Para que serve o jornalismo em 2016

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POR ANA FREITAS (*), no Linkedin

Lá pra 2012, escrevi no meu blog – O Olhômetro, então vivo – sobre os rumos do jornalismo. O texto fez sucesso: eu escrevi que, embora tivesse me formado na faculdade três anos antes, parecia que tinham sido 30.

O motivo: muito pouco tempo depois que eu conclui o curso, a lógica da produção e do consumo de conteúdo já tinha mudado completamente. E o curso de jornalismo no qual eu me formei falhou bastante em dar conta disso – por sorte, eu tive uma formação profissional, já no mercado, e pessoal, muito próxima da produção de conteúdo pra web.

Se muita água já tinha rolado por baixo da ponte em três anos, é desnecessário pontuar que agora as coisas nessa área já estão em outro patamar. Conteúdo ainda é rei, mas o vídeo é a bola da vez (e das vezes que vem aí, segundo muita gente que eu respeito); as pessoas se acostumaram à ideia de que podem ter notícias de graça; ninguém sabe avaliar bem se uma informação, que pode chegar por uma dezena de canais diferentes, é verdadeira ou não. E o jornalismo institucional, moleque, de várzea, respira por aparelhos, com tentativas aqui e ali de gerar lucro e se manter – muitas vezes, fracassadas.

É sintomático que hoje nos EUA o melhor exemplo de jornalismo de qualidade – com critérios de apuração, inovador e adequado aos formatos e à linguagem das redes sociais – seja o Washington Post. É que o jornal foi comprado há alguns anos pelo empresário Jeff Bezos, da Amazon, numa espécie de fetiche: ele sabe que não vai ter lucro com o WP. Mesmo assim, o mantém por idealismo e por acreditar na função social do jornalismo. Chega até a ser poético, embora bastante desolador.

Por algum motivo, eu sigo tentando fazer o jornalismo dar certo (Não tipo, nogrand scheme of things. Na minha vida, mesmo. Pagar as contas e ser feliz, essas coisas bestas). É uma tarefa cada vez mais ingrata, mas deve ser teimosia minha (sou de Touro). É ingrata porque:

  • Ninguém lê mais textos longos – quando o faz, é com a atenção dividida entre outras 30 coisas mais bonitas e divertidas. Não me leve a mal, adoro memes, pôr do sol do Instagram, os vídeos de gatinhos fofos. Só tô dizendo que meu trabalho, como jornalista, é fazer um texto que concorra com isso, e obviamente eu saio perdendo.
  • O jornalismo é uma profissão de um idealismo triste e bem trouxa, porque ela consiste numa busca meio dura, às vezes sem resultado, pela verdade. E sei lá o que é a verdade, né? Mas mais do que isso: no meio de uma apuração, você pode descobrir que “a verdade” contradiz crenças pessoais e políticas que são caras pra você. Você pode descobrir que a verdade vai ser usada, de maneira maliciosa, por grupos de pessoas que lutam contra coisas que você pessoalmente defende. Não é agradável, mas você segue fazendo.
  • Às vezes, as pessoas não querem ler aquilo que contesta algo em que elas acreditam. Elas querem ler o que reforça as convicções de mundo delas. Na real, não tem problema nenhum nisso. O problema é quando a pessoa acha que BOM JORNALISMO é JORNALISMO QUE JUSTIFICA MINHA VISÃO DO MUNDO. Todo o resto é ruim. E cara, isso é muito comum.
  • É muito mais atraente acreditar numa corrente de Whatsapp que escreve tudo do jeito que a gente entende – e entrega a mentira ou a teoria da conspiração de um jeitinho com cara de plot da novela – do que ler um textão, cheio de informação difícil de absorver e uns gráficos esquisitos. Aí entra a capacidade e a obrigação do jornalista de transformar dados em coisas agradáveis de consumir, claro. MAS AINDA ASSIM a corrente de Whatsapp com imagem tosca ganha. Garanto.

