A sina dos velhos erros

POR GERSON NOGUEIRA

Quando o primeiro tempo terminou, o placar de 2 a 0 dava a impressão de um jogo fácil para o Papão. Ledo engano. A partida era equilibrada, de muita marcação e contra um adversário que teve chances de marcar. A vantagem surgiu em dois lances isolados, extremamente bem definidos pelo meia Tiago Luís. A reação do Vila Nova na etapa final era plenamente esperada e foi facilitada pela maneira confusa e relaxada como os bicolores encararam o jogo na reta final.

e5952018-54a9-4bb0-9733-352a66094fbfOs sinais estavam postos já no primeiro tempo. No aspecto coletivo, o Papão foi apenas aplicado ao longo dos 45 minutos iniciais. Com uma escalação ofensiva, mas aparentemente pouco entrosada, Gilmar Dal Pozzo tentou surpreender o Vila Nova tentando pressionar desde o começo.

A estratégia não funcionou porque o meio-de-campo permaneceu longe do ataque e um jogador fundamental no esquema – Jonathan – não estava em noite inspirada. Por sorte, Tiago Luís, outro que não produzia nada no papel de organizador, aproveitou duas oportunidades e encaixou chutes perfeitos, marcando os gols que poderiam levar o time à vitória.

Na segunda metade, porém, o Papão viu se agravarem em demasia os erros de posicionamento, combinados com o excesso de lentidão no meio e ainda tendo contra si a fraca atuação individual de seus zagueiros, seguidamente envolvidos nas triangulações do rápido ataque goiano.

O Vila Nova, sempre insistindo nas ações rápidas pelos lados, chegou ao empate com relativa facilidade. Teve chances de chegar ao terceiro, enquanto o Papão – como sempre – só ameaçava em bolas alçadas.

A demissão do técnico era previsível ante novo tropeço em casa. Em 18 jogos, Dal Pozzo ganhou 22 pontos – menos de 1/4 de aproveitamento. Como lembrado no blog campeão, caso fosse na universidade, o conceito seria insuficiente. Mas, a bem da verdade, cabe dizer que o problema do Papão não se resume ao comando técnico.

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Erro da arbitragem atrapalha o Leão 

O empate azulino em Arapiraca teve circunstâncias especiais que acabaram por torná-lo satisfatório. Apesar da atuação apenas regular no primeiro tempo, o Remo foi objetivo e marcou dois gols nas duas chances que surgiram. Wellington Saci aproveitou um presente da zaga do ASA e fez 1 a 0 aos 15 minutos. Aos 34, veio o segundo gol. Yuri completou grande jogada de Edno e Eduardo Ramos.

Fechado defensivamente, o Remo não permitia ao ASA entrar na área. Tinha ainda a dupla Max e Henrique bem atentos, com os laterais Levy e Saci com boas atuações. Mas um lance acabou determinando a inversão de expectativas.

Yuri, que havia recebido cartão amarelo, cometeu uma segunda falta e foi excluído, aos 40 minutos. Com um a menos, Waldemar Lemos preferiu não recompor o setor de marcação. Posicionou Fernandinho e Marcinho um pouco mais atrás e manteve o mesmo time.

Um erro que provocou o recuo excessivo do time, permitindo o sufoco dos dos da casa, até que surgisse o primeiro gol, aos 17 minutos, com Reinaldo Alagoano. O mesmo Reinaldo faria o segundo, minutos depois, antes que o técnico remista finalmente resolvesse lançar outro volante.

Lucas entrou no lugar de Fernandinho, mas a vitória já havia escapado. É verdade que o lance que originou o empate foi inteiramente irregular, com Reinaldo Alagoano conduzindo a bola com a mão. O árbitro e o assistente ignoraram a infração.

Com o placar em 2 a 2, Lemos ainda faria duas mexidas. Alan Dias substituiu Levy, substituição surpreendente e que resultou numa segunda alteração, pois Dias se lesionou e teve que ser trocado por João Victor.

Apesar desses erros de avaliação, o Remo voltou a tocar a bola e teve ainda uma oportunidade (com Max) de marcar o terceiro gol. No geral, a equipe teve desempenho razoável, embora ainda pecando na administração da posse de bola. Passes errados comprometem qualquer sistema de jogo.

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Direto do blog

“Dá pena ver o Paysandu de hoje jogar. Confesso que, baseado nas apresentações anteriores, nem quando o placar estava 2 a 0 senti firmeza nesse arremedo de time, que não tem constância em nada, situação que está contagiando o nosso melhor jogador, o goleiro Emerson, a participar desse verdadeiro desatino. Por isso, é obrigado a precipitar-se na ânsia de evitar o pior. Time que não tem poder de reação quando leva gols, independendo da qualidade dos adversários, não pode ir pra frente. Ainda tem gente que fica contra mim só por que falo o que sinto e vejo. Que ainda dá tempo, claro que sim, mas tem que mudar 100% de atitude. Não entendo o porquê da contratação de jogadores só pra fazer número e ocupar departamento médico, como no caso do Paysandu. Não podemos viver do passado de certos atletas, como Ruan, Bruno Veiga, Alessandro e um monte que nem joga. Que Deus nos livre e guarde dessa maldita 3ª Divisão! Reage, Papão!”.

Manoel Lima, entre a preocupação e a esperança na reação do Papão.

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Série D: paraenses estreiam mal no mata-mata

Águia e São Raimundo estrearam mal na fase de mata-mata da Série D. O time marabaense sofreu a segunda derrota para o Moto Clube dentro da competição. O São Raimundo foi a Juazeiro e perdeu por 2 a 1.

São resultados perfeitamente reversíveis, mas os times irão precisar muito do calor da torcida nas partidas de volta. Neste aspecto, o São Raimundo está melhor aquinhoado, pois a massa santarena sempre apoia o Pantera.

Já o Águia terá que se superar dentro das quatro linhas, pois, se depender do torcedor marabaense, é missão praticamente perdida.

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Placar místico segue fazendo estragos

A síndrome do 2 a 0 continua a produzir vítimas pelo país afora. Além do ocorrido com a dupla Re-Pa, a Chapecoense cedeu o empate depois de fazer 2 a 0 em cima do São Paulo e o Fortaleza foi buscar a igualdade nos instantes finais da partida com o Confiança, pela Série C.

Pelo menos, todo mundo já está mais do que avisado sobre a cábula do placar de 2 a 0, cuja longa história de frustrações no futebol já vem de longa data.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 01)