bom marxista sabe, é de se estranhar que a burguesia resolva ‘vender’ qualquer tipo de ‘riqueza’. A gourmetização do futebol é a inclusão do engodo, da suntuosidade das arenas, da cobertura pela TV digital e em tempo real pela internet ao futebol, e isso é como vender muito mais caro o suco de cupuaçu industrializado em plena Belém do Pará, a tentativa de não mais vender o suco fresco feito na hora e impor o suco adicionado de conservantes e que passou por uma máquina, por uma logística e recebeu um código de barras no estoque. Para mim, essa gourmetização do futebol implica ainda mais na industrialização do futebol, principalmente pelo que se quer expor no rótulo: o melhor futebol do mundo. Já foi, né?… Basta abrir os olhos e enxergar a realidade. Não há mesmo justificativa para os preços dos ingressos nem aqui em Belém, nem em São Paulo e Rio. O que é preciso realmente é melhorar a qualidade dos dirigentes, da gestão melhor dizendo. Profissionalizar o futebol, livrando-o de seus perenes (?) sanguessugas, seria a melhor maneira de agregar valor”.

Lopes Junior, ainda sobre a gourmetização do futebol, tema da coluna de sexta-feira.   

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 28)

Juiz de Fora é a cidade que menos prestigia futebol

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Juiz de Fora é o município que menos frequenta estádios com clubes locais entre as duas principais divisões do futebol brasileiro. A cidade mineira, que tem cerca de 555 mil habitantes, de acordo com estimativa do IBGE, é a sede do Tupi, que hoje enfrenta o Vasco, pela Série B, no estádio Mario Heleno.

A média do clube na arena é de somente 1.062 torcedores por jogo, a menor entre os 40 times das duas principais divisões do país. E este não é o único número que mostra a pouca atração que o Tupi causa no município.

Dividindo a população de Juiz de Fora pela média de público do Tupi, é como se apenas 2 a cada 1.000 habitantes da cidade frequentasse o estádio. Nenhuma outra cidade com clubes nas Séries A e B têm uma afluência de torcedores tão pequena.

Para efeito de comparação com outras cidades que recebem pouco público, em Lucas do Rio Verde-MT, por exemplo, a média é de 1.282 torcedores em uma cidade com 57 mil habitantes, o que significa que a cada 1.000 habitantes, 22 frequentam o estádio local. O time local é o Luverdense.

Dois fatores são vistos como fundamentais para o pouco público presente nos confrontos realizados no Mário Helênio: a campanha ruim na competição – o time é o 18º colocado – e a forte concorrência com os clubes do Rio de Janeiro.

“Vai muito do desemprenho da equpe, pois quando estamos bem, a média aumenta. Se emendarmos uma sequência de vitórias ela tende a melhorar. A concorrência com os clubes cariocas é muito forte. O Tupi é o segundo time de muita gente. Isso é difícil para gente também”, contou Bernardo Fortuna, diretor de marketing do Tupi-MG, ao ESPN.com.br .

Com cerca de 300 sócios-torcedores, o clube faz ações promocionais para melhorar a média de público. “Temos chamados na TV Integração [afiliada da TV Globo na região]. Fizemos vídeos que os jogadores entram em contato com a torcida e ações nas partidas como chute do meio de campo e pênalti contra um goleiro da equipe”, continuou Fortuna. A diretoria de marketing ainda investe nas redes socias com campanhas no Instagram e WattsApp.

Dentro do estádio, o Tupi-MG reformou a área de alimentação. “Temos parcerias com empresas para chamarem funcionários para ver os jogos. O preço dos ingressos que praticamos é ainda de R$15 a meia e 30 a inteira. É um preço baixo para Série B”, explicou o marketing da agremiação. (Da ESPN)

Morre o técnico e ex-jogador Lúcio Santarém

O Tapajós divulgou nesta manhã nota oficial comunicando e lamentando a morte de seu ex-técnico Lúcio Santarém:

“É com imenso pesar que o Tapajós Futebol Clube noticia o falecimento de LÚCIO MOTA MATOS, 59 anos, conhecido no meio do futebol por Lúcio Santarém, ao mesmo tempo que se solidariza com os familiares, amigos e profissionais que conheceram e conviveram com este grande ser humano.

unnamed (60)Ex-jogador e técnico de futebol, Lúcio Santarém sempre foi uma figura importantíssima para o crescimento do esporte local. Ele foi um grande centroavante que passou por clubes da cidade e de fora, entre os anos 70 e 80. Defendeu as camisas de Remo, Rio Negro e Bahia e foi até para o futebol português, jogando pelos clubes Vitória de Guimarães e Portimonense.

Como técnico, comandou a Tuna Luso, o São Francisco e o São Raimundo, clube este pelo qual foi Campeão Brasileiro da Série D, em 2009. Nos últimos anos, Lúcio exercia a função de administrador do estádio Colosso do Tapajós, e sempre foi um grande parceiro dos clubes de Santarém, atuando pelo crescimento do futebol local.