Não só no Brasil, a gente vive um momento de polarização política – e ignorância – muito acentuado, por parte de sujeitos em todas as faixas do espectro ideológico. E o meu trabalho, quando apuro e escrevo, envolve escolhas minuciosas a todo segundo: quais informações incluir ou excluir do texto e como isso vai impactar as pessoas envolvidas na história, porque eu deveria contar uma história de um jeito ou de outro, as palavras que eu uso e o impacto delas, e mais um monte de coisas.

Essas escolhas, a maioria delas, são feitas conscientemente. São fruto de reflexões, de anos de estudo e leitura acerca de uma variedade enorme de temas, e até – claro, às vezes inconscientemente – das minhas convicções pessoas. Às vezes você erra: aí re-apura, corrige, pede desculpas, segue em frente e se torna ainda mais minucioso nas próximas, pra não repetir. Tudo certo.

Mas às vezes as suas escolhas e as motivações delas são contestadas com base em outras coisas. Com uma frequência maior do que é justo, especialmente numa sociedade politicamente polarizada, essas escolhas são acusadas de terem motivações políticas. E muito frequentemente, a mesma escolha é acusada por gente diferente de estar servindo a interesses políticos opostos. Já fui chamada de feminazi e de misógina por gente diferente por causa de um mesmo texto.

Por isso, andei pensando na função social que o jornalismo ainda tem. É uma coisa que a maioria das pessoas talvez esnobe, ignore, despreze – especialmente quando acusa a ~mídia~ de ~manipular informações~. Essa ideia de que os repórteres são ~todos vendidos~ não é a realidade do trabalho no dia-a-dia da maioria das redações.

Com exceções de coisas muito descaradas, a maioria das pautas, dos títulos e matérias é sugerida e apuradaspor gente que tá, de verdade, tentando fazer a coisa mais equilibrada possível. Aliás, até na Veja eu arrisco que esse seja o caso e aí a edição faz o trabalho sujo depois.

Eu diria que essa preocupação com “fazer jornalístico” é o caso em uns 70-80% do tempo nas grandes redações dos jornais  e na maioria das revistas (por observação empírica acumulada nos mais de 10 anos de profissão).

Pra entender isso, tem um vídeo muito legal do John Oliver sobre o assunto. É longo, é em inglês e talvez você fique desapontado quando terminar de assistir porque vai perceber que perdeu tempo lendo o texto e só precisava ter visto o vídeo pra entender o ponto, mas me perdoe (lembre-se, estou o tempo todo tentando acertar):

Deu pra sacar porque a coisa tá meio feia?

MAS PRA QUE SERVE O JORNALISMO AFINAL, MEU

Eu concluo esse texto com um trecho de um livro do Alain de Botton, filósofo cool dos nossos tempos, numa reflexão sobre censura com motivações políticas nos nossos tempos. Lê aí:

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É meio isso. Um ditador não precisaria proibir as informações nocivas a ele de circularem. Só precisaria garantir uma ENXURRADA de outras informações circulando também. No meio desse bolo, é quase impossível avaliar o que é relevante, o que foi escrito com critério de apuração, o que tentou olhar pra questão do jeito mais abrangente possível (nem sempre a gente consegue, mas o esforço existe).

Ainda me espanto com gente inteligente e bem informada compartilhando links e notícias que são claramente mentirosos. E é super comum. Mas em determinado momento, me dei conta que pra mim é mais fácil, porque sou treinada pra farejar e descobrir essas coisas de longe.

Jornalista é (ou deveria ser) tipo o protagonista daquela série LIE TO ME – só que sobre conteúdo: é um sujeito que sabe ler e interpretar sinais em níveis conscientes e subconscientes, objetivos e subjetivos, avaliando desde os fatores estéticos e tecnológicos associados a uma notícia até o teor do discurso e a escolha de palavras – tudo isso culminando habilidade mágica de dizer se há indícios de que um texto está mentindo ou não. Depois disso, ainda tem todas as ferramentas do método jornalístico pra separar o joio do trigo.

Não deixa de ser curioso que uma atividade que é, essencialmente, tão fundamental em um mundo com esse volume de circulação de informações esteja ameaçada – talvez porque não esteja claro o quão fundamental ela é.

(*) Repórter de Contemporaneidades do Nexo Jornal

Excelente reflexão sobre a encruzilhada em que se meteu (ou meteram) o jornalismo.

Olimpíada: Durant lidera a lista dos milionários

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A segunda semana dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro começou neste sábado, e é hora de um dos atletas mais bem pagos do mundo entrar em ação: Usain Bolt. O jamaicano, recordista mundial dos 100 m rasos, fatura US$ 32,5 milhões (aproximadamente R$ 102 milhões) anualmente, entre salários e patrocínios, de acordo com números divulgados pela revista Forbes.

O rol conta apenas com uma mulher, Serena Williams, que já deu adeus aos Jogos, e somente um brasileiro, Neymar, com seus R$ 118,7 milhões anuais.

Com ficha suja nos EUA, Del Nero ganha credencial do COI para os Jogos

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POR PEDRO IVO ALMEIDA E RODRIGO MATTOS, do UOL

O COI (Comitê Olímpico Internacional) deu credencial de dirigente ao presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, apesar de sua ficha suja nos Estados Unidos, onde responde a processo por supostamente receber propina. Órgãos de segurança do governo brasileiro checaram processos criminais para todas as pessoas que obtiveram credenciais e repassaram a informação ao comitê. Era do comitê a palavra final sobre quem ganhava o direito ao acesso às sedes olímpicas, levando em conta as regras de seguranças.

Os dados levantados para cada credencial são sigilosos. Mas o UOL Esporte apurou que houve cooperação com organismos internacionais então todas as acusações ou mandados de prisão contra pessoas credenciados no exterior foram levantados. Nos casos de suspeita de terrorismo, houve veto ao acesso às instalações.

Mas, em outras situações, os órgãos de segurança entregaram os dados para o COI que tomou a decisão sobre o credenciamento. Del Nero é acusado de receber propina por contratos da CBF. Assim, é réu em processo acusado de três crimes nos EUA no “caso Fifa”: crimes de conspiração, fraude eletrônica e lavagem eletrônica. São considerados delitos graves e por isso há um mandado de prisão nos EUA contra o dirigente.

Esse dado aparece em qualquer levantamento junto ao FBI que tocou a investigação e colaborou com a polícia brasileira. Na verdade, qualquer um que acesse os documentos do Departamento de Estados dos EUA ou páginas da Justiça norte-americana verá o nome do cartola.

Del Nero é ainda alvo de inquérito da Polícia Federal no Brasil para apurar se os dados descobertos nos EUA configuram crimes no Brasil por conta de acordo de cooperação.

Ainda assim, o COI deu uma credencial de OCOG (Comitê Organizador Local) para o presidente da CBF. Ela tem uma tarja vermelha e dá acesso a todos os locais de futebol da Olimpíada. São três dirigentes por federação de cada país que têm direito a esse status.

Del Nero tem ido a jogos da seleção masculina e feminina com sua credencial. Outro que tem o mesmo status é o vice-presidente da confederação, Coronel Nunes.

Questionado por mais de uma semana sobre a credencial, o COI se recusou a responder ao UOL. A Sesge também foi procurada para explicar os critérios de busca dos credenciados, mas não respondeu.

Del Nero não é o único cartola envolvido em escândalo de corrupção que é bem-vindo pelo COI. O ex-presidente da Fifa João Havelange, que comprovadamente recebeu propina por contratos da entidade quando a dirigia, foi convidado para ir aos Jogos na tribuna de honra. Ele recusou o convite.

Havelange era membro do COI, mas renunciou justamente porque foi instaurado um processo para apurar as propinas que recebeu no caso ISL por contratos da Fifa. Com sua renúncia, o comitê olímpico encerrou as investigações.

Eterna pedra no sapato de Tio Sam, comandante Fidel Castro festeja 90 anos

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POR SARA GÓMEZ ARMAS, de Havana – UOL

Charutos explosivos, drinques envenenados, um traje de mergulho letal e uma “Mata Hari” apaixonada. Nada pôde acabar com Fidel Castro, líder da revolução cubana que completa 90 anos neste sábado (13) e burlou mais de 600 complôs homicidas orquestrados pela CIA (agência de inteligência dos Estados Unidos).