Por conta do falecimento de Lúcio, o jogo entre Tapajós e Velosão,que estava marcado para esta tarde no Colosso do Tapajós, foi adiado e será realizado em outra data. A partida é a grande final da Copa Saudosa Vera Paz sub-17.”

O vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Coronel Antônio Carlos Nunes de Lima, também enviou suas condolências aos familiares de Lúcio Santarém. “O futebol paraense e santareno estão de luto por essa irreparável perda desse atleta exemplar e que sempre defendeu com dignidade os clubes por onde jogou com muita honra e respeito. Fica a saudade do futebol aguerrido e de raça sua marca registrada em campo como artilheiro que foi em carreira esportiva”.

Com Gabigol, Santos alcança R$ 700 milhões com venda de ‘meninos da Vila’

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POR THIAGO CARA, da ESPN.com.br

Na Itália para finalizar a transferência para a Internazionale de Milão, Gabriel Barbosa, o Gabigol, é mais um “Menino da Vila” que rende milhões aos cofres do Santos. Desde 2003, um ano após o surgimento de Diego e Robinho, o clube alvinegro já recebeu quase R$ 700 milhões vendendo jogadores.

Gabriel, que já realizou exames médicos na Itália, contribui para a conta com 25 milhões de euros, pouco mais de R$ 90 milhões na cotação atual. Com os R$ 21,9 milhões já registrados no balanço do primeiro trimestre, o Santos ultrapassa a marca de R$ 112 milhões em vendas apenas em 2016.

O valor é recorde desde 2005, quando Robinho foi vendido ao Real Madrid, e o Santos fechou o ano recebendo R$ 93,5 milhões. Corrigindo esse valor pelo IGP-M, um dos índices oficiais de inflação do país, porém, a quantia arrecadada há 11 anos salta para R$ 182 milhões, cifras imbatíveis no período.

O ESPN.com.br realizou a mesma atualização em todos as temporadas desde 2003, considerando os valores em dezembro de cada ano e o IGP-M de julho, último índice disponível. O valor original das vendas santistas já impressiona, com R$ 475 milhões, mas, corrigido, sobe para R$ 673,1 milhões.

As cifras, todas levantadas nos demonstrativos financeiros oficiais do Santos, são quase quatro vezes superiores a todas as receitas que o Santos obteve em 2015, também segundo seu balanço. Somando todas as fontes de renda, o clube arrecadou R$ 169,9 milhões no último exercício.

O dinheiro, caso ainda estivesse todo nos cofres do Santos, seria suficiente também para contratar Paul Pogba, jogador mais caro da história, que custou ao Manchester United 120 milhões de euros (cerca de R$ 430 milhões) na última janela de transferências – e ainda sobrariam mais de R$ 240 milhões…

Tirando 2016 e 2005, o ano que o Santos mais faturou com venda de jogadores foi 2013, quando Neymar se transferiu para o Barcelona. Na ocasião, o clube fechou o exercício com receita de R$ 62,4 milhões, valor que sobe para R$ 76,3 milhões corrigido pelo IGP-M.

O fim de agosto

POR MARIA FERNANDA ARRUDA, no Jornal Correio do Brasil

Agosto chega antecipadamente ao seu final, e rezemos com ele o réquiem de um governo que foi escolhido pelo povo, e pretendido para o povo. Por isso, não há espaço para ele na sociedade escravocrata da casa grande & senzala. Que tenhamos um final, o arremate de uma era de maldades e início de tempos mais venturosos. Dilma Rousseff estará na próxima segunda-feira no edifício que Niemeyer projetou para abrigar um Senado da República e que interesses mafiosos fizeram ser o antro da bandidagem mais sórdida já produzida nesse país. Seja qual for o desfecho dessa história patife, a coragem de Dilma Rousseff será o ponto de partida para a Historia de Libertação do Povo Brasileiro.

f045375f-b21e-41b6-a262-29e9bd18da7cO que se pode desejar? Não que a bandidagem que abriga pistoleiros, exploradores de trabalho escravo, coronéis anacrônicos exploradores do Nordeste, políticos de mãos e mentes sujas, sustentados na palavra de vida fácil dos togados do STF, seja atingida por raio de lucidez, tal como se fez com Paulo, o Apóstolo. Votariam pelo NÃO ao golpe, mas voltariam, em Setembro, ser o que sempre foram: sujos e covardes.

Os desonrados Senadores da República têm seu preço fixado em placa que anuncia produtos para venda: querem o ponto final da Operação Lava Jato e a transferência do pré-sal para as mãos dos mafiosos do petróleo.

Negociar sobre as regras de exploração da riqueza do pré-sal, isso já ficou mostrado e provado como viável. Mas a anistia aos propineiros e propinados, isso não se negocia com a presidenta. A sua deposição será, em pouco tempo, mostrada como fruto desse assalto que foi e é promovido por cidadãos desrespeitáveis. A operação comandada por Sérgio Moro será jogada aos esgotos, e isso depois de rápidas e eficientes negociações com os dignos representantes do Ministério Público, suscetíveis ao tilintar de mais moedas, a começar do Procurador Geral, o Janot, figura desconjuntada que Lula retirou do limbo a que se destinava.