Fidel Castro, nêmesis por décadas do “imperialismo ianque”, se transformou desde os preâmbulos da revolução que triunfou em 1959 em um obstáculo para os EUA e a principal ameaça a seus interesses na América Latina, onde o líder cubano apoiou movimentos de esquerda e guerrilhas de inspiração comunista nas trincheiras da Guerra Fria.

Mesmo de antes de 1959, durante o levante em Sierra Maestra, datam as primeiras tentativas da CIA de exterminar o “barbudo”. Uma lista que inclui pelo menos 638 atentados entre 1958 e o ano 2000 dos quais os serviços secretos cubanos tiveram constância, 167 dos quais estavam em avançada fase de execução no momento que foram desmantelados.

Entre eles há planos altamente rocambolescos, mais próprios de filmes de espiões como James Bond ou da Pantera Cor-de-Rosa que dos todo-poderosos serviços de inteligência dos EUA, que chegaram a criar o departamento ZR/Rifle com a única missão de liquidar Fidel, em colaboração com a máfia para acrescentar um toque “hollywoodiano” ao tema.

Nos alvores da revolução, Fidel participou da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York em 1960, ocasião que a CIA quis aproveitar para matá-lo com várias ideias como colocar explosivos nos charutos do comandante, uma missão que finalmente não chegou a concretizar-se.

Após a fracassada invasão da Baía dos Porcos – por exilados anticastristas financiados pelos EUA -, os serviços de inteligência se esforçaram em idealizar um desaparecimento limpo e sem rastro de sangue de Fidel Castro, com o envenenamento como opção predileta, operação que contou com a participação expressa de mafiosos como John Rosselli e Santos Traficante Jr.

Eles se ocuparam de conseguir as cápsulas de cianureto que entregaram em 1963 ao garçom da cafeteria do Hotel Habana Libre, onde Fidel ia frequentemente tomar um drinque.

Foi outro fracasso: a cápsula de cianureto ficou grudada ao gelo do congelador onde estava guardada e não pôde ser utilizada; o atentado que mais perto esteve de ter êxito, embora o acaso tenha salvado de novo a vida do líder cubano.

No entanto, o episódio mais cinematográfico é o que envolveu Marita Lorenz, amante de Fidel durante alguns meses após o triunfo da revolução que, após transferir-se aos EUA, foi contratada pela CIA no final de 1960, com apenas 20 anos, para envenenar o comandante durante um encontro na suíte de um hotel de Havana.

Marita guardou as pílulas letais em um frasco de creme hidratante e viajou a Cuba. As pastilhas derreteram com o creme, mas a jovem “Mata Hari” – que depois trabalhou como espiã da CIA por várias décadas – já tinha decidido no avião que não assassinaria aquele que tinha sido seu primeiro amor.

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Conhecedores de sua paixão pelo mergulho, os agentes da CIA também projetaram planos como impregnar de bactérias letais um traje de neopreno ou camuflar uma pequena bomba explosiva sob um búzio em uma das praias onde o comandante costumava mergulhar.

Perante as dificuldades para matá-lo, houve outros planos que só buscavam desacreditá-lo: colocar sal de tálio, uma substância depilatória, em seus charutos ou sapatos, o que ao ser inalado por Fidel provocaria a perda de sua significativa barba; ou bombear com LSD uma estação de rádio onde discursaria ao vivo para drogá-lo e fazer com que parecesse que tinha perdido a cabeça.

Um capítulo à parte merece Luis Posada Carriles, que atentou com a vida do comandante em várias ocasiões, além de participar da explosão de uma bomba no hotel Copacabana de Havana em 1997, que matou um turista italiano; ou da explosão de um avião da empresa Cubana de Aviación em 1976, no qual morreram 73 pessoas.

Carriles – exilado cubano, anticastrista ferrenho, ex-agente da CIA e “cruel terrorista”, segundo Fidel – urdiu seu último atentado contra o líder cubano durante a 10ª Cúpula Ibero-Americana realizada no Panamá em 2000: outra tentativa frustrada pela qual foi condenado e enviado à prisão, embora tenha sido anistiado logo depois.

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O Quixote

“Voltarão”.

Em 2001 Fidel Castro prometeu que traria de volta seus cinco agentes presos pelos Estados Unidos três anos antes.

— Quando Fidel disse ‘voltarão’, disse ao povo cubano: vocês os trarão — disse à AFP René González, um dos cinco cubanos libertados por Washington entre 2011 e 2014.

González ilustra assim o poder do ex-mandatário de contagiar com suas ideias, por mais incríveis que parecessem.

Mas nem sempre o Quixote caribenho venceu. Após um esforço titânico, não conseguiu, como tinha proposto, produzir 10 milhões de toneladas de açúcar em 1970. Mas conseguiu que Cuba derrotasse o analfabetismo em apenas um ano (1961).

Também se propôs a fazer de Cuba uma “potência médica”, quando tinha somente 3.000 médicos no país. Hoje tem cerca de 88.000 especialistas, um para cada 640 habitantes.

Na ilha, proliferaram os “planos Fidel”, experimentos sem sucesso para criar búfalos, gansos ou transformar Cuba em produtora de queijos de qualidade, quando ainda tinha um déficit de vacas.

Também não conseguiu que os Estados Unidos devolvessem o território de Guantánamo, cedido há um século, mas conseguiu trazer de volta o menino Elián González, levado clandestinamente em uma embarcação por sua mãe, que morreu na tentativa de chegar a Miami e cuja custódia provocou uma queda de braço entre Havana e Washington.

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O mito

Enquanto proclamava o triunfo da revolução em 1959, várias pombas voaram a seu redor e uma delas pousou docemente em seu ombro. As pessoas entenderam como um sinal sobrenatural. O mito marcou a vida de Fidel.

Em um país onde o cristianismo se mistura aos cultos africanos, os cubanos atribuíram a Fidel a proteção do orixá Obatalá, o deus pai, o mais poderoso. Viam-no como um homem inabalável, que tinha solução para tudo, era considerado quase imortal até adoecer em 2006. Apesar da gravidade, sobreviveu.

— Pode ser que seja tocado pelos deuses, como dizem os que têm axé (sorte e poder) — segundo a especialista cubana em cultos africanos, Natalia Bolívar. A figura paternal do “comandante”, tão respeitada como temida, é onipresente. Era visto tanto no meio de um furacão, quanto ensinando a preparar uma pizza. Se acredito até que se protegia com um colete à prova de balas.

— Tenho um colete moral, é forte. Esse tem me protegido sempre — disse aos jornalistas enquanto mostrava o peito durante uma viagem aos Estados Unidos em 1979. Fidel dizia não apreciar o culto à personalidade. Não há estátuas, mas sua imagem se multiplica na ilha.

Cabra bom.

Em busca de afirmação

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POR GERSON NOGUEIRA

Com a defesa toda modificada em função das ausências dos zagueiros Max e Henrique, o Remo encara hoje um dos adversários diretos pela classificação na chave A do Brasileiro da Série C. O Botafogo da Paraíba, que na partida da primeira fase conseguiu arrancar um empate em Belém, é adversário em fase de crescimento na competição e difícil de ser batido dentro de seus domínios.

Contra o Remo, o time paraibano tem problemas na escalação, mas deve fazer a estreia de Rafael Luz, que foi dispensado pelo Papão por mau rendimento na Série B deste ano.

Para passar pelo Botafogo, o Remo terá que se manter firme atrás e mostrar armas para o contragolpe. Com Edno fazendo a função de ponta de lança, ajudando com assistências os companheiros de frente, será fundamental a presença de um atacante de lado, ágil e velocista.

unnamed (10)Dos jogadores à disposição de Waldemar Lemos para o jogo, as opções para executar esse papel são o atacante Magno, o meia Héricles e o lateral-direito Levy. Qualquer um deles pode contribuir para as ações ofensivas do time com muito mais força de definição do que Fernandinho, que era titular até a última rodada.

Levam a vantagem de ter mais velocidade e capacidade de diálogo com Edno e Eduardo Ramos, o que pode levar à criação de boas oportunidades dentro da área.

Como é previsível que o Botafogo irá buscar a vitória, lançando-se á frente para impor pressão, o Remo poderá se beneficiar disso explorando os flancos do campo. Foi assim que jogou contra o ASA em Arapiraca, quase conseguindo arrancar uma vitória.