Até que a caminhada rumo a antecipação de eleições, fazendo-se prévia e protocolar consulta ao povo, poderá ser aceita pelos senadores, desde que Eduardo Cunha seja posto a salvo e com ele todos os denunciados pelo furor inquisitório dos asseclas de Sérgio Moro. Mas seria preciso que a Máfia do petróleo aceitasse aguardar por mais alguns (não muitos) dias. Penso que alguns dos assessores e gente de confiança da Presidenta aceitariam negociar. Mas não ela, estejamos certos disso.

Dilma Rousseff falará em defesa própria e se oferecerá à inquirição. Por parte de quem? Quantos dos senadores são portadores de moral ilibada, que os autorizaria a condenação? Durante todas as etapas, as que já foram percorridas, mostraram-se as vozes e as feições animalescas de homens e mulheres que praticaram e praticam toda a sorte de patifarias, muitos deles analfabetos, confundidos na sordidez de suas vidas criminosas. Quem terá o despudor de acusar, olhando em seus olhos? É verdade, patifes não são dotados de pudor. Mas terão que enfrentar a vontade inquebrantável de uma mulher que já se experimentou na tortura. Faltará coragem a eles.

A decisão de Dilma Rousseff, de se apresentar no Senado, enfrentando a hostilidade lastimável dos que, eleitos para representar a vontade da República, curvaram-se aos interesses do dinheiro,essa sua atitude corajosa é que alimenta a esperança de dias de dignidade. Não importa o que possa acontecer amanhã ao presidente interino, covarde, que fugiu às suas responsabilidades.

Agosto decisivo

Consumado o golpe, o povo brasileiro, jovens, operários, trabalhadores, os aposentados, todos sofrerão as consequências do desrespeito das elites. Entre os promotores do golpe estão os empresários postos em suas poltronas acomodadas nas salas da FIESP, deleitando-se com a vingança pífia da derrota que lhes impôs o líder sindical de São Bernardo do Campo, em 1978. O Brasil sofrerá a rapinagem de suas riquezas, repetindo-se os crimes cometidos no passado construído pelo PSDB de FHC e de José Serra. Porém, Dilma , ao enfrentar a torpeza,estará ensinando mais uma vez que não se baixa a cabeça à tortura, nem a física e nem a moral.

A partir do que vier a acontecer em 29 de Agosto, é preciso ter os olhos voltados para o horizonte. É preciso que, para que sejam validados os princípios de um regime democrático, o povo seja despertado da letargia provocada por vinte anos de ditadura e pela estupidificação criada por uma imprensa deformada e deformante. Não se trata de criar slogans, cartazes e faixas. É preciso deixar de lado grandiosidades, para que se possa pensar o “grande”. Antes de chegarmos a uma Presidência de República vestida na autoridade do voto popular, será preciso trabalhar nas eleições municipais, pensando-se nos vereadores e nos prefeitos, para que se possa em seguida a isso eleger governadores, deputados e senadores. Um partido político, para obter a delegação do povo, vai as ruas e ganha votos. Para governar, é preciso que esse partido se mantenha ligado ao povo, ouça a sua vontade, dialogue e, ao mesmo tempo, saiba como, quando e com quem negociar. Não foi Dilma Rousseff, mas foi o PT que trocou as ruas pelos palácios, não se preocupou com a formação competente de seus quadros, não deu atenção às bases, às câmaras de vereadores, aos prefeitos, aos governadores estaduais e suas assembleias.

Ninguém a ajudou a não errar. Nem políticos, nem a opinião pública. Iniciou seu segundo mandato compondo um ministério péssimo, equivocado em tudo, resultado de ajustes e acordos de bastidores que não foram feitos por ela. Lula pediu que se tivesse com ela a paciência devida à mãe. Dilma deu a Lula a fidelidade e respeito que se devem a uma figura paterna. Madura e equilibrada foi ela, enfrentando a pior forma de solidão, que é a do convívio com maldades, vaidades, incompetências, quem praticou a virtude tão esquecida da fidelidade.

Dilma Rousseff, muito possivelmente, fora de um cargo que foi aviltado pelas instituições, será de mais valia para o esforço de reconstrução nacional. A sua integridade, somando-se ao respeito devido a uma mulher martirizada pela boçalidade dos que vestiam coturnos e desrespeitada pelos que vestem a toga da Justiça, será avalizadora de todas as vozes que preguem a verdade e os direitos do povo. Lula foi se fazendo a figura carismática, capaz de ser o condutor de seu povo, a partir da prisão arbitrária e fraudulenta que a Ditadura lhe impôs, fazendo com que um líder sindical se tornasse um guia da Nação. Dilma, ao ser confirmado o crime de sua condenação, por ser justa, fiel e honesta, poderá ser feita a Líder condutora de uma Nação vocacionada para o messianismo. É óbvio, o primarismo dos que querem destruí-la os impede de enxergar o óbvio.

(*) Maria Fernanda Arruda é escritora, midiativista e colunista do Correio do Brasil