Magno, que ainda não teve chances no time titular, deveria ser a opção natural de Waldemar para o jogo. É rápido na saída para o ataque, tem bom passe e sabe definir jogadas. Foram essas características que atraíram a atenção do Remo no Campeonato Estadual. Difícil de ser marcado com a bola nos pés, criou inúmeros problemas no confronto do primeiro turno quando o Parauapebas derrotou os azulinos no Mangueirão por 2 a 1.

Héricles, que veio recomendado por Marcelo Veiga, é outro candidato ao posto de segundo atacante. Tem habilidade e arranque, embora não seja um finalizador, como Magno. Seria uma alternativa para tornar o meio-campo mais povoado e qualificado, posicionando-se próximo a Ramos e Marcinho.

Já Levy (foto) seria a alternativa mais radical. Jogador de força e velocidade, tem se destacado nas jogadas próximas à área adversária. Chuta forte e poderia vir a ser o atacante que o jogo exige. Sua escalação na frente, porém, desfalcaria o setor defensivo, que já terá uma dupla de zaga estreante na competição – Ciro Sena e Ítalo -, obrigando Waldemar a lançar Murilo por ali.

De qualquer forma, o Remo entrará em campo com o propósito de pontuar. Nas circunstâncias, o empate não chega a ser mau negócio, mas pela evolução apresentada nas últimas quatro rodadas a vitória é um objetivo possível.

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Papão x Ceará, a polêmica desnecessária

Por força de uma determinação da Polícia Militar, que não teria contingente suficiente para dar segurança ao jogo (data coincide com o XVII Congresso Eucarístico Nacional), a partida entre Papão e Ceará Sporting pode vir a ser realizada fora de Belém, na noite do próximo dia 20. Macapá e Manaus surgem como alternativas naturais, mas a situação ainda está em aberto.

A saída natural seria a mudança de datas, passando para o dia 22, mas a CBF já se pronunciou confirmando que a partida terá que ser realizada no dia 20, como previsto na tabela. Não se pode subestimar a capacidade de pressão dos cearenses, que procuraram a entidade para manifestar sua posição em relação ao problema.

No plano local, é de lamentar que outra vez um jogo de futebol sofra com as limitações alegadas pela PM para dar segurança ao espetáculo. Há algum tempo isso se repete, com ênfase no período de carnaval. Do jeito que a coisa vai, sendo que a corporação alega redução do número de soldados, não é absurdo imaginar que logo teremos que conviver com a mudança de data ou horário do Círio de Nazaré.

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Olimpíada: sonho adiado de entrar para o Top 10 

O sonhado ingresso no panteão dos 10 primeiros colocados nos Jogos do Rio parece cada vez mais inatingível para o Brasil. Passada a primeira semana da maior competição do planeta, os representantes nacionais só conseguiram uma medalha de ouro, uma de prata e duas de bronze. Muito pouco para quem tinha pretensões maiores.

É verdade que algumas modalidades ainda estão por se definir, como o futebol, o vôlei, o atletismo e a ginástica, mas derrotas no judô e na natação comprometem o planejamento traçado.

Antes de cair no vira-latismo de sempre, cabe lembrar que o projeto olímpico brasileiro só existe de fato há sete anos, depois que o país ganhou o direito de sediar a Olimpíada.ainda durante o governo do presidente Lula. Foram então criadas as bolsas Atleta e Pódio, destinadas a estimular o esporte de alto rendimento.

A conquista de Rafaela Silva no judô já é uma das vitórias dessa política de apoio aos atletas de origem humilde, iniciativa nem sempre compreendida por parte da elite nacional. Caso as bolsas sejam mantidas, daqui a oito anos será possível contabilizar novos campeões e – aí sim – entrar para o seleto clube das potências olímpicas.

(Coluna publicada no Bola de sábado, 13)

Fenômeno confirma decisão de se aposentar

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A uma prova do fim de sua participação na Rio-2016, Michael Phelps reafirmou que se aposentará após a edição carioca dos Jogos Olímpicos. Depois de conquistar a medalha de prata nos 100m borboleta, nesta sexta-feira (12), o norte-americano desmentiu a afirmação do amigo e rival Ryan Lochte, que havia dito acreditar que Phelps disputaria a edição de Tóqui-2020.

Aos 31 anos, Phelps tem apenas mais uma chance de conquistar o 23º ouro. No sábado (13), ele cairá na água com o time dos Estados Unidos para a disputa dos 4x100m medley.

Com a prata nos 100m borboleta, Phelps encerra sua participação individual na Rio-2016. O americano competiu, desde a estreia olímpica em Sydney-2000, em 18 provas individuais. Conquistou 13 ouros, 2 pratas, 1 bronze e, em duas ocasiões, ficou sem medalhas. O desempenho no Rio foi idêntico ao de Londres em provas individuais: foram 2 ouros e 1 prata.

Caso confirmada, essa será a segunda aposentadoria de Michael Phelps. Em 2012, logo após os Jogos de Londres, o norte-americano afirmou que encerraria sua carreira. Dois anos mais tarde, no entanto, voltou para as piscinas visando a Rio-2016.

“Estou pronto para me aposentar. Estou em um estado mental melhor do que estava há quatro anos. Vou manter esta posição. Fui capaz de fazer tudo que tinha na minha mente em 24 anos no esporte. Estou feliz como as coisas terminam, é por isso que voltei, fechar a porta neste esporte como eu queria. É isso”, completou. (Do UOL)

São Paulo oferece mais e tira Gomes do Fogão

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“De nossa parte, se houver alguma saída do Ricardo Gomes, não será o Botafogo que está dispensando. Isso mostra como encaramos o trabalho dele aqui”. Foi assim que o presidente do clube carioca, Carlos Eduardo Pereira, respondeu à pergunta do Blog do Boleiro se ele estaria chateado com a saída do treinador, que -segundo informações desta sexta-feira, teria acertado a ida para o São Paulo.

Esta não foi a primeira vez em que o treinador recebeu convite de outra equipe. Em maio deste ano, o Cruzeiro dispensou Deivid e ofereceu um salário três vezes maior para trazer Ricardo Gomes. O Botafogo entrou em ação e segurou o técnico. “Ali, com certeza tivemos um ajuste salarial para manter o Ricardo”.

Agora não.

Segundo o presidente, a postura desta vez foi a de aguardar pelas conversas entre Ricardo e os dirigentes são paulinos. “O Botafogo vem acompanhando, num diálogo normal com o Ricardo e aguardando o desfecho do caso”, falou às 17h35, quando já se noticiava a saída do treinador. Nesta sexta, Ricardo Gomes evitou a rotineira entrevista coletiva pré-jogo.

Mas neste sábado, antes do treino da manhã marcado para às 10h00 em General Severiano, Carlos Eduardo e Ricardo Gomes vão falar com os jornalistas. “Vamos dar os esclarecimentos sobre este caso”, disse o presidente. Ele não quis admitir que Ricardo está deixando o clube. “Se eu falar alguma coisa, vou estragar a coletiva”, disse.

Mas, perguntado se já estaria telefonando para outro técnico, a resposta de Pereira foi esta: “Não precisamos ligar para ninguém”. 

No dia 22 de julho de 2015, depois da liberação dos médicos, Ricardo Gomes assinou contrato com o Botafogo. O técnico vinha de um período de recuperação de um AVC hemorrágico que durou quatro anos. No comando da equipe carioca, ele foi campeão da Série B do Campeonato Brasileiro. A aposta da direção botafoguense deu certo e o relacionamento com Ricardo Gomes tem sido dos melhores.

Segundo o UOL Esporte, Ricardo Gomes é novo técnico do São Paulo. O treinador aceitou a oferta nesta sexta-feira e já não comanda mais o Botafogo. Curiosamente as equipes se enfrentarão neste domingo, no Morumbi. Jair Ventura, filho de Jairzinho, será o técnico interino do Alvinegro no próximo duelo. O São Paulo ainda não confirma oficialmente, mas a reportagem apurou que Gomes já é tratado como o novo comandante do time. A proposta do São Paulo era muito boa para o treinador, que ganhará um salário superior aos R$ 250 mil que recebia no Botafogo – em torno dos R$ 300 mil.